4. Results and Discussion
4.2 Activity concentrations of radionuclides of interest in soil and plants
4.2.2 Plant Activity Concentrations
O sujeito livre já expõe a forma de representação adequada do ser. “O conceito designa a forma geral de todo ser, e, ao mesmo tempo, o próprio ser que representa adequadamente esta forma, a saber, o sujeito livre.” (MARCUSE,
2004, 145) Representação adequada porque integra representação aceita e sujeito livre. Que tipo de integridade, que tipo de compreensão pode-se obter ao se abordar antagonismos históricos da filosofia, entre questões relativas à natureza e à cultura? A pergunta é indicativa da resposta, porque a resposta é a própria integração que se necessita efetiva. Integração efetiva é a totalidade enquanto unicidade e multiplicidade ao mesmo tempo. “O sujeito existe, mais uma vez, em um movimento
que passa de modos inferiores a modos superiores de auto-realização” (MARCUSE, 2004, 145), para se evitar a dualidade, entre a integração compreensiva do conceito do ser e do sujeito livre, a representatividade não pode ser absoluta por si, só o é absoluta e efetiva, se a representação for igualmente compreensiva, isto é, dependente e constituída pelo representado. Não há pré-domínio há reciprocidade
entre ser e sujeito livre.
Marcuse cita que “Desde Platão, a ideia sempre significou a imagem das potencialidades
autênticas das coisas, em oposição à realidade aparente.”(MARCUSE, 2004, 145), considerou que para Hegel além da característica crítica, a alteridade, a ideia é compreendida como “a forma mais alta da autorealização do sujeito
livre.”(MARCUSE, 2004, 145) Compreendida como tal a ideia transforma-se no significado principal do ser, Marcuse compreende-a
como parte de um paradoxo intencional, paradoxo porque entre a realidade e a ideia, a ideia é que é o ser verdadeiro.
Compreende-se a realidade, o existente como significativo se integrado sinteticamente com o seu negativo essencial e crítico. O paradoxo apresenta-se porque há elementos em contraposição. O paradoxo é intencional, porque é compreendido como o processo de autorealização do sujeito livre. Compreende-se o paradoxo intencional como o resultante sintético entre existência contingente e negatividade essencial. Não é
a essência, o resultado sintético e sim a realidade compreendida enquanto paradoxo intencional efetivado pelo histórico. A ideia, forma mais alta da autorealização humana, é o paradoxo intencional qualidade do ser verdadeiro. “Para Hegel, que não conhecia nenhum reino de verdade fora deste mundo, a ideia é efetiva e a tarefa do homem é viver na sua efetividade.”7 (MARCUSE, 2004, 146) Sua efetividade é a
7 Enquanto Marcuse distingue “actual” de “real”, a tradução brasileira utiliza somente a palavra real indistintamente para o significado das duas palavras. A saber: the idea is actual and man's task is to live in its actuality. (a ideia é algo de real, e a tarefa do homem é viver na sua realidade).
compreensão sintetizadora do paradoxo intencional, compreensão que suprassume conhecimento e vida. Tanto a vida como a ideia são o ser verdadeiro. Pelo conhecimento o trabalho humano torna-se trabalho livre. A liberdade pelo trabalho realiza-se pela síntese conseguida pelo sujeito em efetivar as potencialidades das coisas. A realidade é compreendida
como efetividade, como proposição paradoxal cultura-natureza, organização social racional, reconhecendo organização
social como as medidas necessárias para dar conta da resolução da produção da vida e organização racional como a integração dos valores objetivos compreendidos como tal, como determinação humana, liberta do controle das exigências das leis naturais. “Mais ainda, só por força do conhecimento pode a vida se tornar tal trabalho livre, pois que o sujeito precisa do poder do pensamento conceitual para dispor das potencialidades das coisas.” (MARCUSE, 2004, 146). Conceito e ideia são categorias lógicas utilizadas pela
capacidade crítica para a compreensão da realidade como integração efetiva entre conhecimento e a vida, entre a organização social e a racionalidade de sua realização.
