8.2 F ORSLAG TIL TILTAK
8.2.5 Kurs, kompetanseheving og dialogkonferanser
Uma aula de Português é sempre uma aula muito rica, que nos permite abordar uma serie de aspetos que vão além dos conteúdos programáticos. Se tal facto é positivo, ele também nos obriga a uma maior concentração para não perder o foco, pois facilmente a interação com os alunos nos leva para um caminho que não era o que inicialmente tinhamos pensado. Deparamo-nos com esta questão algumas vezes, procurando sempre orientar a interação oral no sentido dos temas a abordar. A introdução de temas atuais nos conteúdos programáticos foi muito positiva e relativamente natural, parecendo-nos que enriqueceu bastante as aulas lecionadas. No entanto, temos de distinguir o trabalho desenvolvido com cada uma das turmas, pois os seus resultados foram distintos. Numa primeira fase, a professora orientadora destacou a necessidade de introduzir mais atividades de escrita, um domínio em menor evidência nas propostas de planificação e sobre o qual nos debruçamos então mais profundamente, nomeadamente através da documentação oficial do Ministério da Educação, procurando como desenvolver e planificar atividades de escrita.
Em unidades didáticas como a do texto dramático, no 9ºA, em que lecionamos o Auto da Barca do Inferno, sentimos que o arranque da unidade foi bastante positivo e o final também, com as atividades de expressão dramática. Talvez devessemos ter recorrido às mesmas outras vezes, diversificando metodologias, uma vez que o estudo da obra e a sua estrutura – há sempre uma personagem nova que surge com determinadas características e elementos cénicos – pode tornar-se repetitivo e gerar desinteresse. Acreditamos que algumas das leituras expressivas poderiam ter sido enriquecidas com objetos e pequenas encenações mais elaboradas. No entanto, a reação da turma nas aulas práticas foi bastante positiva e refletiu disponibilidade e adesão ao que era proposto. Começando com alguma vergonha, notou-se o incómodo dos alunos quando a professora estagiária lhes pediu para se disporem em círculo na sala, os alunos foram-se libertando à medida que a aula decorria. Para além disso, acreditamos que o facto daquela professora fazer parte da roda e exemplificar também os exercícios contribuiu para uma maior motivação e à vontade. Em relação aos conteúdos, este trabalho veio reforçar a nossa crença de que este tipo de
atividades ajuda a consolidar aprendizagens. Um exemplo disso foi o exercício de improvisação em que os alunos, tirando um papel à sorte, tinham de representar a personagem que lhes calhara, em conversa com outra personagem. Esta é uma atividade que requer um conhecimento da obra em estudo, quer ao nível dos temas a abordar na improvisação, quer nas características de cada personagem. A análise no fim de cada diálogo, se for eficazmente orientada, pode servir até de resumo à obra. Ficamos com vontade de aplicar este conceito a uma obra não dramática, implicando na mesma personagens e as suas histórias em atividades de expressão teatral. Acreditamos que esta pequena experiência abriu caminho a outros exercícios de expressão, nomeadamente à peça teatral criada pelos alunos no final do ano. No entanto, parece-nos que terem sido aqueles a escrever o guião teve os seus aspetos positivos e negativos. Se, por um lado, o trabalho de escrita fomentou uma série de competências, incentivando a criatividade, o trabalho de grupo e a escrita para teatro, com todo o desempenho gramatical que isso implica, por outro lado, ao pôr em prática o que escreveram, os alunos sentiram a dificuldade que é escrever para representar e foram necessárias sucessivas adaptações ao texto em questão, cujo resultado final acabou por não ser exatamente igual ao que foi pensado no início.
Em relação às atividades dinamizadas com as turmas de 8º ano, gostaríamos de destacar a de comemoração do 25 de abril, pois consideramos que foi bastante positiva, trabalhando um conjunto de diferentes domínios que sabemos estarem associados a um trabalho teatral. Foi uma atividade que decorreu, tal como previsto, no dia 24 de abril em ambas as escolas, Augusto Cabrita e Padre Abílio Mendes. No auditório da escola Augusto Cabrita foi feito um último ensaio, com as turmas 8ºA e C. Não foi tarefa fácil, mas as professoras conseguiram que cada grupo lesse as suas palavras e dissesse a frase escolhida uma última vez para ser ouvido também pelos colegas e os grupos espalharam-se pela escola/direção/sala de professores. Inicialmente havia algum desconforto por parte dos alunos, “invadir” as salas de aula para falar para os colegas não é fácil e nem todos possuem à vontade para tal. Contudo, foi bastante interessante verificar o crescente entusiasmo dos alunos à medida que circulavam pelas salas.
O desempenho e interesse das duas turmas 8ºA e C foi manifestamente positivo, o 8ºD, que se juntou na hora seguinte, não foi tão motivado. É importante destacar que esta última turma foi a que menos tempo teve para dedicar ao ensaio da atividade, podendo dever-se a isso o seu nervosismo, o que pode ter influenciado o desempenho dos alunos. Não é fácil dizer uma frase do poema em coro, requer bastante ensaio e nem sempre a dição e a entoação foram as melhores, talvez devessem ter sido melhor trabalhadas e mais ensaiadas. Para além disso, o facto de a apresentação ser muito curta, deixou algum desconforto naqueles que viram, que de algum modo esperavam mais.
Apesar destas questões, os alunos mostraram-se bastante entusiasmados com o trabalho que estavam a desenvolver. Após quebrarem a barreira dos “nervos” ficaram mais envolvidos e com bastante autonomia, manifestaram vontade de ir a todas as salas.
Retirar o aluno do seu contexto comum de sala de aula promove o desenvolvimento de uma série de domínios, tais como a autonomia, o trabalho de grupo e a responsabilidade. Neste trabalho, isso foi bastante evidente, acreditamos que esses objetivos foram alcançados, pois há um espírito de união que se cria antes de uma atividade de expressão que nos expõe, uma certa adrenalina que aparece e que nos obriga a um controlo diferente do que estamos habituados. Para além disso, acreditamos que foi cumprido também o objetivo de levar os alunos a refletir e expressar a sua visão sobre o tema da liberdade e a data de 25 de abril. Esta atividade permitiu, ainda, perceber a disponibilidade de alguns alunos e o seu à vontade. Deixou-nos motivados para pensar em algo maior, mais elaborado, pois percebemos haver material humano para tal. Pensamos que, num trabalho futuro, seria interessante desenvolver uma atividade deste género logo no início do ano como diagnóstico que nos permita perceber a disponibilidade e interesse dos alunos com quem se vai trabalhar.