3. MATERIALER OG METODER
3.4.1 PCR-amplifisering av 16S rRNA
Considerando o contexto de crise do capitalismo desencadeada em 2008 e dos ciclos históricos de protestos realizados pelos movimentos sociais em âmbito global, qual o grau de influência das manifestações internacionais ocorridas entre 2010 e 2013 nos protestos de rua de junho de 2013, assim como na dinâmica de ação dos movimentos sociais, no Brasil? Quais as peculiaridades e que inter-relações podem ser estabelecidas entre os ciclos de protestos que ficaram conhecidos como Primavera Árabe, Indignados na Europa, Occupy nos EUA, estudantes no Chile, YoSoy132 no México, que podem nos ajudar a melhor interpretar o que ocorreu no Brasil em 2013? Assim como realizado sobre os ciclos anteriores, apresento características deste período destacando elementos centrais de seus repertórios.
Olhando numa perspectiva histórica para os ciclos de protestos em suas várias ondas, territoriais e temporais, como já tratado, encontra-se aí uma grande pluralidade entre os participantes, motivações, causas, conformação das redes de movimentos sociais e tipos de protestos. São diversas as dinâmicas que articulam os indivíduos e o coletivos nos eventos, deste período, que tem uma a marca da indignação, dos indignados, que encontrou em Stéphane Hessel17 (2011) uma referência filosófica emblemática, resignificada no “novo tempo do
mundo” (ARANTES, 2014).
Pode-se dizer, como indicou Players, que de alguma forma estes protestos são uma continuidade do movimento da antiglobalização. Um movimento transnacional, com forte influência de práticas de um ativismo global, mas não desterritorializado, é um movimento de reinvindicações pela soberania de sociedades nacionais diante da ação predadora do capital financeiro desterritorializado e transnacional. A indignação construiu uma identidade, agenciando uma ação em um tempo em que os partidos políticos, sindicatos e instituições estatais que haviam garantido políticas de bem-estar social, tem perdido legitimidade e autonomia.
Apesar das diferenças contextuais, uma das principais fontes de indignação foi a crise atual provocada pelo sistema financeiro globalizado. Frente a isso os governos estadunidense e dos Estados da União Europeia tem adotado o critério de privatizar serviços públicos, reduzir benefícios sociais e socializar os custos da crise. É contra estas imposições de natureza
17 Stéphane Hessel, que esteve em campos de concentração de judeus e participou da Resistência Francesa, escreveu, ao final da década passada, aos 93 anos de idade, um livreto chamado Indignai-vos!. Em poucos meses, a obra vendeu 1,5 milhão de exemplares e foi publicado em várias. Ele influenciou muitos jovens que estão se indignando no início desta nova década.
financeiro-monetaristas, que se sobrepõem aos interesses das maiorias que se tornam vítimas dessa crise econômica e dos estragos que esta política veio gerando aos serviços públicos de educação, saúde, justiça e outros, que se levantam, em diversas cidades do mundo, os indignados. O grito maior pela democracia reflete a experiência vivida em governos que têm perdido poder frente à força de mando dos financistas internacionais. É devido a essa realidade que o destinatário principal da indignação tem sido tanto as instituições do capital financeiro internacional quanto os Estados Nacionais.
Antes dos protestos que tiveram maior repercussão na mídia no Brasil, como o levante da população árabe, já estavam presentes na Europa movimentações sociais com protestos de rua e greves. Tarrow (2011a) comenta, uma série de protestos que eclodiram nos dois últimos anos anteriores a 2011, resultado da crise financeira global que começou nos Estados Unidos em 2008 e espalhou-se ao redor do mundo. O país mais afetado incialmente foi a Grécia, a partir da crise que se instalou na União Europeia. Aí ocorreram protestos, confrontos políticos marcados por passeatas na rua combatidas com muita violência policial.
