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A expressão “satisfação com o trabalho” representa a totalização do quanto o indivíduo que trabalha vivencia experiências prazerosas no contexto das organizações. Dessa forma, cada uma das cinco dimensões da satisfação com o trabalho apresenta um foco. O estudo da satisfação com o trabalho contribui para avaliar o quanto os retornos oferecidos pelas empresas em forma de salários e promoção, o quanto a convivência com os colegas e as chefias e o quanto a realização de tarefas proporcionam ao empregado sentimentos gratificantes ou prazerosos (SIQUEIRA, 2008).

A Tabela abaixo apresenta um resumo dos resultados encontrados para cada uma das dimensões que compõem a EST – Escala de Satisfação no Trabalho. Mostra também o resultado final do questionário aplicado.

O escore final referente ao questionário mostra a pontuação de 4,19 para os terceirizados e4,31 para os próprios. Os dois tipos de profissionais podem ser classificados como indiferentes em relação à satisfação obtida com o trabalho.

Tabela 13 –

Satisfação Geral

Fonte: Questionário Aplicado

Pode-se visualizar o conjunto de resultados obtidos em relação à Teoria dos Dois Fatores (Herzberg, 1997), citada anteriormente, posicionando-se as cinco dimensões observadas na EST em relação à teoria. Consideram-se, assim, três das dimensões da escala incluídas na lista dos Fatores

Higiênicos e duas dimensões incluídas na lista dos Fatores Motivacionais. Têm-se, então, nos Fatores Higiênicos, aqueles que ocasionam insatisfação ou não insatisfação: Satisfação com a chefia, Satisfação com o salário e Satisfação com os colegas; e nos Fatores Motivacionais, aqueles que ocasionam satisfação ou não satisfação: Satisfação com a natureza do trabalho e Satisfação com as promoções.

Assim, no âmbito geral, encontram-se médias que apontam insatisfação em uma dimensão e não insatisfação em duas dimensões (fatores higiênicos) e médias que apontam satisfação em uma dimensão e não satisfação em uma dimensão (fatores motivacionais), conforme representado na figura abaixo:

Figura 6 –

Representação dos Resultados à luz da Teoria dos Dois Fatores de Herzberg Fonte: Elaborado pela autora

Esses resultados indicam que as questões relacionadas ao ganho financeiro e à perspectiva de crescimento dentro do grupo de sujeitos focalizados são as que despertam mais insatisfações nesses profissionais.

Tendo em vista que a satisfação no trabalho é um conceito multidimensional, que se apresenta de forma bastante complexa e dependente de muitas variáveis, era esperado encontrar-se para o mesmo grupo pesquisado resultados de satisfação em algumas dimensões e insatisfação e indiferença em outras.

Ao olhar-se mais detalhadamente, item por item, da Dimensão Satisfação com a Natureza do Trabalho, encontra-se como resultado satisfação e indiferença, para próprios e terceirizados, respectivamente. Esses dados devem ser colocados em foco, pois visto dessa forma, os colaboradores terceirizados nas duas dimensões ligadas à satisfação do trabalhador (fatores motivacionais) estão apresentando níveis de indiferença e não satisfação, o que pode ser considerado um alerta.

A terceirização tem sido implantada, em suma, na busca por menor custo e maior competitividade, considerando que a simples contratação da empresa parceira-terceira garantirá os resultados esperados. A prática, porém, demonstra que as terceirizações também envolvem a gestão de profissionais.

As atividades laborais ocupam grande parte do cotidiano do indivíduo, e o desenvolvimento de estudos que abordem as relações existentes entre trabalho, satisfação e qualidade de vida mostra-se bastante relevantes, especialmente ao se considerar os efeitos de tantas transformações nos ambientes organizacionais.

O processo de satisfação no trabalho resulta da complexa e dinâmica interação das condições gerais de vida, das relações de trabalho, do processo de trabalho e do controle que os próprios trabalhadores possuem sobre suas condições de vida e trabalho. A satisfação no trabalho pode ser, por conseguinte, fonte de saúde, bem como a insatisfação pode gerar prejuízos à saúde física, mental e social, acarretando problemas à organização e ao ambiente de trabalho.

Diante dos fatores abordados sobre satisfação no trabalho, fica evidente que não há apenas um único aspecto, mas uma complexa rede de recursos que podem ser implantados e modificados visando à melhoria contínua deste item.

Numa sociedade volúvel e moderna, parte do desenvolvimento humano está associado ao sucesso no trabalho, contudo, para que esse sucesso seja alcançado, o servidor precisa estar satisfeito com um conjunto de fatores que compõem a organização e sua vida pessoal.

