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6. Comparison of Experimental Results with Model Predictions

7.3 Plans to Improve Both

Mundial no Parlamento Brasileiro, 199. 3. Pretensões de prestígio internacional. O Brasil na Liga das Nações, 215. 4. A integração e defesa nacionais como via de acesso ao prestígio internacional, 227.

Se durante seus primeiros trinta anos a República brasileira teve que lidar com um quadro político de incertezas no qual a necessidade de solidificação das instituições se fazia necessária para ajustar o poder da nova elite agroexportadora, era preciso também, nesse processo, romper os vínculos com o passado imperial e instalar no país os novos ares de modernidade, que vinham do mundo afora. No começo do século XX, a Europa respirava um pouco mais tranqüila após a guerra franco-prussiana no final do século XIX e experimentava um período prolongado de paz, inédito até então. Na América, os Estados Unidos conheciam grande prosperidade comercial com um mercado consumidor interno que já se encontrava bastante desenvolvido.

No Brasil, o final do Império e o início da República colocavam em destaque a elite cafeicultura sedenta de um espaço no cenário político nacional e convencida da importância do prestígio internacional do país, cujos frutos só poderiam acarretar maior progresso aos negócios e fortalecimento das oligarquias regionais. Nesse sentido, fazia-se mister acertar o passo com o ritmo universal no intuito de firmar

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a posição brasileira no continente americano, de maneira diferenciada dos vizinhos latino-americanos, e, com isso, conquistar o espaço do país em um mundo dividido por imperialismos.

Para tanto, a formação cultural e nível educacional dessas novas elites no poder tinham papel capital na criação da imagem de um país moderno, republicano e próspero. Era preciso atrair os olhos do mundo para o progresso brasileiro. Nesse sentido, a educação da jovem elite nacional era completada em Paris, uma vez que os hábitos e costumes franceses eram sinônimos de refinamento, de desenvolvimento. A vida urbana tornava-se cada vez mais intensa alterando padrões e valores. Enquanto em São Paulo modernizavam-se as construções, com linhas de bondes elétricos, criação de livrarias e bibliotecas1, além de intensificar-se o comércio de produtos importados; no Rio de Janeiro, capital federal da recente República instalada, abriam-se ruas e avenidas, demoliam-se cortiços, construíam-se prédios públicos inspirados na arquitetura francesa, estendiam-se e eletrificavam-se linhas de bonde e mudava-se a conduta social, com a finalidade de transformar o Brasil em um país modernista, deixando para trás a idéia de cidade colonial insalubre e sombria.

A remodelação dos hábitos generalizava-se por todos os aspectos da vida social brasileira, marcando uma época de renovações por meio do republicanismo e manutenção das elites agrárias e de seus aliados no poder. Embora não houvesse clara consciência de que se vivia um clima de belle époque nos primeiros anos da República, uma vez que ela não existiu como movimento, pode-se dizer que esse sentimento vivia

1 Na primeira metade do século XX foram fundados em São Paulo a Pinacoteca (1905), o Conservatório Dramático e Municipal (1906) e o Teatro Municipal (1911).

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no espírito da época, marcando a “redenção definitiva da situação colonial” 2 brasileira. A elite de então, presa ao conservadorismo político, apostava no jogo social como forma de imprimir o cosmopolitismo à nova vida urbana que se impunha. Entretanto, esses centros urbanos, inspirados no modo de viver francês, não levavam em conta os operários sem condições de trabalho, as feiras livres, as favelas, os analfabetos, o mundo rural e tudo aquilo que impedisse a “civilização” do espaço urbano nas grandes capitais da República, ocultando-os e segregando-os do espaço público das elites.

Se, no entanto, o Brasil republicano celebrava a modernidade como símbolo do novo conceito de nação que se intencionava dar ao país, é preciso recordar que os primeiros trinta anos do novo regime também seriam perturbados por inúmeras revoltas sociais. Entre elas pode-se citar a Revolta de Canudos, com o messianismo de Antônio Conselheiro, que eclodia no interior da Bahia, no governo de Prudente de Morais, durando quatro anos (1893-1897). Na capital federal, em 1904, por sua vez, era sancionada a lei que tornava obrigatória, em todo território nacional, a vacinação e a revacinação contra a varíola, causando diversos atritos entre a população não esclarecida e os policiais que impunham a vacinação à força. Estourava a Revolta da Vacina, seguida mais tarde, em 1910, pela Revolta da Chibata, iniciada nos quadros da Marinha contra os maus-tratos sofridos pelos marinheiros. Em 1917, na onda da revolução socialista que levava os operários ao poder na Rússia, imigrantes estrangeiros no Brasil e operários brasileiros, que sofriam com as péssimas condições de trabalho impostas à época, se lançavam em greve nacional, paralisando fábricas em todo país e sendo reprimidos com violência pelo governo de Wenceslau Brás.

