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4. RESULTATER

4.3 G ENOTYPISK DETEKSJON AV RESISTENSGENER

4.3.2 Illumina MiSeq- sekvensering

4.3.2.1 Funn av resistensgener

Lido, neste item, com os ciclos de protestos ocorridos no Brasil pós 1968, considerando a dinâmica do processo político e algumas características gerais dos repertórios de ação e confronto acionados pelos movimentos sociais em determinados cenários políticos. Situo o percurso da eclosão dos dois ciclos anteriores a 2013, relacionando-os com o de 2013 e. ao longo do período, com a constituição de um campo político democrático popular dos movimentos sociais nos anos 1980, seguido de sua erosão e dissolução de meados da década de 1990 até 2013. Recuperado esse trajeto histórico e a dissolução desse campo, ressalto a coincidência com a eclosão da crise política do sistema político e dos caminhos da democratização brasileira pós ditadura, em 2013.

Indico ainda, a existência de um entre ciclo, articulado com ciclo mundial da antiglobalização, que têm pouca visibilidade no Brasil, mas que, talvez, observá-lo, ajude a perceber contradições políticas que podem contribuir para entender de forma mais profunda junho de 2013, seja discutindo o lugar dos movimentos sociais, seja dos partidos de esquerda – que será melhor trabalhado no próximo capítulo. Discutindo os ciclos anteriores e a eclosão de novo ciclo de protesto em 2013, apresento para melhor enquadramento dessa recuperação histórica, hipóteses presentes nas análises que avaliam este ciclo como a ideia do fim de um ciclo histórico da redemocratização, o fim da nova república, uma crise do pemedebismo, uma crise do lulismo– na verdade debato essa dimensão ao longo de todo o texto do capítulo.

O resgate do ciclo de protesto do período de 1968, dada as suas características peculiares ao Brasil, em relação ao espirito libertário e autonomista da Europa e EUA, não será tratado aqui. Não que ele não seja relevante para o estudo dos movimentos sociais e protestos, mas

devido à natureza diversa que teve, para efeito de comparação com o ciclo global no mesmo período.

O ciclo de 1968 no Brasil, no conjunto da América Latina, na África e na Ásia, o tipo de levante de estudantes e operários, esteve muito mais marcado no Brasil pelas lutas de resistência à ditadura, em formas de organização e ação política social, inspiradas nas experiências de luta e organização revolucionárias e guerrilheiras vinculadas as formulações sejam da filosofia ou ideologia marxista e/ou nacionalista (guevarista, maoísta, espatarquista e também dos comunistas leninistas, stalinistas ou trotskistas), lutas anti-ditatoriais, pela libertação e descolonização das nações e povos desses continentes, como visto no capítulo um. Este ciclo será dedicado mais à discussão sobre o campo democrático popular (o debate estrito sobre esquerda social irá para o capítulo quatro), retomando as heranças dos traços da contracultura e suas influências no campo artístico cultural da música e do teatro no conjunto da sociedade e da sua incidência na ação de base no âmbito da educação e cultura popular, e, pelo reposicionamento político e social da militância das organizações revolucionárias no processo de articulação e constituição do que chamo de campo democrático popular.

Esse campo sofre forte influência do ambiente político cultural internacional de grupos e/ou correntes europeias ou americanas, nomeadas de nova esquerda, assim como pela corrente renovadora de militantes e grupos vinculados aos trabalhos das igrejas cristãs, o que ficou conhecido como teologia da libertação e esquerda católica no Brasil (ARAÚJO, 2000; LOWY, 2000). A nova esquerda mundial será depois nomeada no Brasil como esquerda social, nas décadas de 1970 e 1980, incluindo os grupos das artes e cultura também (GARCIA, 1986, 1994, 2005). Estes militantes e grupos da esquerda social – cuja discussão retomamos no capítulo quatro de forma mais detida - será parte significativa dos segmentos que estarão envolvidos na formação do PT, naquilo que podemos chamar de sua fase de partido-movimento (CARLEIAL, 2009) ou como nomeia Secco (2011) na periodização que propõe para construção de uma história do PT, como a fase de oposição social. Secco localiza essa fase indo de 1978, ainda no período de formação do PT até 1989, quando da participação de um candidato operário do partido à presidência da república, período que, se pode considerar, coincide com a existência mais pujante do campo democrático e popular, que não se confunde com o partido, mas nele se expressa por militantes que participam do partido, o que torna o uso dessa noção uma questão complexa de se equacionar. Mais à frente apresento essa noção, situo em relação aos objetivos do capítulo, propondo uma interpretação analítica.

