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8.1 Parameter Tuning for the HGSADC

8.1.1 Parameter Tuning Approach

Nesse caso específico, pode-se citar como um facilitador, para interação da universidade com a empresa, o fato de uma ex-aluna do Programa de Pós- Graduação, da Faculdade de Química, sob a orientação do pesquisador responsável pela invenção, ser a Coordenadora de Pesquisa Clínica da Empresa 1. Em um contato informal, a coordenadora identificou que os estudos com resveratrol poderiam ser interessantes para a empresa, já que desde 2006 a empresa havia criado uma Diretoria de Inovação, que na ocasião estava com editais abertos, exatamente para ampliar a busca por novos produtos. Sendo assim, a forma como se deu o início dos contatos para licenciamento dessa patente demonstram a importância da formação de recursos humanos e como os alunos devem ir para o mercado com uma visão da universidade como uma possível parceira na solução de PD&I nas empresas.

O pesquisador-inventor, a partir da intermediação com a empresa e a sua liderança no processo junto aos outros pesquisadores, também foi identificado como facilitador da transferência de tecnologia por seus pares. Isso corrobora o descrito por Geuna e Muscio (2009) ao revelarem que a característica do pesquisador pode facilitar a transferência de tecnologia. Na verdade, o pesquisador fez um papel de intermediário entre esses pesquisadores e a empresa, bem como com as próprias estruturas de apoio da universidade, o que demonstra a importância de docentes com perfil empreendedor de induzirem outros colegas a participarem das atividades de transferência de tecnologia. Esses professores podem atuar como multiplicadores das questões relativas à interação com a empresa, estimulando e encorajando seus colegas a participarem mais ativamente em parcerias com a sociedade. Segundo o entrevistado:

(...) o grande facilitador foi o pesquisador-inventor, eu acho, pela maneira como ele trabalhou para reunir esse grupo de pessoas, para colocar essas pessoas dentro de um projeto...falei isso na primeira reunião que a gente teve com a empresa (ENTREVISTADO B).

Outros importantes facilitadores, citados por todos os pesquisadores entrevistados nesse caso, são as estruturas criadas justamente com esse fim – auxiliar e otimizar o processo de transferência de tecnologia na universidade. O ETT e a AGT da PUCRS foram lembrados como estruturas fundamentais em todas as fases da interação, como confirmado nas seguintes conclusões:

(...) o ETT, sem ele não poderia. Os cursos, a abertura, sou muito grato pela possibilidade de gerar isso (ENTREVISTADO A).

(...) ETT e AGT, essas coisas fazem toda a diferença (ENTREVISTADO C).

Essas estruturas preencheram a lacuna existente entre o pesquisador e a empresa, facilitando a comunicação e cuidando dos procedimentos necessários para o bom andamento da interação, sejam questões legais, aquisição de equipamentos e insumos, contratação de recursos humanos, preenchimento de formulários, negociação, entre outras questões transversais a todos os projetos e que não fazem parte do objetivo-fim da pesquisa. Podemos observar nas palavras dos entrevistados:

(...) eu só preenchi o formulário e disse é isso aqui que eu quero e eles providenciaram tudo (ENTREVISTADO B).

(...) A AGT possui todo um manual, que regra as relações (...). O desenvolvimento dessas atividades (...) trabalha com processos (...) para que haja mecanismos facilitadores das ações e atividades. Então ele [o pesquisador] tem que, no máximo, assinar aquilo, verificar e assinar, se está de acordo (ENTREVISTADO O).

Essas afirmações corroboram o publicado pelos autores Segatto- Mendes e Sbragia (2002), que destacam que entre as atribuições das estruturas de apoio estariam alguns aspectos da cooperação, como arrecadação, repasse e administração de recursos, divulgação das linhas de pesquisa da universidade, contato com as empresas parceiras potenciais, facilitação e manutenção da comunicação entre as partes (SEGATTO-MENDES & SBRAGIA, 2002).