Da crise do Euro grego pode-se tirar três lições importantes para o estudo dos movimentos sociais hoje, ressalta Tarrow. A primeira lição tem a ver com a natureza da crise capitalista que disparou esses eventos – realidade que já exploramos anteriormente. A segunda lição é que há limites para a globalização e a internacionalização. A terceira lição é que, a crise financeira provocou uma grande onda de confrontos políticos, que, a depender dos diferentes contextos locais, criou estruturas de oportunidade política favoráveis a múltiplas formas de protestos, em cada país. Eventos de confrontação vem em ondas, mas raramente são sentidos simultaneamente, gerando um ciclo como o que se abre nesse período.
Tarrow dá alguns exemplos de protestos ocorridos em anos anteriores a 2011. Em Atenas, três pessoas morreram quando manifestantes incendiaram um banco durante uma greve geral contra medidas de austeridade adotadas como resposta à crise financeira. Em Madrid e Paris, as principais Centrais Sindicais convocaram uma greve dos trabalhadores do sector público, contra duras medidas de austeridade adotadas pelos dois governos, que em nome do enfrentamento da crise adotaram programas semelhantes. Na Alemanha, a Chanceler Merkel foi alvo de manifestações contra seu apoio ao plano de execução da dívida da Grécia. Nos Estados Unidos, houve uma reação populista à crise: o "Tea Party"18, reunindo partidários
18 Tea Party é um movimento formado por uma constelação de grupos locais de cidadãos Unidos pela sua oposição à agenda de Obama, eles consideram que projetos como a reforma de saúde, ou o pacote de estímulo econômico pode desnaturar o sistema econômico com base no mercado livre mercado e tornar o país socialista, levando-o à falência. Para alguns é um grupo "ultra-conservador" é de "extrema direita". Mais consensual é que os seus ativistas estão à direita da posição oficial do partido republicano na maioria das questões. Comentário de Castells tratando
conservadores republicanos, disfarçados de soldados contrarrevolucionários, realizaram protestos contra agenda social de Obama em votação no Congresso e apoiando candidatos conservadores nas eleições parlamentares de 2009 e 2010.
Em meio a esse tumultuado contexto de crise e suas primeiras reações, onde encontra- se formas mais convencionais de protesto, ações diretas e manifestação de setores conservadores, desencadeia-se um ciclo de protestos que demonstrou maior folego e envergadura. Em publicações dedicadas a refletir sobre os protestos de 2011, Castells e Safatle (2012), destacam o levante cívico na Islândia e a sua capacidade de enfrentamento às medidas de austeridade e respostas alternativas a elas.
Castells (2013) relata o desastre econômico provocado pela privatização do sistema financeiro e as fraudes desse setor que levaram a Islândia a acumulação de uma dívida externa astronômica e um achatamento do PIB e da renda da população de forma drástica, crise que em 2008 levou a manifestações da população, ficando conhecida como revolução das panela s. Iniciou com ato individual de um cantor protestando em frente ao parlamento, ampliando-se em 2009 em protestos massivos, nos quais a população utilizou o recurso de bater panelas e frigideiras, até fazer renunciar o primeiro ministro e levar a convocação de novas eleições, com indicação de revisão da constituição. Tal levante resultou em uma vitória eleitoral contra os conservadores que estavam no governo, por uma coalisão formada por sociais-democratas e verdes-vermelhos, neste mesmo ano, avançando em soluções com participação popular.
A Islândia decidiu que o uso do dinheiro público para indenizar os bancos seria objeto de plebiscito. Maneira de recuperar um conceito decisivo, mas bem esquecido, da democracia: a soberania popular. O resultado foi o apoio massivo ao calote. Mesmo sabendo dos riscos de tal decisão, o povo islandês preferiu realizar um princípio básico da soberania popular: quem paga a orquestra escolhe a música. Se a conta vai para a população, é ela quem deve decidir o que fazer, e não um conjunto de tecnocratas que terão seu emprego garantido nos bancos ou de parlamentares cujas campanhas são financiadas por estes. Gomo disse o presidente islandês Ólafur Ragnar Grímsson: "A Islândia é uma democracia, não um sistema financeiro". O interessante é que, com isso, saiu-se dos impasses da democracia parlamentar para dar um passo decisivo em direção a uma democracia plebiscitária capaz de institucionalizar a manifestação necessária da soberania popular (SAFATLE, 2012, p. 48-49).
