II. POLITICAL ECONOMY
2. P OLITICAL E CONOMY C ONTEXT
A Psicossomática é uma área que transita entre a Medicina e Psicologia, através da qual se estuda as relações mente-corpo, bem como a influência dos fatores psíquicos nos distúrbios físicos. Segundo Ramos (2006.p47) o termo psicossomática:
(...) deriva do reconhecimento de uma interdependência fundamental entre mente e corpo em todos os estágios de doença e saúde. Seria um reducionismo considerar que há doenças de causas puramente psicológicas ou puramente orgânicas. Há sempre um pluralismo na
observação de qualquer fenômeno. Existe uma tendência a considerar todas as doenças como psicossomáticas, na medida em que elas envolvem a inter-relação contínua entre corpo e mente na sua origem, em seu desenvolvimento e sua cura (RAMOS, 2006:47).
A Psicossomática desenvolveu-se a partir dos estudos de vários autores com diferentes modos de pensar como: Heiroth (1808), Deustsch (1922), Dunbar (1935), Alexander e French (1938), Lipowiski (1984), Marty (1990), influenciados pelas teorias e pesquisas de Jung, Freud, Pavlov, Kohlere, Selye entre outros.
Segundo Mello Filho (1992) a psicossomática se desenvolveu em três fases: inicial ou psicanalítica, com predomínio dos estudos sobre a gênese das enfermidades, sobre as teorias da regressão e sobre os benefícios secundários do adoecer, entre outros; a intermediária ou behaviorista, caracterizada pelo estímulo ás pesquisas em homens e animais, tentando enquadrar os achados à luz das ciências exatas e dando um grande estímulo aos estudos sobre estresse; e a fase atual ou multidisciplinar, em que vem emergindo a importância social e da visão da psicossomática como uma atividade essencial de interação, de interconexão entre vários profissionais de saúde.
Esses profissionais da saúde (Medicina/Psicologia) recorrem à psicossomática para entender a origem de determinadas doenças, as quais não estão incluídas as hereditárias, genéticas e as causadas por fatores do meio ambiente, mas os danos podem ser aumentados e até originados em decorrência da tensão psíquica, onde o estado emocional freqüentemente pode determinar o curso da doença.
Atualmente temos a integração do termo holístico no conceito de psicossomática, o qual já foi usado muito nas culturas tradicionais antigas, mente- corpo como uma unidade significativa (Ramos, 2006). Mas ainda temos um problema muito freqüente na área da saúde, onde se busca entender apenas a doença e não a pessoa como um todo, desprezando completamente o ser humano em sua totalidade. Partindo desse pressuposto temos a seguinte definição abaixo:
Psicossomática é um termo que se refere à inseparabilidade e interdependência dos aspectos psicológicos e biológicos da humanidade. Essa conotação pode ser chamada de holística, na medida em que ela implica uma visão do ser humano como uma totalidade, um complexo mente-corpo imerso num ambiente social (LIPOWISKI, 1984:167)
Dentro desta área chamada de Psicossomática temos a Psico-oncologia, uma área específica voltada para as questões mente e corpo envolvidas na vivência de doença oncologica, bem como seu tratamento, efeitos colaterais e reabilitação.
O inicio formal do Psico-Oncologia se deu em meados de 1970, quando o estigma da palavra "câncer", que antes não podia ser dita, foi diminuindo a tal ponto que o diagnóstico poderia ser revelado e os sentimentos do paciente sobre sua doença poderiam ser explorados pela primeira vez. No entanto, um segundo estigma tem contribuído para o desenvolvimento tardio do interessse nas dimensões psicológicas do câncer: atitudes negativas ligadas a doenças mentais e problemas psicológicos, mesmo no contexto de doença médica (HOLLAND, 2002).
Porém os conceitos que envolvem a Psico-Oncologia já eram debatidos na Antiguidade por Hipócrates que segundo Campos (2010:23) “propunha uma Medicina que visse o homem com uma totalidade onde mente e corpo funcionassem harmonicamente propiciando o bem-estar e a saúde. O rompimento dessa harmonia era o que trazia a doença. Os estados de humor poderiam ser responsabilizados por essa quebra de equilíbtio entre corpo e mente”.
Sobre o tema, Lipowski (1984) aponta que “desde os tempos de Hipócrates os médicos postulavam que as emoções influenciam funções do corpo, e podiam causar doenças. O próprio Hipócrates costumava dizer “medo, culpa, prazer, paixão .... a cada um destes ocorpo responde por sua ação. Exemplos são os suores, as palpitações do coração”. Uma afirmação similar pode ser encontrada em Aristóteles. Por séculos após Hipócrates, as emoções foram vistas são somente como tendo efeito mnas funções do corpo, mas também como fatores patogêncicos. Galeno, sec. II d.C., um dos mais inflentes médicos de toda a história, incluía as paixões
entre as causas de doença somática que citava o sofrimento psíquico, a raiva, a luxúria e o medo como “doenças da alma”, e deveriam ser diagnposticadas. Muito em função da influência deste autor a medicina eurtiopeia anterior ao século XIX devotava muito atenção à causa psicológica eda doença em especial ao papel das emoções como fatores etiológicos em muitas doenças, incluindo doenças contagiosas e as epidemias” (p.153).
