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Parametere for MOV-undersøkelsen

In document GAMLE HUS DA OG NÅ (sider 18-21)

1.4 Bakgrunnsmaterialet for MOV-undersøkelsen

1.4.3 Parametere for MOV-undersøkelsen

 

  Figura 13: Identificações

Fonte: Denilson Albano

Anderson Lauro se sente vigiado e a vigilância em torno da sexualidade é uma forma de gerar poder (Foucault apud GIDDENS, 1993). Louro (2008), diz que as formas de regulação vêm de múltiplas instâncias e instituições. Em casa, no colégio, no trabalho, todos são espaços de construção dos gêneros e das sexualidades. São construções que dependem de múltiplas práticas e aprendizagens “insinua-se nas mais distintas situações, é empreendida de modo explícito ou dissimulado por um conjunto inesgotável de instâncias sociais e culturais.” (LOURO, 2008. p.18).

Pensar na sexualidade enquanto força motriz do corpo é imaginar um corpo inventado; é ver o corpo enquanto alter ego (LE BRETON, 2003), entender a anatomia como “acessório de presença” (LE BRETON, 2003). A sexualidade seria então desenvolvida não de forma natural, mas sim pensada e construída para dar sentido ao corpo (LOURO, 2007).

O garoto (figura 13) tem uma sexualidade povoada por algumas entidades: Lady Gaga, Madona, Justin Bieber, Emos, Barbie, “carão”, fardas de soldado, fantasias, ursinho de pelúcia. A sexualidade envolve um conjunto de “rituais, linguagens, fantasias, representação, símbolos, convenções...Processos profundamente culturais e plurais”. (LOURO, 2007, p.11). E aqui se faz uma distinção: sexo não é o mesmo que sexualidade, que não é o mesmo que gênero, mas todos têm estreita relação. Jeffrey Weeks (apud LOURO, 2007), é cuidadoso em delimitar esses termos. Para ele o sexo é o que define diferenças anatômicas; já o gênero trata da diferença social entre homens e mulheres; e a sexualidade envolve comportamentos, crenças, e identidades que são construídas socialmente e modeladas relacionadas com o “corpo e seus prazeres” (FOUCAULT, 1988).

Laqueur (1990), partilha da idéia da centralidade do corpo na ordem social de Le Breton (2007). Laqueur entende o corpo como um objeto de construção e o associa diretamente à sexualidade, “Laqueur cita Foucault (1988) para falar de uma relação muito mais complexa entre a sexualidade e o corpo, enfatizando a sexualidade como uma forma de moldar o self na experiência da carne.” (ROHDEN, 1998, p. 128).

Giddens (1993), entende a sexualidade como o aspecto maleável do eu e que passa por uma metamorfose. Isso porque a sexualidade já não tem como foco principal a reprodução. O desejo passa a ser “domesticado“ na medida em que a auto-identidade é assumida. O desejo se expande, passa então a ser meio de socialização.

Assim constituída, a sexualidade sai de cena, seqüestrada tanto em um sentido físico quanto em um sentido social. Ela é agora um meio de criarem-se ligações com os outros tendo como base a intimidade, não mais se apoiando em uma ordem de parentesco imutável, mantida através das gerações. A paixão é secularizada, extraída do amour passion e reorganizada como a idéia do amor romântico; é privatizada e redefinida (GIDDENS, 1993, p.193).

Esse “sequestro” da sexualidade (GIDDENS, 1993) também tem reflexo dentro do universo dos quadrinhos. Personagens como o gato Fritz (1965, de Robert Crumb) e o trio de amigos hippies em Fabulous Furry Freak Brothers (1968, Gilbert Shelton), são personagens precursores dos

cartoons underground . Nesse momento, as histórias em quadrinhos são

plataforma de abordagem sobre sexualidade, drogas e minorias, temas antes ignorados. O movimento da contracultura dos anos 60 é o berço dos quadrinhos underground. Trata-se de um momento de ebulição, pois

questiona os valores vigentes até então no Ocidente; é o período de ascensão do movimento hippie; de críticas à Guerra do Vietnã (1959-1975) e ao imperialismo dos EUA. No Brasil, esse movimento também repercute, só que um pouco mais tarde, na década de 80 com quadrinistas como Angeli (Rê Bordosa, 1984), Glauco (Geraldão, 1981) e Laerte (Os Gatos).

Os quadrinhos perderam a ingenuidade e amadureceram com o choque provocado pelos autores underground, ou “marginais”. Nos Estados Unidos, na França, no Brasil, novas linguagens foram adicionadas ao universo fantástico dos quadrinhos. As questões sociais, políticas, sexuais, racistas, as drogas, a religião, a hipocrisia, nada seria mais tabu ou sujeito a qualquer impositivo legal ou código de ética. (MAGALHÃES, 2009, p.10)

O discurso irreverente característico dos quadrinhos

underground faz coro à atenção voltada à sexualidade dentro das sociedades

modernas (LOURO, 2007) (figura 14). A partir dos anos 70 e 80 a sexualidade torna-se de uma questão política de fato, são debates em torno da sexualidade a fim de conhecer a natureza da sociedade, “tal sexo, tal sociedade.” (LOURO, 2007, p.54).

13 Influenciadas pelo movimento de contracultura da década de 60, trata-se de uma explosão de publicações em forma de revistas independentes como forma de contestação ao código de ética criado nos EUA na década de 50 por parte das editoras como uma forma de autocensura. Ver em: MAGALHÃES, 2009, p.1.

  Figura 14 - Geraldão (Laerte)

Fonte: http://www.lpm-editores.com.br

Uma grande bolha: é possível pensar a sexualidade como um universo que se nutre de símbolos. Elegemos estes em detrimento daqueles de modo que são escolhas totalmente arbitrárias. Se os discursos em torno da sexualidade são “elementos táticos” voltados para o “saber sobre o prazer” (FOUCAULT, 1988), é no silêncio que Anderson Lauro estende a sua voz. O silêncio não é um limite do discurso, é um complemento de fala. Anderson Lauro é habitado por silêncios. Denilson Albano dá forma estética a esse silêncio, sustenta a característica evasiva do personagem no momento em que suspende a presença de Anderson Lauro do primeiro para o segundo quadro (figura 15).

        Figura 15: O silêncio nas tiras

Fonte: Denilson Albano

A partir do puritanismo que caracterizou o período vitoriano durante o século XIX, o sexo passou a ser explorado por vários setores da sociedade. Foucault (1988) em seu livro, “A História da Sexualidade I: A vontade de saber” detém-se não à forma pudica ou extravagante em torno de como se fala, e sim à colocação do sexo em discurso. O autor quer saber

quem fala, o lugar de onde se fala, que instituições estimulam esse discurso. Foucault (1988), diz que essa necessidade em falar de sexo não surgiu do nada, são discursos que têm uma elaboração cuidadosa, contida. O que é próprio das sociedades modernas não é o terem condenado o sexo a permanecer na obscuridade, mas sim o terem-se devotado a falar sempre dele, valorizando-o como segredo (FOUCALT, 1988, p.36).

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