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Combining Various Income Strategies

No bem-estar subjetivo apresentado pelos jovens na amostra observou-se que estes apresentam níveis de bem-estar tendencialmente elevados, o que se verificou também num estudo anteriormente realizado pelo autor da escala, com uma amostra de adolescentes (Eryilmaz, 2011). Estes resultados poderão remeter questões associadas a uma adolescência normativa, sendo que os sentimentos de bem-estar estarão presentes quando não se verificam problemas ou desvios no decurso da adolescência. O facto de os jovens apresentarem níveis de bem-estar tendencialmente elevados na satisfação com as relações, quer familiares quer com outras pessoas significativas, na satisfação com a vida em geral e emoções positivas contribuirá certamente para sentimentos de felicidade e de satisfação com a vida, ou seja, um maior bem-estar subjetivo.

No que se refere ao bem-estar subjetivo não se verificaram diferenças estatisticamente significativas em função do género. Estes resultados são consistentes com outros estudos em que se verificou que o bem-estar subjetivo de adolescentes não varia em função do género, conforme constatado por exemplo, por Eryilmaz (2011).

Relativamente ao fator idade e à sua influência no bem-estar subjetivo, não se verificaram diferenças de modo global, o que não se encontra de acordo com a literatura sobre o bem-estar subjetivo, onde é referido um aumento do bem-estar subjetivo com a idade (Ryff. 1989). No presente estudo, embora não se tivessem verificado diferenças estatisticamente significativas entre os jovens dos vários grupos etários, observou-se uma tendência inversa, ou seja, para o nível de bem-estar global diminuir em função do aumento da idade. No entanto, estes resultados são coerentes com os obtidos num estudo realizado pelo autor da escala junto de adolescentes turcos, o qual verificou que os adolescentes com mais de 15 anos apresentavam níveis de bem-estar subjetivo globais mais elevados do que os adolescentes de 17 anos de idade (Eryilmaz, 2011). Este autor atribui esta tendência de diminuição do nível global bem-estar com a idade ao facto dos adolescentes de 17 anos envolvidos no seu estudo se encontrarem numa fase da vida escolar muito exigente em termos da preparação para o ingresso no ensino superior, detendo menos tempo para frequentar atividades sociais, estando consequentemente mais sujeitos a níveis mais elevados de stress. Pelo contrário, os mais jovens, de 15 anos, encontram-se menos preocupados com a sua vida escolar pois não enfrentam tantas exigências, dispondo também de mais tempo para dedicar às atividades sociais.

115 Quando são tidas em consideração as várias dimensões da escala de bem-estar subjetivo, observou-se que os jovens mais novos, de 14 e 15 anos de idade, apresentam níveis de bem-estar subjetivo mais elevados no que respeita à dimensão “Tolerância com os outros”. Tendo em conta que a dimensão referida não existia, de modo independente, na escala original, estes resultados poderão ser interpretados à luz das diferentes experiências de vida características dos jovens mais velhos, de 16 e 17 anos.

Os resultados obtidos com a amostra deste estudo poderão, possivelmente, ser interpretados em função da história escolar dos jovens mais velhos, os quais apresentam na sua maioria uma história escolar mais irregular e demorada em termos de conclusão de ciclos de educação. Outra possível explicação poderá estar relacionada com o facto dos jovens mais velhos apresentarem percursos de vida caracterizados por mais dificuldades, detendo menos apoios fora da escola, encontrando-se por estes motivos, menos disponíveis emocionalmente para lidar com os outros.

O facto do bem-estar subjetivo global não sofrer alterações em função do nível

socioeconómico encontra-se, de modo geral, de acordo com a literatura (Diener, et

al.,1999) a qual refere que o nível de bem-estar subjetivo não aumenta quando o nível socioeconómico é mais elevado. Estes resultados que foram verificados sobretudo em países desenvolvidos. Contudo, num estudo realizado com adolescentes turcos, num país em desenvolvimento, verificou-se uma associação entre o nível socioeconómico dos jovens e o nível de bem-estar subjetivo, no entanto este estudo não analisou as diferenças entre os diferentes níveis socioeconómicos (Eryilmaz, 2011). A explicação fornecida pela autora para os resultados verificados prende-se com o acesso, por parte dos adolescentes, a mais atividades sociais, as quais representam uma fonte importante de felicidade para os jovens, uma vez que os pais com possibilidades económicas podem com maior facilidade conferir esta possibilidade aos seus adolescentes.