A relação entre mente e corpo, emoções e doenças, fatores externos correlacionados ao aparecimento de doenças; são questões que iniciaram na Antiguidade, mas que continuam em discussão até os dias atuais.
Holland (1990) definiu a Psico-Oncologia como uma subespecialidade da Oncologia, que procura estudar as duas dimensões psicológicas presentes no diagnóstico do cãncer: 1) o impacto do câncer no funcionamento emocional do paciente, sua família e profissionais da saúde envolvidos em seu tratamento; 2) o papel das variáveis psicológicas e comportamentais na incidência e na sobrevivência ao cãncer (p.11). Essa definição foi oficializada pela Associação Internacional de Psico-Oncologia.
A versão brasileira da definição da Psico-Oncologia foi formulada por Gimenes (1994) com a fundação da Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia, sendo que essa área “representa a área de interface entre a Psicologia e Oncologia e utiliza o conhecimento educacional, profissional e metodológico proviniente da Psicologia da Saúde para aplicá-lo: 1) na assistência ao paciente oncológico, sua família e profissionais de Saúde envolvidos com a prevenção, tratamento, a reabilitação e a fase terminal da doença; 2) na pesquisa e no estudo de variáveis psicológicas e sociais relevantes para a compreensão da incidência, da recuperação e do tempo de sobrevida após o diagnóstico de câncer; 3) na organização de serviços oncológicos que visem o atendimento integral do paciente. Enfatizando de modo especial a formação e o apriomoramento dos profissionai da saúde envolvidos nas diferentes etapas do tratamento (p.46).
A Psico-Oncologia nasceu dando enfaze aos fatores psicologicos, biológicos e sociais na assistencia ao paciente oncológico, buscando uma compreensão maior dos processos de adoecimento e desenvolvimento da doença, bem como a adaptação do paciente a nova condição de ser doente, e também as implicações na vida familiar, social e profissionais após diagnóstico de câncer (CAMPOS, 2010).
É imprescindível que o paciente receba uma assistência integrada multiprofissional, Holland (2002) lembra a importância das contribuições das enfermeiras e assistentes sociais, que foram das primeiras pessoas a identificar a complexidade das respostas psicológicas ao câncer, seu desenvolvimento e seus sintomas. Especificamente no controle da dor e no provimento de suporte social dos pacientes, essas profissionais tiveram papel importantíssimo no início da Psico- Oncologia.
Outro fator importante que contribuiu para o surgimento dessa especialidade, foi a importância de distúrbiios psiquiátricos como a ansiedade e depressão influenciando do desenvolvimento da doença. De acordo com Holland(2002), o atendimento psiquiátrico a partir dos pedidos de interconsulta vieram contribuir significativamente para o bem-estar do paciente.
A vivência do diagnóstico e tratamento da doença oncológica podem implicar no aparecimento de numerosos e importantes estressores físicos e psicológicos. O impacto do tratamento na qualidade de vida do paciente e de seus familiares é um fenômeno que tem sido estudado desde a antiguidade, como citado anteriormente.
O adoecer é de fato, uma experiência intensa e desorganizadora em nível psicológico, pois ao adoecer, o ser humano se dá conta de sua condição de ser mortal porque é humano (Franco, 2005). Segundo Pessini (2006), o cuidado da dor e do sofrimento é a chave para o resgate da dignidade do ser humano neste contexto crítico, como a morte. A problemática da dor e do sofrimento não é pura e simplesmente uma questão técnica, mas sim de uma das questões éticas contemporâneas de primeira grandeza.
Dessa forma, além da dor física, o paciente e também seus familiares se vêm enredados pela dor psíquica – a dor da perda da saúde. E a dor sentida com mais intensidade, não é a dor que a doença traz, mas a dor de saber-se doente, de perder a condição de sadio segundo O adoecer transforma a pessoa de sujeito de intenções em sujeito de atenção A dor do adoecer em oncologia envolve, portanto, um processo de enlutamento pela perda do eu sadio. Em toda perda importante que acontece na vida, é necessário um processo elaborativo, que também é acompanhado por um processo de enlutamento, ou seja, o luto pela perda da saúde (COELHO, 2001).
Os pacientes oncológicos enfrentam enormes desafios, perdas e adaptações ao cotidiano de doença e tratamento, fato este que geralmente provoca estresse e alterações em todo o espectro da experiência física, emocional e existencial da pessoa bem como de dua família. Entre os problemas mais comuns estão a ansiedade e depressão (Massie, 2004), causados principalmente pela procura de explicações para causa da doença, o isolamento e impotência, além da falta de apoio (Helgeson & Cohen, 1996), convivendo com o peridgo demorte iminente, além das limitações físicas (FAWZY, FAWZY, ARNDT, & PASNAU, 1995).