do Occupy Wall Street afirma o seguinte: Tea Party, mistura de populismo com libertarismo que ofereceu o canal de mobilização para uma variedade de opositores indignados com o governo em geral e com Obama em particular. No entanto, quando ficou claro que o Tea Party era bancado pelas Indústrias Koch, entre outras corporações, e que fora apropriado pelo Partido Republicano, como tropa de choque a ser sacrificada no estágio final do processo eleitoral, o grupo perdeu o poder de atração para muitos de seus participantes. Já os mais obstinados se tornaram militantes de uma causa manipulada: inviabilizar o governo para deixar livres as mãos das grandes empresas (CASTELLS, 2013, p. 118).
O caráter polissêmico e geograficamente descentralizado das manifestações de indignação demonstra bem a inter-relação entre fatores locais e globais, entre condições especificas e intercâmbios que tornaram possíveis a aparição quase simultânea de movimentos em contextos geográficos às vezes contíguos e de realidades políticas assemelhadas, mas também em contextos geopolíticos muito diferentes.
As descrições do que aconteceu contemporaneamente e em sequência à movimentação da Islândia, uma onda de protestos e acampamentos (os ocupes), se prendem a enfoques que se centram em campos de interesse muito distintos, mas que revelam traços de cada um dos eventos e do seu conjunto, no que compõem um ciclo de protestos (TARROW, 2009), por sua intensidade e permanência no tempo, massificação e, nesse caso, extensão territorial global.
Nas descrições que seguem, feitas por diferentes autores e sobre os diferentes eventos, conforme observação dos contextos particulares e suas estruturas de oportunidade, participantes, tipos de repertórios e performances de confronto, por vezes resultados, eles destacam como acima, a dimensão da luta pela democracia direta, e como se segue, a presença de uma juventude de alta escolaridade desempregada com vínculos de trabalho precarizado, importância do uso das tecnologias de comunicação e informação online para os processos de mobilização, o caráter cênico e performático presente nos protestos e acampamentos, a ocupação de praças e parques em defesa desses espaços e da cidade como bens comuns.
A revolta árabe de 2011 pertence a uma classe rara de acontecimentos históricos: a da concatenação de levantes políticos, um deflagrando o outro em toda uma região do mundo, afirma Anderson (2011). Desde que se acendeu o fósforo na Tunísia, em dezembro de 2010, e as chamas se espalharam para o Egito, Bahrein, Iêmen, Líbia, Omã, Jordânia e Síria, não se passaram mais de três meses. O Oriente Médio e o norte da África ocupam uma situação à parte no universo político contemporâneo. A colonização formal demorou a chegar a boa parte do mundo árabe. A descolonização formal foi acompanhada por uma sequência praticamente ininterrupta de guerras e intervenções imperiais. As intervenções começaram cedo, com a expedição inglesa, em 1941, a edificação de um estado sionista, sobre a derrota da revolta palestina, esmagada pela Inglaterra em 1938–39. Daí em diante, um poder colonial em expansão, atua às vezes como sócio, às vezes por procuração. A sequência de frequentes agressões regionais, coincidiu com a afirmação dos Estados Unidos como o senhor do mundo árabe, no lugar da França e da Inglaterra.
O fato dessa Região ser o repositório da maior concentração de reservas de petróleo da Terra, vitais para as economias do Ocidente, diz Anderson, é o que vai gerar um grau
excepcional de vigilância e interferência euro-americana no mundo árabe. O que levou a instalação de bases aéreas, navais e de espionagem em todo o Golfo. Diante dessas condições geopolíticas, os países aí localizados, tem tido uma longevidade e intensidade de variadas tiranias que, desde a descolonização formal, rapinam o mundo árabe. Nos últimos trinta anos, regimes democráticos, espalharam-se da América Latina à África Subsaariana e ao Sudeste da Ásia. No Oriente Médio e no norte da África, não ocorreu nada parecido. Pelo contrário, mantiveram-se muitos ditadores. Persistindo de forma conectada, a dominação do sistema imperial americano e a ausência contínua de instituições democráticas.
