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Beslutninger

In document RoSE (Robot & Software Engineering) (sider 34-37)

Com a ideia de traçar um perfil dos dois turnos de estudo universitário - diurno e noturno - convém desenvolver uma reflexão acerca das dificuldades de aprendizagem que os alunos de cursos noturnos demonstram na atualidade, fruto de suas inadequações às exigências de conciliação entre uma vida acadêmica, profissional e pessoal. Os fatores

biopsicossociais apresentados nas diversas facetas do cotidiano têm constituído, muitas vezes, empecilhos a um bom desempenho acadêmico. Essa situação repercute diretamente nas avaliações da aprendizagem desenvolvidas com esse alunado, muitas vezes, sendo causa ou depositário final dessas inadequações ou fracassos (ANDRIOLA, W. B.; ANDRIOLA, C. G.; MOURA; 2006; CARVALHO; VIANA, 2010a; BERBEL et al., 2001; ZABALZA, 2004).

Demo (2008b, p. 17) reconhece que os cursos noturnos deveriam ser uma:

[...] chance bem repartida para gente com maiores dificuldades, acabou por tornar-se chance menor: o próprio horário leva a encurtar os cursos, o professor não faz mais que dar aula e o aluno não faz mais que escutar, copiar e devolver na prova, sem falar que principalmente este chega já cansado e provavelmente não vai estudar em outro horário.

Um grande número de educandos sofre com essas dificuldades, verificando-se mudanças constantes de cursos, bem como quadros de evasão discente. Constata-se, com frequência, que muitos alunos dos cursos noturnos, por se verem envolvidos em problemas e sobrecargas decorrentes de suas atribuições diurnas, sofrem mais os efeitos de desatenção, cansaço físico e emocional, perda de memória, lentidão no processamento de informações, dentre outras dificuldades de aprendizagem (ANDRIOLA, W. B.; ANDRIOLA, C. G.; MOURA; 2006; CARVALHO; VIANA, 2010a; BERBEL et al., 2001; ZABALZA, 2004).

Demo (2008b) faz alusão a uma saída para os problemas com os cursos noturnos, que seria uma duração maior de sua carga horária, mas não foi uma sugestão bem aceita socialmente, por ser interpretada como um castigo para os alunos, já tão exaustos com as atividades realizadas no contraturno. Esses discentes deveriam ter as mesmas oportunidades, mas, com isso, transferiu-se toda a responsabilidade ao aluno de ter que “ser responsável” por uma aprendizagem significativa, construindo conhecimento, mesmo em meio a situações adversas. Essas dificuldades são, muitas vezes, aumentadas no próprio cenário universitário. Acaba-se por disseminar uma ideia de acomodação às situações adversas, como se não fosse possível tentar modificá-las, ou, ao menos, minimizá-las.

Contudo, Demo (2008b) afirma que isso não exime as universidades de buscarem melhorar a situação de ensino-aprendizagem em cursos noturnos e diurnos. Aliás, é obrigação da instituição propiciar condições adequadas à construção do conhecimento pelos alunos. Daí a importância de se trabalhar a didática e a avaliação em favor dessa mediação pedagógica significativa. As universidades que ofertam cursos noturnos, no Brasil, padecem das mesmas angústias permeando seus corredores. Esse período de estudo, em todos os cursos, é mais atingido por fatores biopsicossociais, prejudicando os índices de rendimento global dos discentes, gerando um grande movimento de desmotivação e, inclusive, de evasão dos cursos.

Urge analisar a avaliação da aprendizagem nesse ambiente, de maneira persistente e aprofundada, com vistas à construção de um novo modo de pensar e agir em Avaliação Educacional para grupos que estão em condições adversas. As reflexões a respeito dessa temática, na literatura especializada, advogam a necessidade de promover o discente em todos os sentidos. Não se pode negar que a avaliação de caráter classificatório tem sido bastante contestada, apesar de ainda ser grande o número de instituições que adotam sistematicamente essa conduta. Contudo, há que se observar se o processo avaliativo se mostra compatível com cada turno e com as particularidades dos discentes, sob pena de estar realizando, de forma arbitrária, avaliações que estão prejudicando a formação dos alunos e não promovendo, mas apenas gerando desmotivações (CARVALHO; VIANA, 2010a; DEMO, 2008b; HADJI, 2001; PERRENOUD, 1999).

Faz-se necessário, portanto, um estudo reflexivo acerca do tipo de avaliação que melhor se adéqua a esses educandos, envoltos em atividades laborais extra-acadêmicas, para que não corram o risco de serem mal avaliados por um processo inadequado às suas capacidades cognitivas e emocionais. Não se deve esquecer, contudo, que alunos de cursos diurnos também podem sofrer dessa mesma problemática. Constitui, portanto, outro papel importante da avaliação entender o universo biopsicossocial desses aprendizes, para que possa atuar efetivamente como instrumento de desenvolvimento do conhecimento e da inteligência desses indivíduos. A avaliação da aprendizagem, trabalhada nesses moldes, desempenharia as suas funções diagnóstica, formativa e somativa de maneira mais eficiente, como explicitadas no capítulo anterior (CARVALHO; VIANA, 2010a).