Contudo, no que se refere ainda ao bem-estar subjetivo e ao nível socioeconómico observaram-se diferenças nas dimensões “Satisfação com as relações familiares” e “Tolerância com os outros”. Relativamente à “Satisfação com as relações familiares”, os resultados poderão estar associados à qualidade das relações e organização da estrutura familiar bem como às diferenças que podem ser encontradas em contextos familiares pertencentes a níveis socioeconómicos diferentes. Os resultados parecem sugerir que a qualidade das relações familiares pode ser afetada por dificuldades socioeconómicas, alterando o ambiente familiar, tornando-o de modo mais

116 hostil e menos apoiante para os jovens, refletindo-se consequentemente nos seus níveis de bem-estar subjetivo.

Relativamente à dimensão “Tolerância com os outros” uma possível explicação poderá residir no fato dos jovens mais desfavorecidos se tornarem menos resistentes às frustrações originadas pelos contextos e constrangimentos de vida que experienciam, o que se poderá refletir em aspetos relacionais como a capacidade de empatia ou tolerância para com os outros. Estes jovens detêm à partida menos fatores de proteção encontrando-se simultaneamente mais expostos a fatores de risco, o que poderá contribuir para diminuir a sua resiliência.

Os estudos realizados anteriormente com esta escala de bem-estar subjetivo não analisaram a relação entre o nível socioeconómico de pertença e o bem-estar subjetivo nas várias dimensões, não sendo, por este motivo, possível confirmar a influência desta variável nas dimensões “Satisfação com as relações familiares” e “Tolerância com os outros” desta escala de bem-estar.

No presente estudo, a modalidade de formação frequentada (ensino regular versus cursos de educação e formação) parece não contribuir para influenciar o nível de bem-estar subjetivo dos jovens na amostra. Estes resultados parecem indiciar que o bem-estar subjetivo é independente do tipo de ensino frequentado ou da história escolar dos alunos.

No que se refere à congruência entre as aspirações e expectativas

educacionais, estas não se refletem ao nível do bem-estar subjetivo dos jovens.

Relativamente à história escolar dos jovens, o facto de estes terem sofrido uma ou mais retenções não parecer refletir-se no seu nível global de bem-estar subjetivo, contudo, contribui para afetar o nível de bem-estar na tolerância com os outros. Deste modo, os jovens com retenção apresentam um nível de bem-estar subjetivo no que se refere à tolerância com os outros. Uma possível explicação poderá encontra-se no facto destes jovens já se terem confrontado com situações geradoras de alguma frustração, as quais de alguma forma poderão contribuir para uma maior flexibilidade na gestão da suas relações interpessoais. Nesta perspetiva, uma eventual situação de retenção poderá conduzir a sentimentos de maior empatia e tolerância para com os outros Alternativamente, estes jovens poderão sentir uma maior necessidade de aceitação por parte dos outros, tornando-se consequentemente mais amáveis. De facto, percursos escolares interrompidos devido a uma ou mais retenções levam a que os jovens tenham de encetar novos relacionamentos com perda de referências relacionais importantes.

117 Possivelmente estes jovens, já mais velhos, terão uma maior necessidade de aceitação por parte dos outros, já que a sua auto-estima escolar poderá estar comprometida devido às situações de insucesso vivenciadas.

No que se refere à satisfação escolar observou-se que os jovens mais satisfeitos com a escola apresentam níveis de bem-estar subjetivo mais elevados do que os que se encontram menos satisfeitos com a escola, o que se reflete sobretudo ao nível da satisfação com a vida e emoções positivas e tolerância com os outros. Esta observação demonstra a importância do contexto escolar enquanto contributo para a satisfação e felicidade dos jovens.