A análise dos dados coletados com base nas entrevistas foi realizada no sentido de caracterizar a gestão da transferência de tecnologia à luz da fundamentação teórica e dos elementos de análise (Quadro 12). Para Yin (2005), esse método utiliza uma teoria previamente desenvolvida como modelo com o qual se deve comparar e analisar os empíricos dos estudos de caso.
Os dados coletados foram analisados mediante a técnica de Análise de Conteúdo, que consiste em uma estratégia de pesquisa para descrever, de modo objetivo, sistemático e quantitativo, o conteúdo efetivo de uma comunicação
(BARDIN, 1977; MALHOTRA, 2001; ROCHA; DEUSDARÁ, 2005), ou seja, procura uma maneira mais sistematizada para trabalhar dados desestruturados, diminuindo a dependência da subjetividade do analista. (FREITAS; CUNHA; MOSCAROLA, 1996).
Várias técnicas, para Bardin (1997), desenvolvidas na análise de conteúdo, atuam no sentido de promover o alcance e a compreensão dos significados nos documentos. Dentro desse contexto, o presente trabalho utiliza a análise temática ou categorial:
[...] funciona por operações de desmembramento do texto em unidades, em categorias segundo reagrupamento analógicos. Entre as diferentes possibilidades de categorização, a investigação dos temas, ou análise temática, é rápida e eficaz na condição de se aplicar a discursos diretos (significação manifestas) e simples (BARDIN, 1977, p. 153).
A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com critérios previamente definidos (BARDIN, 1977). A escolha correta e adequada das categorias, representando de maneira coerente o conteúdo a ser analisado e a qualidade da avaliação conceitual feita pelo pesquisador no início do processo, determinará o valor da análise de conteúdo (POZZEBON; FREITAS;PETRINI, 1998).
Após a transcrição das entrevistas, os resultados foram descritos e analisados no seu conteúdo, considerando os elementos de análise previamente definidos para a investigação (item 3.2). A primeira dimensão a ser analisada foi a forma de transferência de tecnologia, essa se baseou na Figura 5 de Santos (2008). A segunda dimensão analisada foram os fatores organizacionais, que estão divididos em duas categorias, a saber: estruturas de apoio e mecanismos de gestão, conforme Quadro 15, abaixo:
Quadro 15. Autores utilizados na análise das estruturas de apoio e mecanismos de gestão. ESTRUTURAS DE
APOIO
PACEC/CBR (2010), Garnica e Torkomian (2009), Sales (2009), Boardman e Corley (2008), Sbragiaet al. (2006), Rasmussen et al. (2006), Santos e Solleiro (2006), Lahorgue (2005), Segatto-Mendes (2005), Terra (2001), Plonski (1999), Assad (1998), Martins (1997), Uller (1990).
MECANISMOS DE GESTÃO
Santos (2009), com o auxílio de Closs e Ferreira (2010); Weeks (2010); Guay (2010); Cleary e Bohlmann, (2010); Lovejoy (2010); Guarnica e Torkomian (2009); Swamidass e Vulasa (2009); Toledo (2009);Litan, Mitchell e Reedy (2007); Santos e Solleiro (2006);Santos, Solleiro e Lahorgue (2004); Terra (2001); Plonski (1999) e Assad (1998).
Fonte: a autora (2011)
E, finalmente, analisaram-se os fatores intervenientes, que estão divididos em três categorias, quais sejam: motivadores, facilitadores e barreiras, conforme Quadro 16, abaixo:
Quadro 16. Autores utilizados na análise dos fatores intervenientes
MOTIVADORES
D’este, Perkman (2010); Abramo et al. (2009); Santana e Porto (2009);Costa e Torkomian (2008); Baldini; Grimaldi e Sobrero (2007); Link et al.(2007); Segatto- Mendes (2006); Segatto-Mendes e Rocha (2005); Powers e Mcdougall (2004); Segatto-Mendes e Sbragia (2002);Owen-Smith e Powel (2001); Lee (2000); Segatto-Mendes (1996); Lockettet al.(2009); Costa e Torkomian (2008); Botelho
et al. (2007); Silva (2007); Segatto-Mendes (2006); Miotti e Sachwald
(2003);Owen-Smith e Powel (2001); Caloghirou; Tsakanikas e Vonortas (2001); Schartinger; Schibany e Gassler (2001); Fugino; Stal e Plonski (1999); Segatto- Mendes (1996).
