3. EMPIRI
3.5 P OLITIKKUTFORMINGSFASEN - UTFORMING AV STORTINGSMELDING
Custos, ocupação e mercado de trabalho
Esta categoria sumariza os custos que os alunos tinham durante o período em que estiveram frequentes às aulas. Também se adicionou a esta categoria se o estudante estava empregado durante este período e como é a visão sobre o mercado de trabalho atual.
Retorno ao curso e
estratégias para
combater a evasão
Esta categoria revela o desejo ou não de retornar ao curso, caso fosse possível; bem como as contribuições dos alunos para se entender mais o problema estudado.
Motivações e razões para fazer o curso técnico
Nesta categoria os participantes relatam as motivações que os levaram a se matricular no curso técnico, como: exigência do mercado de trabalho, afinidade com a área, por ser gratuito, busca por qualificação e outros. Dinâmica e apoio
familiar
Nesta categoria é descrito como era o apoio familiar durante o período em que se frequentava o curso técnico.
Cada categoria será analisada a seguir, de acordo com os temas que a formaram, sua relação e frequência encontrada.
6.2.1 Categoria 1 - Causas do abandono escolar e dificuldades para fazer o curso técnico
A categoria registra as causas e as dificuldades enfrentadas pelos alunos durante o período em que frequentaram as aulas, bem como os desdobramentos que culminaram na evasão. Na concepção dos alunos, observou-se uma diversidade de fatores extraescolares, como a condição econômica da família, a necessidade de
trabalhar e problemas de saúde, além de fatores intraescolares, como a dificuldade imposta pela escola na transferência para outro turno, o turno ofertado para o curso e a execução de avaliações escolares.
Trata-se da categoria de maior representatividade na pesquisa, perfazendo 27,4% das unidades de registro.
Dentre as unidades de registro mais observadas nesta categoria, chamou a atenção a alta frequência das dificuldades no processo de avaliação, onde duas alunas relataram situações envolvendo o resultado de avaliações e o posicionamento institucional mediante este fato.
O quantitativo de declarações e os subsequentes registros, vindos destas duas participantes, foram tão expressivos que deixou esta unidade de registro na primeira posição dentro desta categoria. Ressalta-se que, em nenhuma das outras entrevistas, houve observação deste fator. A seguir, são colocadas algumas destas citações:
“E eu fui pro Mato-Grosso com ela. Depois desses 10 dias eu retornei, cheguei aqui, fui entregar o atestado e ela falou que tinha passado do prazo, que não ia receber o atestado. Aí eu peguei e falei pra ela: <coordenadora>, eu cheguei de viagem ontem. Aí falei, expliquei a situação. Aí falei pra ela: Ó, você me dá uns dois dias, uma semana.. final de semana que vem eu faço uma prova da matéria.. porque ela achou que eu não teria condições de ser aprovada por conta das faltas. Aí ela falou: Ó, já que as faltas são por hora/aula, então... Aí eu falei: Não, você só me dá uns dias pra mim entender o conteúdo, pra mim estudar, aí eu faço a prova. Aí ela falou: Seu dia é amanhã. 8h da manhã pra você tá aqui pra fazer a prova. Eu tinha chegado de viagem, eu fui pra casa... Aí eu fui pra casa, peguei o... a matéria.. Ela me passou uma folha com o que seria o conteúdo. Aí a professora me chamou aqui e me deu dentro do conteúdo que ela deu, outra coisa. E a prova... aí eu estudei o que a professora me deu, porque ela falou: A <coordenadora> me falou pra eu te dar isso aqui, só que eu vou colocar isso aqui, isso aqui e isso aqui pra você. Aí eu falei: Então tá bom. Aí eu estudei o que a professora me passou. Quando eu recebi a prova, era totalmente diferente. Era o que a <coordenadora> tinha passado. Aí era o que a <coordenadora> tinha falado. Aí eu fiz a prova sem saber de nada[...] Aí eu reprovei em Biomecânica. Eu não abandonei, eu fui abandonada. Eu fui forçada a sair. Eu fui mandada embora." (Participante 3)
