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Pastoral, villmark og byer

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4 Analyse

4.4 Pastoral, villmark og byer

Os hebreus vêm de uma história não menos complexa e profunda. Enquanto povos do deserto, muito comumente sua cultura adveio de uma atitude do ouvir e ligada à noite, enquanto que os indo-europeus eram povos diurnos e de cultura essencialmente visual. Os hebreus constam ao lado dos gregos como fundamento da cultura Ocidental (AUERBACH, 1996).

Sobre os hebreus, pode-se afirmar que são um povo que migrou para a Palestina a partir da Mesopotâmia entre os séculos XV e XII AEC (DEBRAY, 2004; PETERS, 2007). Sua língua é representante do Semita Ocidental, que tem, como duas de suas subdivisões principais, o Arábico e o Canaanita (HUEHNERGARD, 2000). Sua religião primitiva era originalmente carregada de todos os elementos originais dos cultos semitas primitivos (CURTISS, 1902). Apesar de seus mitos apontarem para uma origem distinta da dos povos cananeus, sua língua é bastante próxima do Fenício, do Aramaico e do Ugarítico, apontando para uma origem pré-histórica em comum (GESENIUS, 2003).

Seus ritos mais antigos registrados não têm mais traços de uma vivência xamânica. Na verdade, os povos semitas, apesar de nômades originalmente, já eram uma cultura totalmente transformada em agrícola e pastoril (CURTISS, 1902). A mudança no estilo de vida já indicava que diversos conceitos comuns às culturas xamânicas estariam ausentes ou em níveis vestigiais irreconhecíveis em estágios posteriores (WATTS, 1975).

Isso fica evidente com a mudança do vocabulário referente ao sacrifício e à função do sacerdote. Enquanto que entre os indo-europeus ainda preserva-se um ideal de sacrifício como dado aos deuses pelo ar pela queima da oferta, apresenta-se com

grande frequência entre os semitas uma ideia de que o sacrifício é algo feito pelo derramamento de sangue, ou depósito de carne, gordura ou frutas sobre as pedras ou o solo (CURTISS, 1902).

Isso aponta uma diferença fundamental entre os modos de pensar indo-europeu e semita. Os indo-europeus são uma cultura ainda fortemente ligada ao céu e à caça, daí os sacrifícios serem levados aos deuses uranofânicos (BENVENISTE, 1995; TERRA, 1999). O segundo é uma cultura ligada diretamente ao universo agrário, daí os deuses para os quais eram oferecidos os sacrifícios serem comumente os geofânicos (TRAUNECKER, 1995). Apesar de a cultura lunar ser difundida entre os semitas, eram cultos essencialmente agrários (PETROPOULOU, 2008), sendo posteriormente abandonados na história do povo hebreu (DÉBRAY, 2004; PETERS, 2007).

Porém, apesar de os semitas já constarem como povos ligados à agricultura, o mesmo não pode ser dito da totalidade dos povos Afrasiáticos. Enquanto que os Egípcios eram ligados à agricultura (TRAUNECKER, 1995), o mesmo não se poderia dizer sobre chádicos, omóticos, berberes e cuxíticos (DOLGOPOLSKY, 2008). Portanto, havia entre os Afrasiáticos pelo menos quatro ramos que se mantiveram no estilo de vida de caça-coleta, enquanto que dois grupos sofreram uma alteração histórica considerável em torno do Nilo e no Oriente Médio (TRAUNECKER, 1995).

Curtiss (1902) e Petropoulou (2008) apontam para vestígios na primitiva religião semita de um sacrifício transmitido pelo ar, mas cuja existência está bastante recuada no tempo, talvez referindo a esse passado afrasiático. Os primitivos semitas vinculavam os deuses aos odores e aos espíritos do ar e dos ventos, sendo essa uma tradição ainda mais antiga e vestigial, presente de forma bastante frágil nas diversas culturas agrícolas do Oriente Médio (CURTISS, 1902).

A diferença crucial entre o modo de sacrifício grego e hebraico está no vocábulo hebraico zabah “ὅacὄificaὄ”, ὃue indica maiὅ o “ato de chacinaὄ”, cujo ὅignificado idêntico pode ser encontrado no árabe dhabh, assim como no egípcio zabh – representante do ramo Egípcio das línguas afrasiáticas, das quais também fazem parte as línguas semitas (HUENERGARD, 2000). Apesar de o sacrifício palestino (fenícios, hebreus e cananeus) ser predominantemente através do fogo, esse não era o modo sacrificial original dos povos semitas. Eles oferenciam sacrifícios de sangue, vertendo o sangue do animal morto e suas partes no solo, como medida sagrada para garantir a boa colheita (CURTISS, 1902).

Isso indica que o sacrifício também é uma instituição semita (CURTISS, 1902), mas que seu modo era diferenciado. Indo-europeus centravam o sacrifício no céu, enquanto que os semitas centravam na terra, e por motivos econômicos bastante distintos.

Apesar de não pertencer ao ramo semita, os Egípcios são um exemplo da riqueza léxica que pode ser atingida por um povo com um sistema religioso elaborado. Sua proximidade geográfica, e o fato de possuírem estreitas relações bélicas e comerciais com os povos do Levante implica que diversos de seus conceitos estariam presentes em meio aos povos do Oriente Médio.

Igualmente representantes das línguas afrasiáticas, ao lado dos semitas, dos cuxíticos, dos omóticos, dos berberes e dos chádicos, os egípcios possuíam termos variados indicadores para alma, dentre os quais citam-se principalmente ka, ren, ba e akh (TRAUNECKER, 1995).

Em egípcio, ka era uma representação do recém-nascido, e significava oὄiginalmente “alimentação” (ἦἤρἧζEἑKEἤ, 1ιιε)έ ζeὅὅe ὅentido, o ka de um sujeito era um princípio ativo que o mantinha vivo, a nutrição. O ka passou a designar posteriormente a sede dos desejos humanos.

O termo ren indicava o destino gerado pelo ka. Se um indivíduo exagerava no alimentar-se ou no privar-se de alimentos, agredia seu ka e alterava seu ren. Quando o indivíduo morria, seu ka cessava, e seu ren continuava após a morte.

Para indicar o espírito após a morte, os egípcios usavam a palavra ba23 que indicava um princípio de mobilidade que servia de passagem para outro mundo ao mesmo tempo em que significava a essência do sujeito, derivado possivelmente de um termo arcaico afrasiático paὄa “eὅtaὄ em um lugaὄ” – compare com o verbo hebraico b̄n̄˼ “edificaὄ, conὅtὄuiὄ” (KLEIN, 1987; SCHWANTES, 1981), no sentido de fixar- se em um lugar. Era representado por um pássaro, implicando o voo da alma após a morte (TRAUNECKER, 1995). A etimologia afrasiática leva a entender que a alma era entendida entre os egípcios como algo que, mesmo sobrevivendo após a morte, precisava estar ou retornar ao lugar onde estava o morto, possivelmente justificando a tradição da mumificação, para que o espírito pudesse retornar.

Por fim, os egípcios tinham a crença em um akh, ou uma figura que se situava entre os deuses e os mortos, semelhantes aos ˻˹ń dos gregos, que constavam ao mesmo

23 Traunecker alerta para o fato de que os hieróglifos para ba sejam grafados e , ou seja, pássaros

tempo como ancestrais, espíritos e demônios. Os akh eram seres dotados de poderes e que podiam ser apaziguados mediante rituais (TRAUNECKER, 1995).

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