2 Revista de História da Biblioteca Nacional. Artigo: “Flirts no footing da Avenida Central” por Robert M. Pechman e Walcler de Lima Júnior. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional. Ano 01. N.° 05. Novembro de 2005. P. 36.

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A preocupação com a modernidade e a precaução com o clima de turbulência na nova República não escapavam à atenção dos homens públicos presentes no Parlamento. A legislação ia sendo adaptada às necessidades das oligarquias regionais, ao mesmo tempo em que ia tentando ajustar as reivindicações trazidas pelos movimentos sociais que vão se apresentando ao longo dos primeiros irrequietos anos do novo regime. Dessa maneira, em 1907, logo após a aprovação da Lei n.° 1.264 que reformava a legislação eleitoral em 1904, prescrevendo os casos de inelegibilidade para o Congresso Nacional, Presidência e Vice-Presidência da República, o Legislativo brasileiro aprovava a lei de autorização para a criação de sindicatos profissionais, cinco anos depois da criação do Partido Socialista do Brasil (PSB). Em 26 de dezembro de 1915, em discussão à redação final do projeto de Código Civil no plenário da Câmara dos Deputados, em sessão extraordinária e especial, aprovava-se a proposição por unanimidade, em meio ao momento de comoção internacional com a deflagração da Primeira Guerra Mundial.

A partir de 1914, a sede da Câmara dos Deputados seria transferida do antigo prédio da Cadeia Velha para o Palácio Monroe, sede do Senado Federal mais tarde, em 19253. A mudança das instalações físicas da Câmara sintonizava-se, também, com o espírito de belle époque presente no mundo até a eclosão da primeira grande guerra e com o qual o Brasil pretendia mostrar-se em concordância. O Palácio Monroe havia sido construído para abrigar o pavilhão do Brasil na exposição Louisiania Purchase Exposition, realizada em 1904, nos Estados Unidos e, em razão de sua estrutura metálica desmontável, foi reerguido no Brasil, no final da Avenida Rio

3 O Palácio do Conde no Rio de Janeiro foi sede do Senado Federal desde sua criação no Império, em 1824, a 1925, quando foi transferido para o Palácio Monroe. O antigo Palácio do Conde dos Arcos é hoje ocupado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Com a inauguração de

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Branco. Foi, aliás, o próprio ministro das Relações Exteriores quem batizou o palácio, em homenagem ao presidente norte-americano James Monroe e sua propalada doutrina. A transferência da sede da Câmara, assim, representava mais do que mudança do espaço físico em razão das precárias instalações da Cadeia Velha4; simbolizava, materialmente, a harmonização do Parlamento com a onda de modernidade presente no cenário internacional e a busca pela nivelação da posição do país com as potências mundiais. Representava, no contexto mental, a adaptação do Brasil aos padrões estabelecidos pelas elites mundiais da época.

O movimento cultural da época não ficava atrás dos valores burgueses perseguidos pelas elites agroexportadoras. Ao contrário, mostrava-se em sintonia com os acontecimentos políticos nacionais e internacionais do período. Dessa maneira, como se viu no primeiro capítulo, quando despontava a Semana de Arte Moderna em São Paulo, de 13 a 17 de fevereiro de 1922, surgia no quadro nacional uma manifestação artística que se vestia de simbologia elitista. Não era intenção do movimento, entretanto, a denúncia da situação de miséria que vivia a camada popular ou das inúmeras revoltas que tomavam conta do país nos agitados primeiros anos republicanos.

O movimento modernista, planejado dentro das mansões dos seus patrocinadores, ligados ao comércio do café, era acompanhado pelas camadas mais pobres da população pelos jornais e revistas por se tratar de um evento da elite, um evento “grã-fino”. Não existia um engajamento do movimento com as preocupações do

Brasília, o Senado Federal é transferido para o Palácio do Congresso Nacional, no mesmo ano em que a Câmara dos Deputados.

4 Em 1922, com os preparativos para a “Exposição Internacional do Centenário da Independência”, a Câmara dos Deputados iria ocupar, no período de 18 de junho de 1922 a 05 de maio de 1926, o edifício da Biblioteca Nacional. Enquanto isso, construía-se no local da antiga sede da Cadeia Velha o Palácio Tiradentes, que serviria de sede à Câmara dos Deputados de 06 de maio de 1926 a 20 de abril de 1960, quando ocorre a transferência da capital federal para Brasília.

