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E. DISCUSSION

3. D ISCUSSION OF THE PROJECT ON ITR

3.2. Apply research to Mayotte

3.2.2. The improved fallow

119 Hoje, com 71 anos de idade, atua ainda na cidade de São Paulo, onde foi membro da Orquestra Sinfônica do

Estado de São Paulo, regida pelo maestro Eleazar de Carvalho e Orquestra Filarmônica de São Paulo. Integra a Orquestra da Rádio e Televisão Cultura e lidera o grupo Violinos Internacionais (ENGHOLM, Hélio

Optou-se por apontar aqueles diretores que se destacaram por suas ações pontuais para dinamizar a estrutura e as atividades de seus Conservatórios, experimentando aquilo que seu tempo histórico, o contexto local e suas condições sociais permitiam. Dois desses diretores foram os próprios idealizadores de seus Conservatórios e os outros três assumiram a condução de seus estabelecimentos, sendo as figuras centrais das transformações que permitiram dar visibilidade à atividade musical.

Stefanie Luise Maria Gassenmayer, chamada de Irmã Maria Wilfried (1921 – 1995), em 1953, passou a exercer o cargo de diretora do incipiente Conservatório Musical do Colégio, que se torna estabelecimento oficializado em 1956 e, nove anos mais tarde, transforma-se em Faculdade de Música Mãe de Deus. Fez o curso primário, ginasial, colegial e formou-se no curso Normal em 1940, em seu país de origem, na Áustria. Também cursou violino e matérias complementares no Conservatório Fuer Volkstümliche Musikpflege em Viena, tendo participado de audições e da Orquestra desse Conservatório sob a direção do maestro Ebenstein, com apresentações freqüentes na Rádio de Viena, e dirigiu um Coral da própria comunidade das Irmãs na Alemanha. Formou-se como Auxiliar Paroquial e como Enfermeira da Cruz Vermelha na Áustria e na Alemanha, na Segunda Guerra, ajudando os feridos. Terminou o curso para o Magistério Definitivo nas Escolas Primárias no início de 1948, na Alemanha, quando é transferida ao Brasil. No Colégio Mãe de Deus foi secretária, trabalhou um ano no Curso Primário, foi professora de desenho, latim, trabalhos manuais e música no Ginásio do mesmo estabelecimento (CURRICULUM Vitae, 2007).

Assim que assumiu o Conservatório, contratou professores e foi também responsável pela agenda das apresentações musicais e pelas tarefas administrativas referentes à oficialização estadual do estabelecimento. Sobre seu temperamento Pena comenta:

A Irmã Wilfried era um espetáculo. Ela era de uma exigência terrível. Eu dava aula para as internas e ela sempre estava firme com o cumprimento do programa. Foi uma diretora fantástica. Era muito exigente, mas uma pessoa maravilhosa. Eu não esqueço que quando as minhas alunas faltavam, ela pegava a bicicleta e ia buscá-las, trazia-as na garupa e elas chegavam xingando (depoimento de PENA, 2008).

Oriunda de uma educação européia alemã, trazia consigo todo o legado de uma vida disciplinada, desenvolvida pelo rigor, treinamento e autocontrole. Sobre isso sua ex-aluna Corrêa comenta:

Eu me lembro que ela foi uma pessoa importante na minha vida, porque ensinou o que era disciplina. O que é disciplina? É ter horário e obedecer aquele horário para se ter uma determinada produção. Quando se quer ensinar alguém a ser disciplinado, deve-se cobrar até a pessoa entender o que é ser disciplinado e começar a produzir. Neste aspecto acho que ela foi muito importante (depoimento de CORRÊA, 2008).

A diretora Ir. Wilfried, que se naturaliza brasileira, ao realizar o exame de adaptação para o curso Colegial no Colégio Estadual de Londrina, em 1957, parece ter intenções de fixar-se e conduzir suas atividades para alcançar metas mais ousadas para o Conservatório. No ano seguinte, prestou exame de teoria, solfejo e história da música na Escola de Música e Belas Artes do Paraná120 e, em 1959, concluiu o Curso de Harmonia no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. A Irmã Anadir Santini, uma das que acompanharam a Irmã Wilfried em todo esse percurso, confirmou que ela havia estudado em Viena e relatou que freqüentou novamente o curso de música no Brasil. Porém, não se encontrou em suas referências documentais disponíveis qualquer graduação conclusiva do curso superior de música no exterior.