Visto isso, o objetivo principal deste trabalho é apresentar um estudo comparativo entre a satisfação com o trabalho verificada em funcionários próprios (não terceirizados) e funcionários terceirizados numa empresa no setor elétrico, e, a partir desse estudo, mostrar se a terceirização influencia ou não a satisfação com o trabalho. Além de realizar um levantamento e uma correlação de teorias

motivacionais para melhor conclusão do trabalho.

Os resultados auferidos com a aplicação do questionário mostraram que não há diferença entre a satisfação com o trabalho de um empregado terceirizado e a satisfação com o trabalho de um empregado não terceirizado. Em ambos os casos, verificou-se um estado de “indiferença”.

Desta forma, podemos concluir também que a terceirização não causa desvantagens para os funcionários terceirizados já que estes demonstraram os mesmos níveis de satisfação com o trabalho dos funcionários não terceirizados.

Analisando as dimensões separadamente, o resultado pode ser interpretado diferentemente. Apesar de ambas as categorias estarem enquadradas da mesma categoria (indiferentes), os escores médios

dos funcionários terceirizados em todas as dimensões ainda são inferiores aos dos funcionários próprios. Pode-se dizer, do mesmo modo, que os sujeitos da pesquisa vivenciam prazer e estabelecem relações significativas nas dimensões colegas, chefia e natureza do trabalho (EST), implicando que esses sujeitos têm acesso às condições necessárias para que o trabalho seja fonte de prazer, mesmo que o sofrimento não esteja completamente ausente.

Considera-se, com base nos resultados verificados neste trabalho, que está ocorrendo uma evolução no relacionamento das organizações com seus recursos humanos. Esperava-se encontrar resultados que apontassem que funcionários não terceirizados estão mais satisfeitos com o trabalho do que os terceirizados, porém isso não ocorreu. A precarização do trabalho envolvendo profissionais terceirizados está sendo reduzida aos poucos. O mesmo nível de satisfação com o trabalho dos dois tipos de funcionários representa uma evolução nesse processo, mesmo que pequena.

É óbvio que não se pode considerar que funcionários que demonstram indiferença com o trabalho, dentro de uma escala de insatisfeitos a satisfeitos, seja um bom indicador para a organização. Ocorre que isso não pode ser atribuído à terceirização, já que a situação de indiferença foi verificada para todos, ou seja, aqueles que estão sob o regime da terceirização e os que não estão. É possível afirmar que esse resultado foi provocado por fatores que estão acima de processos de terceirização, como por exemplo, a situação econômica do país e suas consequências sobre o mercado de trabalho.

Dessa forma, embora se tenha constituído em um estudo de caso, com todas as limitações peculiares a essa abordagem, a metodologia aplicada e os resultados aqui sintetizados podem servir de base para estudos futuros que aprofundem suas conclusões. Além disso, estudos sobre o tema satisfação no trabalho em organizações podem contribuir para a implementação de modelos de gestão mais adequados, especialmente através do feedback necessário entre a gestão e seus colaboradores, a favor não apenas da qualidade de vida dos colaboradores, mas também da qualidade dos serviços prestados à sociedade.

Alguns pontos, também, precisam ser registrados. Um deles está relacionado à amostra utilizada. Dentre os respondentes, houve predomínio de funcionários que atuam em áreas administrativas. Não se pode afirmar, por exemplo, que o resultado seria o mesmo, caso a pesquisa fosse realizada utilizando-se funcionários terceirizados e não terceirizados que atuam exclusivamente em áreas operacionais.

O outro ponto é que o fato de a satisfação com o trabalho ser a mesma para terceirizados e não terceirizados não significa que as empresas não precisem preocupar-se com ela. Continua sendo um conceito importante para obtenção de maior produtividade e melhores resultados.

Em relação aos objetivos intermediários, considera-se que os mesmos foram alcançados. Baseado em pesquisas realizadas em livros e artigos escritos a respeito de terceirização e satisfação, foi possível construir um referencial teórico no qual foram apresentados a importância, as vantagens, as desvantagens e as grandes teorias que dão suporte à motivação.

Torna-se importante que a empresa avalie o nível de satisfação de sua força de trabalho periodicamente e que adote mecanismos que tornem o ambiente de trabalho mais agradável e propício a boa consecução das atividades, gerando benefícios diretos aos colaboradores e a empresa como um todo, que poderá, assim, ter redução de desperdícios, maior produtividade e eficiência, maximizando seus resultados e tendo sua imagem favorecida e reconhecida como uma empresa que escuta sua força de trabalho e que investe na melhoria da satisfação da mesma.

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