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mundo real dos operários, que reivindicavam melhores condições de trabalho e fundavam, no mesmo ano, o Partido Comunista do Brasil (PCB) e clamavam pelo voto secreto, a legislação social, a luta contra as leis de exceção, a anistia aos presos políticos e a autonomia do Distrito Federal5. A arte de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Cândido Motta Filho, Tarsila do Amaral entre outros não se comprometia com qualquer militância, nem evocava ideais políticos atrelados às suas formas de expressão. O único compromisso era com a renovação do cenário cultural brasileiro.

O modernismo era fruto da urbanidade, da vida social das elites moldadas pela cultura parisiense. Todavia, surgia como crítica ao cosmopolitismo eurocêntrico que predominava na cultura da elite brasileira no início do século XX, denunciando a cidade que começava a incomodar com seus barulhos insuportáveis de buzinas, dos bondes elétricos e da multidão que exibia pressa no começo do novo século6. A palavra de ordem era modernizar, mas para tanto a modernização deveria ter uma identidade brasileira, diferenciada. A ambição dos pensadores do movimento era “educar o Brasil, curá-lo do analfabetismo iletrado, e, sobretudo, pesquisar uma maneira nova de expressão compatível com o tempo do cinema, do telégrafo sem fio, das travessias intercontinentais” 7.

5 NETO, Casimiro. A Construção da Democracia: Síntese Histórica dos Grandes Momentos da Câmara dos Deputados. Brasília: Coordenação de Publicações da Câmara dos Deputados, 2003. P. 362.

6 MOTA, Carlos Guilherme (org.). Viagem Incompleta: a Grande Transação. 1500-2000, a Experiência Brasileira. Vol.2. São Paulo: Senac, 2000. P. 60.

7 Vanguarda e Modernidade nas Artes Brasileiras. Seminário: “A Semana de Arte Moderna e a Crítica Contemporânea” por Maria Eugênia Boaventura. São Paulo: Programa de Pós-graduação em Artes e do Departamento de Artes Plásticas da Universidade de Campinas (Unicamp), 2005. P. 05. Disponível em:

http://www.iar.unicamp.br/dap/vanguarda/artigos_pdf/maria_eugenia.pdf. Último acesso em: 07 de janeiro de 2009.

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Apesar de não haver no movimento modernista uma vinculação direta com a política nacional em plena efervescência – às voltas com as imigrações e transformações econômicas advindas do maior processo de industrialização, colocando as classes trabalhadoras em destaque dentro de um redemoinho ideológico onde circulavam idéias anarquistas e comunistas –, ele era a representação cultural do quadro social, econômico e político da época. Assim como a República não apresentava um programa claro quando da sua proclamação, o movimento cultural modernista não apresentava um projeto estético definido e coerente quando surgiu. A exemplo do quadro político nacional, a manifestação artística foi amadurecendo e ganhando maior identidade ao longo das gerações de artistas que foram transformando a semana modernista em movimento cultural, com linguagem brasileira e como expressão dos anseios da elite nacional. Impressionava como

“essa elite acolheu o convite modernista, não apenas patrocinando o movimento, mas tomando-o como inspiração para planos ambiciosos de fazer do seu Estado ‘o berço de um futuro racial, industrial e econômico’ (...). O surto de progresso [presenciado nas principais capitais brasileiras, e em especial São Paulo, tinha a ver] com aquela aliança entre empresários, políticos, escritores e artistas, iniciada por ocasião da Semana ou pouco antes. [Para isso,] basta conferir a imponência social, financeira e econômica dos patrocinadores do evento e a simpatia discreta dos seus dirigentes políticos (prefeitos e governadores). Acionados pelos líderes modernistas, os chefes políticos locais [apadrinhavam] novos artistas em dificuldades financeiras, com bolsas de estudo no exterior (...) e com a aquisição de suas obras.”8

O modernismo representava, em suma, a sintonia com o progresso mundial, mas de forma bem brasileira. Atraía para o Brasil a atenção dos estrangeiros,

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para que viessem conhecer o “ouro negro” e comprar a idéia de um país em concordância com sua época. Para as elites, o movimento era a oportunidade de mostrar ao mundo a posição particular do Brasil no continente americano, em relação aos países vizinhos. Era a continuação do projeto que Rio Branco tentara imprimir à imagem internacional do país, porém, com traços menos eurocêntricos ou norte-americanos e bem mais nacionais. Contudo, o movimento marcava também o prenúncio das inúmeras mudanças que iriam acontecer no final do primeiro período republicano – como o rompimento do frágil equilíbrio da política café com leite, o movimento dos 18 do Forte de Copacabana, o movimento tenentista e a Coluna Prestes – e que acabariam de vez com a belle époque brasileira, mas também com as várias incertezas do primeiro período republicano, abrindo caminho para a revolução de 30 e o começo de uma nova era na história brasileira.

1. Alternativas ao projeto de política exterior de Rio Branco: entre o monroísmo