Segundo relato da Irmã Dilecta Rubim, a Irmã Wilfried era muito boa violinista e tocava nas diversas cerimônias das Irmãs. Trouxe orquestras para se apresentarem em Londrina, pois achava importante para a experiência musical de seus alunos e para a cidade. Conseguiu que viessem da Alemanha alguns pianos de cauda, instrumentos de percussão e um cravo, tudo gratuitamente, incluindo transporte e alfândega, sem qualquer ônus para o Colégio. Essas doações materiais talvez tenham sido feitas através de projetos de ajuda da Igreja Alemã, muito rica na época, às Comunidades Missionárias da América Latina. Relatou, também, que a Irmã Wilfried enriqueceu muito o Conservatório de Música.

Era uma exigência do Ministério de Educação e Cultura que uma Instituição, ao solicitar a criação de uma Faculdade, deveria ter como dirigente uma pessoa com curso superior em música. Assim, a Irmã Wilfried buscou a graduação superior para que pudesse dirigir futuramente o Curso Superior de Música que pretendia criar, ausentando-se por dois anos da direção do Conservatório. Para substituí-la, as Irmãs superioras nomearam provisoriamente a professora. Hildalea Gaidzankian, diplomada pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, mesmo sem pertencer à Sociedade das Irmãs de Maria do

120 Essa escola foi oficializada pelo Governo do Estado através do Decreto Estadual 259, de 3 de outubro de

1949, passando a ser modelo de estrutura para outros Conservatórios Musicais do Estado do Paraná (ESCOLA de Música e Belas Artes do Paraná, 2007).

Apostolado Católico Mãe de Deus. A Irmã Wilfried entra no Curso Superior de Violino, e gradua-se no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em 1962 (CURRICULUM Vitae, 2007).

Apesar de não constar explicitamente nos documentos, os dados apontam que o trabalho para oficializar o Conservatório e, mais tarde, transformá-lo em Faculdade de Música, foi conduzido pela Irmã Maria Wilfried. Teria sido pouco provável a conquista desse objetivo se não houvesse, com as dificuldades que surgiram, seu empenho e esforço, ancorados a um firme propósito que fomentava a condução desse empreendimento. O fato de ser religiosa carregava consigo um conjunto de crenças e valores que nortearam toda sua ação educativa.

Na história do Conservatório Musical Filadélfia, encontra-se com a pessoa do pastor Zaqueu de Melo (1914 – 1979), que gerenciou o Colégio Londrinense onde se estabeleceu o ensino da música. Esse local foi adquirido pelo Instituto Filadélfia Londrinense, constituído por um grupo de pastores evangélicos da cidade. Seu trabalho e dificuldades encontradas para arrecadar fundos para a aquisição do Colégio foram registrados nas atas desse Instituto e transcritos pelo jornalista Schwartz.

O presidente fundador viajou de segunda classe (trem), a cavalo a pé, dormiu em pensões e até em banco de estação, fazendo toda a economia para levantar capital, de cidade em cidade, de porta em porta; de Londrina a Curitiba, de Curitiba a São Paulo, de São Paulo a Presidente Prudente (SCHWARTZ, 1997 b).

Zaqueu de Melo demonstrava preocupação com o desenvolvimento cultural da cidade, pois logo que chegou também lutou para expandir a Biblioteca Municipal, sendo um dos fundadores da Sociedade Londrinense de Cultura Artística121. O Conservatório Musical Filadéfia, fundado por sua iniciativa, apesar de ter tido sempre pouca estrutura em número de alunos e de professores, foi mantido por quase vinte anos no Colégio.

A história do Conservatório Musical de Londrina, o primeiro de Londrina a ser oficializado pelo Governo Estadual, contou com a atuação de Ruth Lemos que, apesar de não ser fundadora do estabelecimento, assumiu-o com um ano de existência, permanecendo na sua direção até o seu falecimento. É importante conhecer sua formação, que resultou em ações constantes de valorização da cultura artística musical da cidade.

