4 Methodology and research design
4.2 Multiphase design
4.2.2 Phase 2: Multiple-case study
Antes de iniciar a colecta de dados, o investigador deve avaliar qual o melhor método para obter informações e respostas. Para tal, é fundamental conhecer os diferentes instrumentos de medição disponíveis e as suas vantagens e desvantagens, bem como o nível da investigação a realizar. Quando os conhecimentos existentes são limitados, como no estudo exploratório – descritivo (Nível I), o principal objectivo deve consistir em acumular a maior quantidade de informação possível. Neste caso, para a obtenção de informação, podem ser utilizados questionários estruturados ou semi-estruturadas e registo de outros materiais (Fortin, 2003, Gauthier, 1992 e Selltiz et al., 1976).
Em estudos de investigação correlacional Nível III e IV, que procuram uma explicação ou previsão de fenómenos, o pesquisador deve analisar a natureza das relações entre variáveis ou controlar variáveis numa situação específica. Neste caso, devem ser utilizados questionários, entrevistas estruturadas, escalas de medição ou de ensaios normalizados. Se for utilizado um instrumento existente deve ser confirmada a sua validade e consistência (Fortin, 2003, Gauthier 1992 e Selltiz et al., 1976).
O questionário é um método para a obtenção dos dados necessários para respostas escritas. A resposta é geralmente feita pelos inquiridos, e posteriormente entregue ao investigador em papel ou através da tecnologia disponível. O questionário é uma ferramenta que permite obter os dados necessários através de variáveis mensuráveis, e sendo estruturados, limita as respostas às perguntas. As perguntas
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são destinadas a obter informação factual sobre os indivíduos ou situações com base no conhecimento dos participantes (Fortin, 2003, Converse e Presser, 1986, Sudman e Bradburn, 1982 e Woodward y Chambers, 1982).
O desenvolvimento de um questionário é geralmente feito por etapas, começando por explorar a literatura disponível e identificando a existência de questionários já utilizados em trabalhos de investigação já realizados.
As principais etapas da construção de um questionário são (1) a obtenção de informação que permita a formulação das questões, a ordem e forma como são colocadas (2) a revisão do questionário (3) o texto final e (4) o envio (Fortin, 2003, Converse e Presser, 1986, Sudman e Bradburn, 1982, e Babbie, 1992).
Na análise dos resultados os conceitos de validade e fiabilidade são características fundamentais que determinam a qualidade dos instrumentos de medição (Fortin, 2003, Cronbach, 1971, McMillan e Shumacher, 1989 e Waltz e Strickland, 1991). A fiabilidade refere-se à avaliação do grau de correlação de um instrumento de medição em si, enquanto a validade refere-se ao grau de correlação de um instrumento de medição com alguma coisa que não ele próprio.
A fiabilidade refere-se à precisão e consistência dos resultados, sendo uma condição prévia para a validade.
A fiabilidade pode ser estimada através de quatro processos: estabilidade, consistência interna e equidade e a harmonia entre os juízes (Fortin, 2003, Cronbach, 1971, McMillan e Shumacher, 1989).
A consistência interna é a existência de homogeneidade das declarações de um instrumento de medição. Estima-se através da avaliação da correlação e co- variância de todos os elementos de um instrumento analisados simultaneamente. O Alfa de Cronbach é a técnica mais amplamente utilizada para estimar a consistência interna de um instrumento de medida. O coeficiente varia entre 0 e 1. Um valor mais perto de 1 demonstra uma melhor consistência interna, sendo que, no mínimo, o valor do Alfa não deve ser inferior a 0,7 (Fortin, 2003).
Considerando o que é recomendado na literatura (Fortin, 2003 Selltiz e Wrightsman, 1976, McMillan e Shumacher, 1989, Green e Lewis, 1986, Thorndike e Hagen, 1977, Cronbach, 1971, Nunally, 1978 e Campbell e Fiske, 1995) Karami et al. (2006),
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Scandura e Williams (2000), a validade do nosso questionário é verificada através de quatro métodos complementares:
1. Análise de questionários já utilizados em outros trabalhos de investigação 2. Adaptação dos questionários à nossa realidade e tema a investigar
3. Validação dos questionários por especialistas 4. Pré Teste
O questionário foi aplicado com o objectivo de validar as variáveis que condicionam ou motivam a participação dos pais na actividade escolar dos seus filhos, desenvolvendo uma ferramenta para a obtenção quantitativa de dados, que permita identificar correlações entre variáveis e factores. Temos como objectivo obter um mínimo de 36 respostas (Nível de Confiança de 95% e Erro de Amostra de 5%). Naturalmente pretendemos um número de respostas superior e perto dos 100%. Com as respostas obtidas pretendemos validar que a ferramenta utilizada permite verificar, estatisticamente, correlações entre variáveis e identificar factores, significantes para esta população, podendo, por esta razão, ser futuramente utilizada em populações com maior número de indivíduos e respectivas amostras. Tal, permitirá, a utilização de metodologias quantitativas, validadas, no estudo da temática da participação dos pais na escola e no desenvolvimento escolar do seu educando, em Portugal, através da utilização de questionários válidos, fiáveis e consistentes, e desta forma, a abertura de novas linhas de investigação.
