Visando qualificar e classificar a pesquisa, serão utilizados alguns tipos de categorização. Primeiramente, será qualificada em dois aspectos apresentados por Vergara (2009): quanto aos fins e quanto aos meios. Logo após, será classificada quanto à abordagem e quanto aos procedimentos técnicos. Em seguida, será descrito como será feita a coleta e o tratamento dos dados e apresentadas algumas ponderações sobre as limitações do método.
Quanto aos fins, a pesquisa pode ser classificada em exploratória, explicativa e descritiva. A investigação exploratória é realizada em área na qual não existe muito conhecimento acumulado e sistematizado. Nesse caso, não foram localizados estudos relacionando a terceirização à satisfação com o trabalho. A pesquisa explicativa é aquela que tem como objetivo tornar algo inteligível, justificando os motivos. Procura esclarecer quais fatores contribuem para a ocorrência de determinado fenômeno. Como já apresentado na seção referente aos objetivos do trabalho, pretende-se mostrar a relação entre terceirização e satisfação com o trabalho dos empregados. Finalmente, a pesquisa descritiva é aquela que expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno.
Quanto aos meios, pode-se classificá-la em pesquisa de campo e bibliográfica. Pesquisa de campo é investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo. Segundo Vergara (2009), pode incluir entrevistas, aplicação de questionários, testes e observação participante ou não. Serão encaminhados questionários a diversos profissionais, que trabalham como terceirizados ou não, visando averiguar a satisfação com o trabalho. Já a pesquisa bibliográfica é o estudo sistematizado desenvolvido em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas, ou seja, material acessível ao público. Fornece instrumento analítico para qualquer outro tipo de pesquisa, podendo também esgotar-se em si mesma. A pesquisa bibliográfica fornece sustentação em teoria e metodologia no processo de terceirização e satisfação. Irá ajudar a explicar os resultados encontrados. Foram pesquisados trabalhos publicados anteriormente e autores que estudam o assunto.
De acordo com Gil (2000), quanto à abordagem trata-se de uma pesquisa quantitativa e qualitativa. Quantitativa, pois apresentou emprego de métodos estatísticos, e informações e opiniões dos participantes da pesquisa. E qualitativa, porque possibilitou uma análise dos resultados obtidos nas entrevistas.
documental, de levantamento e estudo de caso.
Documental, pois investiga o histórico da organização, desde a sua fundação, suas características, sua visão, estes retirados da própria intranet da organização.
Também se classifica como de levantamento, segundo Gil (2000), “caracterizam-se por interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente, procede-se à solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado”.
Já o estudo de caso consiste na observação detalhada de um contexto, ou indivíduo, de uma única fonte de documentos ou de um acontecimento específico (BOGDAN e BIKLEN, 1994).
É evidente que o estudo de caso proporciona diferentes elementos que podem levar alguém a aprender a partir de um único caso e, nesse sentido, há quem chegue a falar de uma epistemologia do particular. […] Uma outra questão crítica no estudo de caso refere-se à validade das comunicações feitas pelos avaliadores e à possível distorção dos dados e das observações realizados. Essa possibilidade realmente existe, ninguém as nega, mas pode ser superada pela triangulação, ou seja, usando-se múltiplas percepções e o envolvimento de vários observadores, a fim de que diferentes significados possam ser esclarecidos. É evidente que a repetição de uma observação não é tarefa fácil, mas é uma forma de verificar o significado das várias formas apresentadas por um fenômeno ao ser estudado (VIANNA, 2000).
O conceito Gil (2002) mostra-se indispensável para asseverar o percurso metodológico a ser utilizado:
O estudo de caso é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas ciências biomédicas e sociais. Consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante outros delineamentos.
De acordo com Fachin (2001), o estudo de caso se caracteriza por ser um estudo intensivo, que considera, principalmente, a compreensão, como um todo, do assunto investigado. “Todos os aspectos do caso são investigados. Quando o estudo é intensivo, pode até fazer aparecer relações que de outra forma não seriam descobertas”. Pode-se utilizar o estudo de caso com o objetivo de realizar uma descrição, hipótese e resultado teórico.
