Embora as origens do processo de industrialização em São Caetano já estivessem se colocando na passagem do século XIX para o XX, é entre os anos de 1930 e 1955 que viria a ocorrer a consolidação deste processo com a enorme concentração de capital nas mãos das grandes empresas do setor industrial, bem como uma explosão e uma mudança qualitativa no processo de loteamento urbano de terra, o qual também já se iniciara em tempos anteriores. A partir do (peculiar) surgimento do trabalhador operário suburbano, tornou-se indispensável a própria produção (capitalista) do espaço de moradia e de vida desse trabalhador. A forma do loteamento encontrou as condições de sua generalização nesse contexto em que se dava a consolidação da grande indústria no subúrbio, impondo-lhe sua nova forma e passando a determinar a própria explosão demográfica subsequente por meio da possibilidade de produção em massa de terrenos para a edificação de habitações operárias. Dissemina-se nesse período, portanto, o negócio da conversão de lotes de terra rural em loteamentos de terra urbana, passando a rentabilidade fundiária agora a ser determinada pelo tempo abstrato da circulação (com os incrementos no sistema de transportes) e pela inversão de capital na terra, realizando a abertura do loteamento e produzindo a própria terra como mercadoria (criando novas unidades de propriedade da terra), agora apresentada na forma de lotes de terrenos para a construção de habitações operárias. Mas também, produzindo novas desigualdades na medida em que os loteamentos passavam a ser feitos sem que fossem acompanhados das devidas obras de infraestrutura, resultando no aparecimento de problemas urbanos e de tensões e arranjos correspondentes no campo da política. Tensões e arranjos que culminariam no aparecimento do próprio Município de São Caetano do Sul.
Essa fase de aceleração da urbanização induzida pela indústria e, consequentemente, a constituição do subúrbio operário de São Caetano e a construção ideológica de sua identidade local, inseriam-se em um contexto criado a partir do momento da História brasileira no qual passaram a ser dar os primeiros fatos anunciando a transição na base da reprodução econômica e, ainda, na hegemonia dos
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grupos de poder que ocupavam o Estado. Os acontecimentos da política no nível nacional revelavam essa descontinuidade histórica de imensa repercussão que na época estava se processando.
A insatisfação com o governo de Artur Bernardes era bastante acentuada. Sinal evidente era a eclosão, em São Paulo, dois anos depois da posse do novo chefe do executivo, ou seja, em 1924, da revolução que teria à frente o general Isidoro Dias Lopes. Onze dias depois do começo da revolução, em 16 de julho, mais de 300 mil pessoas já teriam deixado a cidade de São Paulo, devido à intensificação dos bombardeios entre revoltosos e legalistas (JOVANOVIC, 2000: 15).
Ao abordar a relação entre o cotidiano do trabalhador suburbano e essas descontinuidades históricas, Martins recria as condições de um fato extraordinário no cotidiano dos moradores de São Caetano do Sul: a formação de bases das tropas legalistas na Revolução de 1924 as quais vieram combater os revoltosos que, em São Paulo, rebelavam-se contra as oligarquias as quais desde a proclamação da República haviam se instalado no poder. Esse momento extraordinário rompendo o cotidiano do morador suburbano acabou entrando permanentemente como fantasia na memória coletiva, por exemplo, dos descendentes dos antigos simpatizantes da causa dos militares paulistas, alguns dos quais afirmam que seus antepassados chegaram a encontrar-se com figuras icônicas da Revolução, mesmo que esse evento tenha sido impossível, conclusão que se tira mediante a meticulosa reconstituição dos fatos ocorridos na época (MARTINS, 1992).
Naquele tempo, São Paulo era uma cidade cujo centro começava a expandir-se, as,à ai daà assi ,à Higie polisà e aà u à lo alà dese to,à assi à o oà aà zeaà doà ioà Pinheiros; fazia-se week-end em Santo Amaro e as pessoas banhavam-se no Tietê, pe toàdaàpo teàdasà a dei as à JOVáNOVIC,à :à .àEàpa alela e teà sài o aç esà trazidas pela modernidade no âmbito da produção do espaço urbano em São Paulo, a cidade se recolocava no âmbito cultural e a este revolucionava com a emergência do ode is oàaàpa ti àdaà“e a aàdeàá teàMode aàdeà .à Oàpe íodoà ueàseàeste deà do final do século passado ao final da Segunda Grande Guerra costuma ser denominado de vanguarda e representa o embate fundamental entre os valores est ti osà doà passadoà eà osà desejosà deà e o aç o,à e o st uç o à JOVáNOVIC,à :à
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14). Contudo, é importante ressaltar, esta ruptura estética não chega de imediato ao subúrbio: novidades, excentricidades por muitas décadas ainda não seriam bem-vindas diante do gosto estético conservador das elites em São Caetano do Sul21.
