4. TILTAK FOR Å IVARETA EVNERIKE ELEVERS UTVIKLINGSBEHOV
4.2 PEDAGOGISKE TILTAK
Envio de carta convite para participar da avaliação geriátrica ampla ao beneficiário. Beneficiário agendava a avaliação. 1º momento da avaliação - Enfermeiro; - Médico; - Assistente Social; 2º momento da avaliação - Psicóloga; - Nutricionista. Consolidação dos dados obtidos e discussão entre a equipe sobre os encaminhamentos Agendamento da devolutiva em 15 dias,
para inserção nos programas do NAS e aconselhamentos.
Possibilidades de
Encaminhamentos
Programa Viva Melhor a Melhor Idade com inúmeras atividades.
Programa Vida e Saúde; Consulta com fonoaudióloga; Consulta com nutricionista; Consulta com enfermeira; Consulta com psicóloga;
• Os sujeitos participantes da investigação
Em outubro de 2010, foram selecionados aleatoriamente (através de sorteio), quatro idosos, entre os 90 avaliados pela AGA no período compreendido entre outubro de 2009 a outubro de 2010. Esclareço que dois deles foram avaliados em 2009 e os outros dois, em 2010. Além da idade (acima de 60 anos), o outro critério para inclusão neste estudo foi à participação assídua nas atividades do Programa “Viva melhor a melhor idade”, neste período. Entendi que, assim, poderia se cumprir a condição para que eles pudessem se posicionar com propriedade sobre a temática-foco desta dissertação.
• A análise propriamente dita
Na análise, como já disse, procurei identificar as categorias discursivas que emergiram na fala dos sujeitos para (1) dizer do impacto, sobre eles, das avaliações implementadas pelos profissionais de saúde, em especial aquela realizada pela enfermagem; (2) relacionar sua condição atual de saúde àquela anterior à sua participação no programa; (3) referir questões/mudanças significativas para eles e que estejam relacionadas com qualidade de sua vida na velhice (ou quaisquer outras, não previstas aqui, mas que possam ser entendidas como relevantes à investigação que se está encaminhando).
Aproveito para esclarecer que os trechos das respostas dos pacientes às questões da entrevista aparecerão em cores diferentes (nº1 = azul, nº2 = vermelho, nº3 = verde e nº 4 = laranja) para que se possa visualizar, com maior clareza, o modo como os “temas” foram evocados por eles. No anexo3, encontram-se todas as entrevistas transcritas na íntegra.
Sujeito 1 – Sr. João
Dou início à interpretação, trazendo à luz a entrevista realizada com o Sr. João. Antes disso, esclareço o modo como este senhor chegou e foi, posteriormente, incluído no Programa “Viva melhor a melhor idade”. À época (final de 2008), ele tinha 80 anos, era casado, com grau de instrução equivalente ao 3º grau completo, aposentado e com
renda mensal entre 4 e 6 salários mínimos. A porta de entrada para o que, mais tarde, se configuraria como o Programa, antes referido, foi a sua adesão à proposta de participação em uma atividade denominada “Grupo de Idosos”. Coordenada pelo Serviço Social, tinha como objetivo específico debater direitos civis e previdenciários dos cidadãos na faixa etária acima dos 60 anos. Seu notável interesse e suas importantes contribuições neste grupo já indicavam que ele seria um dos primeiros beneficiários do conjunto de atividades que delineariam o perfil do Programa. Não foi outra coisa que aconteceu! É preciso enfatizar que o Sr. João sempre se mostrou muito falante e crítico, dom que parecia pulsar em suas veias de professor (profissão exercida antes da aposentadoria) e que respondeu, desde o início, pela sua posição de porta voz do grupo.
