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P RESENTATION AND A NALYSIS OF THE D ATA O BTAINED BY Q UESTIONNAIRE

4.   PRESENTATION AND ANALYSIS OF DATA

4.1   P RESENTATION AND A NALYSIS OF THE D ATA O BTAINED BY Q UESTIONNAIRE

O conceito de blended learning, adiante designado por b-learning não tem uma

definição universal, nem é particularmente científico (Martinho e Jorge, 2012). A

definição de Collis e Moonen (2001) refere a hibridez entre a aprendizagem online e

aprendizagem presencial, em que a componente online se torna uma extensão da aula

presencial.

Posteriormente, Driscoll (2002, citado por Martinho e Jorge, 2012 ) definiu-o

como uma combinação de métodos de ensino - o princípio da miscigenação entre o

ensino presencial e através da Web.

Rovai e Jordan (2004, citados por Martinho & Jorge, idem) referem-se-lhe em

termos de uma combinação das vantagens da modalidade online com a aprendizagem

presencial e reconhecem que a modalidade mista diminui o sentimento de isolamento

dos estudantes, e Garrison e Kanuka (2004, citados por Jorge, 2009) concluem que a

aprendizagem mista é consistente com os valores das instituições de ensino tradicionais,

reconhecendo-lhe potencial para melhorar a eficácia, através de experiências de

aprendizagem significativas.

Bonk (2006, citado por Martinho & Jorge, 2012), o investigador mais citado nas

definições de b-learning, define esta miscigenação, integrando três elementos

definidores: a combinação de modalidades de distribuição, a combinação de ensino

online e presencial e a combinação de métodos de ensino.

Dziuban, Hartman, Juge, Moskal, & Sorg (2006: 197) consideram que o b-

possui potencial transformativo, porque pode mudar a aprendizagem online (…) e introduzir mudanças no modo como os professores ensinam e os

estudantes aprendem, [com a introdução] de novas estratégias e recursos

Os autores supracitados atribuem-lhe ainda potencial para capitalizar as

vantagens das modalidades presencial e online e desenvolver as competências de

comunicação e de informação necessárias aos profissionais do futuro.

Tsai, Shen & Tsai (2011, citados por Martinho & Jorge, 2012), reconhecendo

que a formação e o ensino em regime de b-learning é uma das tendências com maior

desenvolvimento em contextos educacionais, sustentam que a combinação adequada das

modalidades presencial e online, de modelos de ensino, baseada na comunicação entre

todas as partes desenvolve as competências tecnológicas.

2.2.1.1 – B-learning e formação de professores

O b-learning pode ser entendido de uma de duas formas: a) um processo que

tenta reunir o melhor da formação presencial com o melhor da formação a distância

(Lewandowski, 2003), mas também como b) um processo de transição em direção ao e-

learning (Moore, & Gilmartin, 2010).

Num contexto de formação de contínua de professores, a passagem do presencial para modalidades completamente a distância, parece ser, de momento, um “salto”

demasiado ambicioso e com poucas probabilidades de sucesso, já que essa transição

controlo da sua própria aprendizagem, hábitos pouco ou nada enraizados na cultura

profissional docente.

Tendo em consideração ainda que o regime online em contexto de formação

contínua de professores é ainda bastante recente, e que “ainda que os adultos aprendam

(conhecimentos, competências, atitudes e disposições) em situações formais, parece ser

através da aprendizagem autónoma que a aprendizagem do adulto se torna mais significativa” (Marcelo, 1999, p.52), parece-nos ser, por ora, a modalidade com maior

probabilidade de sucesso neste contexto.

O papel da aprendizagem autónoma na aprendizagem a distância, predominante

na investigação na área até aos anos 90 e à introdução da Web no ensino, deu lugar,

após a identificação de Moore (1992 e 1993, citado por Jorge, 2006) dos seus dois

clusters didáticos (estrutura e diálogo) e das três modalidades do diálogo essenciais, ao

enfoque na participação (Bullen, 1998; Gougeon, 2002; Lipponen, Rahikainen, Lallimo & Hakkarainen, 2003; Mazzolini & Maddison, 2003; Sing, & Khine, 2006, citados por

Jorge, 2006), interação (Bakeman & Gottman, 1997; Boxtel, 2000, De Laat, Lally &

Lipponen, 2004; Fahy, Crawford & Ally, 2001; Gunawardena, Lowe & Anderson,

1997; Moore, 1992; Rovai & Barnum, 2003; Stribjo, Martens & Jochems, 2004; Tu,

2001, citados por Jorge, 2006), na colaboração (Hughes, Wickersham, Ryan-Jones & Smith, 2002, citados por Jorge, 2006; Oliveira, Tinoca & Pereira, 2011), na

comunicação (Berge & Myers, 2000; Cox, Carr, & Hall, 2004; Henri, 1991; Lee,

Driscoll & Nelson, 2004; Fini & Molino, 2010,citados por Jorge, 2006 2 2010),

conceitos que dominam na investigação durante os dois decénios seguintes.

Apoiando esta crença, “uma característica essencial do ensino online é a

interação que possibilita um tipo de aprendizagem que se inscreve no paradigma

2001) sendo que (...) o professor é um construtivista que processa informação, toma

decisões, gera conhecimento prático, possui crenças, rotinas, etc., que influenciam a sua atividade profissional.” (Clark, Peterson, Marcelo, cit. por Garcia, 1999, p. 47).

Sendo também o professor um ser social, habituado ao contacto humano,

Garrison e Kanuka (2004) referem que no início da formação das comunidades, o b-

learning, pode ser vantajoso para estabelecer contacto entre os participantes e, desse

modo, facilitar o desenvolvimento da comunidade.

Também Jorge (2006, p. 56) salienta que, “Um dos principais objetivos dos

cursos on-line deve justamente consistir em criar uma comunidade de aprendizagem, em

que estudantes e Professores partilham a responsabilidade de gerarem conhecimento colaborativamente”, acrescentando que. “a experiência da troca de ideias (…), é grata à

maioria dos estudantes” (idem, p.57).

Em suma, sendo a participação um “processo complexo [implicando] aspetos “cognitivos emocionais e relacionais”, (Oliveira, Tinoca & Pereira, 2011), o trabalho de

grupo e a colaboração, estratégias essenciais do modelo construtivista, “os processos

colaborativos são muito dependentes da informação escrita e as interações que ocorrem entre os participantes [pelo que as interações podem influenciar a], “convergência dos

processos cognitivos” (Oliveira, Tinoca & Pereira, 2011), decisivos para o sucesso da

aprendizagem online, em que influência da tutoria tem um papel importante na

condução dessa convergência (Jorge, 2009, 2010, 2011b; 2012a, 2012b).

Estas dimensões foram tidas em conta no projeto desenvolvido e descrito,

designadamente através de das perguntas do questionário influenciadas pelo modelo

CoI (Comunidade de Investigação, em Inglês, Community of Inquiry, Arbaugh,

Cleveland-Innes, Diaz, Garrison, Ice, Richardson & Swan, 2008; Arbaugh, 2011) e

Yuen & Ma, 2008), que inspiraram vários itens do questionário e a análise de conteúdo

dos relatórios dos formandos, designadamente a dimensão relacionada com as perceções

de utilidade.