A capacidade crítica do paradoxo intencional se evidencia pela prioridade ontológica reservada à realização do bem. O elemento de prática, realização do bem, identifica a dignidade do universal, bem, com a dignidade do simples real, a realidade externa. “...a ideia prática, a realização do Bem8 que modifica a realidade exterior, é mais
alta do que a ideia de Cognição ...por isto tem, não só a dignidade do universal, como também do simplesmente efetivo.”
(MARCUSE, 2004, 146) Novamente a compreensão do paradoxo está pressuposta, e seu significado ancora-se na prática, elemento prioritário em relação ao conhecer. A capacidade crítica é de estatuto prático. Marcuse compreende a filosofia que transformou história em ontologia. O mundo objetivo transforma-se em meio de autorealização quando o sujeito reconhece como sua, toda a realidade. “Enquanto o conhecimento e a ação tiverem um único objeto exterior ainda não dominado, e,
portanto, estranho e hostil ao sujeito, o sujeito não é livre.” (MARCUSE, 2004, 146) O sujeito é livre quando a complexidade
do paradoxo conhecimento-ação, transforma-se na harmonia pretendida pelo sujeito, quando sua liberdade estiver efetivada na
prática. Prática que devido à prioridade ontológica não se dilui pelo exercício do sujeito enquanto subjetividade, mas enquanto pensamento.“Só o pensamento, o pensamento puro, realiza as exigências da liberdade perfeita, porque o pensamento "pensando" a si
mesmo é, neste ser-outro, inteiramente por si; não tem outro objeto que não ele mesmo.” (MARCUSE, 2004, 146)
Marcuse classifica este idealismo de Hegel que supera a realidade e não simplesmente opõe-se como elemento alternativo, de idealismo crítico porque fundado no verdadeiro ser, na unidade do conhecimento e da ação. “Ele acabou por transformar a história
em ontologia. O verdadeiro ser é concebido como um ser perfeitamente livre.” (MARCUSE, 2004, 146)
Resignação lógica à ideia significa compreender o poder da razão como materialização concreta da liberdade. À contingência dos antagonismos inconciliáveis da sociedade moderna se contrapõe a necessidade integradora do poder da razão com a materialização concreta da liberdade. Esses dois pólos
8A tradução brasileira transformou: “Hegel expressly declares that the practical idea, the realization of 'the Good' ” em “Hegel declara expressamente que a ideia prática, a realização do „Deus‟ ". Talvez pudéssemos compreender, como objetivo do tradutor, uma identificação de cunho metafísico, como poderia ser uma especificidade de algumas perspectivas filosóficas clássicas ou medievais.
em situação de contraposição inconciliável dão significado à filosofia dualista de aceitação do idealismo como um pólo transcendente. Marcuse confirma que, para Hegel, tanto o dualismo idealista como o sujeito não-livre, são uma completa renúncia à razão. “Nesta sociedade, o homem continua sujeito às leis de uma economia não controlada, e tendo de ser dominado por um Estado
forte, capaz de enfrentar as contradições sociais.” (MARCUSE, 2004, 147) No entanto mesmo se o homem
está sob grilhões não pode resignar-se ao dualismo, para marcuse compreender a Ideia de Hegel, significa compreender que éiao ser verdadeiro continua sendo a síntese entre conhecimento e prática. “A
razão e a liberdade voltam novamente a se refugiar na ideia, pois que elas são os critérios do verdadeiro ser, e a realidade na qual se
materializam está desfigurada pela irracionalidade e pela servidão.”(MARCUSE, 2004, 147) Resignação lógica à Ideia
significa, compreender a etapa da ideia em seu desenvolvimento histórico. “O mundo objetivo torna-se, então, o meio em que se
auto-realiza o sujeito que conhece a realidade toda como sua própria realidade e tem a si mesmo como o único objeto.”
