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Pilotprosjektet: Overgang fra fengsel til frihet

8.2 F ORSLAG TIL TILTAK

8.2.1 Pilotprosjektet: Overgang fra fengsel til frihet

As aulas de Português que lecionamos foram planificadas de acordo com o respetivo Programa e as Metas Curriculares. Foi nosso objetivo trabalhar todos os domínios, desde a oralidade, à escrita, leitura, educação literária e gramática. Mais uma vez procuramos desenvolver algumas atividades expressivas que fossem ao encontro daquilo que é o tema deste relatório, procurando incutir nos alunos o contacto com a expressão dramática, mas também incentivar o seu espírito crítico e a sua sensilibidade estética. O trabalho foi diferente em ambas as turmas, não tendo apenas em conta as características dos grupos, mas também os conteúdos programáticos, não esquecendo que a turma do 9º ano faria exame nacional no final do ano letivo. Numa primeira abordagem as aulas foram menos enriquecidas com atividades expressivas, fomos desenvolvendo esse trabalho à medida que o ano avançava e com diferentes experiências em cada turma. No 9ºA, este trabalho ficou mais confinado à sala de aula e aos próprios conteúdos programáticos, enquanto que no 8ºD (ao qual se juntou o 8ºA e o 8ªC), foram desenvolvidas algumas atividades no espaço escolar.

A primeira turma com quem a professora estagiária teve oportunidade de contactar em contexto de lecionação de aulas de Português foi o 8ºD. Foram planificadas três aulas sobre a Publicidade, trabalhando este texto não literário a partir da leitura de imagens, de anúncios publicitários e destacando os tipos de publicidade, institucional e comercial. Os alunos puderam ainda explorar o público-alvo de cada anúncio analisado, distinguir o slogan e refletir sobre a mensagem que se pretendia passar, para assim chegar aos seus próprios anúncios, dos quais fizeram uma leitura expressiva. Pretendeu-se aqui, além de “quebrar o gelo” e ter um primeiro contacto com a turma, pensar sobre o texto e a imagem e o modo como os mesmos chegam aos seus destinatários (ANEXO 19). Mais tarde foram planificadas mais duas aulas para esta turma sobre o texto narrativo e trabalhada uma lenda, explorando a estrutura do texto, a sua simbologia e a moral que lhe estaria subjacente (ANEXO 20). A unidade mais extensa que lecionamos com esta turma e que foi composta por dez aulas lecionadas de seguida sobre o conto de autor, neste caso de autores de países de

Lispector e descontruído, ou seja, os alunos começaram por visualizar a capa do livro e indagar sobre o que representaria, depois exploraram o título e leram algumas frases do conto para imaginarem o seu conteúdo antes de o lerem na íntegra. Esta unidade foi pensada, na sua globalidade, para trabalhar o tema do incentivo à leitura, embora os alunos tenham, paralelamente, trabalhado questões de interpretação do conto, leitura expressiva, as características do narrador e a variedade brasileira do português, e feito exercícios de escrita, como se demonstra na planificação e nas fichas de trabalho em anexo (ANEXO 21). Ao nível da gramática, foram lecionados conteúdos sobre a colocação do pronome pessoal átono em adjacência verbal e verificadas as caraterísticas de um texto de diário. Quanto à introdução de atividades expressivas, foram desenvolvidas duas atividades no âmbito da leitura expressiva. Numa primeira fase, os alunos escreveram uma página de diário em grupo, relembrando as características deste tipo de texto. Em seguida, cada grupo preparou uma leitura expressiva de acordo com a proposta feita pela professora – ler como se fosse um discurso político, um relato de futebol, uma declaração de amor ou uma discussão. Pretendeu-se aqui desconstruir o próprio sentido do texto e fazer com que os discentes se focassem na entoação, na expressividade com que liam, mais do que nas suas palavras. Mais tarde, ao verem um pequeno vídeo chamado Book que, em tom irónico, descrevia uma “nova tecnologia” chamada book, com uma série de características interessantes, cuja “bateria” nunca acabava, fácil de transportar e de manusear, os alunos procuraram reproduzir o discurso do narrador do vídeo, sem recorrer às palavras, usando apenas números ou uma “língua” inventada. Mais uma vez pretendia-se dar ênfase à entoação, ao modo como a oralidade pode passar uma mensagem, mesmo quando não se percebe exatamente o que se está a dizer. A unidade culminou com a planificação de uma atividade de escrita, em que os alunos deviam formular juizos de valor produzindo um pequeno texto argumentativo.