Quando a AGA foi implantada no Programa, o Sr. João foi um dos primeiros a serem submetidos a ela. Vale dizer que ele já havia sido diagnosticado e fazia tratamento para hipertensão, hipotireoidismo, enfisema pulmonar e dislipidemia. Sua queixa, naquele momento, dizia respeito a um cansaço crônico e uma “impaciência
com a rotina diária” (sic). Nesta primeira avaliação, em função de questões que não cabe relatar aqui, fui eu – a enfermeira – que iniciei o fluxo da AGA, apresentado acima. Ao realizar a ausculta cardíaca, fiquei impactada: detectei uma arritmia muito significativa. Sua amplitude era tal que me vi diante de um descompasso entre o modo como ele enunciava a queixa – que, embora sendo “queixa” não parecia ser, de fato, um “problema” para ele – e a condição clínica que emergiu dessa minha primeira e simples intervenção. Na seqüência, o médico da equipe confirmou a gravidade da condição que eu havia detectado, e até mesmo comentou: “esse parece ser um caso para implantação
de marcapasso!”. Por isso, o paciente foi encaminhado a um especialista cardiologista. Procurei, ainda nesse encontro, esclarecer junto ao paciente se ele estava sendo acompanhado por um médico dessa especialidade. Ele me disse que não e que sua última consulta tinha ocorrido há mais de cinco anos atrás. Depois de orientá-lo a respeito do uso de medicamentos e, também, da associação entre hipertensão e as outras doenças cardiovasculares, insisti para que ele agendasse o mais rápido possível a consulta médica. Decisão (minha e do médico) tomada à revelia do encontro com os outros profissionais da equipe, em função do que já relatei a respeito da arritmia detectada.
Trago, a seguir, os resultados da aplicabilidade dos instrumentais utilizados para a avaliação do Sr. João. Na avaliação de enfermagem, o paciente apresentou baixo risco de queda nas escalas de marcha e equilíbrio, independência para executar as
atividades de vida diária (AVD) e para as atividades instrumentais de vida diária (AIVD), utilização de cinco medicamentos para controle das doenças relatadas e as seguintes mensurações: níveis glicêmicos = 79 mg/dL em jejum, colesterol = total 170 mg/dL e níveis pressóricos = 130x80 mmHg. Na avaliação nutricional constatou-se que o mesmo estava com o peso dentro dos padrões de normalidade (eutrofia), com um índice de massa corporal de 23,9 kg/m2, sem apresentar ganho ou perda significativa de peso no último ano. No aspecto psicológico, os resultados da aplicação do mini-exame do estado mental e teste do relógio mostraram que os aspectos cognitivos estavam preservados e a habilidade visuoespacial adequada. Entretanto, no que diz respeito à escala de depressão geriátrica, indícios para desenvolvimento de um quadro depressivo, devido à instabilidade de humor, foram identificados. A avaliação social, por sua vez, atentou para dificuldades financeiras para aquisição de medicamentos, o que não obstaculizava, entretanto, a compra dos mesmos. Na avaliação médica, o profissional reforçou a importância da procura de um médico cardiologista, e ainda esclareceu que o cansaço provavelmente estaria relacionado à arritmia cardíaca. Não alterou nenhuma medicação e não pediu nenhum exame complementar.
Na reunião de equipe, ratificamos a urgência do encaminhamento para o cardiologista e a necessidade de consultar, também, um endocrinologista20. Indicaríamos, ainda, para ele os benefícios, para sua saúde, de sua inserção nas atividades que estavam sendo realizadas nos seguintes grupos do Programa: grupo operativo para dislipidemia, hipertensão, atividade física (após avaliação com especialista e liberação do mesmo para esta atividade) e oficina de memória. Além disso, consideramos que o paciente poderia se beneficiar da participação em outro Programa da mesma operadora de saúde, no qual está em causa o gerenciamento de doenças crônicas. Embora o beneficiário tivesse apresentado “traços depressivos”, a psicóloga da equipe apostou nas atividades grupais para ser um espaço de trocas de experiência, o que poderia beneficiar o estado emocional do mesmo. A equipe sustentou essa decisão. No dia da devolutiva, o mesmo demonstrou muita satisfação com a avaliação realizada e com as intervenções propostas, comprometendo-se a participar de todas elas.