O foco desta pesquisa no enquadramento interpretativo autonomista permite fazer um recorte temporal, como já falado, entre junho de 2013 e junho de 2014. Permite também explorar razões para sua invisibilidade anterior na cena política do país e daí me possibilita indagar acerca das heranças político culturais dessa corrente subterrânea, as razões que a fizeram sair de cena pós junho de 2014, e assim verificar a possibilidade da sua presença mais difusa (bordas entre socialistas e anarquistas), no estudo local em Recife. Para realizar essa dimensão pretendida pela pesquisa tornou-se necessário incluir na Tese um capítulo histórico contextual que ajude a identificar traços das tradições político culturais dos distintos enquadramentos interpretativos. E, como nesse item trato do campo democrático e popular, que me parece, pelo menos em sua composição, vista a partir de alguns grupos que o integraram e de alguns militantes, se inclui de maneira forte na corrente autonomista, pelo menos em parte da sua existência no tempo. Por isso faço aqui essa inserção de cunho metodológico.

A nomeação das mobilizações de junho de 2013 exige uma reflexão à parte. Os vários trabalhos que consultei de acadêmicos ou intelectuais públicos são reveladores das filiações teóricas, políticas e ideológicas dos autores, a partir deles é possível fazer uma cartografia por correntes de interpretação desse fato relevante da história recente do país. A magnitude do ocorrido faz com que essas correntes se expressem ao mesmo tempo sobre o mesmo fato, retirando desse exercício mediações comparativas em termos temporais ou territoriais, se considerarmos versões que se difundiram pela grande mídia e pela mídia independente, com imagens das ruas, narrativas sem cortes dos agentes da ação que estavam nas ruas e confronto de versões veiculadas por muitos canais.

De forma geral pode-se considerar que todos estes intelectuais que se pronunciaram no período tiveram acesso a esse acervo de informações e falaram, mais ou menos, das mesmas coisas. Ainda que sem me debruçar para realizar essa cartografia, vou me beneficiar desse ponto de observação, para ao longo da análise, fazer referência a estas posições teóricas, política e ideológicas, para efeito de justificativa da metodologia adotada e seleção de opiniões para construir certos enquadramentos. A referência aos títulos dos livros, dossiês ou artigos que buscam fazer um registro do ocorrido, sistematizar os acontecimentos e interpreta-los, às vezes já revelam certo campo político intelectual do autor ou autores, às vezes precisa de um complemento quanto à linha editorial no caso das revistas ou indicações bibliográficas quando são livros autorais – esta listagem de títulos pode ser consultada no Apêndice II.

Cito alguns exemplos dessa nomeação-categorização do ocorrido através de títulos de livros (Apêndice II, item 1) que tratam de junho de 2013: Maricato – Org. (2013), Gohn (2014),

Ricci e Arley (2014), Reis (2013), Sherer-Warren (2014), Mendes – Org. (2013), Freixo – Org. (2016) os chamam simplesmente de manifestações (de rua); Nogueira (2013) nomeia as massas que foram as ruas; Figueiredo – Org. (2014) fala simplesmente de junho de 2013; Cattani - Org. (2014); Borba, Felizi e Reys – Org. (2014) utilizam protestos, Bucci (2016) utiliza conjuntamente protestos e manifestações; para Sampaio Jr - Org. (2014), Gonçalves - Org. (2014), Brancaleone e Bem - Org. (2014) foram as jornadas de junho, e para os últimos autores foi também uma rebelião da tarifa, assim como para Braga (2015) uma rebelião plebeia; para Singer (2013a) e Arantes (2013) um acontecimento; revoltas para Nobre (2013b); para Bringel (2013) um levante; para, Cava (2013) a multidão, para Cavva e Cocco - Org. (2014) um levante da multidão; para Moraes e demais organizadores (2014) apresentou-se a potência das ruas e das redes.