“Bom, dificuldade eu não tive nenhuma. Tanto nas “matéria”, eu conseguia assimilar bem as ‘matéria” [...] eu não tive dificuldades. Eu tenho internet em casa, eu estudava em casa também e tentava pesquisar, e pegava livro, então eu não tive dificuldade. O problema foi só com um desentendimento com um professor, né?” (Participante 6)
“[...] No dia da prova, era uma provazinha que a gente tava fazendo e a gente estudou, era sobre elétrons e ela tinha dado aquela matéria naquela semana e naquela semana ia ser a prova...ela falou assim, ó, deu a matéria, terminou hoje e amanhã é a prova, mas quem já tava estudando, tava mais ou menos por dentro, né? Estudei em casa e tudo mais, e fui fazer a prova. Me esforcei, suei, achei que não ia conseguir porque é sobre elétron e tem coisa que não entra na cabeça da gente, você até entende, mas na hora de você fazer no papel é diferente. Aí eu consegui fazer parte da prova e na hora que ela pegou a prova e corrigiu e algumas pessoas ficou em EVC...ou melhor, acho que foi duas ou três pessoas que ficou em EVC e eu estava entre essas[...]."(Participante 6)
"[...] Aí eu falei: professora, eu tô de EVC, mas eu gostaria que você me explicasse porque eu fiquei de EVC, porque a fulana ali ela acertou quarenta por cento da prova e não ficou... e eu não entendi porque eu acertei setenta por cento da prova e comparei com as menina tudinho e eu tô em EVC... aí do mesmo jeito que ela tava ela continuou, aí ela continuou lá na internet, ficou lá e eu tô acostumada a lidar com todo tipo de pessoa, nunca ninguém tinha feito isso comigo...aí eu fiquei arrasada, né, saí da mesa e fiquei nervosa [...]” (Participante 6)
As participantes entrevistadas abandonaram os cursos após uma experiência ruim com uma avaliação realizada. Villas Boas (2006) salienta que na educação escolar brasileira ainda se observam fortes traços de seleção e exclusão nas avaliações realizadas.16 Conforme discorre Paula (2009), não se pode restringir a um único fator a responsabilidade sobre a evasão e o fracasso escolar. As avaliações de desempenho executadas pelos professores fazem parte dos fatores intraescolares que influenciam a evasão, mas há outros fatores a se considerar, tais como: más condições de vida, condições econômicas, motivação e compromisso do aluno, dentre outros.
Machado (2009) salienta que a sala de aula representa o local de grandes embates entre professores e alunos e, caso isto seja constatado pelo aluno ou pelo professor, pode chegar ao desrespeito ao professor e à rejeição à escola, com o respectivo abandono.
Ainda sobre a categoria, observou-se que a dificuldade em conciliar o trabalho com os estudos foi citada e pontuada por 80% dos pesquisados nesta etapa. As ocupações relatadas pelos entrevistados variaram de empregos com carteira assinada, contratos de trabalho em Administração Regional a empregos informais – como coleta seletiva de lixo, conforme pode ser constatado a seguir:
16 Não foi objetivo desta pesquisa envolver o corpo docente e gestor dos cursos em questão, tornando-se prejudicada a emissão de um parecer sem verificar a opinião dos envolvidos na situação.
“O que pegou mais isso aí, foi esta questão do trabalho." (Participante 2) "[...] Não teve mais como eu prosseguir. Logo eu fui nomeada pra começar a trabalhar também, aí acumulou serviço [...]" (Participante 4)
"[...] O curso era no período da manhã e o emprego que eu arrumei foi em tempo integral, então não havia como conciliar e na hora do... que você ta desempregado, o dinheiro fala mais alto. Com certeza." (Participante 8) "[...] Tinha pelo motivo que eu te falei, que a pessoa desempregada ela não tem como tá..., a prioridade da pessoa desempregada é o emprego." (Participante 8)
“Então, eu entrei lá em fevereiro, se eu não me engano. Quando foi no dia 27 de maio, eu comecei a trabalhar no mesmo horário do curso. Aí eu tinha que escolher ou o curso ou o trabalho." (Participante 5)
Costa Júnior (2010), ao analisar o mesmo programa de gratuidade no Senac de Sete Lagoas - MG, verificou que 45,3% dos casos de evasão naquela instituição foram decorrentes da dificuldade em se conciliar trabalho e estudo, corroborando os dados obtidos nesta pesquisa.