Os anos a partir da década de 1930 continuariam sendo de grande turbulência na História Política do Brasil. O país então estaria passando pelo momento da emergência de Getúlio Vargas ao poder, fato que repercutiu diretamente sobre um longo período que se estendeu até os primeiros anos da chamada Segunda República (tendo como referência para essa periodização a data do suicídio de Vargas). Considerando de modo geral os acontecimentos sociais em âmbito nacional, este período levou simultaneamente a uma política de superação da economia agrário- exportadora e ao impulso estatal ao processo de industrialização nacional, mas também a uma intensa repressão política que caracterizou a ditadura do Estado Novo no Brasil.
O Brasil então passaria finalmente por uma fase de redefinição de suas bases econômicas e sociais, as quais passariam a se fundar cada vez mais sobre um modo de reprodução urbano-industrial ao invés de agrário-exportador. Os anos entre 1930 e 1955 podem ser identificados como o momento em que se estabelece o projeto de diversificação do parque industrial brasileiro, com diferentes setores da indústria começando a atuar de modo integrado no território nacional, portanto, momento em que começa o processo de industrialização propriamente dito da economia brasileira.
Nesse tempo, a Cidade de São Paulo enquanto lugar no qual ocorreu a mais intensa concentração de capital industrial em território nacional, passava pela complexificação de sua estrutura urbana, fundada na generalização do espaço- mercadoria expresso na forma do loteamento urbano. Do ponto de vista empírico, a generalização dessa abstração teve seu desdobramento na produção da morfologia urbana com o aparecimento dos novos subúrbios-estação e, ainda, com a posterior superação da ferrovia pelo novo espaço relativo das rodovias e o consequente aparecimento dos subúrbios-entroncamento (conforme classificação estabelecida por LANGENBUCH, 1968), conhecendo, com isso, um surto demográfico significativo.
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Na obra de Jayme Patrão não aparecia influência modernista em 1950, pelo contrário (ver o mural de Oà Anhanguera em estilo, segundo o próprio autor, barroco). Já os seus quadros mais ao fim da carreira, têm o estilo seguindo o de Cândido Portinari.
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Nesse movimento de urbanização induzida pela indústria a qual enfim passava a se consolidar no Brasil, o subúrbio começava a sediar algumas das maiores fábricas do território nacional, dentre as quais podemos aqui citar, no caso específico da localidade de São Caetano (ao início da década de 1930 ainda um Distrito inserido no Município de São Bernardo), a Cerâmica São Caetano, um dos conjuntos fabris das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo e a General Motors do Brasil, todas elas instaladas entre as décadas de 1910 e 1920, realizando imenso movimento de acúmulo e expansão de seus capitais a partir de então.
Figura n°26 - Fábrica da Cerâmica Privilegiada
Foto sem data da antiga fábrica de Antônio Cajado, fundada em 1916 e que em 1924 passaria a chamar-se Cerâmica São Caetano S.A. Fonte: Raízes, Ano III - n° 4. São Caetano do Sul, janeiro
de 1991.
A fábrica da Cerâmica São Caetano foi, durante décadas, uma das maiores e principais fábricas de São Caetano, tendo estabelecido enorme influência sobre a formação urbana, a vida social e inclusive política da localidade. Ela foi fundada oficialmente com o nome de Cerâmica Privilegiada do Estado de São Paulo em 1913, empresa organizada pelo engenheiro Antônio Cajado. Esta primeira fábrica de Antônio Cajadoàe aà uitoàsi ples,à uaseàu aàola ia ,à aà ualàseàfa i a a àlad ilhosàeàtelhasà (MÉDICI, 1993: 379). Em 1919, a firma foi adquirida por João Telles da Silva Lobo, sendo incorporada à Queiróz e Lobo, dos sócios João Telles da Silva Lobo, Luiz M. de Queiroz e, a partir de 1920, também Joaquim José Pereira Braga, entre outros
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acionistas. Enfim, no ano de 1923, a Companhia Construtora de Santos, do arquiteto santista Roberto Simonsen e do engenheiro Armando de Arruda Pereira, comprou a maior parte da Queiroz, Lobo e Braga Ltda., passando-se esta empresa a partir de então a se chamar Cerâmica São Caetano S/A (MÉDICI, 1993: 378).