Para ele esse é o quadro no qual a revolta árabe finalmente irrompeu, facilitada pelos dois grandes fatores de unidade da região: a língua e a religião. O mote dos levantes foram
[...] as demonstrações em massa de cidadãos desarmados, que em quase toda parte enfrentaram com coragem exemplar a repressão a gás, água e chumbo. Raramente articulado a um conjunto de instituições, o poder de atração da reivindicação de democracia surgiu mais como uma negação do status quo do que da afirmação do seu conteúdo. Punir a corrupção nos altos escalões do velho regime aparece com mais destaque do que as particularidades da Constituição a ser feita. Nem por isso a dinâmica dos levantes ficou menos clara. Seu objetivo é, no mais clássico dos sentidos, puramente político: liberdade. Na raiz da comoção que sacode o mundo árabe havia pressões sociais vulcânicas: desigualdade social, aumento do custo dos alimentos, falta de moradia, ausência de emprego para a juventude instruída – e não instruída – numa pirâmide demográfica sem paralelo no mundo[...]. Em parte, liberdade precisa ser reconectada com a igualdade. Sem essa conexão, as rebeliões podem facilmente murchar numa versão parlamentar da velha ordem, tão incapaz de responder à energia e às tensões sociais explosivas quanto as oligarquias decadentes do período de entre guerras (ANDERSON, 2011, s/p.).
A fagulha que gerou a explosão social que se estendeu por vários países, a Primavera Árabe, foi detonada na Tunísia, a partir do auto sacrifício por imolação de um ambulante, em cidade do interior do país, em protesto contra o confisco de sua banca de frutas e verduras, por ele ter se negado a pagar propina. Esse gesto de Mohamed Bouazizi, foi gravado e divulgado em vídeo pela internet, se viralizando. Isso impulsionou, entre a juventude, mobilizações que se espalharam em todo o país. Elas foram recebidas por uma brutal violência que chegou a matar mais de 147 pessoas. Tal reação social terminou por obrigar o ditador Bem Ali e sua família a deixarem o país, no entanto os manifestantes queriam o afastamento de todo o comando do regime (CASTELLS, 2013).
Como desdobramento desse levante difuso, como relata Castells, se conforma um grande movimento que vai se concentrar de forma muito mais massiva na capital, Túnis,
poderes constituídos: políticos corruptos, especuladores financeiros, policiais violentos e mídia subserviente. Para isso foi fundamental a divulgação pela internet dos protestos e da violência policial, assim como, a convocação para uma resposta contra essa situação nas ruas.
Em 22 de janeiro de 2011, o Comboio da Liberdade (Qdfilat alhurriyya), partindo de Sidi Bouzid e Menzel Bouzaiane, chegou à Kasbah, na medina de Túnis, pedindo a demissão do governo provisório de Mohamed Ghannouchi - uma óbvia continuação do regime anterior em termos de pessoal e de políticas. Afirmando simbolicamente o poder do povo, naquele dia os manifestantes ocuparam a praça do Gouvernement, no coração da Kasbah, local em que se situa a maioria dos ministérios. Eles montaram barracas e organizaram um fórum permanente envolvido em ardentes debates que se estendiam noite adentro. Por vezes as discussões duravam até duas semanas, sem interrupção. Eles filmavam-se e divulgavam o vídeo dos debates pela internet. Mas sua linguagem não era apenas digital. Os muros da praça foram cobertos de slogans em árabe, francês e inglês, já que o movimento desejava relacionar-se com o mundo exterior para reivindicar seus direitos e aspirações. Cantavam slogans ritmados e canções populares. Com muita frequência recitavam o verso mais popular do hino nacional: ‘Se o povo um dia quiser viver, o destino terá de responder’. Embora não houvesse lideres, surgiu uma organização informal para cuidar da logística e aplicar regras de participação nos debates da praça: as discussões tinham de ser educadas, respeitosas e sem gritarias, todos tinham o direito de expressar sua opinião, mas sem longos discursos, de modo a haver tempo suficiente para que todos pudessem exercer a recém- obtida liberdade de expressão. Uma discreta rede de vigilância, organizada pelos próprios manifestantes, garantia que as regras fossem respeitadas. A mesma organização informal protegia os acampados da violência e da provocação, fosse de fora, fosse de dentro. Houve violência policial e os ocupantes foram várias vezes expulsos da praça, mas voltaram a ocupá-la em 20 de fevereiro de 2011 e novamente em 1° de abril (CASTELLS, 2013, 25- 26).