Também Dore e Luscher (2011), ao relatarem a experiência do Programa de Educação Profissional (PEP) da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, observaram que 35,5% dos casos de evasão foram relacionados à variável “abandono do curso por motivo de emprego/trabalho”. Segundo as autoras, este motivo para abandono encontra respaldo em outras pesquisas nacionais feitas em outros níveis educacionais, como também em pesquisas internacionais específicas sobe evasão em cursos técnicos.
Numa posição intermediária nesta categoria, observaram-se as questões envolvendo problemas de saúde com a família, o que forçou os alunos a abandonarem os estudos para se dedicarem, exclusivamente, a estas pessoas. As declarações que retratam esta situações são identificadas abaixo:
“Minha filha. Na verdade não foi um abandono. Minha filha adoeceu, aí não tinha quem ficasse com ela, porque quem olhava meus dois filhos era minha vó. Aí minha vó pegou e falou que não tinha... minha avó tem 73 anos e falou que não tinha condições de ficar com a minha filha doente." (Participante 3)
“Tipo assim, recentemente eu tive uma bebezinha...eu tive que parar o curso porque como ela tava com um probleminha de saúde, então requeria muito meu tempo. Ir em hospital, em médico, procurar médico, então assim, é... eu deixava com minha mãe, mas era o tempo todo a cabeça lá e na minha bebê, não teve mais como eu prosseguir." (Participante 4)
“Bem assim, eu não abandonei por completo, eu primeiro a minha filha deu dengue, aí eu peguei um atestado e trouxe. Daí a matéria que eu tava fazendo e a matéria que entrou eu fui reprovada por falta, porque o atestado não abonava, né." (Participante 10)
Observou-se que, nos três casos, houve necessidade de cuidados aos filhos que se encontravam doentes, o que obrigou as alunas a faltarem, comprometendo, consequentemente, suas avaliações. Houve, também, excesso de faltas, que leva à reprovação se for acima de 25% do componente curricular. Porém, deve ser observado que em todos os casos há uma associação de motivos, tais como dificuldades de aprendizagem, conflito com o professor e dificuldade na comunicação entre a escola e o aluno; não se apresentando um fator específico como gerador do abandono.
Ressalta-se o papel importante das estudantes mães que, nestes casos, tiveram que acompanhar seus filhos doentes e, consequentemente, ficaram prejudicadas no andamento escolar. Costa Júnior (2010) relacionou os problemas envolvendo a saúde pessoal ou familiar como fator motivador para o abandono de cursos técnicos.
Outra unidade de registro apontada foi a impossibilidade de transferência para outro turno. Observou-se que os três alunos que relataram esta dificuldade tentaram mudar de turno por terem conseguido empregar-se, mas não obtiveram sucesso na solicitação. Portanto, esta unidade de registro está parcialmente vinculada à dificuldade em conciliar trabalho e emprego. As declarações, conforme abaixo, exemplificam em alguns momentos, um quadro de dificuldades imposto pela instituição, na visão dos alunos:
"[...] Só que eu vi uma certa intransigência pelo pessoal do Senac, eu queria mudar para uma turma do final de semana, eles alegaram que não tinha como e não dava para ficar sem trabalhar, porque eu sou casado, tenho um filho [...]" (Participante 2)
"Porque, sim , na época que eu vim até, fiz, eu vim tentar mudar o turno, para... se tivesse disponibilidade para final de semana e não tinha jeito, aí foi o que me motivou, tenho três filhos né, e a responsabilidade é muito grande [...]" (Participante 1)
"Ainda fui lá na secretaria, conversei se eu poderia... havia a possibilidade de eu trancar, ou tipo de eu trocar de horário, se eu fosse pra manhã pra mim ia ser perfeito, porque era do lado. Trabalhava ali no Venâncio 2000, então era pertinho. Só que... eles falaram que não tinha como..., enfim, não deu essa possibilidade." (Participante 5)
A compreensão dos motivos que levaram o aluno à evasão deve partir de um modelo multinível, conforme referendado por Marchesi e Pérez (2004). Eles buscam associar os fatores vinculados aos alunos, os fatores oriundos da escola e os fatores sociais e culturais. A complexidade das causas do abandono escolar não pode ser reduzida. Portanto, torna-se relevante registrar que a metodologia aplicada está considerando, exclusivamente, as declarações e concepções dos alunos, devendo- se ter o cuidado na emissão de qualquer parecer mais conclusivo sobre as motivações enumeradas nesta categoria.