1. INTRODUCTION
1.5. A NIMAL - ASSISTED INTERVENTIONS
1.5.2. P REVIOUS FINDINGS
Nas seções 5.3.2.4 e 5.3.3.2, com relação ao cruzamento entre as variáveis Tempo de Estudo Formal e Idade, ao contrário do esperado, as falantes de nível avançado com idades entre 15 e 34 anos, alunas de cursos de inglês, apresentaram-se mais favorecedoras à regra de redução vocálica do que as professoras de curso, com peso relativo de 0,486 para as professoras com idades entre 15 e 34 anos, 0,448 para as professoras com mais de 35 anos, 0,604 para as falantes de nível avançado com idades entre 15 e 34 anos, e 0,311 para as falantes de nível avançado com mais de 35 anos. Nesta subseção, retomamos tal discussão, buscando justificar essa inversão na ordem prevista através da análise dos resultados de cada informante do nível avançado.
A Tabela 23 a seguir apresenta a taxa de aplicação da regra e as percentagens das quatro falantes de nível avançado para as verificações perceptual e acústica.
Tabela 23 - Falantes de nível avançado: análise por informante
De acordo com a Tabela 23, a informante 9 foi a que mais aplicou a regra de redução, tanto na verificação perceptual, com 60,0%, quanto na acústica, com 31,7%. A informante 10, por sua vez, foi a segunda falante de nível avançado que mais aplicou a redução, apresentando 30,0% de aplicação em ambas as verificações. A informante 11 apresentou 26,7% de aplicações da regra na verificação perceptual e apenas 6,7% na verificação acústica. Por fim, a informante 12 apresentou 20,0% na verificação perceptual e 16,7% na acústica.
O Gráfico 31 a seguir apresenta a relação entre as verificações perceptual e acústica para a informante 9, que apresentou a maior percentagem de aplicações da regra em ambas as verificações. Observa-se que a maioria das vogais aproximadas do alvo schwa foram ouvidas
como reduzidas.
Gráfico 31 – Relação entre as verificações acústica e perceptual: informante 9
O Gráfico 32 a seguir apresenta a classificação das vogais produzidas pela informante 9 de acordo com a distância Euclidiana:
VERIFICAÇÃO PERCEPTUAL
VERIFICAÇÃO ACÚSTICA NÍVEL DE
PROFICIÊNCIA IDADE INF.
Aplicação % Apl./Total % 9 26 60,0 19 31,7 15-34 10 18 30,0 18 30,0 11 10 26,7 4 6,7 Avançado 35+ 12 12 20,0 10 16,7
Gráfico 32 - Classificação das vogais conforme a distância Euclidiana: informante 9
Pode-se observar no Gráfico 32 que, além do schwa, a informante 9 produziu um
número considerável de vogais aproximadas à [√] e à [A]. Além disso, apresentou sete
produções aproximadas à [Q], duas à [a] e duas à [U].
A informante 9 destacou-se por ter produzido mais vogais reduzidas do que as quatro falantes de nível avançado e, além disso, mais do que as quatro professoras de curso, tanto na verificação acústica quanto na perceptual. A informante 9 iniciou seus estudos da língua inglesa em curso de idiomas aos treze anos, totalizando cinco anos de estudo da língua. De acordo com sua ficha social, a informante nunca viajou para país falante de inglês, não tem experiência em aulas de pronúncia e não fala nenhuma outra língua estrangeira. Entretanto, segundo ela, mantém tem intenso contato com a língua através de músicas e filmes, além de considerar o estudo da língua inglesa um prazer. Nesse caso, portanto, parece que aspectos como motivação e aptidão para o aprendizado de línguas são determinantes para que o aprendiz aproxime-se da fala nativa, aspecto que será melhor discutido no fim desta subseção. O Gráfico 33 a seguir apresenta a relação entre as verificações perceptual e acústica para a informante 10, que apresentou a segunda maior percentagem de aplicações da regra em ambas as verificações. Assim como no Gráfico 28, para a informante 9, observa-se que a maioria das vogais ouvidas como plenas estão mais afastadas do alvo schwa do que as vogais
Gráfico 33 – Relação entre as verificações acústica e perceptual: informante 10
O Gráfico 34 a seguir apresenta a classificação das vogais produzidas pela informante 10, conforme o cálculo da distância Euclidiana:
Gráfico 34 - Classificação das vogais conforme a distância Euclidiana: informante 10
Além do schwa, observa-se no Gráfico 34 que a informante 10 produziu um número
considerável de vogais aproximadas de [√]. Além disso, produziu sete vogais aproximadas à
[A], duas à [Q], duas à [U] e oito à [a].