O questionário é um dos instrumentos mais importantes de coleta de dados em pesquisas quantitativas nas áreas de ciências sociais. Formado por perguntas destinadas a gerar dados necessários para atingir os objetivos de projeto de pesquisa, deve ser bem elaborado, proporcionando padronização e uniformização no processo de coleta de dados, facilitando posteriormente a análise dos dados (BOTELHO e ZOUAIN, 2006).
Os dados primários foram obtidos através de questionário adaptado de instrumento validado, conhecido como EST (Escala de Satisfação no Trabalho) modelo de Siqueira (2008), com complementos para análise do perfil dos colaboradores. Compreendendo no total de 31 questões (25 questões da EST e 6
questões para análise do perfil do entrevistado).
O instrumento (Escala de Satisfação no Trabalho) é composto por 25 itens e avalia a satisfação no trabalho relacionada aos colegas, ao salário, à chefia, à natureza do trabalho e às promoções. É composto também por uma escala Likert de sete pontos (totalmente insatisfeito, muito insatisfeito, insatisfeito, indiferente, satisfeito, muito satisfeito e totalmente satisfeito), pontuados de 1 a 7, respectivamente.
O fator “Satisfação com os colegas” diz respeito ao contentamento com a colaboração e aos sentimentos positivos mantidos com os colegas de trabalho. Já o fator “Satisfação com o salário” aborda aspectos relacionados ao contentamento com o que a pessoa recebe em relação ao quanto trabalha, à sua competência e ao seu esforço, bem como ao custo de vida. Por sua vez, o fator “Satisfação com a chefia” trata do contentamento do funcionário com os seus superiores no que se refere à organização, à competência e ao interesse pelo trabalho dos subordinados. O fator denominado “Satisfação com a natureza do trabalho” está relacionado ao contentamento com o trabalho em si, à sua dificuldade, ao desconforto que provoca e aos desafios inerentes a ele. Por fim, o fator “Satisfação com as promoções” refere-se ao contentamento com a mobilidade funcional, às garantias e às oportunidades oferecidas pela organização.
Foram utilizados os seguintes tipos de variáveis: variável ordinal, para resposta aos itens/dimensões, tipo Likert, variando de 1 a 7 (do totalmente insatisfeito à totalmente satisfeito); variável nominal (sexo, escolaridade, estado civil e cargo) e variável numérica intervalar (tempo de serviço e faixa etária). O instrumento foi aplicado pela própria pesquisadora.
Como a EST é uma medida multidimensional com cinco dimensões, serão computados cinco escores médios. O cálculo de cada escore médio será obtido somando-se os valores assinalados pelos respondentes em cada um dos itens que integra cada dimensão e, depois, dividindo-se esse valor pelo número de itens da dimensão. Assim, para a forma completa, a soma será dividida por 5. O resultado ficará entre 1 e 7.
A interpretação dos resultados deverá considerar que quanto maior for o valor do escore médio, maior será o grau de contentamento ou satisfação do empregado com aquela dimensão de seu trabalho. Sendo assim:
a) valores entre 5 e 7 tendem a indicar satisfação; b) valores entre 1 e 3,9 tendem a indicar insatisfação;
O método de levantamento dos dados será o Google Docs. Este método é indicado quando os questionários são desenhados para levantamentos auto-administrados, auxiliados por computador conectado à Internet, enviados por emailou correio e entrevistas pessoais ou telefônicas. Questionários auto-administrados são aqueles preenchidos pelo entrevistado sem a presença do entrevistador, sendo melhor na medição de variáveis com muitas categorias de resposta, na investigação de atitudes e opiniões que não são normalmente observadas e na descrição de características de uma população.
Quadro 1 –
Classificação dos itens da EST por dimensões Fonte: Elaborado pela autora.