5.3 Potential for gene transfer
5.3.2 Plant-to-plant gene flow
O significado interacional está relacionado com a interação entre os participantes representados (PRs) e os participantes interativos (PI). Nas imagens, Kress e Van Leeuwen (2006) classificam essa interação através das categorias: olhar, enquadramento, perspectiva e
modalidade.
No olhar, podemos encontrar imagens de oferecimento e demanda. Uma imagem de demanda é aquela em que o participante representado olha diretamente para o leitor. Segundo Brito e Pimenta (2009, p. 96), ao fazer isso, o produtor dessa imagem quer criar um vínculo direto com o leitor, como se estivesse dizendo um “você” visualmente. Desta forma, o
46 participante quer algum tipo de relação imaginária com o leitor (afinidade, sedução, dominação) demandando algo: uma aproximação ou distância, por exemplo. As imagens assim já trazem em si seu leitor ideal e excluem os demais observadores. A figura 18 ilustra uma demanda do observador numa relação imaginária.
Figura 18 Figura 19
Uma imagem de oferta se dirige ao leitor de forma indireta, sendo o leitor o observador da cena sendo captado pela imagem que se “oferece” ao leitor. Nesse caso, o PR não está olhando diretamente para seu leitor, como na figura 19, publicidade da Hope com a modelo Gisele Bundchen.
No enquadramento, Kress e Van Leeuwen (2006, p.124) recorrem ao cinema para usar os termos referentes à distância e proximidade (close up, medium shot e long shot). Segundo os autores, nos manuais sobre televisão e cinema, o tamanho do frame é definido em relação ao corpo humano. Assim, o close up mostra cabeça e ombros do sujeito (PR), e o extremo close up algo ainda mais focado, ou seja, detalha apenas uma parte do corpo do participante. A figura 20 é um exemplo de um close up, pois destaca a parte superior do participante representado, ou seja, cabeça e ombros.
47 O medium shot (figura 21) mostra aproximadamente até os joelhos do participante representado, enquanto, o long shot (figura 22) mostra o corpo todo.
Figura 21 Figura 22
Quanto maior for a distância do participante da imagem (long shot) mais impessoal se torna a relação entre ele e o leitor. Ao contrário, quanto mais próxima a imagem (close up), maior a relação de intimidade com o participante possibilitando a cumplicidade de sensações, sentimentos.
Quanto à perspectiva, trata-se da posição ou ângulo em que os participantes são mostrados nas imagens, podendo ser subjetivas (quando o PR é visto apenas sob um ângulo) ou objetivas (quando mostra o que existe ou que seja necessário ser visto). Nesta categoria são detectadas as relações de poder existentes (afirmadas pelo ângulo vertical ou oblíquo) e/ou as relações de maior ou menor empatia (percebidas pelo ângulo horizontal).
A publicidade do banco Itaú, (figura 23), ilustra uma imagem subjetiva com maior envolvimento, pois o participante está representado sob a perspectiva frontal, o que demonstra uma aproximação do banco com o cliente.
48 Já na figura 24, há um distanciamento parcial do PR em relação ao PI, por meio do ângulo oblíquo. Nesse exemplo, o PR não se preocupa em desenvolver uma relação com o observador, centrando-se ao que está em sua volta.
Figura 24
As imagens com ângulos altos e baixos indicam a posição de poder do PI em relação ao PR. Na figura 25, temos como exemplo, o cartaz do filme “Beleza Americana” cuja perspectiva sugestiona que o PR está ‘à disposição’ do PI. Na imagem 26, a perspectiva vertical do cartaz do filme “Senhor e Senhora Smith” confere superioridade aos PRs.
Figura 25 Figura 26
Com relação às imagens objetivas, Kress e van Leeuwen (2006, p.143) classfica- as quanto a representações técnicas e científicas, como diagramas, mapas, indicando uma atitude objetiva, ocorrendo das seguintes maneiras: por uma direção frontal em que a imagem sugere envolvimento máximo, orientando à ação, é o ângulo que diz: “é assim que funciona”, “é asssim que se usa” (KRESS e VAN LEEUWEN, 2006, p.145); por uma direção perpendicular do ângulo topo-base que, por sua vez, é o ângulo do poder máximo, como se o observador pudesse ter o ponto de vista de Deus, com uma visão global de determinada imagem. O terceiro ponto de vista objetivo é a visão de raio-x. Nesse caso, deriva do fato de a objetividade não se limitar à aparência, mas em níveis mais profundos da imagem apresentada. Segundo Kress e van Leeuwen (2006, p. 145), na cultura ocidental esse tipo de imagem é utilizado quase exclusivamente em diagramas, embora possa ser observado algumas vezes em desenhos de crianças.
49 A modalidade, para Kress e van Leeuwen (2006, p. 155), se refere “ao valor de verdade ou credibilidade” e é tão importante na comunicação visual quanto na gramática verbal. O visual pode representar pessoas, lugares e coisas como eles são na realidade ou não, ou seja, pode-se criar, imaginar, fantasiar. Assim, também na GDV, os julgamentos de modalidade são sociais, dependendo do que é considerado real (verdadeiro ou sagrado) para um determinado grupo social para o qual aquela representação foi primeiramente direcionada. De acordo com os princípios de realidade existentes, os autores classificaram quatro tipos de modalidade: naturalísticas, sensoriais, abstratas e tecnológicas.
As naturalísticas são definidas como mais próximas da realidade, como se fossem percebidas por nossa visão “ao vivo”, como na figura 27. Quando as cores da imagem são mais saturadas, mais exageradas do que as da realidade, as representações são consideradas como hiper-reais, com as cores, iluminação e profundidade mais acentuadas do que na modalidade naturalística. Nesse caso, temos a modalidade sensorial, com a representação de emoções, sentimentos (fig.28).
Figura 27 - Modalidade Naturalística Figura 28 – Modalidade Sensorial
A modalidade abstrata (figura 29) é comum em contextos científicos, informativos e apresenta apenas o que é essencial para a representação de uma imagem. Neste caso, de acordo com Brito e Pimenta (2009, p. 104-5), “as cores e a iluminação consideradas irrelevantes” e “o individual é reduzido para o geral, e o concreto como sua qualidade essencial” (KRESS e VAN LEEUWEN, 2006, p.165).
50 A modalidade tecnológica tem como princípio dominante e efetivo a representação visual como um tipo de projeto, uma planta (figura 30) e a cor é uma modalidade baixa nesse caso.
No estudo das imagens, Kress e van Leeuwen (2006) estabelecem seis marcadores de modalidade que, quando analisados em conjunto, permitem a avaliação da modalidade das representações visuais (SILVA, 2011, p. 46). Os marcadores são: saturação e diferenciação da cor, contextualização (primeiro e segundo plano), representação (detalhamento da imagem), profundidade, iluminação e brilho.