Assim como a informante 9, a informante 10 produziu mais vogais reduzidas na verificação acústica do que as quatro professoras de curso, apresentando 30% de aplicação da regra. Do mesmo modo que a informante 9, esta informante não possui experiência em país falante de inglês, nunca teve aulas de pronúncia da língua e não fala nenhuma outra LE. A informante iniciou seus estudos da língua em curso de inglês aos 12 anos, totalizando cinco anos de estudo e, segundo sua ficha social, tem contato com a língua apenas através de leituras e de músicas. Nesse sentido, a informante 10 assemelha-se à informante 9 por ter
apresentado um desempenho melhor do que as quatro professoras de curso que, supostamente, apresentariam mais aplicações da redução vocálica do que as alunas de curso de inglês.
O Gráfico 35 a seguir apresenta a relação entre as verificações perceptual e acústica para a informante 11, falante de nível avançado com mais de 34 anos:
Gráfico 35 – Relação entre as verificações acústica e perceptual: informante 11
Observa-se no Gráfico 35 que a maioria das produções da informante 11 estão afastadas do alvo schwa, e que as poucas vogais ouvidas como reduzidas estão mais
aproximadas do schwa do que as vogais ouvidas como plenas. Das 16 informantes, a
informante 11 foi a que apresentou a percentagem mais baixa de aplicação da regra na verificação acústica (6,7%), e uma das percentagens mais baixas na verificação perceptual (26,7%).
O Gráfico 36 a seguir demonstra as produções da informante 11 classificadas de acordo com a distância Euclidiana:
O Gráfico 36 demonstra que a informante 11 produziu apenas quatro vogais aproximadas de schwa. As produções da informante dividiram-se entre vogais aproximadas à
[√], [A], [ Q] e [U]. Além destas vogais, a informante apresentou uma vogal aproximada à [a].
A informante 11 iniciou seus estudos da língua inglesa aos 28 anos, totalizando sete anos de estudo da língua. Segundo sua ficha social, a informante não possui experiência em país falante de inglês, nunca teve aulas de pronúncia da língua e não pratica a língua fora da sala de aula. Esses fatores, somados ao fato de que a informante iniciou a aprendizagem da língua na idade adulta, podem explicar sua baixa percentagem de aplicação da regra.
Por fim, o Gráfico 37 a seguir apresenta a produção da informante 12, falante de nível avançado, com mais de 34 anos de idade, relacionando as verificações perceptual e acústica:
Gráfico 37 – Relação entre as verificações acústica e perceptual: informante 12
Observa-se no Gráfico 37 que há um número considerável de vogais ouvidas como plenas, sendo que a verificação acústica aponta que a maioria destas estão bastante afastadas do alvo schwa.
O Gráfico 38 demonstra a classificação das produções da informante de acordo com a distância Euclidiana:
Gráfico 38 - Classificação das vogais conforme a distância Euclidiana: informante 12
Conforme o Gráfico 38, a informante 12 apresentou dez produções aproximadas ao
schwa, sendo que a maioria das produções da informante variaram entre [√], [A] e [ Q]. Além
dessas vogais, a informante apresentou cinco produções aproximadas à [U], uma à [ç] e uma à
[E].