Essa descrição consegue apreender elementos que constituem características relevantes da dinâmica dos protestos, que se aglutinam e se potencializam realizando acampamentos em lugares simbólicos para o poder e a resistência, criando formas de organização, expressão e comunicação como descritas, exercitando modos de coordenação não centrado em lideranças personalizadas. Dito isso, Castells enfatiza, com mais detalhes o lugar que teve a internet, os blogueiros e a TV por satélite Al Jazeera19, para criar as condições favoráveis aos protestos e acampamento, alcançando a derrubada da ditadura, a criação de um movimento democrático que, como resultado, em 21 de outubro de 2011, conquistou a realização de eleições com novas regras. Na eleição a coalizão islâmica moderada recebeu 40% dos votos, saindo daí o primeiro
ministro. “A conexão entre comunicação livre pelo Facebook, YouTube e Twitter e a ocupação
19 Al Jazeera é a maior emissora de televisão jornalística do Catar e a mais importante rede de televisão do mundo árabe, segundo o Wikipédia. Conforme o Le Monde Diplomatique Al Jazeera é um canal de televisão por satélite do mundo árabe que tem o mérito de oferecer aos telespectadores informações não censuradas.
do espaço urbano criou um hibrido espaço público de liberdade que se tornou umas das principais características da rebelião tunisiana, prenunciando os movimentos que surgiriam em
outros países” (CASTELLS, 2013, p. 25).
Analisando a revolução egípcia Castells retoma elementos que se fizeram presentes na Tunísia. No Egito a situação limite que vai detonar a revolta é também dramática, vão ocorrer seis autoimolações, em protesto contra o preço dos alimentos e a onda de fome que se alastra. Esses episódios foram transmitidos à juventude por uma das fundadoras do Movimento da Juventude 6 de Abril, estudante da Universidade do Cairo. Os vídeos foram viralizados nas redes da internet, sendo espalhado o chamado à ação entre as redes sociais de amigos, familiares e associações.
Assim, em 25 de janeiro, dezenas de milhares de pessoas convergiram para a praça Tahrir (praça da Liberdade), um lugar simbólico e central, e, resistindo aos ataques da polícia, ocuparam a praça e a transformaram no espaço público visível da revolução. Nos dias subsequentes, centenas de milhares de pessoas de todas as condições, incluindo populações pobres urbanas, minorias religiosas (cristãos coptas tiveram grande presença no movimento, ao lado de islamitas e manifestantes seculares) e uma grande proporção de mulheres, algumas com seus filhos, usaram o espaço liberado da praça para apresentar suas manifestações, exigindo a renúncia de Mubarak e o fim do regime. Estima-se que mais de 2 milhões de pessoas tenham participado das manifestações na praça Tahrir em diferentes momentos. O dia 28 de janeiro veio a ser conhecido como a Sexta-Feira da Ira, quando um violento esforço da central de segurança da polícia para reprimir os protestos foi enfrentado com determinação pelos manifestantes, que ganharam o controle de áreas da cidade e ocuparam prédios do governo e delegacias de polícia, sob preço de centenas de vidas e milhares de feridos. Eventos semelhantes tiveram lugar no Egito em geral (CASTELLS, 2013, p. 47-48).
Durante um ano a luta permanece ativa contra os sucessores de Mubarack, sendo as sextas-feiras o dia simbólico de concentração na praça para expressão da indignação pela manutenção do poder sobre controle do Conselho Supremo das Forças Armadas, sendo a cada vez essas manifestações violentamente reprimidas pela polícia. A força da resistência em grande medida, foi de novo aqui, a combinação das redes da internet e das redes off-line preexistentes que divulgavam panfletos nas favelas sem acesso a rede digital e realizavam reuniões sociais e políticas nas mesquitas após as orações da sextas-feiras. A presença da jovem, uma mulher, no ato desencadeador dos protestos, é acompanhada por uma presença ativa das