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6. EKSEMPEL – KUNNSKAPSLEDELSE I EDB

7.3 P RAKTISKE IMPLIKASJONER

A grande procura pelo Curso de Administração torna relevante um olhar, mesmo que de forma generalista, acerca da adequação das Diretrizes Curriculares Nacionais, na perspectiva de seus reflexos no Projeto Pedagógico e, consequentemente, no que se refere a alguns sujeitos que participam do processo de formação dos egressos do curso, como professores/gestores e egressos empreendedores.

A partir da Lei nº 9.394/1996 (LDB), as IES passam a pensar os Projetos Pedagógicos com a necessidade de seguir essa nova Lei. Torna-se, assim, imperioso que o ensino projetado para os cursos de graduação tenha qualidade e atenda às necessidades dos envolvidos, sobretudo dos egressos. Nessa acepção, a Resolução nº 04, de 13 de julho de 2005, é formulada e preceitua sobre a forma, a concepção filosófica, a metodologia e a definição do perfil profissional do administrador, evidenciando o rumo do curso (BRASIL, 2005).

A esse respeito, o MEC Brasil (2005) enfatiza que o Curso de Administração deve pautar seus conteúdos em quatro bases: formação básica, que envolve temáticas associadas às áreas antropológicas, sociológicas, filosóficas, psicológicas, ético-profissionais, comportamentais, assim como estudos relativos ao âmbito econômico, contábil, jurídico e tecnológico; formação profissional, que contempla estudos específicos do Curso, como as teorias das organizações, gestão de pessoas, logística e planejamento estratégico. Além da formação específica, a resolução direciona, também, para os estudos quantitativos e suas tecnologias e os chamados temas transversais, que sugerem uma complementação na formação generalista do egresso, para que ele seja mais crítico e capaz de analisar cenários.

Concebe-se que as DCN direcionam-se para a educação empreendedora, quando estabelecem, por exemplo, as habilidades e competências que devem ser proporcionadas no processo de ensino e aprendizagem dos egressos durante a formação acadêmica. Tais características convergem para as apontadas pelos dois segmentos entrevistados e trabalhados no item 5.1. Vê-se, pois, as Diretrizes Curriculares, em especial a Resolução nº 04/2005, como propulsoras da educação empreendedora, possibilitando oportunidades para que os egressos, efetivamente,

vislumbrem resultados positivos, agregando ao conhecimento empírico acumulado

outros novos adquiridos e construídos no ambiente acadêmico (CARNEIRO, 2010; DOLABELA, 2003).

Ao serem questionados sobre se consideravam as Diretrizes Curriculares do Curso de Administração adequadas para formar um administrador empreendedor, cerca de 50% dos professores sinalizaram que as referidas diretrizes encaminham de forma adequada as universidades para formar um administrador empreendedor. Por outro lado, os 50% restantes discordam dessa adequação. Esse grupo apresenta algumas questões que são desafiadoras e que precisam ser superadas,

tais como o currículo do Curso de Administração que forma mão de obra para um universo que já existe, seja para trabalhar no setor público, seja no setor privado; o Curso de Administração não oferece um ambiente de oportunidades, isto é, de fomento ao empreendedorismo para os alunos, nem por meio da empresa Júnior.

Nas entrevistas, isso se revelou com bastante ênfase:

[...] falta um trabalho feito em conjunto que contribua para o desenvolvimento de ações voltadas para a formação empreendedora [P5]. [...] não basta ter a ideia, é necessário que as Instituições de Ensino Superior tenham o auxílio de incubadoras de empresas, parcerias com instituições ligadas a empreendedores... Isso levaria o aluno a implementar suas ideias, comprovar sua viabilidade e a constatar também que ele não é só administrador, mas administrador empreendedor [P7].

As reflexões supracitadas não demonstram uma posição isolada; para os professores há uma premente necessidade de adaptação do currículo com foco no empreendedorismo. Essa medida requer articulação entre a disciplina Empreendedorismo e outras disciplinas básicas como Projetos, Planejamento Estratégico, Gestão de Custos e Qualidade e Comunicação. Falar em articulação entre disciplinas é também falar em entrosamento de professores e de trabalho em equipe entre os docentes. Os participantes P6, P7 e P10 entendem que, para que essa interação ocorra de forma eficaz, os professores do Curso de Administração deveriam não só ter experiência acadêmica, mas também atuar no mercado de trabalho empresarial.