Com a turma do 9ºA, as duas primeiras aulas lecionadas incidiram sobre os

textos narrativos de autor, mais precisamente sobre o conteúdo de autores de países de língua oficial portuguesa. Foi escolhida a crónica de Mia Couto No zoo-ilógico e,

após uma primeira abordagem aos processos de formação de palavras, neologismos e arcaísmos, os alunos refletiram sobre o título da crónica, o que quereria dizer, qual

seria o tema. Conheceram o autor e um pouco da sua biografia para depois ouvirem uma leitura expressiva feita pela professora. Procurou-se trabalhar a audição, levar os discentes a identificar o que ouviram sem um suporte escrito e debater os vários neologismos que o texto apresentava e a sua mensagem, o que quereria dizer (ANEXO 22). Seguiu-se uma unidade didática sobre o texto dramático, com o Auto da Barca do

Inferno, de Gil Vicente. Foram planificadas dez aulas (ANEXO 23) que visaram, além de

trabalhar a obra em si, dar a conhecer o autor e a sua importância para o teatro português; refletir sobre a atualidade das suas peças e o modo como o humor serve a crítica social; introduzir conceitos específicos do vocabulário teatral e promover uma sessão exclusivamente prática em que, através das técnicas de expressão dramática, os alunos trabalham as personagens tipo e as suas características (ANEXO 24). Para além disso, houve ainda oportunidade de ver a representação da peça fora da escola, pelo que a professora trabalhou alguns aspetos a ter em conta na visualização do espetáculo, fomentando a crítica teatral, bem como a própria análise de um texto que já se conhece. Foi elaborado um guião para a visita em questão e abordadas questões específicas do vocabulário teatral (ANEXO 25).

As últimas aulas planificadas e lecionadas ao 9ºA foram sobre poesia, cuja fundamentação se pode ler em anexo. A professora planificou duas aulas, escolhendo poetas do século XX para trabalhar (ANEXO 26). O tema global destas duas sessões era a criação poética, pelo que os alunos começaram por receber várias tiras de papel com versos e, divididos em grupos, deveriam ordenar esses versos. Era-lhes dita qual o primeiro verso e, a partir daí, o grupo construía o poema. Tratava-se do poema

Receita, de José Saramago que, pelas suas características de “receita para fazer

poesia”, se adequava a este exercício de ordenação. Em seguida foram trabalhados os poemas Conselho e Ver Claro, de Eugénio de Andrade, procurando levar os alunos a refletir não apenas na temática dos poemas e nos seus recursos expressivos, mas também em questões formais como o tamanho ou o verso branco, características de uma poesia contemporânea diferente da conceção que até então possuíam de um poema. Por último, foram os alunos quem “vestiu” a pele de poeta, completando a pares um poema de Sophia de Mello Breyner ao qual faltavam alguns grupos nominais, verbais e adjetivais e lendo-o à turma. A ideia de atividade expressiva foi pedir a cada

par que fosse à frente da turma, de costas para o quadro. A professora escrevia no quadro um sentimento e os pares que estavam sentados deviam ler o seu poema com o sentimento expresso no quadro para que os colegas que estavam de pé adivinhassem esse sentimento. Pretendia-se aqui um trabalho de expressão oral e entoação, comparando o modo como cada dupla expressava o sentimento que lhe era pedido, bem como a reação do par que tinha de adivinhar. Compararam-se sentimentos e entoações semelhantes.

Quanto às atividades realizadas para a comunidade escolar, destacamos a atividade realizada no âmbito do 25 de abril com as turmas do 8º A, C e D (ANEXO 27). A professora desafiou cada aluno a escrever uma palavra que significasse para si o que era a “liberdade” ou “25 de abril”. Dependendo da instrução que era dada a cada aluno, esta palavra podia também ser um sentido – um cheiro, uma cor, um som, um sabor. Depois deste primeiro exercício, os alunos deveriam escrever numa folha/cartolina grande a sua palavra. Foi pedida a colaboração dos seus professores de Educação Visual. Finalmente, foram formados grupos em cada turma. Cada um destes grupos deveria ser composto por alunos com palavras diferentes e foi dada a cada grupo uma cópia do poema Liberdade o que é?, de José Jorge Letria. Este poema é composto por várias frases que descrevem a liberdade, pelo que foi pedido a cada grupo que escolhesse uma dessas frases e a ensaiasse de modo a ser dita em coro por todo o grupo. No dia 24 de abril, as turmas distribuiram-se por ambas as escolas e “invadiram” as salas de aula, a biblioteca, o bar e a sala de professores com os cartazes, dizendo as suas palavras e terminando com a frase ensaiada (ANEXO 28).

A última atividade realizada com a turma do 9ºA foi no âmbito da disciplina de oferta complementar, mas uma vez que visava criar uma peça de teatro, teve a colaboração da professora estagiária. Os alunos começaram por identificar alguns comportamentos desadequados na escola e fizeram um levantamento dos mesmos para depois escrever um guião que representasse algumas das situações ocorridas. Após a atividade de escrita, deu-se início aos ensaios da peça que seria representada para uma turma de 5º ano da escola. Os ensaios realizaram-se no auditório, local onde a peça foi depois representada.

IV.6.1 – Reflexão sobre as atividades, aspetos positivos e negativos e