(MARCUSE, 2004, 146). Resignação lógica à Ideia significa ainda compreender a relação absoluta entre mundo presente no pensamento, como possibilidade concreta de liberdade. “A humanidade tornou-se consciente do mundo como razão, tornou-se consciente das formas verdadeiras de tudo o que se pode realizar. Purificado dos resíduos da existência, este sistema da
ciência é a verdade sem jaça, a ideia absoluta.” (MARCUSE, 2004, 147)
O conteúdo verdadeiro da ideia absoluta é tão somente a totalidade processual do sistema a ser compreendido, isto é, o conceito verdadeiro da realidade, do sistema enquanto totalidade a ser abrangida. Ideia absoluta não se reduz ao conteúdo de um sistema ordenado e completo, à ideia de “razão que compreende tudo e enfim absorve tudo ...que está para além do bem e do mal, da
verdade e da falsidade.” (xii A transcendentalidade da ideia absoluta não é a priori nem elimina qualquer possibilidade de
interação com um outro de si. Por isso não podemos “comprazer-se em acumular palavreado vazio sobre a ideia absoluta. Mas, o
conteúdo verdadeiro desta ideia é tão-somente a totalidade do sistema do qual, até agora, estudamos o desenvolvimento.”
(MARCUSE, 2004, 147) Não é um sistema fechado em si, não é uma forma harmoniosa e estável, a ideia absoluta contém em si sua própria negação, é um processo de unificação de opostos que só se completa em outro. “O todo é a verdade e o todo é
falso.” (xiiA ideia absoluta seria falsa se o processo pudesse parar.
A ideia absoluta faz que compreendamos o ser como uma totalidade concreta em que subsistem distinções e relações essenciais de um princípio compreensivo. Porque ser, agora, é compreendido no seu conceito, isto é, como uma totalidade concreta. “A ideia absoluta é na sua forma final o sujeito pensamento. O ser-outro ou negação do sujeito é o objeto, o ser. A ideia absoluta tem de ser agora interpretada como ser objetivo.” (MARCUSE, 2004, 149) Ao se compreender a ideia absoluta como ser objetivo, compreende-se o poder da razão como materiliazação da concreta da liberdade, passagem da compreensão para a efetivação.
A totalidade compreensiva do mundo pressupõe a indeterminação do bem, a determinação no seu ser outro e a recuperação consciente do processo pelo sujeito. Compreender o mundo pelo processo da ideia absoluta pressupõe a interpassagem entre sujeito e objeto, entre liberdade e mundo, pressupõe-se como o processo efetivo da realidade, a transição objetiva de uma forma de ser à outra. O próprio processo efetivo da realidade inclui
a libertação e a determinação da ideia por meio de síntese efetiva nos processos naturais e culturais. Marcuse cita Hegel “"a
ideia se liberta espontaneamente" na natureza, ou que espontaneamente "se determina" como natureza.” (MARCUSE,
2004, 149)
A ideia absoluta é a forma limite de adequação, por um lado entre forma e conteúdo, lógica dialética, e por outro entre forma lógica e realidade existente, conceito e sujeito pensante; é a exposição do dinamismo entre posição, a ideia, e contraposição, o ser objetivo; é a recuperação sintética destes dois elementos. “Assim, a ideia absoluta, que é a forma adequada desta existência,
deve conter em si o dinamismo que a impele para o seu oposto e que, pela negação deste oposto, a faz voltar a si.” (MARCUSE,
2004, 150)
A Lógica de Hegel reassume uma pretensão da tradição metafísica aristotélica de compreender o ser como tal, o ser verdadeiro, como ser determinado. “Desde Aristóteles, a busca do ser. (como tal) estivera ligada à busca do ser verdadeiro, daquele
ser determinado que expressa de modo mais adequado o caráter do ser-como-tal.” (MARCUSE, 2004, 149) Passa-se da
compreensão da função ontológica de se estabelecer o ser verdadeiro, o ser-como-tal, como a ligação entre o verdadeiro e o determinado, para a necessidade da compreensão da possibilidade da liberdade pela expressão do sujeito. É necessário compreender que a ideia absoluta é concebida como liberdade, como precipitação do si no seu ser-outro, a como-tal no determinado, concebendo-a como a criadora efetiva do mundo, como a efetivação da razão. A compreensão a que se chegou de que o verdadeiro ser, a saber, as totalidades das formas puras de todo ser se realizam no sujeito livre, porque só ele é que pode pensar-se como livre. A compreensão totalizada do ser, a ideia absoluta “deve ser concebida como o que realmente cria o mundo, ela deve demonstrar sua
liberdade precipitando-se livremente no seu ser-outro, isto é, natureza.” (MARCUSE, 2004, 150), e por extensão na cultura. A
cultura é compreendida aqui enquanto criadora porque ancorada na capacidade alteradora do sujeito, e compreendida igualmente como o que foi criado na natureza.
