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4 Teoretisk bakteppe

4.8 Perspektiver på ledelse, kunnskapsledelse

Segundo Bogdan e Biklen, (1997) faz-se necessário calcular o tempo e o modo de participação tendo em mente os objetivos propostos: “ser investigador significa interiorizar-se do objetivo da investigação à medida que se recolhem os dados no contexto” (p. 128). Segundo os autores, alguns pontos mostram-se relevantes para a entrada do investigador no campo. São eles: discrição, honestidade (o investigador não poderá prometer o que não conseguirá cumprir) persistência, flexibilidade, criatividade e ética (o investigador deve evitar mexericos, salvaguardar a identidade dos participantes). Além disso, os sentimentos também precisam ser considerados, pois constituem importantes veículos para o estabelecimento das relações no campo de trabalho, podendo ajudar na compreensão das perspectivas dos sujeitos, no estabelecimento da empatia, possibilitando maior proximidade e confiança. Vale ressaltar que é importante considerá-los numa perspectiva reflexiva, assim ele: “apreende o modo de pensar do sujeito, mas não pensa do mesmo modo. É empático, e simultaneamente reflexivo” (BOGDAN; BIKLEN, 1997, p. 113).

Em julho de 2005, realizei meu primeiro contato com a instituição por telefone, quando fiz um agendamento com a diretora da Casa Abrigo para uma entrevista. A diretora adiantou-me que, tanto a psicóloga quanto a assistente social que trabalhavam na Casa naquele momento, estariam presentes, pois, segundo ela, as decisões sobre questões pertinentes à instituição eram tomadas mediante a aprovação das três. Diante desse comunicado por telefone, segui para a Instituição. Chamou-me a atenção que o local onde se instalava era bem grande e espaçoso, com uma entrada bastante arborizada; e o prédio antigo,

típico de uma construção do início do século XX, parecia ter sido uma construção mais luxuosa, carecendo atualmente de cuidados de pintura e manutenção recentes. Essa observação foi feita a partir do espaço externo da instituição, uma vez que não a conheci por dentro naquela oportunidade. Cabe esclarecer que numa sala, no mesmo prédio, na parte da frente, a Secretaria da Cidadania desenvolvia suas atividades. A sala da diretora do abrigo ficava também na parte da frente do prédio, ao lado da sala da Secretaria, e era dividida com a assistente social e com a psicóloga, cada uma com uma mesa para suas respectivas atividades. Quando cheguei, deparei-me inicialmente com o pessoal da prefeitura que me indicou a sala da diretora. Na sala, apresentei-me para a diretora e a assistente social. Esperei pela psicóloga que estava num atendimento a uma criança. Iniciei nossa conversa explicando meu interesse pelas crianças abrigadas e pela minha motivação de fazer algo por elas que pudesse contribuir de alguma forma. Falei também de meu contato com outras casas abrigos na época da faculdade, e da minha atenção a tal temática, que me fizeram considerar que, para se “melhorar” a qualidade de vida das crianças, necessariamente se deveria realizar algum trabalho com as educadoras, já que eram elas que se encarregavam diretamente e passavam grande parte do tempo com as crianças.

Expliquei então os objetivos da pesquisa e a autonomia e liberdade para participação da mesma, tanto da instituição quanto das educadoras, ressaltando a importância da participação.

A psicóloga, que aqui chamarei de Ana, colocou a maioria das questões, algumas buscando esclarecimentos sobre os procedimentos a serem adotados, preocupada com sua viabilidade sem que houvesse prejuízo ao trabalho das educadoras no abrigo. No que diz respeito aos aspectos práticos, foram questionados: os horários, a duração e o local das entrevistas, se atrapalhariam ou não a rotina do abrigo. Esclareci que os dias e horários para a

realização das entrevistas poderiam ser escolhidos de maneira que melhor se adaptasse à rotina do abrigo.

Nessa conversa, outras questões antecipavam possíveis problemas para conseguir a concordância de participação da Instituição. São elas: um possível receio de que as educadoras viessem a se sentir “perseguidas” com esse tipo de pesquisa, pois as educadoras poderiam pensar: “mais uma coisa que elas [diretora, psicóloga e assistente social] querem saber de nós”; a dificuldade de se iniciar o trabalho naquele momento, pois havia vários profissionais “de fora” atuando na Instituição e poderia causar certo tumulto. Outro receio seria na própria realização das entrevistas, haja vista as “dificuldades das educadoras em falarem de aspectos internos delas”, “resistências” por parte delas. Diante dessas questões, enfatizei o sigilo e o caráter autônomo da participação, ressaltando que mesmo que a educadora houvesse aceitado participar, a qualquer momento poderia interromper essa participação, caso fosse de sua vontade. E também ofereci a possibilidade de estar iniciando as entrevistas não naquele momento, mas no ano seguinte (por volta de oito meses depois).

Mediante essas colocações e esclarecimentos sobre sigilo, livre participação e o termo de compromisso, houve aceitação para a realização da pesquisa com a ressalva de que eu teria que falar com cada uma das educadoras “para saber delas [...]”. 16

Em setembro de 2005, entrei em contato novamente com a Instituição para colher a assinatura do termo de consentimento (Anexo B) e da carta de aprovação a fim de submeter o projeto ao Comitê de Ética da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP. Nesse momento, a diretora disse que não poderia conceder assinatura sem a aprovação da Secretaria da Cidadania da Prefeitura Municipal. Sendo assim, o projeto precisou passar pela Secretária da Cidadania e também pelo prefeito da cidade em questão, para obter a assinatura da diretora do abrigo. Isso não aconteceu de imediato, haja vista os aspectos

burocráticos que foram respeitados. No segundo semestre de 2005 o projeto foi aprovado pelo referido comitê de ética.