A esses títulos somam-se aqueles títulos de livros e documentários, que desenvolveram uma abordagem de temas e/ou fenômenos sociais que emergiram no período, provocaram grandes polêmicas e tiveram muita visibilidade pública e emissão de opiniões, a exemplos daqueles que trataram dos Black Bloc; da ação da mídia independente; das versões dos fatos na forma de testemunho por pessoas que se envolveram nos protestos enquanto profissionais, ativistas, militantes; da escalada da violência policial, segurança e direitos humanos; da relação entre mídia comercial e mídia independente no tratamento e construção de versões sobre o acontecido; versões dos fatos por meios de comunicação corporativos. Alguns títulos servem como exemplo deste bloco: Vinte centavos (JUDENSNAIDER, E; LIMA, L.; POMAR, M.;

ORTELLADO, 2013); Mascarados: a verdadeira história dos adeptos da tática black boc

(NOVAES, MANSO, SOLANO, 2014); Ciberativismo e noticiário: da mídia torpedistas rede sociais (PRADO, 2015); #BHnasruas: uma experiência de cobertura colaborativa (OLIVEIRA, 2014).

A seguir faço um resgate histórico dos ciclos de protesto anteriores a 2013, considerando esse último, discutindo as características gerais tratadas em um viés mais macroestrutural, com base em análises da sociologia política em debate e colaboração com a economia política e a filosofia política – que incluem as linhas que estruturam sua visão a partir da psicanalise lacaniana e biopolítica, articulando o marxismo. Esse item como todo o capítulo se centra principalmente nas razões e sentidos da crise política no período. Feito esse registro metodológico nesse intermédio do trabalho, sigo a discussão proposta acima.

Para acurar a visão acerca dos ciclos de protestos, inicio apresentando elementos para delineamento de uma periodização política e histórica dos mesmos, assim como, da

conformação de um campo político democrático e popular dos movimentos sociais, que se associa à dinâmica social, política e cultural coincidente com esses.

Domingues (2013a) em análise de conjuntura publicada em Dossiê do NETSAL meses antes de junho de 2013 e depois no Boletim da OSAL (2013b) sobre junho de 2013, expôs reflexão sobre a história recente do Brasil e os protestos, com as quais concordo, em que propõe um corte histórico pensando a relação sociedade, movimentos sociais e Estado. Para ele, a partir de meados dos anos 1980 inaugura-se no país uma nova história. Recorrendo a uma noção que é estruturadora do seu pensamento, que é a discussão sobre as fases de modernização no Brasil, ele afirma que com a conclusão da “modernização conservadora”, que se baseou na aliança entre latifundiários e burguesia industrial, o país galgava de alguma forma, à sua maneira, uma inserção no contemporâneo da modernidade que se afirmava mundialmente, e isso ocorria ao lado de uma verdadeira revolução democrática que ocorria no país, economia e política se sintonizavam em nova perspectiva. E naquele momento prévio aos protestos ele indagara, “o que se coloca em nossa agenda é a construção de uma nova história, totalmente em aberto, e não simplesmente alcançar uma modernidade que parecia nos escapar” (DOMINGUES, 2013c, p. 74).

Em análise posterior a junho de 2013, ele dá seguimento à reflexão nos seguintes termos.

[...] antes das manifestações ocorridas sobretudo entre 6 e 21 de junho, destaquei os avanços realizados pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) e enfatizei o esgotamento provável da agenda governamental. Falava da "nova história" do Brasil, sobretudo a partir dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva, e da possibilidade de começar uma "novíssima história " do Brasil, impulsionada por novas e renovadas forças populares. Apontei para o fato de que, política e socialmente, as políticas sociais focalizadas e setorializadas provavelmente haviam atingido seu teto. O modelo econômico tampouco parecia ter fôlego para seguir combinando estancamento do desenvolvimento industrial, crescimento da agroindústria e do consumo popular, sem investimento em bens de consumo coletivo, a começar pelo transporte público. Indagava ainda se e quando emergiria um novo ciclo de mobilização popular, através dos movimentos sociais, capaz de provocar o avanço dessa agenda, especialmente na direção de políticas sociais universais. As manifestações foram uma explosão, um verdadeiro terremoto político, que responderam exatamente aos problemas assinalados, com a agravante de revelar a enorme distância entre largas parcelas da população e o sistema político, em particular os partidos políticos. Consistem essas manifestações em mera explosão fugaz, de curta duração, ou significam a emergência de uma novíssima história do Brasil? (DOMINGUES, 2013c, p. 93).