A ideia absoluta compreendida como integridade tanto é o sujeito lógico do pensar, o de quê falamos, quanto o seu predicado lógico, a qualificação do quê falamos. Marcuse segue a perspectiva da negatividade dialética que resulta na totalidade de integração de pensamento e ser, nada de mundos além da racionalidade crítica. “O ser verdadeiro não está para além deste mundo, mas só existe no processo dialético que o perpetua.”
(MARCUSE, 2004, 149)9 O ser verdadeiro é perpetuado pelo processo dialético. A dinâmica do ser está inerente a si próprio, não se aceita alheiamento a priori ou a posteriori, não se fundamenta em heteronomia. O desenvolvimento do ser verdadeiro, o desenvolvimento do sujeito e de seu pensamento integra a força de si que inclui sua transformação em síntese concreta, em síntese histórica.
“O processo da realidade é um „círculo‟ que mostra a mesma forma absoluta em todos os seus momentos, a
saber, a volta do ser a si mesmo, pela negação do seu ser-outro.” (MARCUSE, 2004, 149) A integridade do processo mantém-
se, é a certeza de seu todo, relatada por Marcuse como forma absoluta. Forma absoluta é a qualidade do processo, do ser
9 Segue o original e em seguida a tradução brasileira: “The true being does not reside beyond this world, but exists only in the dialectical process that perpetuates it.” “O ser verdadeiro não pode viver fora deste mundo, mas só existe no processo dialético que o mundo perpetua.”
verdadeiro, é o predicado lógico. Além do processo ser um todo o próprio todo é abrangido pela nossa
linguagem, é do processo que falamos, o todo é o sujeito lógico, o de quê falamos. O todo é igualmente sujeito e predicado lógico, a integridade é o de quê falamos, e é ainda a qualidade daquilo que falamos, o todo é o sujeito do
processo linguístico como o seu predicado, o procedimento dialético fundamenta-se na integralidade do ser. É pela dinâmica inerente à realidade que se processa o seu desenvolvimento negativo. “O desenvolvimento do sujeito liberta o
ser da sua necessidade cega, e a natureza se torna uma parte da história humana, portanto, uma parte do espírito.” (MARCUSE,
2004, 150) A negatividade refere-se tanto à natureza quanto à história. “A história, por sua vez, é o longo caminho da humanidade em direção ao domínio conceitual e prático da natureza e da sociedade, domínio que passa a existir quando o homem é trazido à razão e a
um domínio do mundo como razão.” (MARCUSE, 2004, 150) A Lógica é compreensão e parâmetro de
compreensão. Pela Lógica compreendemos o ser verdadeiro com a qualidade do todo, e compreendemos igualmente que o todo, a integridade, é
o de quê devemos falar. “Este sistema abrange o mundo todo como uma totalidade compreensiva, na qual todas as coisas e relações surgem na sua forma e conteúdo efetivos, isto é, no conceito. Nele é atingida a identidade do sujeito e do objeto, do pensamento e da