Quanto aos dados obtidos por meio das entrevistas feitas com os egressos, constatou-se que as Universidades Públicas e Particulares de São Luís do Maranhão têm uma Grade Curricular que não acompanha o dinamismo do mercado. Para 100% dos empreendedores entrevistados, o mercado anda bem mais rápido. Segundo E2,

[...] quem transita em uma instituição pública de ensino sente a carência hoje do currículo do Curso de Administração quanto às novas ferramentas que existem no mercado.

Depreende-se, desse modo, que é inadmissível que as instituições de ensino não tenham um Marketing voltado para a área digital. E continua o mesmo interlocutor:

[...] a logística tem que substituir a velha administração de materiais... [...] Também, hoje não podemos ficar sem trabalhar em sala de aula o Marketing digital.

A Gestão de Pessoas é outra área que deve mudar muito dentro do Curso de Administração, segundo o pensamento dos entrevistados empreendedores:

Observa-se que ainda tem professor montando tabela pra definir cargos e salários. Já não funciona mais assim... hoje você tem remuneração estratégica, resultados, desempenho... São coisas extremamente modernas que, às vezes, não estão concebidas na ementa da disciplina ou nem foi concebida como disciplina [E2].

Acredita-se que existem outros aspectos externos às Instituições de Ensino que têm interferência direta no resultado acadêmico, como questões de ordem política e econômica. Dito isso, formulou-se a seguinte questão aos professores gestores: Você acredita que as pressões econômicas do mercado afetam a autonomia do ensino e da pesquisa universitária, interferindo no plano curricular dos Cursos de Administração?

As respostas a essa questão encontram-se demonstradas no Gráfico 12, do Capítulo 4. O percentual mais relevante foi o de 50%, que representa os que dizem que as Instituições Públicas são afetadas pelas questões econômicas, porque têm seus custos pagos com recursos públicos, por isso deveriam se reinventar (inovar) diariamente; 20% dos participantes entendem que as pressões econômicas afetam todo o processo de formação acadêmica, porque são intrínsecas à vida e às opções da sociedade e das organizações; 20% dizem que, apesar de existirem, são ignoradas e 10% afirmam que não há pressão porque as IES públicas as desconhecem, ou melhor, não olham para o cenário externo para, a partir daí, pautarem suas ações. Estes professores corroboram com aqueles que, simplesmente, afirmam que as pressões são ignoradas.

Asseguram inclusive que, embora as pressões econômicas aconteçam e sejam importantes para o dinamismo do conhecimento cientifico, o Curso de Administração perde, qualitativamente, por não saber o que as empresas querem, por não acompanhar as tendências socioeconômicas e políticas, como o faz, por exemplo, o Curso de Economia. De acordo com P4,

[...] outros cursos discutem mais as tendências e se questiona: pra que lado se está indo? isso é bom ou ruim? qual a atual política desse governo? Mas o pessoal da administração não pesquisa, não discute sobre o que as empresas estão precisando.

[...] as pressões econômicas existem, podem gerar resultados favoráveis, tanto que tem vários países com várias patentes que foram geradas por P&D que foram geradas dentro das organizações....Para gerar resultados favoráveis temos que tornar os números sustentáveis a longo prazo..Veja, tanto é verdade, que até pouco tempo atrás nós não precisávamos ter alunos falando inglês, espanhol ou outros idiomas e hoje temos que ter essa preocupação.

Em relação aos efeitos das questões econômicas nas universidades, observou-se, nas entrevistas, que professores vinculados às instituições privadas consideram que tal efeito em suas instituições é menor pelo fato de terem uma relação estreita com a variável custo, como enfatiza P6:

[...] talvez eu esteja sendo até muito crítico, mas penso que, em busca de diminuir custo, as faculdades sacrificam algumas coisas que, no nosso olhar de professor, vemos como indispensáveis. Em função dessa questão de custo, muitas vezes, são sacrificadas, como, por exemplo, a carga horária de disciplinas, o tempo de visitas técnicas, aspectos estes que são altamente importantes para os alunos e são deixados de lado. [...] Hoje, a margem de lucro é cada vez menor e a concorrência cada vez maior. O próprio cliente cada vez mais exigente. Tudo isso junto onera muito ...[...] tem que levar a empresa em frente e aí mais uma vez eu volto à questão da gestão: ou você é um administrador competente ou você não consegue sobreviver, entende? O próprio Curso de Administração torna-se inviabilizado pelos custos altos.

