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2. Komiteens merknader

2.5 Pasient- og brukerrettigheter

O Modelo de Crenças da Saúde (MCS) foi desenvolvido por Rosenstock (1966) e posteriormente aferido, na década de 70/80, por Becker e colaboradores (cit. por Ogden, 1999). Para Rosenstock, a probabilidade de um pessoa ter um determinado comportamento saudável estava relacionada com as crenças pessoais acerca da ameaça percebida da doença e da percepção relativa ao risco/benefício de praticar a acção recomendada. Este modelo expandiu- se com o objectivo de esclarecer o papel de comportamentos de doença e adesão aos regimes terapêuticos.

Segundo Lianes (2005), desde o seu surgimento, em 1950, o MCS tem sido o mais utilizado para explicar as mudanças e a manutenção dos comportamentos relacionados à saúde, procurando compreender os comportamentos sobre as crenças em saúde.

De acordo com Dela Coleta (1995), a partir de 1984, a aplicação deste modelo ampliou- se e, actualmente, o seu uso é observado nas mais diversas e variadas áreas, sobretudo, enfermagem, psicologia e medicina, abarcando estudos sobre hipertensão arterial (Teixeira, 2000; Pires & Mussi, 2008), cancro (Santos, 2009; Fugita & Gualda, 2006), HIV (Praça & Gualda, 2001), diabetes (Pontieri & Bachion, 2009), doenças cardiovasculares (Dela Coleta, 2010)

doenças crónicas (Lopes et al., 2007), PPG (Loureiro et al., 2008) e ainda envolvendo pesquisas sobre comportamentos de saúde como: prevenção a acidentes (Brevidelli & Cianciarullo, 2001; Melo et al., 2006) e adesão ao tratamento (Coutinho, 2001).

Conforme o estudo de revisão realizado por Janz e Becker (1984), no período de 1974 a 1984, o MCS é “o principal modelo para explicar e predizer a aceitação de recomendações sobre cuidados com a saúde”.

Segundo este modelo, as acções de um indivíduo rumo ao comportamento preventivo dá-se a partir de quatro componentes fundamentais:

1. Susceptibilidade percebida: variável que avalia a aceitação da possibilidade de contrair uma determinada condição, ou patologia. A ênfase é dada à realidade subjectiva e não à objectiva, explicada pelo facto de que as pessoas variam de forma acentuada na interpretação no que diz respeito a uma realidade objectiva; 2. Gravidade percebida: essa variável diz respeito à percepção da gravidade de uma

determinada condição de saúde. O grau de gravidade pode ser julgado pelo grau de estimulação emocional criado pelo pensamento de uma doença, pelos tipos de dificuldade que o indivíduo acredita que uma determinada condição de saúde poderá trazer-lhe ou mesmo pelo simples conhecimento das complicações que aquela doença poderá vir a ter para a sua saúde e na qualidade de vida;

3. Benefícios percebidos: o comportamento do indivíduo dependerá ainda da crença de quão benéficas, para o seu caso, serão as alternativas para reduzir a ameaça a determinada condição de saúde. Deve haver pelo menos uma acção que seja subjectivamente possível, seja ela relacionada à redução da susceptibilidade ou da gravidade da doença;

4. Barreiras existentes: esta variável diz respeito aos aspectos negativos percebidos pelo indivíduo em relação às acções em saúde. Ele pode perceber essas acções como dispendiosas, inconvenientes, desagradáveis, dolorosas ou que exigem muito tempo disponível. Essas qualificações das acções tornam-se barreiras e criam motivos conflituosos.

O modo como o indivíduo percebe a doença poderá actuar como impedimento para direccioná-lo a uma conduta recomendada. Os benefícios da acção são avaliados em função das barreiras para realizá-la. Além desses aspectos, a presença de estímulos para a acção é importante para desencadear as percepções de susceptibilidade e gravidade e motivar o indivíduo a agir (Glanz, Lewis & Rimer, 1990). Para esses investigadores, a percepção da susceptibilidade e da gravidade da doença pode motivar o indivíduo a adoptar um determinado comportamento, porém não define o curso da acção a ser realizada. O que determina a acção são as crenças pessoais relativas à eficácia das alternativas conhecidas e disponíveis para diminuir a ameaça da doença ou dos benefícios percebidos de se tomar a acção, e não os factos objectivos que mostram a eficácia da acção.

Nessa perspectiva, a acção é potencializada pela combinação da susceptibilidade e gravidade percebidas na doença e a opção pela modalidade da acção será efectuada, apoiando-

se nos benefícios e nas barreiras percebidas nas alternativas comportamentais (Dela Coleta, 2004).

Acredita-se que a responsabilidade assumida pelo indivíduo, a valorização dos comportamentos saudáveis e as acções preventivas que venha a adoptar, dependem das suas experiências anteriores numa determinada condição de doença, do conhecimento que possui relativo ao problema e, ainda, das suas expectativas quanto à resolução desse problema. Neste sentido, a visão que o indivíduo possui poderá influenciar, significativamente, as suas condutas em relação à sua saúde (Fugita & Gualda, 2006).

Horne e Weinman (1998) referem algumas críticas e limitações apontadas por vários investigadores. Algumas delas estão relacionadas com a simplificação dos conhecimentos relacionados com a saúde identificadas como barreiras e benefícios, sem especificar as crenças que estão subjacentes a esses constructos. Outras referem a não inclusão de uma fase de intenção, entre as crenças e o comportamento e a não especificação da relação entre os factores sociais, como o interesse de ter a aprovação dos outros, e o comportamento de saúde. De igual modo, este modelo supõe ainda que os comportamentos de saúde derivam de uma análise racional baseada nos custos /benefícios percebidos pela pessoa (Figura 1).

Figura 1. Modelo de Crenças em Saúde (Becker et al.) citado por Parreira (2006)

Outros autores (Bennett e Murphy, 1999) referem-se a este modelo como fazendo parte de dois processos de avaliação inter-relacionados: a ameaça da doença e a resposta comportamental a essa ameaça. A forma como a ameaça é valorizada depende da percepção individual relativamente à doença, bem como da gravidade antecipada desta doença. A avaliação dos comportamentos é realizada considerando os custos e benefícios de praticar comportamentos que podem reduzir a ameaça da doença. De acordo com este modelo podemos ainda inferir que as decisões relativas à saúde são desencadeadas por estímulos ambientais.

Percepções individuais Factores moderadores Probabilidade da acção

Susceptibilidade percebida / gravidade da

doença

Idade, género, grupo étnico, personalidade, condição socioeconómica, nível de conhecimentos Benefícios e barreiras percebidos em relação à mudança de comportamentos Percepção de ameaça de doença Probabilidade de mudança do comportamento  Nível educacional  Sintomas, doença  Informação

Neste tipo de abordagem, a compreensão da adesão passa por observar as crenças que os doentes têm acerca da sua doença e tratamento, e sugere que as variáveis cognitivas identificadas no modelo podem ser, em alguns casos, preditores da adesão.