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5 Analysis

5.2 The Heavy Rainfall in February and its Consequences (17.02.2018-31.12.2019)

5.2.1 Phase One: The Embargoes (26.02.2018-03.04.2018)

A perspectiva biecológica de desenvolvimento humano é, conforme apontado por Yunes e Szymanski (2001), a abordagem que poderá contribuir de forma mais satisfatória para o desenvolvimento de uma pesquisa que pretende compreender o universo do conceito da resiliência no campo da educação escolar e da psicologia.A maioria das pesquisas que investiga esse conceito foca na criança e não no contexto do seu desenvolvimento, ou seja, nos ambientes dos quais ela participa, não considerando, portanto, as múltiplas variáveis que recaem sobre a pessoa (YUNES; SZYMANSKI, 2001). Por considerar as influências de diversos ambientes, pode-se encontrar subsídios para a elaboração de programas de intervenção social, com o objetivo de potencializar as relações entre pessoa e contexto, legitimando o modelo bioecológico de desenvolvimento humano.

Tavares (2001) também defende a abordagem bioecológica como mais favorável para o estudo e a compreensão do conceito de resiliência:

A ênfase em qualquer um dos polos, seja o genético, seja o ambiental, determinará uma tendência que pode ser de extrema importância na questão dos estudos sobre resiliência e sua utilização na definição de políticas públicas.

Em nossa opinião, a perspectiva ecológica de Urie Bronfenbrenner (1976 e 1996) é a abordagem que mais pode auxiliar na compreensão desse fenômeno em sua amplitude e complexidade, visto que procura não só descrever e explicar os efeitos do ecossistema no indivíduo, mas também oferecer subsídios para a elaboração de programas de intervenção social.

Focalizar a questão da resiliência numa perspectiva individual dificulta o desenvolvimento de políticas e intervenções que tenham condições transformadoras do sistema social no sentido de buscar diminuir as desigualdades sociais que consistem em desigualdades de oportunidades de desenvolvimento humano (TAVARES, 2001, p. 42).

Ainda encontramos em Walsh (2005), a compreensão de que o conceito de resiliência é construído em uma rede de relacionamentos e experiências, ao longo da trajetória de vida do indivíduo e entre as gerações. Assim:

São necessárias tanto perspectivas ecológicas quanto desenvolvimentais para se entender a resiliência no contexto social e no correr do tempo. Uma perspectiva ecológica leva em conta as muitas esferas de influência no risco e na resiliência durante o tempo de vida. A família, o grupo de pares, a escola ou os ambientes de trabalho e os sistemas sociais mais amplos podem ser vistos como contextos aninhados para a competência social (WALSH, 2005, p.12).

A Perspectiva Bioecológica é, portanto, um modelo adequado para a compreensão da resiliência, enquanto processo dinâmico e interacional, ou seja, que prima pelas relações estabelecidas entre ambiente e indivíduo em uma relação recíproca.

As pesquisas sobre desenvolvimento humano abordam diversas concepções para explicar a dinâmica das relações sociais e suas possíveis influências sobre os aspectos biológicos e psicológicos. Dentre essas, encontra-se a concepção contextual de desenvolvimento humano, que tem adquirido importância principalmente nas últimas décadas (SIGOLO, 2002), com destaque para a perspectiva bioecológica de desenvolvimento que tem em Bronfenbrenner (1996) um dos seus principais representantes.

A perspectiva bioecológica do desenvolvimento humano privilegia os estudos em ambientes naturais e analisa a participação da pessoa em diversos ambientes e em contato com diferentes pessoas, compondo díades e tríades.

Um dos fatores determinantes para o processo de desenvolvimento, conforme essa perspectiva, é a multiplicidade de influências que recaem sobre a pessoa. Pode incidir sobre o curso de vida uma variedade de fatores, que poderão se configurar como influências positivas ou negativas de acordo com as formas como a pessoa reage ao meio. Esta última condição se configura como outro fator dessa perspectiva, na medida em que acredita na bidirecionalidade de influências entre indivíduo e ambiente. São ações mútuas, ou seja, o indivíduo influencia e é influenciado pelo meio.

fator da perspectiva. A pessoa pode sofrer influências e influenciar ambientes imediatos, dos quais ela participa diretamente, como ambientes mediatos, dos quais ela não participa ativamente.

Além desses fatores, há que se considerar o reconhecimento de alterações no contexto histórico-social ao longo da trajetória de vida. Nesse sentido, a perspectiva valoriza os processos psicológicos e sua relação com múltiplos ambientes, sem minimizar a importância dos aspectos biológicos durante o curso de vida de uma pessoa.

