3 Theory
3.2 Global Production Networks
Participaram desta pesquisa um aluno surdo (denominado aluno B), seis alunos ouvintes (C1, C2, C3, C4, C5 e C6), cinco professores (P1, P2, P3, P4 e P5) uma coordenadora pedagógica (CP), uma vice-diretora (VC)e um professor fluente em língua de sinais. Cabe informar que o aluno surdo estava inserido em uma classe com 34 alunos ouvintes no primeiro ano de coleta (2004) e 31 no segundo (2005).
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Sala destinada para o acompanhamento dos alunos surdos na cidade inseridos em classes comuns do ensino fundamental. O trabalho realizado envolve ensino, avaliação, complementação curricular específica, orientação de estudo, entre outros. O atendimento do aluno nessa sala pode ser individual ou em grupos. O cronograma de atendimento varia de acordo com a necessidade de cada aluno, totalizando no mínimo 10 horas semanais.
Do aluno surdo
O aluno surdo é portador de surdez profunda bilateral19, congênita, de causa desconhecida. Filho de ouvintes, não é oralizado e se comunica predominantemente por meio da língua brasileira de sinais. Faz pouco uso da leitura labial, pois apresenta um problema de visão que o impede de perceber com exatidão os movimentos labiais.
No ano de 2004, em que se deu o início da coleta de dados, estava no 2º ano do ensino médio e tinha 21 anos de idade e, ao finalizar os dados, no ano de 2005, havia completado 22 anos e estava no 3º ano.
O aluno freqüentou escola para surdos na cidade de São Paulo até os 14 anos de idade, quando se mudou para o interior, passando a freqüentar primeiramente uma classe especial para surdos em escola estadual. Permaneceu nessa classe por 5 anos .
Em 2002, por recomendação da Diretoria de Ensino foi encaminhado para a classe comum. A inserção na 7ª série ocorreu por decisão da coordenadora da escola e da professora da classe especial em razão da idade do aluno e do perfil dessa turma: alunos com déficit idade/série e egressos de uma classe de aceleração. A proposta para essa turma previa o encaminhamento dos alunos, no ano seguinte, para o 1º ano do ensino médio, minimizando assim a defasagem idade/série. Assim, em 2003 o aluno passou para o 1º colegial, em 2004 para o 2º e em 2005 concluiu o ensino médio, nesta mesma escola.
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Dos professores
A seleção dos professores para participarem do estudo ocorreu considerando-se as disciplinas em que o aluno havia manifestado maior dificuldade em acompanhar no 1º ano do ensino médio e, também, a disponibilidade dos professores. Assim, participaram os professores de Química, Língua Portuguesa, Matemática, Biologia, História e Física. Cabe informar que o professor de Matemática era também o professor de Física.
Todos os professores eram efetivos da escola e ministravam aulas naquela instituição há vários anos. Dos cinco professores apenas um havia participado de um curso de Libras ministrado na sala de recursos por instrutor surdo.
A escola tem classes especiais para surdos há mais de 25 anos. Durante esse período, a classe especial foi assumida por quatro professoras, todas com curso de Pedagogia e com formação específica para o ensino de alunos surdos.
A partir do ano de 2000, a política educacional passou a recomendar a transformação das classes especiais em salas de recursos e a priorizar o encaminhamento dos alunos surdos para o ensino comum.
Com o encaminhamento dos alunos surdos para as classes comuns, os professores das diferentes disciplinas começaram a se envolver também com a educação deles.
Os professores participantes do estudo não receberam nenhuma formação específica que os preparasse para essa experiência. A professora da sala de recursos e a coordenadora pedagógica ofereciam orientações nas reuniões de HTPC envolvendo principalmente informações sobre a surdez,
sobre o aluno surdo, sobre as adequações das estratégias de ensino e avaliação. Entretanto, esses momentos foram raros em função da falta de tempo mediante a quantidade de assuntos a serem tratados nessas reuniões.
Dos alunos ouvintes
Na fase de planejamento da pesquisa, sentiu-se necessidade de envolver alguns alunos ouvintes no trabalho, apostando na importância de suas contribuições acerca das impressões sobre a interação com o colega surdo. Assim, selecionaram-se seis alunos ouvintes da classe, os quais eram mais próximos do aluno surdo e mantinham com ele alguma interação.