[...] temos que perceber que essas necessidades não são estáticas, são dinâmicas... O mercado é dinâmico e essa interferência provoca uma constante atualização no plano curricular do curso...O Currículo tem que ser flexível. Flexibilizar para o mercado, ou seja, o Currículo tem que se comunicar com a sociedade.

Na questão referente ao Projeto Pedagógico do Curso de Administração - se favorece e estimula uma formação empreendedora voltada para o mercado de trabalho-, os professores destacaram que este não tem implicação direta na formação empreendedora do administrador, considerando que os alunos querem mesmo é passar em um concurso público ou ser empregados nos parâmetros tradicionais. Entretanto, no entendimento de P3,

[...] é preciso estimular o empreendedorismo junto aos acadêmicos, fazendo-os entender que empreender não é só montar um negócio, mas, por exemplo, melhorar o que já existe.

Os professores ainda acreditam que ajudariam mais nesse processo de formação empreendedora se todos – professores e alunos - se apropriassem do Projeto Pedagógico, se tivessem visão da coletividade e articulassem os conteúdos

das disciplinas. Dessa forma, constatou-se que 40% dos participantes pensam assim, como ficou evidenciado no Gráfico 13.

Cem por cento dos atores, tanto da iniciativa particular quanto da pública, reconhecem que suas instituições têm disciplinas direcionadas para o ensino do empreendedorismo. Entretanto, segundo eles, falta um trabalho conjunto que contribua para o desenvolvimento de ações empreendedoras. Mencionam que as Diretrizes Curriculares podem até direcionar os objetivos, entretanto os resultados dependerão do grau de comprometimento dos professores, isto é, da articulação entre as disciplinas. A respeito desse aspecto, assim se pronunciam alguns gestores:

Para que haja empreendedorismo, tem que haver articulação entre a disciplina de empreendedorismo e outras disciplinas básicas como: Projetos; Planejamento Estratégico, Gestão de Custos; e Qualidade e Comunicação [P2].

[...] falta também, no Curso de Administração, um ambiente de oportunidade para esses alunos. Não basta ter a ideia, precisaria que as IES tivessem auxílio de incubadoras de empresas, o que levaria o aluno a implementar suas ideias e comprovar sua viabilidade, além de levá-lo a entender também, que ele não é só administrador, mas administrador empreendedor [P4].

[...] acho que precisamos avançar muito nesse sentido. É muito importante o Curso de Administração estabelecer parcerias, principalmente com o SEBRAE, para que a gente tenha o aluno empreendedor [P3].

Os interlocutores ressaltam que, além da articulação das disciplinas, é necessário haver políticas de fomento à formação empreendedora por parte das universidades, internamente, através de incubadoras de empresas e, externamente, com ações articuladas a partir das universidades, por meio de parcerias público- -privadas ou do Sistema “S”12 e com o meio empresarial. Alguns professores, ao se manifestarem, destacaram a atenção que deverá ser dada ao Currículo, o qual terá de ser adaptado para que, ao longo do curso, os alunos adquiram gradativamente a cultura do empreendedorismo e consigam ter competência para elaborar um bom Plano de Negócios.

Vale assinalar, nesse contexto, a fala de P6:

A maioria dos alunos não consegue fazer um Plano de Negócios. Se eles não são capazes, então é porque não entenderam o conjunto do curso. Veja

só, o Curso é todo fragmentado, é todo segmentado, porque a gente acredita que o aluno vai juntar na cabeça essas peças do quebra-cabeça e tenha uma ideia geral de administração/gestão. [...] Não me parece que o aluno seja direcionado para ter iniciativa, mas para seguir a boa norma, seguir aquele trilho que já é pré-existente e isso não impediria que o cara aplicasse a boa técnica para si próprio.

A vivência empresarial do docente é uma expectativa do próprio aluno, não apenas no Curso de Administração, mas em quase todas as graduações, sobretudo nas mais técnicas. Parece difícil falar de formação empreendedora quando o ambiente acadêmico se desconecta dos desafios impostos no dia a dia empresarial. Conforme assinala P5:

[...] eu trago a concepção de que o professor que vivencia as turbulências do mercado de trabalho - que é um grande laboratório – e vai trabalhar uma disciplina no Curso de Administração consegue efetivamente levar o ambiente do mercado de trabalho para o ambiente de sala de aula.

