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4.3.2 Signal to noise ratio
As estratégias predominantes de organização das atividades didáticas das disciplinas de Saúde Coletiva efetivamente executadas e os instrumentos de avaliação dos estudantes em cada uma das seis disciplinas do curso e no estágio do internato estão descritas nos planos de ensino de cada uma delas, que é distribuído aos estudantes no primeiro dia de aula.
Entre as atividades teóricas, a aula expositiva é um dos recursos educacionais freqüentemente utilizados com o nome de aula teórica propriamente dita. Também são utilizados exercícios de fixação, discussão de casos clínicos que são considerados teórico-práticos (TP) e seminários das disciplinas com temas pré-definidos.
Entre as atividades relacionadas às aulas práticas, está o atendimento clínico a pacientes das Unidades Básicas de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba ou no Município de Colombo da Região Metropolitana. Nesses locaissão desenvolvidas práticas de acompanhamento das atividades do agente comunitário de saúde em visita aos domicílios dos pacientes, participação em tarefas educativas dentro e fora da UBS, elaboração de relatórios da UBS frente a grupos específicos, relacionados à saúde da criança, da mulher, do adulto e à saúde mental.
A avaliação do ensino tem um sistema tradicional em respeito a uma resolução da Universidade que estabelece duas avaliações no
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semestre, no mínimo, sendo que uma delas deverá ser prova teórica. Essas avaliações se traduzem em uma nota ao final do semestre, com diferentes pesos para as atividades teóricas e práticas. Caso o aluno não obtenha a média 7, é realizada uma prova final na qual ele deve alcançar a média final 5, para que possa ser considerado aprovado naquela disciplina.
Observou-se que os critérios de rendimento dos estudantes estão muito freqüentemente centrados no domínio de conhecimentos e as habilidades na comunicação com os pacientes e familiares ou no trabalho em equipe não são avaliadas de forma sistemática.
Em relação ao estágio de Medicina Geral e Comunitária, no Internato se faz uso de uma ficha como instrumento para orientar a avaliação da supervisão aos estudantes na Unidade de Saúde levando em consideração algumas atitudes e habilidades profissionais médicas. Além disso, é feita uma avaliação regular do estágio, visando ao seu aprimoramento contínuo, como relata a professora responsável na sua entrevista:
Desde que eu implantei o Internato, eu faço uma avaliação sistemática ao final do estágio. Essas avaliações são anônimas. Ao final, vários itens sobre tudo o que é feito, todas as atividades na Unidade de Saúde, na Vigilância, eu sempre leio e sempre passo para os professores lerem. Fui eu que implantei no Internato. As avaliações da Universidade demoram muito para retornar - quando retornam – e, quando retornam para a Coordenação, a gente demora a saber. A que eu aplico é muito boa. Positiva, porque eu leio logo depois, aquilo me ajuda a reprogramar a turma seguinte. Muitas coisas eu já mudei, retirei do programa do Internato porque a gente tem algum conteúdo teórico no Internato também e atividades práticas. Eles valorizam muito a experiência que a gente passa de Saúde Pública, eles sentem que estão aprendendo o que não viram durante o curso todo, eles chegam a dizer assim: “foi
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muito importante para a formação profissional, não tinha visto no curso todo, agora que eu estou conseguindo ver a importância desta área”. Valorizam as atividades em que eles aprendem coisas úteis, eles gostam muito, por exemplo, do estágio de Vigilância Epidemiológica no HC em que eles discutem as condutas, sejam do controle epidemiológico, sejam de tratamento. No nosso Internato nós temos um módulo que é da Infectologia, eles gostam muito porque é contato com paciente, gostam mais do que Saúde Coletiva ou Vigilância porque esse contato não é o principal para eles.
(PUFPR2)
No estágio do Internato o processo de ensino-aprendizagem não está totalmente centrado no professor e na sua relação com o estudante em torno do objeto do conhecimento mais do que entender o funcionamento do SUS, o que orienta a organização das atividades do estágio é a aprendizagem a partir do enfrentamento dos problemas reais da saúde pública.
Os estudantes vão as Unidades Básicas de Saúde para conhecer as necessidades de saúde da população, suas demandas e como a Unidade está respondendo a elas, como também para refletir sobre a maneira mais adequada de melhorar essas respostas. A idéia é que os estudantes se integrem nas equipes de saúde, assumindo junto com elas a solução dos problemas e aprendendo com as vivências desse processo de trabalho em atenção básica. O depoimento de um dos professores responsáveis é esclarecedor:
Eu até me surpreendi com alguns resultados lá. Eles analisam como é que a Unidade trabalha, a gente discute um pouco modelos assistenciais, eles compreendem um pouco a questão da territorialização, a gente tenta deixar claro para eles que o médico de família deve se responsabilizar pelo cuidado da saúde daquela população da sua área. Então, é responsabilidade sua cuidar dos
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hipertensos, por exemplo. E aí começamos a fazer essa reflexão, o que é que você precisa saber para cuidar bem de um hipertenso? O que eu falei que me surpreendeu é que na análise dos hipertensos na Unidade de Saúde de Colombo, no início, tinha em torno de 30% de hipertensos com a pressão controlada, que estavam no projeto quando a gente chegou, e aí os alunos enxergaram vários problemas, era prescrição equivocada, era paciente que não aderia ao tratamento, enfim vários fatores. E isso foi sendo corrigido e o grau de hipertenso com pressão controlada chegou a 60 % em um ano. Então isso eles fazem para aquelas situações em que a Unidade prioriza: cuidado da gestante, a questão do preventivo, cuidado da criança, hipertenso e diabético. (PUFPR1)
Esta opinião coincide com a dos estudantes do grupo focal dos internos, que lamentavam o fato do estágio ser optativo no final do 12º período.
A exposição que a gente teve antes do Internato na rede básica não é bem suficiente para a gente aprender sobre Medicina Comunitária. A gente só vai ter essa visão agora no Internato. Por isso eu acho importante que o estágio de Medicina Comunitária, que não é obrigatório, fosse bem visto por todos os estudantes do curso.
(EUFPR5)
Ao que parece, na consideração das estratégias, constatam- se duas realidades que se opõem: uma nas aulas teóricas, prevalecendo procedimentos mais típicos de um ensino tradicional, centrado no professor e voltado para a transmissão de conteúdos e outra no estágio do Internato, em que predomina o contato com a realidade, a delegação de responsabilidades, tendo em vista a aplicação de saberes associada à formação de habilidades clínicas e atitudes profissionais.
O que dizem os agentes envolvidos nesse processo educacional? A professora entrevistada está mais preocupada em implantar
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formas de avaliação para controlar o processo e dar diretrizes para a sua continuidade, enquanto que os estudantes se ressentem da fragmentação que não lhes parece complementar. Em face desse quadro, parece haver certa tensão e até mesmo uma oposição entre a opinião dos professores e estudantes em relação à adequação das estratégias utilizadas na Saúde Coletiva.
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