As grandes indústrias cerâmicas que passariam a surgir em São Caetano (tais como a Fábrica de Louças Adelina e a Cerâmica do Grupo Matarazzo), de modo geral, produziam telhas, ladrilhos, produtos refratários, louças. A Cerâmica São Caetano S/A, especialmente, tinha alto padrão técnico na fabricação dos seus produtos. Estava localizada ao vale do Rio dos Meninos, ao pé das argilas de que necessitava (embora a empresa não usasse só argila local, trazendo matéria-prima de outros lugares do Brasil), ocupando área de 1.000.000 m² próxima ao local em que futuramente seria aberta a rodovia por meio da qual passaria a se estabelecer uma nova ligação entre São Caetano e a Capital. A Cidade de São Paulo era o grande centro consumidor e redistribuidor de seus produtos (PENTEADO, 1958: 81).
Figura n°27 - Fábrica de Louças Adelina
Representação da grande fábrica de louças que existiu em São Caetano entre as décadas de 1930 e 40, pertencente ao português Manoel de Barros Loureiro. Em 1937 empregava 1.200 trabalhadores e distribuía seus produtos para todo o Brasil. A fábrica ocupava área de 80 mil metros quadrados em lugar onde hoje está construído um dos módulos do terminal rodoviário
de São Caetano do Sul. Fonte: Raízes. Ano VI - n° 12. São Caetano do Sul, janeiro de 1995. A trajetória de vida pública de Roberto Simonsen como empresário, político e intelectual é emblemática para se compreender a transição de uma economia de base agrário-exportadora para outra urbano-industrial no Brasil. Para Roberto Simonsen,
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era necess ioà u à p og a aà deà fo tale i e toà i te si oà deà ossosà e adosà internos para superar a atrasada economia em que nos debatemos, praticamente ai daà e à faseà olo ial à “IMON“ENà apudà GIáNELLO,à :à .à I lusi e,à à ot iaà aà inserção política de Roberto Simonsen (que chegou a ser Senador por São Paulo) e de Armando de Arruda Pereira (o qual liderou uma primeira tentativa de autonomia de São Caetano em 1928 e chegou a ocupar o cargo de prefeito na Cidade de São Paulo). Embora Simonsen tivesse se colocado na oposição no momento de ascensão de Getúlio Vargas no poder, ele posteriormente se aproveitou e foi favorável à política e o i aà doà Estadoà No o.à Noà diaà à deà o e oà deà ,à oà p eside teà daà ‘epú li aàGetúlioàVa gasà isitouàasài stalaç esàdaàCe i aà“ oàCaeta o à GIáNELLOà 1997: 15), tendo inclusive sido asfaltada pela primeira vez uma rua para além do núcleo central em São Caetano por conta desta ocasião.
Figura n°28 - Visita de Getúlio Vargas à Cerâmica São Caetano
Visita de Getúlio Vargas, segundo da direita para a esquerda, para a inauguração da fábrica de refratários da Cerâmica São Caetano, em 26 de novembro de 1941, ocasião por conta da qual
foi asfaltada a atualmente chamada Avenida Senador Roberto Simonsen. Simonsen é o primeiro à direita, na fotografia. Fonte: Raízes, Ano I - n° 2. São Caetano do Sul, dezembro de
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O viés desenvolvimentista do pensamento de Roberto Simonsen reflete evidentemente em sua atuação como empresário, sob cuja administração a Cerâmica em São Caetano implantou um moderno sistema de produção fabril baseado no conhecimento e engenheiros e administradores. A fábrica de Simonsen passou a incorporar crescentemente tecnologia e padrão de organização da produção cada vez mais sofisticados. Segundo a citação de depoimento do chefe de laboratório George Rodolfo Spore, admitido nesta fábrica em 1941, a emp esaà o eçouà aàp o u a àa gilaà de tudo quanto era tipo em todos os locais do Brasil. Nossos geólogos (...) começaram a procurar matérias-primas (...). Conseguimos encontrar uma jazida em Uberaba, que fo e iaàa gilaà o à %àdeàalu í ioà ... ,àaà ualà o tinuava a ser explorada em 1985, época em que se colheu este depoimento (MÉDICI, 1993: 379). A Cerâmica São Caetano também foi a primeira a conseguir fabricar o ladrilho de pequena espessura, produto que até então não se fabricava no Brasil, e cujas características acarretavam à empresa vantagens na economia de matéria-prima e na facilitação do transporte (MÉDICI, 1993: 380).