De acordo com Bronfenbrenner e Ceci (1994) para que a interação entre duas ou mais pessoas seja efetiva, esta deve ocorrer mediante períodos prolongados de tempo, constituindo-se assim em processos proximais. Estes se constituem nos principais mecanismos do desenvolvimento humano, impulsionados no contexto de relações específicas, ao longo do tempo, entre a pessoa e o ambiente.

Os processos proximais são impactados no desenvolvimento em curso por uma intercorrelação de forças, que atuam dimensionando-os. Essas forças compreendem a relação dinâmica interdependente existente entre quatro núcleos distintos: a pessoa, o processo, o contexto e o tempo, também conhecido como modelo PPCT.

O núcleo pessoa refere-se às características biológicas, psicológicas e as formas como cada um reage aos estímulos externos, ou seja, ambientais. Esse núcleo se caracteriza pela composição de três instâncias:

x Demanda: são fatores que incitam ou inibem uma resposta do ambiente, independente da manifestação explícita de comportamentos;

x Disposições: ativam ou impedem o desenvolvimento dos processos proximais. São os comportamentos expressos que incitam respostas do ambiente, alterando-o ou criando-o e consequentemente, influenciando o curso de vida da pessoa e

x Recursos do organismo: constituídos das deficiências ou habilidades biopsicológicas. Estes podem influenciar a capacidade pessoal do indivíduo para participar ativamente de processos proximais. Portanto, as

características da pessoa definem em parte o modo como estas irão manter conexão com o processo proximal.

O núcleo processo se refere aos aspectos psicológicos da pessoa em desenvolvimento, enfatizando a forma como esta interpreta os fatores considerados importantes em determinado momento da sua vida. Busca-se a compreensão das relações estabelecidas de formas diferenciadas entre indivíduos e ambientes, em um período de tempo específico. Este núcleo representa o elo entre a pessoa e o contexto (BRONFENBRENNER; CECI, 1994). Para que o desenvolvimento ocorra a pessoa deve se engajar em atividades molares, oportunidade para privilegiar a interação recíproca entre pessoas, objetos e símbolos disponíveis no ambiente, que ao ocorrer em uma base regular de tempo oferece as condições para que estas atividades adquirem um nível e complexidade maior, progressivamente. Assim, os processos proximais podem produzir dois efeitos em direções distintas, como o da aquisição, desenvolvimento, habilidades e capacidades e o da disfunção, evidenciada pela dificuldade de manter o comportamento integrado nos vários domínios (NARVAZ; KOLLER, 2004).

O núcleo contexto descreve e inter relaciona estruturas e processos do ambiente imediato e mediato. Desse modo, o ambiente ecológico constitui-se em uma série de estruturas encaixadas, como as bonecas russas distinguindo- se em termos de sistemas, caracterizam-se por contextos interconectados e hierárquicos, do mais interno para o mais externo. São denominados microssistema, mesossistema, exossistema e macrossistema.

No sistema mais interno, o microssistema, encontra-se a pessoa em desenvolvimento em um dado ambiente, como por exemplo, a família. O seguinte seria o mesossistema, caracterizado pela participação da pessoa em desenvolvimento em dois ou mais ambientes. Pode-se pensar que a transição da pessoa entre vários microssistemas compreende o conhecimento e participação em diversos ambientes: a família, a escola e os vizinhos, por exemplo, consolidando desta forma diferentes relações e exercitando papéis específicos dentro de cada contexto.

mais ambientes que não envolvem a pessoa em desenvolvimento como participante ativo, mas do qual ela se envolve indiretamente, por exemplo, o trabalho dos pais.

Por fim, o macrossistema referente a todos os sistemas citados acima encaixados, manifestando-se em determinada cultura ou subcultura (BRONFENBRENNER e CECI, 1994; BRONFENBRENNER, 1996; ALVES, 1997).

A seguir, tem-se uma figura que ilustra os modelos ecológicos, tal como pensado por Bronfenbrenner (1996).

Fonte: http://conelpunoenalto.wordpress.com/

Figura 1 – Esquema da Perspectiva Bioecológica do Desenvolvimento Humano

O último núcleo de análise da perspectiva bioecológica é o tempo, também chamado de cronossistema. Compreende a temporalidade, ou seja, na

passagem do tempo ao longo do curso da vida da pessoa e daqueles que a rodeiam, bem como no momento histórico no qual a mesma vive. Os acontecimentos históricos e os da vida cotidiana influenciam o desenvolvimento e modelam a cultura e se caracterizam como de longa duração, na medida em que “permitem examinar a frequência dos efeitos cumulativos de uma sequência de transições ao longo do curso da vida” (STEFANELLO, 2000).