FACILITADORES
Amedei e Torkomian (2009);Cruz e Segatto (2009); Geuna e Muscio (2009);Guarnica e Torkomian (2009);Levy, Roux e Wolf (2009);Santana e Porto (2009); Cunha e Neves (2008); Maya (2008);Botelho et al. (2007);Fugino e Stal (2007); Silva (2007); Segatto-Mendes e Mendes (2006); Rapini e Righi (2006); Rasmussen et al. (2006); Link e Siegel (2005); Friedman e Silberman (2003); Siegelet al. (2003); Schartingeret al. (2001).
BARREIRAS
Cruz e Segatto (2009); Guarnica e Torkomian (2009);Lockettet al. (2009); Santana e Porto (2009);Arvanitiset al. (2008); Costa e Torkomian (2009); Siegelet al.(2003);Segatto-Mendes e Sbragia (2002); Schartingeret al. (2001); Cruz e Segatto (2009); Santana e Porto (2009); Rapini e Righi (2006);Siegel,Waldman e Link (2003); Segatto-Mendes e Sbragia (2002);Marcovicth (1999); e, Cruz (1998).
Quanto à estrutura da análise, primeiramente, foi apresentada a PUCRS e analisadas as estruturas de apoio envolvidas na gestão da transferência de tecnologia. A seguir, os casos foram analisados individualmente e de forma padronizada, visando caracterizar a forma de transferência de tecnologia, a interação entre o grupo de pesquisa e a empresa e os fatores que motivaram, facilitaram e as barreiras envolvidas na interação, bem como a gestão do processo transferência de tecnologia daquele caso. Os casos foram analisados, individualmente, conforme o Quadro 15 abaixo:
Quadro 17. Estrutura de Análise Individual dos Casos. GRUPO DE
PESQUISA
Descreve características do laboratório
EMPRESA Descreve características da empresa, suas estruturas de apoio e a gestão da Transferência de Tecnologia.
INTERAÇÃO Descreve o início da interação e a forma de Transferência de Tecnologia utilizada, bem como desdobramentos, se houver.
MOTIVADORES
Descreve os fatores que motivaram a interação no âmbito acadêmico e empresarial. Podem incluir itens como as estruturas de apoio e os mecanismos de gestão envolvidos, bem como aspectos externos às organizações.
FACILITADORES
Descreve aspectos que facilitaram o processo de Transferência de Tecnologia. Podem incluir itens como as estruturas de apoio e os mecanismos de gestão envolvidos, bem como aspectos externos às organizações.
BARREIRAS
Descreve aspectos que dificultaram ou limitaram o processo de Transferência de Tecnologia, podendo incluir itens como as estruturas de apoio e os mecanismos de gestão envolvidos, bem como aspectos externos às organizações.
SÍNTESE Recupera aspectos importantes apresentados na análise do caso e elucida a gestão da transferência de tecnologia daquele caso.
Fonte: a autora (2011).
Em um segundo momento, foi realizado um quadro comparativo dos casos, ressaltando as diferentes formas e os fatores intervenientes e a posterior análise comparativa dos casos e ao final, foi realizada uma análise da gestão da transferência de tecnologia.
4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
Os estudos de caso realizados permitiram caracterizar diferentes formas de transferência de tecnologia, no âmbito da interação U-E, bem como avaliar os fatores intervenientes desse processo. Esses aspectos foram analisados a partir dos elementos definidos no capítulo 2, “Fundamentação Teórica”, apresentados no Quadro 12. Foi possível analisar a gestão da transferência de tecnologia à luz do definido por Santos (2009) e identificar as estruturas de apoio da PUCRS envolvidas nessa interação.
Primeiramente, são apresentadas a universidade selecionada e as estruturas de apoio citadas nas entrevistas, de forma a caracterizá-las e analisá-las, traçando um paralelo com o que foi identificado nos cinco casos com as entrevistas dos gestores da transferência de tecnologia, de modo a caracterizar e analisar a gestão da transferência de tecnologia. A seguir, são realizadas a descrição e a análise dos resultados, de forma individual, do Caso 1 ao Caso 5. No final da apresentação de cada caso, há uma síntese com os principais pontos característicos do mesmo. Ao término da apresentação de todos os casos, há também uma análise dos atores envolvidos, das formas encontradas em cada caso e dos fatores intervenientes. A partir desse comparativo, buscou-se identificar pontos em comum dos casos estudados e discutir as diferenças encontradas e analisar a gestão da transferência de tecnologia.
Os nomes das empresas foram mantidos em sigilo, bem como informações a que os entrevistados não puderam revelar em função da política corporativa de cada empresa, sendo, portanto, denominadas as empresas com os números 1, 2, 3, 4, 5.
4.1 A PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL -