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Participant Observation

No que se refere à satisfação escolar demonstrada pelos jovens na amostra verificou-se que a grande que maioria refere gostar de frequentar a escola (70%) não se verificando diferenças estatisticamente significativas, quando analisados os resultados na satisfação escolar, entre os rapazes e as raparigas, quanto à idade, ao nível socioeconómico, em relação à modalidade de formação frequentada (ensino regular versus cursos de educação), história escolar dos jovens (retenções sofridas) e congruência entre as aspirações e expetativas escolares. Estes resultados remetem para o facto da satisfação com a frequência da escola ser relativamente independente destes fatores.Contudo, uma percentagem considerável de alunos na amostra, cerca de 24%, não se considera satisfeito com a escola. Importa pois perceber quais são os fatores que estão na origem desta insatisfação na medida em que são provavelmente estes os alunos que se encontram mais afastados da vida escolar, não perspetivando a escola como um meio de desenvolvimento das suas potencialidades e como uma preparação para a vida adulta.

Relativamente ao percurso escolar dos jovens na amostra, ou seja, se estes sofreram ou não retenção ao longo do seu percurso escolar, verificaram-se diferenças significativas entre os alunos que se encontram a frequentar o ensino regular e os alunos a frequentar cursos de educação e formação, sendo que os últimos apresentam mais retenções ao longo do seu percurso escolar. Constata-se assim que os alunos que procuram alternativas ao ensino regular são sobretudo aqueles já se confrontaram com insucesso ao longo da sua vida escolar. No entanto, como referido anteriormente, este fator (retenção) não parece interferir na satisfação escolar dos alunos, uma vez que não se verificaram, na amostra diferenças entre os jovens com e sem retenções ao nível da satisfação escolar. Esta constatação poderá remeter para a existência de outras variáveis existentes no contexto escolar as quais serão responsáveis pela satisfação com a frequência da escola. Importa pois perceber que fatores poderão contribuir para um aumento da satisfação escolar, pois aqueles jovens mais satisfeitos com a escola são os que possivelmente irão investir mais nos seus percursos escolares.

Quanto às aspirações e projetos escolares formulados após o 9.º ano a maioria pretende prosseguir os seus estudos (69%), enquanto cerca de 19% dos jovens, deseja estudar e trabalhar simultaneamente, sendo que apenas uma minoria (3%) deseja

105 abandonar os estudos para começar a trabalhar e os restantes não formularam projetos ou ainda estão indecisos quanto aos mesmos. O prosseguimento de estudos parece ser assim uma vontade expressa pela maioria dos jovens e uma continuação natural do seu percurso de vida.

No que diz respeito aos sentimentos manifestados face aos projetos formulados cerca de 34% dos jovens refere sentir-se seguros, 24% indecisos, 21% otimistas, 9% confusos e 4% esclarecidos. Estes resultados parecem sugerir que apenas metade dos alunos da amostra revela segurança e otimismo quanto ao seu projeto. Eventualmente estes jovens são os que apresentam uma maior consistência e compromisso com a sua tomada de decisão vocacional. Pelo contrário, poderá ser que no outro grupo, os alunos ainda não tenham reunido a informação necessária à sua tomada de decisão, podendo também estar a natureza da sua decisão dependente do sucesso escolar do ano de escolaridade que se encontram a frequentar. Estes alunos poderão ser mais sensíveis a intervenções de natureza vocacional, possivelmente necessitando de um maior orientação e auxílio na definição dos seus projetos escolares e profissionais, por parte dos técnicos, professores e outros agentes educativos,

Quanto ao nível de escolaridade desejado, as intenções dos jovens distribuem- se entre o concluir o 9.º ano de escolaridade, embora em minoria, e o realizar um Doutoramento, sendo que a maioria refere intenções intermédias de formação (12.º ano, curso de especialização tecnológica, licenciatura, mestrado). Os resultados parecem indicar que a maioria dos jovens (91,6%) pretende prosseguir estudos para além do 9.º ano de escolaridade. Contudo, ao formular os seus projetos a maioria das intenções formuladas dividem-se sobretudo, num extremo, em querer concretizar, níveis de escolaridade mas imediatos sequencialmente, como concluir 12.º ano de escolaridade e, num outro extremo, formulam como intenção concluir níveis de formação superior mais elevados (Doutoramento).

Relativamente ao nível de escolaridade esperado, ou seja, que os jovens esperam conseguir alcançar, uma minoria acredita conseguir o 9.º ano de escolaridade e a maioria o 12.º ano distribuindo-se os restantes jovens pelos vários níveis de educação. Verificou-se também, que de modo geral, o nível de educação ou formação que os jovens acreditam ser capazes de atingir não difere muito do desejado.

No que diz respeito à congruência entre as aspirações (nível escolaridade

desejado) e expectativas (nível de escolaridade esperado) educacionais, a maioria dos

106 percentagem ainda considerável (31%) revelou ausência de congruência ao nível dos projetos educacionais formulados.

Dos jovens que apresentam incongruência entre as suas aspirações e expectativas educacionais salienta-se que a maioria destes almeja desejos mais ambiciosos, do que na realidade espera conseguir realizar, sendo que os restantes acreditam ser capazes de conseguir ir mais longe, do que para si desejam, no que se refere aos seus estudos. Esta constatação deverá ser atendida, pelos técnicos, na orientação escolar e profissional dos jovens, sendo que as incongruências entre aspirações e expectativas poderão estar na base de escolhas vocacionais pouco informadas, podendo consequentemente conduzir os jovens a desmotivação, insucesso educativo e até abandono escolar.

Considerando a relação de congruência entre aspirações e expectativas referentes ao ensino básico e secundário verificou-se que na amostra, uma minoria dos jovens deseja e espera conseguir concluir o 9.º ano de escolaridade, sendo em maioria os jovens que desejam e pretendem concluir o 12.º ano de escolaridade. Relativamente ao prosseguimento de estudos de nível superior, os jovens desejam e esperam conseguir concluir um doutoramento, sendo em menor número os que pensam ser capazes de concluir uma licenciatura, seguidos pelos que indicam um mestrado como projeto e, por último, um curso de especialização tecnológica.

Uma constatação interessante observada no presente estudo relaciona-se com o papel da história escolar (retenções sofridas) na congruência entre as aspirações e

expectativas educacionais por parte dos jovens. Verificou-se que os jovens com mais

retenções revelam maior congruência entre as suas aspirações e expectativas. Uma possível interpretação poderá estar relacionada com o facto de uma história escolar caracterizada por uma ou mais retenções conduzir o jovem a uma maior adequação entre aquilo que deseja e o que conseguirá, na realidade, alcançar. Na perspetiva da intervenção educativa, promover o autoconhecimento por parte dos jovens poderá impedir que seja a experiência de uma ou mais retenções escolares, a responsável pela adequação das suas aspirações e expectativas. Esta observação poderá revelar-se particularmente importante se considerarmos que percursos escolares caracterizados por uma história de retenções poderão conduzir também a uma desmotivação por projetos escolares mais ambiciosos e potenciadores do desenvolvimento pessoal dos jovens.

107 O local de formação de eleição apontado pelos jovens para a continuação de

estudos é a Escola Secundária, seguidamente o Instituto de Emprego e Formação

Profissional, seguido pelas Escolas Profissionais e, em último, as Forças Armadas, o que parece sugerir que os alunos envolvidos no presente estudo, à semelhança da população estudante do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário procuram preferencialmente as soluções que são oferecidas pelos estabelecimentos de ensino.

Quanto à natureza do curso pretendido para prosseguimento de estudos após o 9.º ao de escolaridade, a maioria dos jovens refere pretender optar por um Curso Científico-Humanístico, sendo que em segundo lugar indicam a preferência pela frequência de um Curso Profissional, distribuindo-se as restantes opções pelos cursos de Ensino Artístico-Especializado e de Aprendizagem. No que diz respeito à modalidade de formação pretendida verificou-se, em geral, maior indefinição e confusão na indicação da mesma, sendo que cerca de 13% (N=21) dos alunos manifesta estar indeciso quanto à natureza da escolha a efetuar e 9% (N=14) não respondeu a esta questão.

No que se refere aos Cursos Científico-Humanísticos a maioria dos jovens tenciona optar pelo Curso de Ciências Tecnologias, e seguidamente pelos cursos de Línguas e Humanidades, Artes Visuais e Ciências Socioeconómicas No Ensino Artístico Especializado, a maioria dos alunos prefere cursos na área das Artes Visuais, os quais são seguidos pelos cursos de Música e Dança. Relativamente aos alunos que preferem uma formação de natureza profissionalizante (Curso Profissional/Curso de Aprendizagem), são apontados cursos relacionados com áreas de interesses e atividade tais como trabalhar com pessoas (Técnico de Apoio à Infância, Técnico de Turismo, Técnico de Cozinha, etc.) ou trabalhar em gestão e serviços (Técnico de Informática, Técnico de Secretariado, etc.).

A tendência da grande maioria dos jovens escolher o ensino científico- humanístico tem sido referida noutros estudos realizados em Portugal (Martins, 2009; Azevedo, 1992). Contudo, verificou-se também uma tendência para um número considerável de alunos apresentar como sua intenção de escolha, alternativas ao ensino científico-humanístico, salientando-se o ensino de cariz profissional. Possivelmente esta tendência prende-se com o facto de alguns alunos deterem uma história escolar caracterizada por insucessos, o que poderá contribuir para refrear expectativas relativamente ao prosseguimento de estudos no ensino superior, podendo também

108 contribuir para esta situação, o nível socioeconómico dos progenitores e o ambiente sociocultural em que se inserem.

Como projetos ou sonhos os jovens apontam, na sua maioria, projetos de emprego ou trabalho, como por exemplo, conseguir desempenhar a profissão desejada, encontrar um emprego ou um trabalho, obter sucesso profissional ou trabalhar por conta própria. Seguidamente os projetos indicados relacionam-se com aspetos de educação ou formação tais como concretizar um curso de ensino superior ou de formação profissional. Outros projetos ou sonhos apontados pelos jovens na amostra remetem para o desejo de obter uma boas condições e qualidade de vida, constituir uma família, viajar e ir viver para fora do seu país. O facto da maioria dos jovens ter referido projetos que se relacionam com a sua transição vocacional, tanto no que diz respeito à sua educação e formação como ao acesso ao mundo do trabalho, remete para a importância da intervenção ao nível da orientação vocacional junto dos jovens nesta fase de desenvolvimento.

Deste modo, trabalhar com os jovens no sentido de os auxiliar a construir objetivos e elevar as suas aspirações, definindo e estabelecendo prioridades, parece ser fundamental para que o caminho a percorrer no seu futuro seja o mais bem-sucedido possível. Esta tarefa deverá ser desenvolvida tanto em contexto educativo, quer pelos agentes de educação, como pela família e restantes membros da sociedade, os quais poderão desempenhar um papel ativo na preparação do futuro dos jovens.