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Per Nyhus, Statens senter for barne- og ungdomspsykiatri, Oslo

No processo de cuidar, refletimos sobre algumas lições acerca de nós mesmos enquanto profissionais e acerca do outro, o ser cuidado. O que pretendemos? O que queremos alcançar? O que e como estamos visualizando o outro? O ser cuidado foi atendido em suas necessidades e em todas as suas esferas?

O desenvolvimento de habilidades motoras e cognitivas é intrínseco à formação acadêmica e crucial para alcançarmos objetivos, mas o que realmente deve permear nossas ações são profundas reflexões sobre nossa práxis, de modo que a essência do cuidar esteja e permaneça presente em nossos depoimentos e na prática clínica, alicerçadas pela competência profissional,ou seja, no processo de saber pensar, fazer e refazer sempre que necessário nossa profissão, e também pela formação comprometida com a cidadania, na qual o exercício da liberdade e da autonomia envolva a responsabilidade e o compromisso com o outro, confiados pelo rigor científico e submetidos à realimentação teórica constante, visando a maximizar a qualidade do cuidar em enfermagem.

Classificado como um desafio aos enfermeiros em processo de graduação, bem como aos já graduados, o cuidado de enfermagem espiritual determina potencialmente inovação, evolução e revolução no saber e no fazer da enfermagem. Este saber pode ser empregado e é aplicável em quaisquer dos campos da prática profissional – ensino, pesquisa ou assistência. Para tanto, precisamos refletir de forma sistemática e deliberada sobre nossa forma de aprender a pensar o fazer. Somos integrantes de uma profissão com um corpo de conhecimentos vasto e rico; uma ciência de visão recebida e percebida ao longo dos anos, que possui um completo e explícito referencial teórico- filosófico que define e delimita nosso campo de interesse. Em seu processo evolutivo, as teorias de enfermagem têm contribuído para a formação de uma base sólida de conhecimento que organiza o mundo da enfermagem. A partir daí, temos condições de criar ou recriar a enfermagem.

Assim, o posicionamento ético-moral e humanístico deve nortear as ações de cuidar da enfermagem, valorizando nossa forma holística e integral de enxergar o outro, contemplando suas esferas, minimizando o sofrimento e a dor do ser que recebe cuidados, pois, nesta prática assistencial-tecnológica,não deve faltar o cuidado ético, humano e respeitoso, tampouco o cuidado de enfermagem espiritual.

Esta última se refere a enxergar e valorizar as esferas de atuação de enfermagem encontradas na essência do ser em questão, bem como a proporcionar alívio do sofrimento e da dor, não apenas física, mas psicológica e espiritual, por ser o paciente constituído de corpo, mente e espírito. O cuidado de enfermagem espiritual valoriza a natureza das relações humanas e volta-se continuamente para a pessoa com a doença e não à doença da pessoa, visando à satisfação do cliente e do profissional.

Conforme o relato dos participantes, concluímos que podemos também utilizar outras formas para implementar a assistência, como ouvir de forma qualificada, agir sempre com sensibilidade à dor do outro e com proximidade, oferecer sempre nosso respeito antes de tudo, frente às nossas decisões. Mas, indubitavelmente, é necessário querer, ter vontade, intencionalidade e percepção do dever para que este cuidado se efetive e cause transformação eficaz na vida do outro. A espiritualidade, neste processo, soma com todos os outros fatores já mencionados, pois renova o ser tanto do profissional quanto do paciente, atuando tanto como forma indutora para a realização deste tipo de cuidado como enquanto forma de enfrentamento da doença e/ou da possibilidade de morte, estando diretamente interligada à força da fé a crença religiosa à qual pertençam seus atores.

O compromisso dos graduandos de enfermagem com esta realidade está diretamente relacionado à aquisição de conhecimentos relativos ao seu processo de formação, bem como à execução da prática clínica e constante realimentação teórica, pois a busca por conhecimentos só fará sentido se for empregada em prol da transformação da realidade dos que padecem. É oportuno mencionar que a dimensão espiritual deve ser contemplada e alvo de cuidados, porquanto esta é capaz de trazer benefícios ao atendimento e a seus resultados, como bem- estar físico, emocional e qualidade de vida, além da evolução do quadro clínico, pois o ser humano também é espírito; portanto, ambos são indissociáveis.

Cabe ao enfermeiro exercer e entender a importância do cuidado espiritual, de exercê-lo continuamente por enxergar o paciente de forma indissociável, como ele realmente é, levando em conta sua postura ética e moral firmada em valores que apontam para uma práxis fundamentada no rigor científico, como também no amor e compromisso pelo próximo, distanciando-se diariamente do cuidado mecanicista justificado por argumentos falidos.

Um cuidado competente significa ser e estar sempre sensível à dor, ao sofrimento e à necessidade do outro, bem como disposto/a a amenizar as aflições dos

pacientes de forma humana, com visão integral e entendendo esta visão, utilizando-se sempre de uma dose de bom senso. É oportuno destacar que há uma falta de clareza na enfermagem sobre espiritualidade, religiosidade e cuidado espiritual. Embora devam permear nossa perspectiva de cuidado, seu papel também implica respeitar as crenças e valores dos pacientes, favorecendo, assim, interação social e comunicação efetiva.

Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes, fortalecer os mecanismos de enfrentamento, manter o bem-estar e promover saúde, o modelo de adaptação da Doutora Roy enfatiza e encoraja o enfermeiro a agir e pensar na perspectiva da qualidade de vida, na adaptação fisiológica, psicológica, espiritual, social e no fortalecimento das relações próximas dos sujeitos envolvidos como forma também de adaptação, todos regulados por mecanismos de enfrentamento de estresses ou não adaptação, que são os subsistemas reguladores e o cognitivo, de modo a garantir níveis elevados de satisfação plena de suas necessidades, como também realização profissional.

Apesar das limitações encontradas perante a realização deste estudo, como encontrar uma teoria que fundamentasse de forma coerente a visão que nós, enquanto profissionais, desenvolvíamos em nossas atividades práticas, de realizar busca e estudo apurado para a seleção de temas específicos para nortearem a pesquisa em bases de dados científicos, além de conciliar a execução deste estudo com atividades de cunho profissional e familiar, esperamos que esta pesquisa possa contribuir para a renovação da prática de enfermagem, no sentido de alertar os profissionais no tocante às habilidades emocionais e espirituais da equipe.

Colocamo-nos no sentido de rever o contato com o paciente em instituições de saúde, além de sensibilizar o enfermeiro com relação às situações vivenciadas em seu cotidiano. Com isso, esperamos que esse profissional evite prestar um cuidado tecnicista, mas esteja sempre preparado para oferecer um cuidado com compaixão ao cliente, que lhe permita ser tão humano quanto possível, tão envolvido quanto o sentimento determine, objetivando adaptá-lo em todos os níveis relativos ao contexto, bem como a estímulos positivos ou negativos, os quais, para a Doutora Roy, são essenciais para a saúde e bem-estar.

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