Quanto aos instrumentos de avaliação utilizados nos cursos noturnos e à metodologia, Demo (2008b) relata que há um número abusivo de aulas reprodutivas, pois a visão dos professores e gestores desses turnos é a de que os alunos já estão cansados demais e não vão mais estudar depois, sendo o instrucionismo a melhor saída. O autor considera isso uma perda de tempo para os próprios alunos, porque são “condenados” a aprender menos ainda.

Demo (2008b, p. 85) se posiciona contra a limitação metodológica e avaliativa a que são impostos os cursos noturnos. Deve-se então considerar que:

[...] i) os alunos noturnos possuem o direito de estudar à noite; ii) possuem o mesmo direito de aprender; iii) não há pior didática que a aula reprodutiva; iv) é bem melhor ler com o aluno e motivar que escreva seu texto; v) é ainda melhor pesquisar com o aluno, para que aprenda a se confrontar com o conhecimento disponível e reconstruir o seu; vi) é essencial que o aluno elabore o seu próprio conhecimento, começando do começo, e, aos poucos, arquitetando a sua autonomia; vii) nada é mais importante em sua vida futura do que saber fazer conhecimento próprio, com alguma originalidade e persuasão; viii) resumimos isso na noção de aprender a aprender, [...]

desconstruindo as próprias certezas, [...] mantendo-se flexível e aberto ante os novos desafios, cultivando a formação continuada.

Sobre essa realidade, o autor reconhece que existem alguns problemas mais a vencer nesses turnos, como a mediocridade advinda do próprio aluno, no sentido de não querer pesquisar, nem elaborar, preferindo, de fato, aulas instrucionistas, pois almejaria apenas o diploma ao final do curso, sem muita preocupação com a qualidade do conhecimento adquirido. Uma das problemáticas que afligem os alunos de cursos noturnos é o número de alunos por turma, enfatizando que, com salas cheias, a aprendizagem reconstrutiva e política se torna difícil de ser trabalhada, pelo fato do professor não conseguir acompanhar a aprendizagem de cada aluno individualmente.

Demo (2008b) critica também a participação do próprio professor, que direciona o seu fazer docente nesse mesmo caminho da mediocridade, muitas vezes, porque ele mesmo não aprendeu diferente. O problema maior é que o próprio docente de curso noturno também se vê envolvido em problemas que tomam o seu tempo de estudo e pesquisa, comprometendo assim um melhor preparo metodológico e um olhar mais apurado para o processo de ensino- aprendizagem a ser desenvolvido. O autor observa uma tendência dos professores a caírem em “modismos e invencionices, por falta de espírito crítico, base teórica, preparo metodológico e também de bom senso [...]” (DEMO, 2008b, p. 85), mudando de teorias e autores, frequentemente, sem a preocupação com o impacto na aprendizagem dos alunos. Dessa forma, sugere que não podemos mudar por mudar, sem ponderar as influências que causamos nos discentes, principalmente em relação às ações isoladas que acabam não contribuindo para mudanças complexas, que deveriam advir inicialmente do PPP. Faz-se necessário conscientizar-se de que os resultados não podem ser imediatos e de que o apoio institucional é importante.

Sobre as formas avaliativas trabalhadas nesses turnos, Demo (2008b) ressalta que há um abuso de trabalhos coletivos, porque alunos e professores, em sua visão, “não dão conta do recado” (p. 88). O autor reitera a importância do coletivo, mas não em detrimento da construção e do desempenho individual. Ressalta, ainda, sobre os seminários, que também são utilizados de forma abusiva e deveriam ser empregados na medida certa, para não correr o risco de se tornarem improdutivos, no sentido da apresentação em si e da reconstrução individual do conhecimento pelo aluno. Da mesma forma, chama a atenção para as provas, não para bani-las, mas para diminuir a memorização e trabalhar a capacidade de argumentação dos aprendentes.

A ilustração seguinte sintetiza a postura instrucionista que ainda é observada no cenário avaliativo do Ensino Superior e as variáveis que a implicam.

Figura 3 – Avaliação da aprendizagem no Ensino Superior

Fonte: Próprio autor.

Um perigo denunciado pelo autor é o de haver facilidades sistêmicas demais no contexto educacional, como “estuda-se menos, lê-se menos, encurtam-se os cursos, chega-se mais tarde e sai-se antes, aprova-se sem aprender” (DEMO, 2008b, p. 89). Abusa-se do uso de fichamentos, reduzem-se a quantidade e qualidade dos instrumentos de avaliação, aumenta-se significativamente a Educação a Distância (EaD) e o abuso de avaliações tradicionais, utilizando-se excessivamente da internet como meio de informações confiáveis e válidas, substituindo as leituras originais.

In document RoSE (Robot & Software Engineering) (sider 34-37)