Ao mesmo tempo, a atividade guardava em parte o caráter artesanal, uma vez que o saber do operário, seu conhecimento específico do ofício continuava sendo parte fundamental do processo produtivo. Conforme a seguinte citação do depoimento de José Diamantino, supervisor de carpintaria, admitido como funcionário aà Ce i aà “ oà Caeta oà e à ,à hojeà te osà t ei a e toà aà f i aà pa aà oà desenvolvimento do nosso trabalhador. Na época não. Na época, colocávamos o e p egadoà o oà aoà ladoà deà u à a tigoà eà p o to à MÉDICI,à :à . Cabe ainda comentar que a política trabalhista de Roberto Simonsen com relação aos funcionários da sua fábrica:
Foi na verdade uma antecipação, sob vários aspectos, das conquistas dos trabalhadores que mais tarde se incorporaram à legislação trabalhista e previdenciária, tais como assistência médica, odontológica e hospitalar, abono de Natal, aprendizagem profissional, ensino primário, recreação, esportes, assistência pré-natal, alfabetização, habilitação, serviços sociais, refeitório, etc. (GIANELLO 1997: 15).
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Lembramos ainda que, até o momento aqui analisado, qualquer tipo de auxílio contra momentos de doença ou morte na vida do trabalhador, bem como sua capacidade de proporcionar aos filhos o acesso à educação básica, estava condicionado à capacidade (financeira, ou até mesmo étnica) de ingressar como membro das sociedades de mútuo socorro até então existentes. Contudo, para Roberto “i o se ,à aà efi i iaà deà u aà f i aà da -se-ia pela administração das funções que incluiriam os fatores tempo, custo, execução e pagamento justo pelo trabalho desenvolvido à SIMONSEN apud GIANELLO 1997: 16). Sua postura intelectual de um capitalista que acreditava na interferência estatal para promover o impulso modernizador de que o Brasil então necessitava é determinante para compreendermos sua atuação como empresário, por meio da qual Simonsen buscava amenizar a luta de classes, ou seja, promover uma conciliação entre capital e trabalho e, ao mesmo tempo, estabelecer as bases necessárias para o impulso industrial brasileiro:
Ele fazia questão de ressaltar a defesa e a cooperação voluntária e consciente entre patrões e empregados, auxiliares superiores e humildes operários. Segundo a filosofia do senador, operários e patrões deveriam compartilhar de um mesmo ideal, praticando a ajuda mútua, sem lutar uns contra os outros. Outra bandeira era a defesa dos princípios de organização científica do trabalho, e uma concepção de Estado inspirada no modelo norte-americano (GIANELLO 1997: 16).
Havia, inclusive, uma escola primária aberta em 1923 pela Cerâmica São Caeta o,ài staladaàe àu àsal oàde t oàdaàf i a.à áàatuaç oàdeà‘o e toà“i o se à extrapolava os limites da Cerâmica São Caetano. A escola, fundada dentro das dependências da Cerâmica São Caetano, era um modelo educacional para todas as i dúst iasàdaà po a à GIáNELLOà :à .àEstaàes olaàe à“ oàCaeta oà foiàoàe i oà dos projetos que Simonsen encetaria no futuro, preocupado com as deficiências da mão-de-o aà t i oà p ofissio alà oà B asil .à “i o se à p eo upa a-se para que a instrução se estendesse para as largas massas da população. (...) Daí a fundação do Senai (Serviço Nacional de Ap e dizage àI dust ial , para a qual sua atuação como representante dos interesses de classe dos empresários industriais foi decisiva (GIANELLO 1997: 17-18).