Para a construção do questionário, e com base no referido na literatura (entre outros Fortin, 2003 Selltiz e Wrightsman, 1976, McMillan e Shumacher, 1989, Green e Lewis, 1986, Thorndike e Hagen, 1977, Cronbach, 1971, Nunally, 1978 e Campbell e Fiske, 1995), utilizamos a seguinte metodologia para a construção do nosso questionário:
1. Identificamos trabalhos de investigação, com ou sem questionário, dos quais destacamos: Questionário de Envolvimento Parental na Escola (Pereira, 2002), Processo de Auto-Avaliação. Inquérito aos Pais (Associação de Jardim Escolas João de Deus, 2009), O envolvimento dos pais na educação dos seus filhos (Cortesão e Stoer, 2005), Relação Família Escola (Simões, 2006), Investimento das famílias na escola (Diogo, 2008), Participação
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organizacional e educativa dos pais na escola do 1º ciclo do ensino básico: potencialidades e limites (Lopes, 2006)
2. Identificamos na bibliografia disponível (entre outros, Pereira, 2002, Cortesão e Stoer, 2005, Simões, 2006, Diogo, 2008, Lopes, 2006, Barros, Pereira e Goes, 2007, Correia e Serrano, 2000, Marchand e Pinto, 1997, Santos, 2007, Zagury, 2007, Candau, 2000, Lima, 2002, Montandon e Perrenoud, 1994, Morin, 1999, Azevedo, Ramalho, Ferrer e Perrenoud, 2003, Bogdan e Biklen, 1994, Senge et al., 2005, Nóvoa, 1992) variáveis que consideramos adequadas para obtenção da informação que pretendemos.
3. Realizamos cinco entrevistas pessoais e aprofundadas com Pais
4. Enviámos o questionário a três especialistas de referência sobre a temática da educação em Portugal: Professor Doutor António Nóvoa (Reitor da Universidade de Lisboa) Professor Doutor José Manuel Canavarro (Professor Auxiliar da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra, Professor Convidado da Escola Superior de Educação João de Deus, Conselheiro Nacional da Educação) e Professor Doutor Horácio Saraiva (Professor de psicologia e de psicopatologia na Escola Superior de Educação João de Deus, professor de psicopatologia na Universidade Lusíada de Lisboa e Porto, professor convidado nos programas de doutoramento da Universidade de Sevilha e Málaga).
5. Incorporamos no questionário as sugestões referidas pelos especialistas 6. Realizamos um pré teste junto de dez pais e incorporamos as suas sugestões 7. Após a obtenção das respostas aplicamos o Alfa de Chronbash para verificar a sua consistência interna.
O questionário tem apenas questões fechadas com cenários resposta sim / não, e usando a escala Lickert de cinco pontos (discordo totalmente, discordo, nenhuma decisão, concordo, concordo totalmente). Gauthier (1992) e Fortin (2003) referem que a utilização de uma escala Lickert permite aos inquiridos reflectirem a sua posição sobre um determinado tema.
Os questionários foram entregues pessoalmente aos Pais, em papel e num envelope fechado, tendo sido devolvidos, depois de respondidos, pelo mesmo meio.
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Para análise das respostas obtidas procedeu-se, em primeiro, à tabulação dos dados e posterior análise estatística através do software SPSS 14.
Os dados obtidos serão analisados utilizando técnicas de estatística descritiva com objectivo de determinar a convergência ou divergência das respostas, validar as hipóteses de trabalho e obter respostas às questões de investigação.
No nosso estudo consideramos o seguinte procedimento para o envio do questionário, obtenção das respostas, e tratamento estatístico dos dados obtidos:
- O questionário é entregue em papel aos pais dos alunos em envelope fechado, devendo ser devolvido pelo mesmo meio. Todos os questionários são codificados permitindo saber quem responde;
- Estima-se receber as respostas no prazo de duas semanas após a entrega; - Os dados obtidos serão tratados utilizando o Statistical Package for the Social Science Base 14 (SPSS);
- Os dados serão analisados através de técnicas de estatística descritiva com o objectivo de verificar a convergência ou divergência dos dados.
Os procedimentos que utilizaremos na análise dos dados são: Gravação
As respostas são gravadas num ficheiro de acordo com as especificações do questionário. Depois da gravação, é feita uma depuração do ficheiro para eliminar as incorrecções e incongruências.
Tabulação
Em primeiro é feita uma tabulação total com os dados obtidos, tendo como objectivo analisar os resultados globais. Depois e com base na tabulação total, realizam-se tabulações parciais que permitem analisar os grupos existentes e com interesse para a investigação. As tabulações são feitas através do programa SPSS 14.
Análise de fiabilidade
Inicialmente efectua-se uma validação da escala através do cálculo do índice discriminante de cada ítem. Em seguida realizamos a análise de fiabilidade
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utilizando o coeficiente de Cronbach. Os cálculos são feitos utilizando o programa SPSS 14.
Análise factorial
A análise é feita através do programa SPSS 14, obtendo os valores associados como o número de factores, as variáveis, vectores próprios e variância explicada. O cálculo dos dados tem como objectivo identificar factores.
Análise de correlações
Através do cálculo do Coeficiente de correlação de Pearson identificamos a existência de relações entre variáveis.
Em todos os processos realizamos a respectiva análise interpretativa, destacando as diferentes estatísticas aplicadas e principais conclusões obtidas.