Percebe-se que, se a instituição espera que o egresso empreenda e faz constar tal pretensão no Projeto Pedagógico, as condutas tanto dos educadores quanto dos alunos, em sala de aula, deverão estar voltadas também para esse fim. Se isso ficar apenas no discurso, como se manifestou um dos entrevistados, continuará o velho paradigma do emprego público e não ocorrerá nenhuma mudança cultural. A esse respeito declara P2:

[...] aquela história que todo mundo acredita que o bom mesmo é arrumar um bom emprego... Até as famílias ricas de São Luís, que tinham negócios e passaram para seus descendentes (seus filhos) esse negócio acabou porque eles não querem ser donos de negócios. Eles querem é um bom emprego, infelizmente. Isso faz parte de nossa cultura...Não é a cultura de outros países. Mas isso está mudando. Penso que o brasileiro é muito criativo e poderia ser mais empreendedor.

Quanto à relevância ou irrelevância do Projeto Pedagógico para a formação do administrador empreendedor, prevaleceu entre os professores o entendimento de que ele não estimula a formação empreendedora, como se pode acompanhar por meio do Gráfico 13.

Nesse sentido, de acordo com a análise feita, a partir do que foi dito pelos interlocutores, destacam-se vários pontos que, de certo modo, podem facilitar o entendimento da percepção dos entrevistados . Antes, porém, é pertinente assinalar que 20% afirmam que o PP estimula o empreendedorismo em parte; 40% afirmam, diretamente, que não favorece, e os outros 40% declaram, indiretamente, que não favorece, conforme exposto nestes trechos:

[...] o que falta são as atualizações dos ementários e aplicação de ações direcionadas para o empreendedorismo possibilitando ao discente a vivência do seu aprendizado em campo durante o curso.

Não favorece porque os professores e os alunos não se apropriam do Projeto Pedagógico, tanto que às vezes uma mesma Instituição de Ensino tem um Projeto Pedagógico para cada campi...

A maioria dos alunos não quer empreender, quer trabalhar em empresas já estruturadas ou passar em concurso público.

Retorna-se aos pontos que podem ser explicativos para o resultado acima mencionado e que foram explicitados por diferentes interlocutores:

[...] o Projeto Pedagógico não atende às exigências do mercado [P2], [P3], [P4], [P6].

[...] os professores dão aula de forma isolada. Não têm visão de coletividade [P2], [P4].

[...] o grande desafio de uma Universidade não é ter um Projeto Pedagógico bem elaborado, mas levá-lo até ao aluno [P7].

[...] faltam mecanismos de avaliação e, como tudo que não é avaliado não avança nem dá bons resultados, o Projeto Pedagógico também, por si só, não contribui muito para o Curso de Administração acompanhar a evolução da economia e formar profissionais capazes de manter uma empresa no mercado [P1].

[...] quando chegar o prazo de ser alterado deverá ser atualizado, melhorando o enfoque de empreendedorismo. Vai melhorar também, depois que a IES estabelecer parcerias com empresas e com entidades ligadas à indústria, aos lojistas, aos empresários fornecedores, SEBRAE .... Vai melhorar muito [P5].

[...] o Curso de Administração aqui está precisando de uma identidade. Ele não tem liderança local pra chamar o pessoal e liderar no sentido de reunir as energias de todo mundo e perguntar assim: ei turma, vamos ver pra que lado nós vamos caminhar? [P4].

Alguns professores disseram que o Projeto Pedagógico de sua instituição é bem focado, mas hoje não favorece nem estimula, porque não se articula a outras premissas básicas que as instituições precisam ter. O professor destaca: “[...] em

nossa instituição de ensino, não tem uma empresa Júnior, nós não temos estímulo financeiro e nem projetos que gerem esse movimento empreendedor” [P4].

