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4.3 Q study (Paper II and Paper III)

4.3.2 Participants (P-set)

A análise Textual Discursiva foi o meio para a compreensão e interpretação, tanto dos documentos, quanto das narrativas. A primeira ação para obter o corpus de análise foi organizar todas as narrativas, agrupando-as em um documento denominado de “memória”, elaborado para cada encontro. Devido à possível extensão das memórias, alguns recortes foram feitos de modo a facilitar e a viabilizar a análise. As memórias foram submetidas às seguintes etapas da ATD:

1º. Processo de desconstrução de textos e unitarização

Primeiramente, examinaram-se os dados obtidos da pesquisa, considerando que cada palavra lida estabeleceu um sentido conforme a interpretação do leitor e que resultou em uma unidade de significado. A desconstrução dos textos foi realizada a partir de um “corpus” que constituiu o material para a análise textual, sendo que o mesmo foi “lido, descrito e interpretado” (MORAES, GALIAZZI, 2007, p.

16), obtendo-se dessa forma inúmeros significados que foram construídos. Ocorreu uma desordem dos textos para oportunizar novas compreensões em relação aos fenômenos investigados.

2º. Categorização

Nessa etapa, realizou-se um estabelecimento de relações entre as unidades de significados que foram obtidas na fase anterior. Nelas, agrupamos “elementos semelhantes” (MORAES, GALIAZZI, 2007) que constituíram as categorias. Ao nomear as categorias que aos poucos foram sendo construídas foi importante considerar que ocorreu um movimento “cíclico aos mesmos elementos” para a construção do devido significado de cada categoria garantindo uma maior precisão. A construção de categorias realizou-se por meio de um método dedutivo que contou com o surgimento de unidades de significados a partir do “corpus”.

3ª Captando o novo emergente

Após a descrição e interpretação do material analisado nas etapas anteriores, procedeu-se a construção de metatextos que tiveram sentidos mais próximos do “corpus” original bem como o contrário, considerando que tenha sido mais interpretativo ocasionando um afastamento e resultando numa “teorização” mais aprofundada. Esta etapa constitui-se de um conjunto de textos que apresentaram significados conforme leituras já realizadas no princípio da análise. Junto deles foi relevante a existência de argumentos próprios do pesquisador a fim de garantir a “validação e defesa da tese principal”. (MORAES, GALIAZZI, 2007).

4º Auto-organização

O conjunto de movimentos utilizados até essa etapa foi constituído em um processo de desordem necessária para a formação de novas compreensões sobre os fenômenos estudados. Esta etapa revelou-se por ser um processo auto- organizado intuitivo que não pode ser previsto. Resumiu-se em “um conjunto de

operações inconscientes que resultam em “insights” repentinos e globalizados”. (MORAES, GALIAZZI, 2007, p. 43). São como inspirações criativas que surgem espontaneamente da leitura e interpretação do pesquisador gerando a emergência do novo. É importante salientar que a construção dos metatextos puderam ser obtidos em um processo cíclico em garantia da qualidade, aperfeiçoamento e validade do produto final.

A produção escrita dos metatextos é uma fase seguinte ao processo de construção de categorias a partir de uma impregnação na análise de dados obtidos. Cada metatexto consistiu em um parágrafo que continha escritos que abrangiam focos temáticos de cada categoria inicial na qual residem as primeiras proximidades das unidades de significados originárias do processo de unitarização. Importante que os parágrafos descritos fossem consistentes a fim de posteriormente facilitar a união dos escritos formalizando um texto, além de garantir a validade do que já foi construído e que inclusive poderia ser reconstruído. Esse processo vinculou-se a uma produção reconstrutiva que proporcionou ao autor ter uma variabilidade nas versões dos textos e também uma “autoria emergente nas múltiplas versões de uma produção escrita” (ibid, 2007). Salienta-se que o objetivo não foi “costurar” a ideia central de cada categoria e sim oportunizar ao pesquisador que se assumisse como autor.

A descrição esteve vinculada com o esse processo de construção dos metatextos, pois a partir dela foi possível expor de maneira organizada o que foi compreendido da análise realizada com os dados obtidos. O descrever está intimamente relacionado com a escrita dos parágrafos. Ao desenvolver a descrição, foi interessante estabelecer “ancoragens” com dados empíricos, por exemplo, depoimentos de sujeitos com o intuito de garantir a validade da pesquisa além de contextualizá-la. Na medida em que descrevíamos, era possível com isso, expressar novas compreensões a respeito do fenômeno que estava sendo estudado.

Quando se apontou para novas compreensões, então, já entramos na produção de interpretações, pois “expressa novas relações e inferências entre elementos constituintes de um fenômeno identificadas durante a análise” (ibid, 2007). Considerando que compreender implica ver as múltiplas relações que se estabelecem em relação ao fenômeno estudado, é a partir da interpretação do

pesquisador com o material analisado que surgiram novas compreensões do que se estudou na abordagem da pesquisa. Ao explicitar novas interpretações sobre o fenômeno, foi possível afirmar que o pesquisador neste momento constrói uma teoria que emerge a partir dos seus referenciais teóricos e das novas compreensões.

Portanto, existiu uma diferenciação entre descrever e interpretar, sendo que a primeira expressa uma organização escrita das unidades de significados que foram categorizadas e envolve a impregnação e exposição do que foi primeiramente compreendido ao analisar os dados. Já a interpretação residiu em uma etapa mais complexa na qual o pesquisador passou a revelar novas compreensões sobre as relações existentes no fenômeno estudado.