3. Spoiler Management: Coercion
3.3. Peace Custodians
As ações e programas de QVT nas organizações são desenvolvidos tanto em organizações públicas quanto privadas. A busca por melhorias nas condições de trabalho e a preocupação com as pessoas envolvidas na organização permitem alterações na sua realidade, contexto, clima, cultura, proporcionando ao indivíduo benefícios relacionados à motivação, eficiência, saúde, relações interpessoais, favorecendo um melhor ambiente de trabalho.
De acordo com Ogata e Simurro (2015), não há uma padronização do conceito PQVT, pois há organizações que consideram PQVT a adoção de ações isoladas, enquanto que outras afirmam que os programas envolvem ações mais integradas e de forma conjunta com o planejamento organizacional. Os autores ainda apresentam três razões para a implementação deste tipo de programa, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): ética organizacional, interesse organizacional e questão legal. (QUADRO 5)
Quadro 5 - Razões para implementar um PQVT
Razões para implementar um Programa de Saúde e Qualidade de Vida Ética Cidadania corporativa e responsabilidade social
36 Estratégica/ Organizacional
Segurança e estilo de vida saudável traz benefícios para o negócio (redução de absenteísmo, acidentes de trabalho, custos com assistência médica, melhora o clima organizacional, moral dos profissionais, aumenta a performance, retém os melhores talentos e a imagem da organização)
Legal Estar dentro das politicas e regulamentações implica na
sustentabilidade do negócio Fonte: Ogata e Simurro (2015)
Já Ferreira (2015) comenta que há muitos PQVT nas organizações sem um lastro teórico, ou seja, sem uma base teórica que sirva de apoio às ações e práticas desenvolvidas pelo programa.
Para Daniel et al. (2013, p. 317) “o programa de QVT contém as diretrizes que irão fundamentar a condução da política, bem como os projetos, as ações concretas e os indicadores de monitoramento que serão executados na organização”. Os autores ainda esclarecem que enquanto as diretrizes norteiam os programas, projetos e ações, os projetos detalham as ações, metas e indicadores de monitoramento dos programas e, por fim, os indicadores irão avaliar e acompanhar a QVT no contexto da organização.
Desta forma, para a elaboração e implementação de um PQVT é necessário um forte engajamento entre o gestor e os funcionários da organização, pois durante esse processo a coletividade mostra-se essencial para lidar com os principais problemas que afetam a saúde e o bem-estar do trabalhador. Destarte, Ferreira et al. (2009, p.148) comentam que “a concepção e a implantação dos programas de QVT, feitas de forma participativa, vêm-se afirmando como uma alternativa para compatibilizar bem-estar, eficiência e eficácia nas organizações”.
Ogata e Simurro (2015) apresentam algumas etapas que direcionam na implantação de um programa de QVT. Os autores citam alguns aspectos importantes para se iniciar um novo programa, tais como: identificação do gestor, composição do grupo ou comitê do programa, eixos do programa, entre outros. A seguir, ocorre a pesquisa diagnóstica, em que há o levantamento de informações para desenvolver o programa. Nessa fase, informações acerca da empresa, do ambiente e cultura, e das pessoas são essenciais. Na etapa do planejamento ocorre ações orientadas à implementação do programa, estabelecendo objetivos e meios realistas de alcançá-los. Nesse momento é importante que alguém com conhecimentos em gestão e coordenação de PQVT esteja participando, pois alguns desvios e erros podem ser evitados. A próxima etapa é de lançamento e implementação das ações, que é o momento de
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colocar o programa planejado em prática, sugere-se ainda que o programa seja apresentado aos trabalhadores em um evento especial. Este momento é composto por ações integradas e acesso aos recursos, o primeiro diz respeito a atuação conjunta entre diferentes áreas da organização, já o segundo é em relação ao acesso dos recursos financeiros, físicos e técnicos. A última etapa é a de avaliação, ela é obrigatória e busca mensurar de forma contínua e eficiente os resultados e impactos dos programas. A estrutura do programa, o processo e os resultados devem ser avaliados separadamente, já que há questões especificas a serem exploradas em cada um desses momentos.
A implantação de programas de QVT traz muitos benefícios à organização e também ao trabalhador, proporcionando desenvolvimento, motivação, melhor desempenho nas atividades, satisfação, menos queixas e absenteísmo, entre outros (BALTAZAR; SANTACRUZ; ESTRADA, 2007).
No olhar de Padilha (2009), a QVT se configura em ‘meio’ e não ‘fim’, ou seja, todas as ações e atividades são um meio de melhorar a produtividade e causar uma boa imagem na organização, seja para os funcionários ou público em geral. De forma crítica, a autora cita que “QVT é ‘meio’ para maquiar problemas de ordem estrutural (na organização e na sociedade); para reforçar uma ideologia do ‘pão e circo’ e para focar no indivíduo, desviando a atenção de que se trata de um problema do sociometabolismo do capital.” (PADILHA, 2009, p. 555). Todavia, Padilha (2009) acredita que as políticas de QVT devem ser desenvolvidas, no entanto, não espera que, por conta disso, capital e trabalho deixem de se opor.
Ogata e Simurro (2015) apresentam algumas vantagens da existência de um PQVT. Entre elas estão à possibilidade de: facilitar a comunicação com os trabalhadores, mudar comportamentos e compartilhar culturas, estimular hábitos saudáveis, transmitir informações sobre saúde que algumas pessoas podem não ter acesso, entre outros. Dessa forma, percebe-se o quão abrangente um PQVT pode ser e como pode trazer benefícios diversificados aos trabalhadores e à organização.
França e Assis (1995) dizem que, se por um lado, os programas de QVT incitam grande receptividade nos diferentes níveis hierárquicos, por outro, há ainda muita falta de estratégia e há pouco reconhecimento e importância a esse tipo de programa, sendo considerado muitas vezes como gasto e não investimento.
A importância de um PQVT no serviço público atinge não apenas os servidores, mas também seus usuários, o serviço prestado, aspectos organizacionais; evidenciando que a gestão desse tipo de programa é complexa, pois envolve muita responsabilidade,
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comprometimento, parcerias e participação das pessoas.