3. Private barnehager
3.5 Pensjonsutgifter
No Japão, em finais da década de 1950, surge um primeiro grupo de arquitectos determinados na premência de rever as leis rígidas do funcionalismo vigente. No decorrer da World Design Conference, em 1960, apresentam uma declaração através de um panfleto bilingue intitulado Metabolism 1960: The proposals for a New Urbanism, Defendiam (como o termo que adoptaram para se intitularem explicita) o pressuposto que as cidades, e os seus edifícios deviam ser projectados com o mesmo processo, orgânico, que as células utilizam para se desenvolver e se adaptar à envolvente, mudando a sua forma estrutural em sucessão rápida. O grupo184 destacou-se dos que o sucederam por ter obra construída185 e por recorrer, efectivamente, às tecnologias mais avançadas para legitimar as suas propostas, que incluíam – a nível técnico/produtivo – a industrialização da arquitectura, através de uma nova conjuntura para o pré-fabricado186, e a reanimação do projecto para auto-construção.
No Reino Unido, em 1961, antes portanto da emergência do Radical Design, e recorrentemente no contexto da Arquitectura, Peter Cook (n. 1936), Warren Chalk (1927 - 1988), Ron Herron (1930 – 1994), Dennis Crompton (n. 1935), Michael Webb (n. 1937) e David Green (n. 1937), publicam o primeiro número da revista Archigram que, mais tarde (1963) os denominará como grupo. A sua proposta baseava-se na procura de uma maior implicação da arquitectura no real contexto social, cultural e tecnológico da época. São entusiasticamente apoiados por Reyner Banham187 que
184 Constituído entre outros, por Noboru Kawazoe, crítico de arquitectura; Masato Otaka, Fumihiko Maki,
Kiyonori Kikutake, Kisho Kurokawa, arquitectos; Awazu Kiyoshi, Ekuan Kenji, designers; sob influência magistral do arquitecto Kenzo Tange,
185 De que se destaca a torre modular Nakagin, ainda existente em Tóquio, ou o plano para a Exposição
Internacional de Osaka, 1970.
186 Vide South Pole Showa Base de Takashi Asada que redefiniu o conceito de casa pré-fabricada.
187 “Reyner Banham was the first serious person to notice us and talked about the work of the Archigram
escreve, em 1966, sobre as consequências do movimento188 por eles desencadeado, com sede na Architectural Association School of Architecture189:
Wham! Zoom! Zing! Rave! – and it’s not ‘ready Steady Go’, even tough it sometimes looks like it. The sound effects are produced by the erupting of underground architectural protest magazines. Architecture, staid queen-mother of the arts, is no longer courted by plush glossies and cool scientific journals alone but is having her skirts blown up and her bodice unzipped by irregular newcomers which are – typically – rhetorical, with-it, moralistic, mis-spelled, improvisatory, anti-smooth, funny-format, cliquey, art-oriented but stoned out of their minds with science-fiction images of an alternative architecture that would be perfectly possible if only the Universe (and especially the Law of Gravity) were differently organized.190
Archigram]
In site do grupo Archigram, http://www.archigram.net/story.html [acedido em 21 de Março de 2012].
188 “The movement (and I think it deserves the name) began at the end of the fifties, with Polygon,
emanating from the Regent Street Polytechnic, student-run, roneo’d but – for one memorable issue – adorned with genuine lipstick kisses by a real living bird”
–
“O movimento (e penso que merece o nome) começou no fim dos anos cinquenta, com Polygon, emanando do politécnico da Regent Street, dos estudantes, policopiado mas – por uma questão memorável – adornado com genuínos beijos de baton por uma verdadeira ave viva” (tradução nossa).
BANHAM, Reyner, “Zoom wave hits architecture” in New society, 3 de Março de 1966.
189 “By the late 1950s the school was no longer so preoccupied with the politics of the left and was
beginning to flirt with pop-culture and its new sense of irreverence and fun. A central figure in all this was, of course, Cedric Price, who graduated in 1957 and almost immediately started teaching in the school, his Fun Palace project dating from 1961/2. And then of course, as the swinging 1960s started and British music, fashion and film become globally successful, came Archigram, arguably the pre-eminent architectural neoavant-garde of the 1960s and early 1970s.
While Peter Cook was the only graduate of the AA, the school became known as the hub of Archigram whose members became incredibly influential on the AA staff. Indeed, as Andrew Higgott has written, the 'AA was revolutionised by the Archigram group… with its colour, audacity and cheerful disregard of history, tradition and English good manners'" Students such as Nicholas Grimshaw and Piers Gough, who graduated in 1965 and 1966, respectively, constituting what Peter Cook has termed the ‘Electric Decade’ at the AA…”
–
“No fim dos anos 1950 a escola já não estava tão preocupada com as políticas de esquerda e começava a namoriscar com a cultura pop e o seu novo espírito de irreverência e divertimento. A figura central disto tudo era, claro, Cedric Price, que se licenciou em 1957 e quase imediatamente começou a ensinar na escola o seu projecto Fun Palace datado de 1961/2. E depois claro, quando o swinging dos anos de 1960 começou e a música britânica, a moda e o cinema tornaram-se sucessos globais, surgiu o Archigram, indiscutivelmente a preeminente neo-vanguarda arquitectónica dos anos 1960 e inícios de 70. Enquanto Peter Cook era o único graduado da AA, a escola ficou conhecida como o elemento de conecção do Archigram, cujos membros se tornaram incrivelmente influentes na equipa da AA. De facto, como escreveu Anderw Higgot, a “AA foi revolucionada pelo grupo Archigram…com a sua cor, audácia e alegre desprezo da história, tradição e boas maneiras inglesas”. Estudantes como Nicholas Grimshaw e Piers Gough, que se licenciaram em 1965 e 1966 respectivamente, constituíram o que Peter Cook definiu como a “Electric Decade” na AA…” (tradução nossa).