A análise de Domingues acima, e em especial a sua pergunta final, indica balizas para pensar o antes, o durante e o depois de junho de 2013, indicando alguns pontos de inflexão para pensar este conturbado momento políticos de desencontros de expectativas e da realidade social

e econômica, ainda mais quando, na finalização deste trabalho, lido com informações que abrem diferentes possibilidades de leitura de resultados políticos frente ao que compõe o cenário da conjuntura atual, considerando, entre outros elementos, o golpe institucional do impeachment da Presidenta Dilma.

Para esse ponto de inflexão de meados dos anos 1980, de que fala Domingues, muito contribuiu o processo de trabalhos de base, políticos, sociais e culturais, e depois de articulações nacionais de organizações e movimentos sociais que nasceram descentralizados em inciativas comunitárias, municipais, estaduais, regionais em um ambiente institucional adverso, devido à ditadura militar. Descrevo esse processo indicando a constituição e atuação política ativa do que chamo de campo político democrático popular – Domingues não descreve o processo político social do período utilizando da noção que utilizo, ele fala de uma revolução democrática molecular, o que se aproxima da noção aqui utilizada, mas a discute num contexto de debate sobre relações internacionais, olhando mais para o Estado, já, aqui, procuro olhar mais para o potencial da sociedade civil - movimentos sociais -, em âmbito predominantemente não institucional da arena política, não se ausentando dela e se reconfigurando ao longo do tempo histórico.

Uma verdadeira revolução democrática molecular tem tido lugar em toda a América Latina, liderada pelos movimentos populares nas décadas de 1980 e 1990, afirma Domingues. Essa revolução engendrou mudanças de grande alcance na cultura política, na construção de instituições, com limites em particular no que diz respeito à cidadania civil das classes populares, expostas à violência social e inclusive ainda à violência do estado (conquanto não haja limites no que se refere à propriedade privada das classes dominantes, há dois séculos protegida acima de qualquer coisa). Esse processo de transformação implicou ainda muito mais participação popular, em uma situação de crescente complexidade social, pluralismo e um padrão transformador de movimentos sociais, eles mesmos muito pluralizados. “A cidadania social ainda é meta de fato distante de ser alcançada, mas isso não tem nada a ver com falta de cultura política democrática, mas sim com a própria implantação do neoliberalismo” (DOMINGUES, 2013c, p.24-25). Para ele esse processo de revolução democrática molecular, gera momentos de grandes transformações estruturais, isso em toda a América Latina, mas essas são impulsionadas pelo Estado (DOMINGUES, 2013c, p.112). Esta formulação de Domingues não substitui a linha de argumentação traçada cf. aqui sobre campo democrático e popular, mas a complementa no sentido de refletir sobre o tipo de ação e relação que se desenvolveu no campo.

A narrativa sobre a constituição de um campo político democrático e popular e a descrição do que foram os ciclos de protestos nesse período se misturam e às vezes se confundem. Os relatos sobre essas duas dimensões irão se entremeando ao longo da recuperação histórica e análise.