Dos seis alunos selecionados, cinco eram egressos de uma classe de aceleração e, portanto, não freqüentaram a 8ª série. Dos seis alunos, três tinham 17 anos e dois 18.
Da coordenadora pedagógica
A coordenadora pedagógica é uma pessoa muito presente na escola, participa de todas as decisões administrativas e pedagógicas, e representa o diretor em muitas situações, como no atendimento e orientação dos alunos, dos familiares, dos funcionários e professores. É licenciada em Educação Artística e Pedagogia.
A escola passou nos últimos anos por muitas mudanças de direção, em curto espaço de tempo. O diretor que permaneceu mais tempo na escola durante as últimas décadas e que se relacionou com os alunos surdos, na ocasião deste estudo havia, se aposentado. Dessa maneira, essa
coordenadora representava uma referência mais fixa para os alunos, inclusive para o aluno surdo que buscava nesse profissional apoio em muitas situações. Por exemplo, quando o professor fluente em Libras não estava na escola, o aluno surdo, diante de alguma dificuldade na sala de aula com colegas ou professores, procurava a coordenadora na sua sala para auxiliá-lo. Ela não tinha domínio de Libras, mas buscava estabelecer interlocução com o aluno surdo por meio da escrita.
Adicionalmente, ela esteve sempre muito disponível para auxiliar os professores nas escolhas e decisões relacionadas ao aluno surdo, como, por exemplo, em relação aos instrumentos da avaliação, às atividades propostas, aos arranjos de sala de aula que melhor pudessem atender ao aluno e aos professores, entre outras. Participou das discussões e negociações a favor do aluno surdo durante a sua escolaridade na instituição. No início, os professores ficavam inseguros para realizarem mudanças no programa visando favorecê-lo, principalmente em relação à avaliação e ao tempo de realização das atividades. Nessas situações a coordenadora era consultada e muitas vezes ela conversou com a classe explicando tais medidas.
A coordenadora demonstrava muito envolvimento com a condição dos alunos surdos na escola, mesmo tendo uma formação superficial na área, obtida por meio de uma capacitação no Centro de Apoio Pedagógico Especializado (Cape), da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, envolvendo dois módulos de 24 horas sobre a inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais nas classes comuns. Tal formação enfocou as diferentes necessidades especiais e não apenas a surdez e, além
disso, não envolveu aulas sobre a Libras e orientações sobre o ensino do Português como segunda língua.
As orientações recebidas nessa capacitação também foram transmitidas aos professores da escola em reuniões de HTPC. Mas, como já mencionado, o foco não foi a inclusão do aluno surdo especificamente, e sim dos alunos com necessidades educacionais especiais de modo geral.
Com base nos motivos descritos, considerou-se fundamental incluir também as contribuições dessa profissional acerca da experiência com o aluno surdo.
Da vice-diretora
O quadro de profissionais conta com uma vice-diretora muito presente e que desempenha a mesma função há mais de 15 anos. Nesse caso, optou-se por envolver essa profissional em detrimento da diretora, recente no cargo. A vice-diretora tem envolvimento diário com as questões pedagógicas da escola, tem conhecimento sobre os alunos surdos e participa das tomadas de decisões envolvendo o aluno surdo participante deste estudo.
Do professor fluente em língua de sinais
O professor fluente em língua de sinais é também o pesquisador deste estudo. É responsável, desde 1996, pela classe especial para deficientes auditivos na escola na qual se desenvolveu este estudo. Sua formação é em Pedagogia com habilitação para a educação de deficientes da áudio- comunicação. Não tem formação para ser intérprete. Entretanto, apresenta
fluência na língua de sinais, o que garante uma comunicação efetiva com surdos.
A fluência na língua de sinais foi conquistada por meio das seguintes situações: curso de Libras, atuação como professora de surdos por mais de 14 anos, contato com surdos adultos fluentes, ministrando, em parceria, cursos de Libras para alunos universitários e formação de surdos adultos para atuação em atendimento educacional a crianças surdas em uma perspectiva bilíngüe e utilizando-se dos recursos da informática20.