O estigma de morte em torno do câncer ainda continua mesmo com o avanço nos tratamentos, as questões de saúde mental e morte podem ainda desafiar o pessoa com câncer, inibindo a sua adaptação ou utilização de serviços psicossociais existentes para a melhoria do bem-estar. (HOLLAND, 2004).
Além do luto pela perda da saúde, segundo Chiattone (2002) os estados de ansiedade determinados por temores, dúvidas, fantasias e apreensões frente a vivência da doença e tratamento são freqüentes. Apesar de esperados, devem manter-se controlados para que não evoluam para estados de pânico, caracterizados por perda de controle, confusão, desespero, regressão e súplicas. A ansiedade situacional é freqüente e a maioria dos pacientes mostra-se bastante ansiosa diante da expectativa do diagnóstico ou após o recebimento deste, antes de
submeter-se a condutas terapêuticas (aspiração de medula óssea, administração de quimioterapia ou de radioterapia), diante da expectativa de alta hospitalar, frente a sintomas que possam indicar recidiva da doença, etc. Dificuldades diagnósticas, piora do quadro clínico e necessidade de internação em UTI, sangramentos, intercorrências, vivências traumáticas durante o tratamento quimioterápico ou morte de amigos e companheiros de tratamento, com o mesmo diagnóstico, podem também resultar em quadros de ansiedade.
A mesma autora afirma que os transtornos depressivos em pacientes oncológicos são freqüentes e bem conhecidos, embora se assemelhem, em porcentagem, à incidência de depressão em pacientes com outras doenças orgânicas graves. Esta relação sugere que o determinante primário para o desencadeamento de um quadro depressivo interliga-se ao nível de gravidade da doença e não somente ao seu diagnóstico específico. De qualquer forma, alguns fatores sugerem estar intimamente vinculados ao desencadeamento de depressão: estado físico agravado, dor, história prévia de depressão e intercorrências orgânicas. Os transtornos depressivos definem-se por reações de desesperança, apatia, isolamento, astenia e impotência frente ao diagnóstico, à evolução da doença e ao próprio tratamento. O diagnóstico de depressão aponta a presença de insônia, anorexia, fadiga, perda de peso e transtornos somáticos. Acrescem-se sentimentos de desamparo, diminuição da autoestima e autoconceito, culpa, retraimento social, intensa angústia de morte, redução do nível de energia, dificuldades de concentração, perda do interesse, dificuldade de iniciar atividades e colaborar no tratamento, lentificação do pensamento e movimentos, dificuldades em tomar decisões e crises de choro.
Além de esses estados psicológicos acompanharem o paciente desde o diagnóstico, segundo Carvalho (2002) acredita-se também na possibilidade de contribuições psicológicas no crescimento do câncer. Inúmeros pesquisadores vêm estudando possíveis efeitos dos estados emocionais na modificação hormonal e na alteração do sistema imunológico (BOVBJERG, 1990). A relação entre o estresse e a depressão com o enfraquecimento do sistema imunológico favorecendo o
desenvolvimento de formações tumorais foram amplamente analisadas por Le Shan (1992); Simonton, Simonton e Creighton (1987) entre outros.
Os profissionais da saúde em Psico-Oncologia devem pautar seu trabalho visando minimizar o sofrimento inerente ao processo de doença e hospitalização. Segundo Campos (2010) uma das áreas mais enfatizadas na pesquisa em Psico- Oncologia nos últimos anos é a Qualidade de Vida do paciente, sendo que a interferência da psiquiatria muito colaborou para isso. Na verdade, a qualidade de vida tem sido mais importante do que a sobrevida propriamente dita.
Campos (2010) afirma que a Psico-Oncologia procura dar aos profissionais de saúde em geral, às famílias envolvidas e à comunidade como um todo uma nova visão sobre o câncer, uma possibilidade de compreensão do processo de adoecer, como conseqüência de fatores biopsicossociais, e propõe ainda a possibilidade de uma maior compreensão das respostas psicológicas ao adoecimento, aos tratamentos e, posteriormente, à reabilitação e a à sobrevivência.
Entre os profissionais da saúde, cabe aos psicólogos realizar um trabalho através de atendimento psicológico imediato e eficiente (modelo de ligação, presença constante); buscando promover a humanização e a excelência no atendimento favorecendo a relação equipe de saúde-paciente-família-instituição; atuando de forma integrada (interprofissional) com os demais profissionais de saúde e por fim criando estratégias novas e criativas para alívio de angustia e melhorias na qualidade de vida do paciente, mesmo na hospitalização.
Dentro desta visão holística que desenvolvemos este trabalho, sendo sua proposta trazer os animais de estimação do próprio paciente na internação. O capitulo seguinte trata de algumas pesquisas de ATTA especificamente em Oncologia.