Os produtores rurais familiares foram indagados quanto aos pontos fortes, fracos de seus empreendimentos e as ameaças e as oportunidades. Os pontos fortes e fracos são apresentados no quadro 2.
Quadro 2. Pontos Fortes e Fracos das Propriedades Agrícolas Familiares Pesquisadas, Chibuto, 2012.
Pontos Fortes das Propriedades Pontos Fracos das Propriedades
anos de experiência na atividade; proprietário da terra;
boa fertilidade do solo;
disponibilidade de água, por estar próxima a fonte (rio), ter represas e motobombas que transportam a água para irrigação;
disponibilidade de mão de obra familiar;
tamanho da propriedade que permite policultivo;
culturas propícias ao tipo de solo com alto rendimento e poucos aportes externos;
atividades não agrícolas que ajudam a potenciar a atividade agrícola;
disponibilidade de transporte próprio para o escoamento da produção.
vulnerabilidade quanto a inundações;
constantes avarias de meios de trabalho (motobomba);
atrasos na produção vendendo a posterior a preços baixos;
escoamento do produto - falta de transporte próprio;
recursos financeiros para contratar mão de obra e aumentar o nível de produção;
mão de obra qualificada e acessível e capacidade de aprendizagem dos funcionários; dependência de insumos químicos
para pulverização.
Quadro 3. Ameaças e Oportunidades das Propriedades Agrícolas Familiares Pesquisadas, Chibuto, 2012.
Ameaças Oportunidades
dependência de condições climáticas;
preços aplicados no mercado e ausência de política de preço mínimo;
concorrência entre os produtos locais e produtos importados;
preço do arrendamento de meios de trabalho;
preços do óleo diesel (gasóleo); ausência de mercado local;
falta de apoio do governo em implementos;
inundações e más condições das vias de acesso;
corrupção e favoritismo nos órgãos deliberadores do FDD;
fontes de crédito fora do FDD pelas garantias exigidas;
falta de assistência técnica;
meios de conservação da produção agrícola não gerando estoques reguladores;
pragas;
existência de ratazanas, porcos do mato, macacos e elefantes que devoram culturas;
demora na entrega de alguns instrumentos de trabalho arrendados (trator);
contratos celebrados com algumas empresas privadas elevam os custos de sementes.
vias de acesso em estado transitável que permitem o escoamento da produção
localização da propriedade
culturas promissoras no mercado (alho, tomate);
fidelização da clientela;
equipamentos e instrumentos que minimizam o esforço humano na produção agrícola;
crédito do FDD que permitiu investir na propriedade;
novas formas de produção agrícola (agroflorestas);
acesso à redes de comunicação (telefonia móvel, internet) que facilitam os contatos com os canais de comercialização e escoamento da produção;
informação meteorológica da região onde se desenvolve a atividade pelas parcerias criadas; localização da propriedade que
permite uma boa segurança não tendo criminalidade.
Fonte: Pesquisa de Campo (2012)
Questionadas quanto às ações que devem ser feitas a fim de reduzir e/ou eliminar os pontos fracos, as respostas para alguns dos pontos fracos foram: a) Inundações/cheias na propriedade – solução: remoção do equipamento usado no processo de produção para um local seguro e evacuação da água; b) fraca qualidade de mão de obra – solução: explicação
de técnicas de produção e manutenção de vínculo saudável com funcionários com mais tempo de serviço na propriedade incentivando-os a transmitir experiências aos novos colegas; c) intercalação, consorciação e pulverização de culturas para minimizar as pragas e doenças nas culturas; d) inclusão de outras atividades comerciais (venda de gado); e) continuar a produção e a venda mesmo sem lucro, para manter a atividade; f) para falta de transporte próprio, recorre-se ao aluguel de fretes para o escoamento da produção e; g) aplicação de recursos financeiros vindos de outros meios de sobrevivência para o conserto dos meios de produção e compra de insumos para a produção. As ameaças e oportunidades apresentadas pelas propriedades agrícolas familiares pesquisadas encontram-se no quadro 3. Percebe-se que ameaças para alguns, como más condições de via de acesso, são oportunidades para outros.
4.2.19 Aproveitamento das oportunidades
25% dos agricultores familiares aproveita as oportunidades de mercado e 75% não A grande maioria dos agricultores não tem aproveitado as oportunidades do mercado porque não conseguem identificar nenhuma oportunidade (acham que não existe nenhuma); e das oportunidades identificadas não existem meios financeiros para o seu aproveitamento (compra de meios de produção que minimizam o esforço humano na produção agrícola) assim como as constantes reprovações/rejeições dos projetos submetidos ao FDD para o seu aproveitamento que desanimam o agricultor. A minoria aproveita as oportunidades do mercado apostando nas culturas promissoras no mercado (alho, tomate); disponibilizando de forma constante e a tempo os produtos solicitados pelos clientes assíduos; produção agrícola em SAF´s (ainda em fase experimental).
4.2.20 Ações da administração distrital para melhorar a produção, a comercialização e a assistência técnica
Quanto às ações que a administração distrital deveria levar a cabo para melhorar a produção, a comercialização da produção e a assistência técnica, as respostas foram:
Produção – busca de soluções práticas e continuas para o problema de escassez de água, oferta de fatores de produção agrícola e medicamentos na pecuária, ampliação da rede de energia elétrica e telecomunicações móveis nas localidades, solucionar por definitivo o problema do conflito homem e fauna e das calamidades naturais (cheias, inundações, ciclones, seca) e criar um seguro agrícola para a atividade.
Comercialização – melhorar as vias de acesso das propriedades aos locais de venda dos produtos, criar um órgão que comercialize a produção para que os agricultores se centrem na produção, intervir na aplicação de preço justo (na concepção do agricultor é uma remuneração que o estimule a manter a produção) no mercado e outras formas de comercialização da produção, priorização de produtos produzidos pelos agricultores locais, criação de armazéns comunitários para guardar a produção;
Assistência técnica – contínua na produção e comercialização e que cada técnico atenda um número reduzido de produtores. Auscultação dos agricultores quanto as suas dificuldades e busca de soluções conjuntas, capacitações em outros idiomas (inglês) e novas tecnologias de produção e comercialização visando o contato com o mercado externo e incentivar a organização dos agricultores em associações para facilitar o apoio em recursos.