Os serviços prestados pelo ETT e AGT são muito bem avaliados, já que cumprem seu papel como catalisador do processo como um todo, deixando o pesquisador mais focado na pesquisa em si e não em questões burocráticas. Isto está em sintonia com o afirmado por Plonski (1999), que conceitua essas estruturas de interface como mecanismos institucionais desenvolvidos para promover e facilitar a cooperação. O que também pode ser visualizado através das palavras do entrevistado:

(...) se eu tiver que aprender a escrever uma patente, não sai. Procura em banco de dados de patentes, pode esquecer, não tenho tempo (ENTREVISTADO C).

Essa afirmação do Entrevistado C é muito importante, pois ratifica a necessidade de criação de estruturas que facilitem o processo de transferência de tecnologia, tornando-o factível para os pesquisadores, fato que corrobora com Santana e Porto (2009). Com a limitação de tempo e a adição de processos diferentes daqueles da rotina do pesquisador, seria muito difícil a adesão em atividades de transferência de tecnologia e interação com a empresa sem estruturas que gerenciassem as questões não ligadas diretamente a pesquisa, mas inerentes quando envolve a participação de uma organização externa.

Ao analisar do ponto de vista da empresa, o fato de a universidade possuir uma patente foi o grande facilitador para todo o processo, pois, para a indústria farmacêutica, é uma condição imprescindível. Além disso, no caso analisado, além

de se ter a patente, o produto patenteado tem um alto potencial, com uma literatura científica que confirma isso e suas indicações terapêuticas são muito interessantes para a Empresa 1(ENTREVISTADO D). Link e Siegel (2005) destacam que o fator mais importante para a determinação do número de acordos para licenciamento é o número de invenções avaliáveis para licenciamento, o que inclui o estágio da patente e seu potencial de mercado.

A postura da PUCRS em oferecer condições favoráveis para o desenvolvimento de pesquisa e o envolvimento dos pesquisadores em atividades de transferência de tecnologia, com foco na geração de conhecimento e em resultados inovadores, têm aproximado a universidade do meio empresarial. Isso ocorre de maneira mais sistemática devido às estruturas ETT e AGT. Esse posicionamento foi percebido pela empresa 1, ou seja, o fato de estar interagindo com uma universidade empreendedora e inovadora. Nas palavras do entrevistado:

(...) o fato de a universidade não ser pública, com uma visão de sua missão com a sociedade, também facilita a relação com a empresa (ENTREVISTADO D).

(...) o ritmo da PUCRS é muito ágil, (...) está se trabalhando com muito profissionalismo, não parece uma universidade, parece uma empresa (ENTREVISTADO D).

As percepções do Entrevistado D corroboram o publicado por Rasmussen, Moen e Gulbrandsen (2006),que afirmam que um ambiente empreendedor impacta positivamente sobre todas as produções da transferência de tecnologia. E, com Maya (2008), que destaca que o compromisso mútuo para obter os resultados esperados e o estabelecimento de canais e mecanismos de comunicação impactam de forma positiva na transferência tecnológica.

Foi ressaltado pelo Entrevistado D que o cronograma é cumprido rigorosamente por parte da prestação de serviços tecnológicos, cumprindo os prazos da empresa. Essa sinergia em relação a variável tempo não é comum nas interações U-E, na qual a espera por uma resposta da universidade normalmente é considerado um fator limitante, fato usualmente elucidado pela diferença cultura entre os atores. O impacto positivo nesse Caso 1 talvez possa ser explicado devido ao contrato firmado entre as partes, ou seja, toda a formalidade envolvida nessa interação. As etapas do contrato estão aliadas a aporte de recursos pela empresa, existindo um cronograma definido para as ações. Somando-se a isso, o fato de a

molécula estar na fase de testes e ensaios permite uma maior previsão da entrega dos resultados.

A empresa também pondera o ETT e a AGT como estruturas promotoras e facilitadoras do processo de interação e de transferência de tecnologia. A Empresa 1, que interage com outras universidades no país, destaca que poucas universidades possuem um ETT como o da PUCRS. Um ETT com uma missão clara e focada no licenciamento e geração de royalties produzirá mais licenciamentos e rendimentos através de royalties (LINK, SIEGEL, 2005; MAYA, 2008), e isso passa pela interação com a empresa.