A apropriação da cultura pop, a representação da inerente sociedade de consumo e de massificação industrial, a estética da máquina e o mito tecnológico consolidaram um ideário em que a edificação – a arquitectura – se transforma em objecto de consumo, efémero, móvel e descartável. Arquitectura para consumo imediato. Esta proposta de efemeridade, em que “Pour la première fois peut-être depuis la révolution industrielle l’architecture communique, en temps réel, avec l’imaginaire joyeux et les goûts de son époque”191, foi acusada de decair na arquitectura à-la-minute (“designing up to the minute”192) e daí, segundo Banham:
(…) the constant preoccupation of the Movement with far-out figures like
Buckminster Fuller, Yona Fridman or (in Britain) Cedric Price, men who propose not only a more up-to-the-minute environment, but wild technological methods for getting it build quicker and in quantities more nearly commensurate with human needs.193
De ressalvar que não tinha chegado ainda a assumpção do pós-modernismo e que os princípios do grupo se reviam nos velhos preceitos do movimento moderno, mas agora actualizados por um optimismo tecnocrático.
190 BANHAM, Reyner, “Zoom…”, op. cit.
–
“Wham! Zoom! Zing! Rave!– e não é “partida, largada, fugida”embora por vezes pareça assim. Os efeitos sonoros são produzidos pela erupção de revistas de protesto do underground arquitectónico. A Arquitectura, a sóbria rainha-mãe das artes, já não é apenas cortejada por sumptuosas revistas de papel couché e jornais científicos da moda mas tem as suas saias levantadas pelo vento e o seu corpete desapertado por recém-chegados que são – tipicamente – retóricos, na moda, moralistas, com ortografia errada, improvisatórios, anti-suaves, divertidos, elitistas, orientados para a arte mas pedrados com imagens de ficção científica de uma arquitectura alternativa que seria perfeitamente possível se ao menos o Universo (e especialmente a Lei da Gravidade) fosse organizado de forma diferente.” (tradução nossa).
191 GUILHEUX, Alain, “Fast Histoire” in Archigram, Paris, Editions du Centre Georges Pompidou, 1994,
p. 9. –
“Talvez pela primeira vez depois da revolução industrial a arquitectura comunica, em tempo real, com o imaginário alegre e os gostos da sua época.” (tradução nossa)
192 BANHAM, Reyner, “Zoom…”, op. cit. p. 64. 193 Id.
–
“(…) a constante preocupação do Movimento com figuras tão exteriores como Buckminster Fuller, Yona Fridman ou (na Grã-Bretanha) Cedric Price, personagens que propunham não só um ambiente mais ao
minuto, mas também métodos tecnológicos radicais para começar a construir mais depressa e em
David Green escreveu, em forma de poema, na capa da primeira edição (1961) da revista Archigram:
you can roll out steel any length you can blow up a balloon any size you can mould plastic any shape blokes that built the Forth Bridge THEY DIDN’T WORRY (…)
A new generation of architecture must arise with forms and spaces which seems to reject the precepts of ‘Modern’ yet in fact retains those precepts. WE HAVE CHOSEN TO-BY PASS THE DECAYING BAUHAUS IMAGE, WHICH IS AN INSULT TO FUNCTIONALISM.194
Ou como escreve Alain Guilheux, “Le néomodernisme de l’entre-deux-guerres était triste et sérieux (…) sa prétention était l’éternité (d’où la nécessité, une fois de plus, d’en revenir aux origines de la modernité)”195.
Embora influenciando obras arquitectónicas futuras, e de outros autores196, nas palavras do próprio grupo a sua época foi: “A High period of... not only slogans... but schemes”197.
194
– “
podes desenrolar aço qualquer comprimento podes soprar um balão qualquer tamanho podes moldar plástico qualquer forma
osgajos que construíram a Forth Bridge NÃO SE PREOCUPARAM (...)
Uma nova geração de arquitectura deve emergir com formas e espaços que parecem rejeitar os preceitos do 'Moderno' e no entanto retêm esses preceitos. NÓS ESCOLHEMOS ULTRAPASSAR A IMAGEM DA DECADENCIA DA BAUHAUS, QUE É UM INSULTO AO FUNCIONALISMO.”
(tradução nossa)
195 GUILHEUX, Alain, “Fast Histoire”…, op. cit.
–
“O neo-modernismo de entre as duas guerras era triste e sério (…) a sua pretensão era a eternidade (daí a necessidade, uma vez mais, de retornar às origens da modernidade)” (tradução nossa).
196 Richard Rogers e Renzo Piano – Centre Georges Pompidou; Will Alsop – Peckam Library, Rem
Koolhaas, que identificou o grupo como “o último novo movimento em urbanismo”...
197 In site do grupo Archigram, http://www.archigram.net/story.html [acedido em 21 de Março de 2012].