Lemos (1926 – 1976), aos 13 anos de idade, deu seu primeiro concerto no Teatro Municipal de Campinas, onde residia. Dez anos depois, apresenta-se como solista junto à Orquestra Sinfônica daquela cidade, seguindo uma carreira de concertista pelas principais cidades do país. Mais tarde, é convidada a ingressar no Curso Especializado da professora de renome internacional, Magdalena Tagliaferro, que comentou ao ouvi-la: “eis uma das nossas, pertence à nossa família, a da musicalidade” (CML, Biografia de Ruth Lemos). Participou de um concurso “Chopin” em Varsóvia e foi uma das fundadoras do Conservatório Musical de Campinas.

Veio a Londrina a convite das diretoras do CML, para uma apresentação de piano em 1953 e, no ano seguinte, retorna para trabalhar nesse local, tornando-se diretora, onde ficou permanentemente. Segundo sua filha, Lemos, em relato registrado no diário de campo, veio “amassar barro com os pés”, referindo-se à época sem pavimentações asfálticas e vida rudimentar do local, associando também ao movimento incipiente de educação e cultura musical que teve que enfrentar.

Em Londrina, realizou 18 recitais individuais, além de duetos e concerto a dois pianos. Ainda segundo sua biografia, teve uma vida musical ativa dando concertos pela SCAL – Sociedade de Cultura Artística de Londrina, participando do setor artístico do Clube da Lady e do Londrina Country Club, integrando a diretoria do GPT (Grupo Permanente de Teatro). Além disso, fez parte do Festival da Associação Nacional Paranaense de Imprensa, escreveu artigos e críticas para jornais e realizou trabalhos de Educação Musical e Técnica de Ensino Pianístico. Criou as Semanas da Música, que serão descritas posteriormente, divulgando, na sociedade londrinense, a música erudita, trazendo intérpretes brasileiros em ascensão musical por suas premiações nacionais e internacionais.

Terezinha de Almeida Pena, fundadora do Conservatório Musical Carlos Gomes foi uma pianista londrinense que assumiu a carreira de professora, permanecendo até os dias de hoje no comando desse Conservatório. Formou-se no Conservatório Musical de Londrina, tendo estudado música sempre na cidade e foi a primeira formanda de Londrina que abriu um Conservatório local.

O professor Hélio Engholm, que oficializou o Conservatório Dramático e Musical do Paraná, dirigindo-o por cerca de seis anos, era tido como instrumentista que tocava em lugares inusitados para um instrumentista clássico, como restaurantes e lanchonetes, tornando-se assim conhecido nos lugares onde freqüentava, como revela o depoimento de Romanini (2008).

O diretor Hélio tocava muito bem violino, saía para tocar em diversos locais, churrascarias, onde tivesse um piano ele levava uma pianista para acompanhá-lo. Era difícil uma noite que não saísse para tocar. Ele se destacou porque naquele tempo não havia pessoas que tocavam em lanchonetes, e ele levava até o piano e tocava bem o clássico, o popular, ele ficou famoso.

Sobre ele, o crítico da “A Gazeta”, de São Paulo, disse: “Hélio é um violinista um pouco agitado e, na sua técnica bastante desenvolvida, tira partido de certos efeitos instrumentais que às vezes toca o sentido apaixonado em forma airosa e romântica” (CML, [1970? b]). “Ele era muito bom, tocava violino tão bem que ganhou sete prêmios [em concursos musicais] da Editora Ricordi [conhecida editora de livros e partituras musicais]. Não precisa falar mais nada, não é?” (depoimento de SOUZA, 2008).

Formou uma orquestra de alunos em seu Conservatório e incentivou o estudo de violino, com suas apresentações em diferentes locais.

Nas entrevistas, os colaboradores deste trabalho fazem referência à importância da dedicação e empenho dos diretores e professores dos Conservatórios, para criar um ambiente favorável ao estudo da música erudita.

Foi um privilégio para mim, passar tantos anos exercitando e convivendo com estes músicos, pessoas fortes. Todo mundo era forte. A Irmã Wilfried, a Irmã Anadir [Santini], todos os professores que eu tive, todos eram valentes. Ensinar música em uma cidade igual Londrina onde a maioria não tinha formação nenhuma, você fica pensando... Que cultura tinha aqui? Nem sei! (depoimento de CORRÊA, 2008).

Não havia muito movimento musical na cidade. A dona Ruth [Lemos] tentou levantar muita coisa aqui em Londrina. Através dela é que o movimento musical começou a crescer porque, quando eu registrei o Conservatório, em 1961, as escolas de música tinham muitos alunos. Teve uma época que eu tive 150 alunos só de piano (depoimento de PENA, 2008).