A informante 12 iniciou seus estudos da língua na idade adulta, aos 26 anos, o que pode ter contribuído para que não tenha apresentado uma percentagem mais alta de aplicação da regra. Além disso, a informante não tem experiência em país falante de inglês, nunca teve aulas de pronúncia e não fala nenhuma outra LE.
No que diz respeito às falantes de nível avançado, portanto, parece que a idade das informantes foi determinante para a maior percentagem de aplicação da regra de redução vocálica, pois as duas informantes mais jovens foram as que mais aplicaram a regra. Observa- se que o fato de as informantes 9 e 10 terem apresentado alta taxa de aplicação da regra, inclusive aproximando-se da percentagem das docentes universitárias 3 e 4, fez com que as falantes de nível avançado demonstrassem mais favorecimento à redução vocálica do que as professoras de curso, conforme apresentado na subseção 5.4.2.4.
As informantes 9 e 10 destacam-se por não possuírem experiência em país falante de LE, por não terem experiência em aulas de pronúncia, por não falarem nenhuma outra LE e, mesmo assim, apresentarem alta taxa de aplicação da regra. Durante a entrevista social, realizada antes das gravações, ambas as informantes comentaram o desejo de serem professoras de inglês, o que nos leva à conclusão, com base em Gass e Selinker (2008, p.417), que aspectos como motivação e aptidão para a aprendizagem de línguas estrangeiras podem ser determinantes para o desenvolvimento da língua.
De acordo com os autores, a aptidão para a aquisição de línguas estrangeiras refere-se à habilidade, ou facilidade, para aprender uma língua estrangeira. Assim, a aptidão nem sempre foi incluída no estudo da aquisição de LE, principalmente pelo fato de que não é fácil mensurá-la. Entretanto, segundo os autores, esse aspecto tem-se demonstrado um diferencial no que diz respeito ao sucesso na aquisição de línguas estrangeiras.
Além da aptidão, é possível que a motivação seja um fator relevante para o bom desempenho das informantes 9 e 10. Segundo Gass e Selinker (2008, p.426), depois da aptidão, a motivação parece ser o segundo fator mais relevante para o sucesso na aquisição de uma LE.
Conforme realizado com as docentes universitárias e com as professoras de curso, mediu-se a duração das frases produzidas pelas falantes de nível avançado para verificar a relação entre velocidade de fala e produção/percepção de vogais reduzidas, discutida na seção 5.2.
O Gráfico 39 a seguir apresenta a duração das frases produzidas pelas falantes de nível avançado.
0 1 2 3 4 5 6 7 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 Frase D u ra çã o (e m s eg u n d os ) Inf. 9 Inf. 10 Inf. 11 Inf. 12
Pode-se observar no Gráfico 39 que as informantes que produziram as frases com as durações mais baixas foram as informantes 9 e 11, seguidas das produções da informante 10 e, por fim, das produções da informante 12.
As baixas durações das frases produzidas pela informante 9 confirmam a relação entre velocidade de fala e percepção de vogais reduzidas, pois a informante foi a falante de nível avançado que apresentou a maior percentagem de aplicação do schwa na verificação
perceptual (de 60%). Com relação à informante 11, que apresentou durações aproximadas às da informante 9, parece que essa relação não se confirma, pois apenas 26,7% de suas produções foram classificadas schwa na verificação perceptual. As durações das frases
produzidas pelas informantes 10 e 12 também apresentam correlação com a percentagem de vogais perceptualmente classificadas como reduzidas, pois ambas apresentaram durações semelhantes e baixas percentagens de aplicação do schwa na verificação perceptual (30% e
20%, respectivamente).
Assim, no que concerne às falantes de nível avançado, a hipótese de que a velocidade de fala influencia na percepção das vogais como plenas ou reduzidas é parcialmente confirmada, pois essa relação se confirmou nas informantes 9, 10 e 12, mas não na informante 11.