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Parties other than Canada and the United States of America

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Annex

Article 13 bis Amendments

A. Parties other than Canada and the United States of America

É no quadro da literatura sociológica contemporânea que se encontram as bases para a distinção entre aspirações e expetativas. Porém, para melhor compreensão do que distingue ambos os conceitos, é imperioso analisar o processo que leva à formação tanto das aspirações como das expetativas.

Segundo Bourdieu (2010), tanto as aspirações como as expetativas resultam de processos semelhantes, ou seja, das disposições adquiridas pelos agentes ao longo do processo de socialização, nos mais variados contextos e condicionamentos sociais.

As disposições constitutivas do habitus que estão duravelmente inculcadas pelas condições objetivas e por uma ação pedagógica tendencialmente ajustada a essas condições tendem a engendrar [aspirações e] expetativas que são objetivamente compatíveis com essas condições previamente adaptadas às suas exigências objetivas (Bourdieu, 1998c: 85).

Mais adiante, o referido autor considera que ao idealizarem o seu futuro, os agentes refletem de forma mais ou menos consciente sobre a possibilidade deste ser ou não alcançado.

96 Neste sentido, o processo de formação das aspirações e expetativas pressupõe uma representação da ação pensada (vorstellung), uma intenção (absicht) e por fim uma abstração da mesma ação (Bourdieu, 1998d: 188). Neste caso, tendo como base a realidade objetiva do contexto social em que o agente se encontra inserido, as aspirações e expetativas são redefinidas mediante as transformações que se vão operando no quadro da estrutura social mais ampla e nos contextos específicos onde o agente se encontra. Contudo, vezes há em que as aspirações e expetativas dos agentes se encontram desfasadas das condições objetivas da sociedade onde se encontram situados.

No início dos anos 50 do século passado, foram realizados os primeiros estudos que dedicaram particular atenção à medição das expetativas. Nestes estudos, a noção de aspiração é muitas vezes utilizada como sinónimo de expetativa. Posteriormente, os sociólogos têm desenvolvido vários modelos que permitem distinguir e operacionalizar os conceitos de aspiração e de expetativa.

Morgan (2006) apresenta alguns exemplos que nos elucidam sobre como operacionalizar os conceitos de aspiração e de expetativa em pesquisas com estudantes. Neste sentido, em estudos empíricos que abordam as aspirações e expetativas escolares formulam-se, geralmente, as seguintes questões: “Pretende ingressar na faculdade?” e “Na situação atual, acha que consegue ingressar na faculdade?”. Em relação às aspirações e expectativas profissionais, o autor sugere perguntas do tipo: “Que tipo de trabalho pretende ter aos 30 anos?”; e “Face à situação atual, que trabalho espera ter?”

As aspirações refletem os desejos elaborados pelos indivíduos com base nas suas crenças e valores (Gorard et al ., 2012; Cunha, 2012; Khattab, 2015). Por sua vez, as expetativas podem ser definidas como orientações mais estáveis, formadas por crenças específicas sobre as habilidades futuras. As expetativas tornam-se, muitas vezes, profecias autoconcretizáveis (Morgan, 2006). Turley et al., (2006: 1202) reportam o que os indivíduos acreditam que é provável ocorrer, com base em perceções das estruturas de oportunidades e avaliações concretas, conscientes ou inconscientes, do que é a realidade social.

De acordo com Simões (2008: 38), as expetativas encontram-se diretamente relacionadas com os projetos pessoais e profissionais “enquadrados na preferência de realização individual e adaptação quotidiana, num processo progressivo de confronto com a antecipação de uma atuação futura”. As expetativas são interpretadas como “investimentos considerados viáveis pelos indivíduos e pelas suas famílias de origem” (Casanova, 2003: 128).

97 As expetativas tornam as aspirações dos agentes mais realistas e próximas daquilo que, consoante as suas capacidades e aptidões, conseguem realmente alcançar, tal como se pode observar nas palavras de Cunha:

O alcance destes objetivos depende daquilo que estamos dispostos a fazer para lá chegar, considerando nossas preferências e a nossa vontade, mas também as nossas capacidades e o que achamos ser capazes de fazer com base no conhecimento que possuímos das nossas experiências passadas (Cunha, 2012: 34).

Tanto as aspirações como as expetativas têm como base a origem social do indivíduo. Elas surgem nas suas vidas ainda em tenra idade, ou seja, muito antes de começar a sua experiência escolar. Através da interação com a família e do envolvimento com a comunidade, as crianças aprendem a desenvolver as suas próprias aspirações e expetativas. Uma vez inseridos no sistema de ensino, as aspirações e expetativas dos estudantes atualizam-se. Contudo, a sua concretização dependerá dos capitais detidos pela família de origem. Considerando que esta distribuição não é uniforme por todos os estratos da sociedade, os descendentes de famílias mais desfavorecidas enfrentam maiores dificuldades em concretizar as aspirações, por outras palavras, recorrem ao seu habitus de classe e redefinem as suas aspirações tornando-as mais realistas face às suas condições objetivas de realização.

As expetativas escolares e profissionais são fortemente condicionadas não só pela origem social dos alunos, mas também pelas oportunidades existentes nas sociedades onde estes vivem, isto é, são condicionadas pelos incentivos financeiros, como, por exemplo, bolsas de estudo, bem como pelas oportunidades de inserção profissional (Turley et al., 2006).

Recenseando a produção sociológica sobre expetativas, Gomes (2013) reconhece a existência de um significativo número de estudos centrados na problemática das expetativas escolares, particularmente dos alunos que concluem o ensino secundário e, em contrapartida, um menor número de estudos que abordam as expetativas profissionais. Contudo, refere a autora:

Alguns trabalhos comprovam o impacto das expetativas escolares nas trajetórias profissionais (…) e outros dissociam a ligação entre expetativas escolares e profissionais, atendendo às transformações recentes e contraditórias em ambos os campos – expansionista na educação, compensatória no trabalho (Gomes, 2013: 49).

98 Também se pode dizer que a formação de aspirações e expetativas depende de dinâmicas societais mais amplas, que podem ter efeitos independentes da origem social.

Autores como Morgan (2006) e Gomes (2013), analisando os projetos de futuro dos estudantes, recorrem ao conceito de “orientações prefigurativas”, abarcando tanto as aspirações como as expetativas. Estes autores consideram que o estudo dessas orientações é fundamental pois reflete os percursos de individualização e de mobilidade social intergeracional dos estudantes.

Uma vez apresentada a distinção entre aspirações e expetativas, bem como o processo de formação das mesmas, procedemos de seguida à análise das principais variáveis associadas à emergência das aspirações e expetativas presentes na literatura sociológica.

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