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5.4 H VORDAN L UFTFORSVARETS COMMAND - TEAM OPPLEVER SITT EGET FOKUS PÅ STRUKTUR OG

5.4.4 Planer for kulturutvikling

Retornando à análise daquelas disposições da espécie que subsistem prefiguradas em nós como disposições sociais determinadas, teremos que uma das mais fortes delas é o instinto guerreiro. “O homem foi feito para sociedades pequenas” e “a própria natureza, que quis sociedades pequenas, abriu, contudo, a porta do seu crescimento. Porque quis também a guerra, ou pelo menos criou para o homem condições de vida que tornavam a guerra inevitável.426”É

principalmente no instinto guerreiro que esbarram as mais bem intencionadas tentativas de estabelecimento da paz e é para ele que convergem todas as tendências da sociedade fechada e que subsistem na sociedade que se abre:

425 BERGSON. Les deux sources. p.300 426Ibid. p.293

A dificuldade de suprimir guerras é maior ainda do que imaginam em geral aqueles que não acreditam na sua supressão. […] Ainda que a Sociedade das Nações dispusesse de uma força armada aparentemente suficiente […] esbarraria no profundo instinto de guerra que recobre a civilização […] A dificuldade é, portanto, muito mais grave. Será vão, todavia, procurar superá- la?427

Para que se possa agir contra a guerra, faz-se necessário conhecer a configuração do tipo de sociedade que lhe é coextensiva. O tipo de regime político dessa sociedade que sai das mãos da natureza sustenta-se sobre uma dominação hierárquica e sobre a disciplina. Quanto às relações externas, ela sustenta-se em um nacionalismo forte que tende ao aumento de poder e à tentativa de extermínio do outro. A exclusão, a dominação e a guerra definem a essência do fechado. Tudo isso ainda está aí. O natural não foi superado e a humanidade ainda está fechada, tendendo, portanto, à guerra. Daí a importância e a urgência da política no sentido de tentar encaminhar a humanidade para o tipo de regime que tende à abertura e não ao recrudescimento do seu caráter naturalmente fechado (como exemplo desse recrudescimento podemos citar todas as formas de totalitarismo: nazismo, fascismo, comunismo, fundamentalismo islâmico).

Por que, após tratar da experiência mística no seu aspecto psicológico e após ter mobilizado através dela articulações metafísicas capazes de ressignificar sua própria filosofia, Bergson termina sua última obra com considerações políticas? No contexto de uma filosofia que se pôs a pensar o que seria a gênese da matéria e da inteligência e que apreendeu o sentido da criação por intermédio dos místicos, não seria a política algo quase irrelevante? Ocorre que “o comum dos mortais não tem à sua disposição a força dos místicos.428” A vida social se insere

em um nível intermediário de existência ou de experiência. A experiência atual da humanidade é um misto de fechado e aberto, de obrigação e aspiração, de estático e místico. Nossa sociedade adquiriu potência através da técnica e nela encontrou seu grande risco e sua maior chance. Nessa sociedade, nessa experiência social real é preciso ter como bússola a distinção entre o fechado e o aberto a fim de que, mesmo na ausência do místico, possamos seguir na direção de uma abertura. Nesse sentido, a democracia aparecerá como “aspiração mística na própria imanência da política humana429”, como algo em relação a que não se pode transigir, justamente por se

tratar da “única transposição política da mística, que indica ao menos uma direção.430”

427 Ibid. p.306

428 WORMS, Frédéric. Bergson ou os dois sentidos da vida. p.315 429 Ibid. p. 343

A defesa dos princípios democráticos e a busca da paz no contexto das relações internacionais são atitudes racionais e humanas, atitudes necessárias e esperadas exercidas por alguns homens de bem. Atitudes políticas que apontem para isso, por exemplo, a fundação da Sociedade das Nações, na qual o próprio Bergson esteve envolvido, são “traços de abertura entre os homens431”, formas de atuação no mundo que seguem a aspiração mística de

fraternidade, mas que estão inseridas no quadro real de uma sociedade mista e de indivíduos comuns (não místicos ou não santos) que buscam “resolver problemas propriamente humanos sobre o plano misto da inteligência e da técnica.432”

A distinção entre o fechado e o aberto, que é a tese central do livro, deixa entrever verdadeiros problemas e estes não são aqueles que ocupam o filósofo que se perde nas ilusões engendradas pela estrutura própria da inteligência, mas são problemas vitais que se caracterizam “pelo fato de que põem em jogo não ideias, sejam elas as do ser ou do nada, mas nossa vida, até sua destinação última, sua origem, sua sobrevivência, a natureza do seu princípio (ou de Deus), a existência do sofrimento (ou do mal), a guerra.433”

Os falsos problemas ou mesmo os problemas reais que se colocam, entretanto, no âmbito da metafísica, não são pensados pelos místicos; os místicos os resolvem internamente, oferecendo através da sua resolução interna um direcionamento implícito à reflexão, mas também à ação do filósofo. A relevância recai então sobre uma determinada práxis que pode ser definida como uma necessidade de “superar o fechamento que limita a humanidade e atrai para a guerra, e fazê-la ir em direção à abertura e à paz.434”

Há dimensões da inteligência e níveis da experiência nas quais a reflexão do filósofo pode atuar paralelamente ao exercício do seu papel social. Há assuntos urgentes que impõem uma reflexão filosófica e um desses assuntos é a possibilidade de recrudescimento do fechado, aliada ao imenso poder material adquirido pela humanidade. A abertura da sociedade tem sido bastante lenta. A humanidade se lhe opõe duramente, afinal, há uma pressão formidável sobre ela. A vida, em seu sentido biológico, instintual, telúrico, retém a reviravolta espiritual para a qual aponta o misticismo. A superação absoluta do fechado é um fato (pela existência do Cristo) e os outros místicos dão testemunho e força a uma tal abertura. Mas já que não há possibilidade de aplicação direta da mística à história, há de haver uma sua aplicação indireta por intermédio

431 WORMS, Frédéric. Bergson ou os dois sentidos da vida. p. 344 432 Ibid. p. 344

433 Ibid. p. 347 434 Ibid. p. 359

da democracia, que lhe guarda a essência, além da possibilidade, como veremos, do ascetismo e do desenvolvimento das ciências psíquicas como possíveis substitutos ou preparatórios da mística, capazes de retrair determinados movimentos que atuam como causas racionais da guerra.