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Outro empresário cuja atuação foi extremamente significativa para compreendermos a passagem da economia primário-exportadora para a moderna é Francisco Matarazzo. O conjunto de fábricas das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo em São Caetano formava um grande complexo, localizado em área atualmente denominada Bairro Fundação de São Caetano do Sul. As Indústrias Matarazzo começam a ser implantadas em São Caetano a partir de 1918, quando o Conde Francisco Matarazzo comprou a Companhia Fábricas Pamplona, a qual deixa de figurar no livro de recolhimentos do Município de São Bernardo em 1917. Em 1919, a Matarazzo já tinha, nesses galpões, fábricas de sabão e velas, óleos e vidros, pregos, serraria e lubrificantes, embora posteriormente a fábrica de sabão e velas da Matarazzo tenha sido transferida para a Água Branca, junto a outras indústrias do grupo Matarazzo. A Fábrica de rayon começou a funcionar nos anos 1920, posteriormente sendo também implantadas as fábricas de papel e papelão, a de celulose e a Cerâmica Matarazzo (fundada em 1935 com o nome de Louças Cláudia). A unidade química começa a funcionar em 1936 com a fábrica de ácidos. Passa-se a fabricar sulfato de alumínio a partir de 1939, soda cáustica e hexacloro em 1948, acetileno em 1954, carbureto e cálcio em 1955 e ácido sulfúrico em 1961 (MÉDICI, 1993: 176-177).
Chegou até a haver uma refinaria de petróleo, a IME, no interior do complexo das Indústrias Matarazzo em São Caetano, montada em 1934. Sua criação foi resultado deà u aà políti aà deà e ti alizaç oà dosà e p ee di e tos ,à te doà o oà o jeti oà li e a à asà e p esasà doà G upoà Mata azzoà daà depe d cia dos distribuidores de o ustí eis à KENDE,à :à .à áà políti aà deà e ti alizaç o,à hojeà o de adaà e à favor da alta especialização e da técnica do just-in-time, além de outros métodos de economia de capital, era uma necessidade concreta. Quase todos os e p ee di e tosàdosàa osà àeà àaàp ati a a à KENDE,à :à .àáà efi a iaàdaà IME não se expandiu, segundo a análise de KENDE (2002), por conta da pressão exercida pelas leis que cercearam o setor petrolífero privado por ocasião da estatização deste setor no Brasil.
Assim como a Cerâmica São Caetano, o grupo empresarial de Francisco Matarazzo, parte do qual sediado em São Caetano, empregava imenso contingente de trabalhadores, tendo essas fábricas inclusive exercido importante influência sobre a
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constituição urbana dos bairros em que se inseriam. Também no caso das Indústrias Matarazzo foram estabelecidas relações de trabalho que, paralelamente ao assalariamento, visavam cooptar o trabalhador a partir de uma situação de dependência com relação à fábrica. O Grupo Matarazzo se propunha a assegurar determinados suportes básicos à vida do trabalhador, tais como a assistência médica e a habitação na Vila Operária contígua às fábricas, embora tais benefícios simultaneamente operassem como meio de estabelecer vigilância sobre a vida individual do operário, assim como não deixavam de constituir ramos empresariais do próprio Grupo Matarazzo. Portanto, essa empresa não restringiu sua lógica de acumulação apenas no investimento de capital produtivo na indústria, inclusive atuando no ramo financeiro e tendo como clientela seus próprios empregados, como se pode inferir a partir da citação a seguir:
Figura n°29 - Indústrias Matarazzo
Vista parcial das Indústrias Matarazzo na década de 1950. Fonte: Raízes. Ano XIII - n° 25. São Caetano do Sul, julho de 2002.
Havia um restaurante, junto à Fábrica de Rayon, com condições de fornecer 9 mil refeições diárias, a preço subsidiado, para todos os empregados do que era então chamado Grupo São Caetano. Assistência médica local, com quatro médicos presentes constantemente, além de convênio médico, extensivo às famílias, no Hospital Matarazzo, em São Paulo (...). Os salários
163 eram pagos no Banco Matarazzo, onde os saldos das contas ficavam aplicados e terminavam por resultar em ganho extra (...) (KENDE, 2002: 21).
Dentre as grandes empresas instaladas em São Caetano a partir do segundo quartel do século XX resta ainda mencionar o caso da General Motors do Brasil. A General Motors Company norte americana foi uma indústria que, logo no início do século XX, cresceu com base na aplicação dos princípios para fabricação de automóveis em série e por meio da aquisição de outras empresas de fabricação de automóveis, passando a crescentemente concentrar capital nesse setor industrial. No curso desse crescimento, a empresa começou sua política de fabricação de automóveis em outros países. Em 1923, a GM passou a realizar a instalação de fábricas de montagem em 15 países do mundo. Na Inglaterra, a GM adquiriu a Vaux-hall; na Alemanha, a Opel e dois anos depois, em 1925, alugou um barracão no Ipiranga, em São Paulo, na avenida P eside teà Wilso .à ... à j à e à ,à aà Ge e alà Moto sà doà B asilà o e ializa aà