No processo de resistência à ditadura militar no período da abertura democrática, entre os anos de 1970 e 1980, estiveram presentes articulações, movimentações e organizações políticas e culturais que atuaram até inícios dos anos 1990, que foram nomeadas pela noção de

“campo democrático e popular” ou como “campo político dos movimentos sociais”. Nos finais

dos anos 1980 e início de 1990, este campo participa ativamente do processo de institucionalização democrática, através da mobilização das greves de operários e canavieiros, das lutas pela anistia aos exilados e presos políticos, da campanha pelas eleições diretas para

presidente da república “diretas já”, da mobilização pela assembleia nacional constituinte com

ênfase nas proposições de emendas populares baseadas na coleta de assinaturas, da organização das greves gerais nacionais, das eleições presidenciais de 1989 apoiando a candidatura de Lula, pelo PT, na frente de esquerda chamada Frente Brasil Popular, que, configurava a participação

eleitoral deste chamado “campo democrático e popular”. Esse período inicia-se com o ciclo de

protestos das Diretas Já, mas cabe perguntar se pode ser considerada a sua duração, mesmo que mais difusa, até as eleições de Lula em 1989, passando pelo movimento da constituinte popular (Apêndice III).

A composição desse amplo movimento social ou campo político democrático popular articulou a integração de diferentes experiências históricas, oriundas da organização política e social anterior, dos trabalhos de base ligados a várias matrizes discursivas, a saber: os intelectuais e militantes das esquerdas marxistas e nacionais-populares na diáspora, ou seja, remanescentes de distintas organizações políticas que foram reprimidas pela ditadura; os militantes cristãos das CEBs e pastorais populares identificados com a teologia da libertação; os sindicalistas autênticos, das diretorias e oposições sindicais, identificados como promotores de um novo sindicalismo. Este campo político vai ser reconhecido através do processo de articulação e organização de movimentos sociais nacionais: a CUT, o MST, articulações do movimento negro, de mulheres, de moradia, de direitos humanos, além de centros de educação popular e pastorais populares. Também podemos incluir o Partido dos Trabalhadores – PT, pela sua capacidade de expressar politicamente este campo, desde a sua existência até a primeira campanha de Lula à presidência da república, em 1989.

Este campo político democrático e popular dos movimentos sociais, com a derrota eleitoral de Lula em 1989 - por tudo que esta eleição representava de possibilidade de reviver ou reconstruir uma experiência de poder popular semelhante a de socialismo democrático do Chile de Alende -, sofrerá, daí em diante, um processo de reconfiguração, ou talvez melhor dizendo, de erosão em sua coesão política e em suas opções estratégicas de ação política e pedagógica, que vai levar à desconstrução do ideário de projeto democrático e popular (WAINWRIGHT, 2006).

Este processo é marcado pela não consolidação das dimensões institucionais de afirmação de soberania econômica, universalização de direitos e democracia participativa conquistadas no processo constituinte que resultou na chamada “Constituição Cidadã” de 1988. Teremos, na década de 1990, a partir do Governo Collor, a desregulamentação de direitos sociais, econômicos, políticos e dos mecanismos de garantia de participação popular, associada a uma inserção subordinada do Brasil à chamada globalização neoliberal, com a realização de ajustes estruturais orientados pela política monetária do Fundo Monetário Internacional - FMI, que implicaram em abertura da economia ao capital estrangeiro, endividamento externo, redução do tamanho do Estado, redução dos investimentos sociais nas políticas públicas, arrocho salarial, desemprego e flexibilização dos direitos, com a sua conseqüente precarização do trabalho e desmonte do sindicalismo combativo. Este contexto, marcado ainda por escândalos de corrupção no Governo Federal, terminou gerando a mobilização do ciclo de protestos desencadeado pela juventude, indo até o Impeachment do presidente. Refiro-me ao

movimento “Fora Collor” protagonizado nas ruas pelos jovens “caras pintadas” e pelo

Movimento pela Ética na Política, mas que teve seu desfecho nas decisões no âmbito do Congresso Nacional.

Vitorioso o impeachment, assume o vice presidente. O Governo Itamar tenta retomar a relação com os movimentos sociais, buscando interagir com as insatisfações populares geradas pelos resultados dos primeiros ajustes já realizados no governo anterior. Os anos 1993 e 1994 seriam decisivos, conformariam uma única conjuntura política que se inicia com o plebiscito sobre o sistema de governo em abril de 1993, passa pela reforma constitucional e culmina com as eleições gerais de outubro de 1994. Uma conjuntura em que o tempo histórico poderia ser acelerado, mas também em que as novas condições de poder estariam permanentemente