No espaço de tempo decorrido – um ano – o paciente foi acompanhado pela equipe, já que todos eles, de alguma maneira, ministram palestras, coordenam grupos, etc. Essa observação regular permitia, por exemplo, cobrar do Sr. João o relatório médico para liberação de sua participação, principalmente, no grupo de atividade física. A demora em concretizar essa indicação da equipe respondeu pela proposição de que, em atividades que implicavam esforço físico, ele apenas observasse. Vale dizer que até o final, Sr. João não trouxe o requerido e, por isso, foi o mais assíduo observador deste tipo de atividade.
No início de 2010, a pedido do próprio paciente, agendou-se outra AGA. Sua queixa, naquele momento, era “dificuldade em memorizar palavras, além de presença de zumbido e vertigem, ao baixar a cabeça” (sic). Embora um procedimento para implantação de um marcapasso já tivesse sido indicado pelo médico cardiologista sugerido pela equipe, ele ainda não tinha se submetido a tal intervenção. Realizou-se a AGA e melhoras foram constatadas, tanto na avaliação de enfermagem, quanto na médica: o Sr E1 estava, agora, sendo acompanhado periodicamente pelos médicos cardiologista e endocrinologista, fazendo uso de seis medicamentos (agora, mais adequados à sua condição clínica); a classificação do teste de marcha e equilíbrio permanecia a mesma de antes, o resultado da avaliação de AVD e AIVD também permaneceu inalterado. Quanto ao valor da glicemia, Sr. João apresentou 96 mg/dL pós prandial, diminuição nos níveis de colesterol, agora em 155 mg/dL e redução dos níveis pressóricos para 110x70 mmHg.
Quanto à reavaliação nutricional, verificou-se um ganho de peso (em torno de 2Kg), mas a persistência da classificação de eutrofia, com um índice de massa corporal 24,5 Kg/m2. Do ponto de vista psicológico, os achados cognitivos permaneceram inalterados, mas não foram mais observados os indícios de depressão, anteriormente relatados. A psicóloga constatou, ao contrário, uma melhora significativa da condição emocional (maior estabilidade) e notou, inclusive, que o Sr. João apresentou-se muito satisfeito e motivado para realizar as atividades do Programa. Em relação à avaliação sócio-econômica, o paciente, desta vez, não se queixou de dificuldade financeira para comprar medicamentos (embora seu gasto tivesse aumentado), enfatizando seu contentamento com as atividades do coral.
Na reunião de equipe, concluímos que deveríamos reforçar a sua participação nas oficinas de memória, embora os achados cognitivos não sugerissem nenhum tipo de comprometimento. A decisão foi pautada na conclusão de que os “encontros”
promovidos nestes grupos pareciam constituir, para ele, importantes espaços de falar sobre si e escutar o outro: algo que, de fato, o mobilizava positivamente. Inclusive, entendeu-se que a “melhora” da condição clínica estava diretamente relacionada com a participação nos grupos e a dinâmica de sociabilidade que neles se realiza. Na devolutiva, o Sr. João pareceu acatar bem as indicações feitas, mas continuou vindo às atividades físicas, mas ainda como observador.
No final de ano, realizamos uma festa de confraternização. A ausência do Sr. João causou estranhamento em todo o grupo. No dia seguinte, tive a iniciativa de ligar na sua residência para saber o que havia acontecido. O próprio paciente atendeu ao telefone e esclareceu-me que sua esposa havia passado por um procedimento de urgência para retirada de cálculos renais. Ele, entretanto, aproveitou a oportunidade para me pedir orientações quanto aos cuidados que deveria ter com a sua esposa.