Depreende-se, com base no que dizem os interlocutores, que há uma preocupação das IES em repensar o Projeto Pedagógico em função das demandas econômicas e sociais, na perspectiva de se manterem atualizadas quanto ao perfil dos egressos. Sabe-se que o Projeto Pedagógico, além de ser uma exigência legal,

consoante o art.12 da LDB, segundo Veiga (2000), serve de instrumento material, e nele fica demonstrada a visão que a Instituição tem sobre o ensino e sobre o perfil do profissional que ela está formando. Malgrado a semelhança entre os Projetos Pedagógicos das Instituições de Ensino Superior, a diferença está na forma de sua implementação, porque o grande desafio é levá-lo para a prática, como já foi tão bem colocado pelos entrevistados. Torna-se imperativo destacar que nem todas as IES conseguem a sua efetivação de forma a fomentar o espírito empreendedor no egresso.

Faz-se oportuno sinalizar que os dois segmentos convergem, quando o primeiro grupo - professores gestores - afirma que o Projeto Pedagógico não atende às exigências do mercado, e que, embora bem desenhado, não é implantado nem incorporado, culturalmente, pelos principais atores da comunidade acadêmica. Tal assertiva é constatada nas respostas dos egressos empreendedores que, ao serem questionados sobre o fato de a grade curricular estar em harmonia com as demandas do mundo do trabalho, demonstram um resultado desfavorável, confirmando, portanto, a lacuna existente na efetivação do Projeto Pedagógico.

Dessa forma, percebe-se nas respostas dos entrevistados – compiladas no Gráfico 15 - que 75%, ao falarem sobre a adequação da grade curricular do Curso de Administração ao mercado, consideram que este anda bem mais rápido.

Motta (1983) ajuda-nos a compreender essa problemática, ao destacar dois aspectos que precisam ser trabalhados mais seriamente no Curso de Administração: a análise crítica da realidade e a desarticulação das disciplinas específicas com as demais disciplinas do curso. Ele aduz que a falta de criticidade na leitura da realidade e a desarticulação dos conhecimentos teóricos com a realidade empírica se refletem no âmbito acadêmico, levando o aluno a não desenvolver uma capacidade cognitiva baseada no conhecimento científico, capaz de resolver problemas no dia a dia empresarial. Por outro lado, os professores agravam a situação porque não têm a cultura da interação com outros professores e pesquisadores, transformando-se todos em professores e pesquisadores ilhados, que somente falam ou repassam um conhecimento fragmentado, como declaram os participantes da pesquisa:

[...] a grade é boa mas precisa melhorar na área Contábil–fiscal que é uma das áreas que mata o empresário [E5].

[...] em Gestão de Pessoas eu não posso ter só administração de Recursos Humanos. A própria palavra “Recursos Humanos” como denominação já é esquisita. As pessoas não são recursos [...] O cidadão trabalha comigo, compartilha comigo não pode ser visto por mim como um recurso. Porque se o meu funcionário não tiver compartilhando comigo, como é que eu vou conduzir minha empresa? [E2].

Assim, apesar das aceleradas mudanças ocorridas no mundo do trabalho a partir da década de 1970 e 1980, Motta (1983) entende que houve pouca ênfase na formação dos administradores, em termos de preparação mais eficaz para uma atuação no mercado. O curso estaria se descuidando, provavelmente, do seu principal objetivo: formar o egresso para a superação dos constantes desafios profissionais.

A expectativa contemporânea é de que o administrador necessita ampliar suas habilidades para além de um ou outro setor de atuação, mas que tenha uma visão holística da empresa. Esta deve ser vista por ele como um sistema integrado internamente, com capacidade de acompanhar as tendências econômicas e tecnológicas que compõem o paradigma de gestão do novo século. Há, pois, nessa linha, uma expectativa natural voltada para as Instituições de Ensino Superior, no sentido de que haja um estreitamento da relação dessas instituições com as organizações empresariais para um ensino que, de certo modo, venha atender às atuais demandas do mundo do trabalho.

Diante disso, conforme o Plano Nacional de Graduação - PNG (Brasil, 2000), pensar em formação educacional para os dias atuais, no ensino superior, nos parâmetros para as diretrizes curriculares, indica que se deve pensar, coletivamente, desde o Projeto Pedagógico, flexibilizando e adequando-se às mudanças que estão acontecendo nos mais diversos alcances. O processo educacional deverá focar o ser humano, de forma ampla e integral, para que este tenha capacidade de entender e se sentir parte das iniciativas socioeconômicas, produtivas e culturais, tendo como visão um projeto coletivo e sustentável. E, por fim, o ideal é que a formação acadêmica seja propositiva de uma interdisciplinaridade em que teoria e prática