Passado um mês, pois já estávamos no período de férias das atividades do Programa, a esposa do Sr. João entrou em contato com a equipe para informar que ele estava internado, em função de um episódio de taquicardia. Segundo ela, Sr. João se apresentava muito agitado porque não conseguia entender porque estava numa Unidade de Terapia Intensiva. Por telefone, tentei tranqüilizá-lo, com o compromisso de esclarecer junto aos profissionais responsáveis pela internação, o que estava acontecendo. Entrei em contato, então, com a equipe do hospital, e soube que a finalidade da internação era a realização de um cateterismo cardíaco, ainda dependendo de trâmite burocrático para liberação pelo convênio médico. Fizemos (eu, juntamente com a equipe da AGA) o possível para agilizar este processo.
Após a realização do cateterismo, o Sr. João precisou permanecer internado porque sua pressão arterial estava muito alta. Vale esclarecer que esse procedimento não acusou a presença de nenhum problema obstrutivo que justificasse a taquicardia. O médico que o acompanhava entendeu, então, que o sintoma pudesse estar relacionado com “motivação emocional”. A psicóloga da equipe achou que deveria intervir mais especificamente neste momento e entrou em contato com o Sr. João: explicou-lhe que tranqüilidade e calma seriam fortes aliados para a sua estabilização clínica e, consequentemente, para determinação de seu retorno para casa.
Passados dois dias, liguei em sua residência: foi ele quem atendeu ao telefone. Disse que estava melhor, mas relatava cansaço intenso ao esforço. Nesta oportunidade, falou de sua gratidão para com a equipe, que ele nos considerava uma “extensão de sua
carinho prestado a ele e a sua esposa” (sic). Após esse contato telefônico, Sr. João me procurou pessoalmente para tirar dúvidas e temores a respeito da implantação do marcapasso. Depois de conversarmos bastante, entendi que a dificuldade para tomar a decisão estava relacionada com uma “desconfiança” da indicação feita pelo médico cardiologista. Achei que deveria, naquele momento, recomendar-lhe que, então, procurasse uma segunda opinião com outro cardiologista para se sentir mais seguro. Mais uma vez, ele aproveitou a ocasião para reforçar a sua confiança em uma “profissional tão jovem” (sic). Essa prática – me procurar sempre que ele ou a sua esposa necessitassem de esclarecimentos sobre sua saúde – tornou-se recorrente a partir de então. Ele havia espontaneamente me elegido como interlocutora privilegiada.
Passado mais um mês, ainda no início de 2011, ele me procurou se sentindo ainda mais inseguro: havia procurado o outro médico, que solicitou a repetição de um
holter. O resultado do mesmo não ratificou a decisão, tomada pelo outro cardiologista, de indicar a implantação de marcapasso. Diante desse quadro, Sr. João suspeitava de uma troca de exames, já que os resultados dos dois holters eram muito diferentes entre si. Pedi a ele que procurasse o médico que lhe deu a segunda opinião e levasse os dois exames para uma possível repetição, no mesmo laboratório no qual havia realizado o último. Tenho aguardado, até o momento, o desfecho desse processo. Isso porque o Sr. João ainda não conseguiu, segundo diz, realizar o sugerido.
Nesse mesmo período, entrei em contato com o Sr. João para saber de sua disponibilidade para participar da pesquisa de campo para minha dissertação de mestrado. Ao saber da temática e da entrevista que seria realizada, sem hesitar, ele aceitou o meu convite. No dia da sua realização, parecia bem disposto e feliz por contribuir com a investigação. Em alguns momentos, se emocionou. Um deles aconteceu quando o questionei acerca do desempenho do profissional enfermeiro e ele disse: “quando se trata deste profissional enfermeiro com o cliente, faço a segura comparação de uma mãe preocupada com o bem estar de seu filho”.
Vejamos, agora, de que modo se estruturou seu dizer frente às questões que lhe foram dirigidas:
TRECHOS DOS RELATOS CÓDIGOS