III. NATURAL RESOURCE MANAGEMENT
3. E XTRACTING R ESOURCE W EALTH
Nesse capítulo serão abordados alguns trabalhos sobre ATAA realizados com pacientes oncológicos. A necessidade de assistência em saúde mental no tratamento do câncer é bastante evidente, apoiada e aprovada tanto pelo paciente quanto pelo profissional (BOTTOMLEY, 2002; HOLLAND, 2004). E utilizar animais como facilitador dessa assistência emocional aos pacientes tem sido amplamente utilizada e estudado seus beneficios.
Katcher (1982) afirma que o convívio com animais de estimação ajuda na redução do nível de estresse, sendo também uma forma de terapia complementar. Em relação a esse tema, pesquisas sugerem que os cães são eficazes auxiliares aos pacientes com câncer em estado terminal.
Dr. Creagan (2002) através de sua experiência como médico, oncologista e professor da Clinica Médica Mayo em Atlanta-GA, relata em seu artigo denominado “Animais, Pílulas não: A cura através dos pelos, barbatanas e penas” que não se pode negar que os dono de animais de estimação têm uma ligação muito forte com seus animais, e que mesmo em péssimas condições físicas, os pacientes ficam determinados a chegar em casa e ver seu animal de estimação, o que resulta em uma motivação importante na reabilitação após uma lesão ou doença.
O mesmo autor relata que teve um paciente que estava em fase terminal, mas que estava determinado a morrer em casa, pois queria estar com "Max", o oncologista pensou que o paciente estava falando sobre seu filho, Max, ou Maxine, sua esposa, mas na verdade ele estava falando sobre o seu cão, Max. Dr. Creagan afirma que não se pode mais ignorar o significado e o vínculo que as pessoas têm para com seus animais de estimação, pois criam um equilíbrio entre a mente e corpo das pessoas os têm, e estar com um diagnóstico de câncer e manter o equilíbrio emocional, é uma grande busca de todos, no meio de tanto estresse com tratamentos invasivos, internações e perdas significativas.
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Caprilli e Messeri (2006) examinaram os efeitos da ATAA em crianças com doença terminal em um hospital infantil na Itália. O objetivo da pesquisa era verificar a taxa de infecção antes e depois do contato delas com os animais através ATAA. Para isso, foi necessário certificar-se de que não havia uma alta taxa de infecção dentro do hospital, em função da contra indicação de contato de animais com crianças com sistema imunológico baixo. Cento e trinta e oito participaram do estudo durante um ano e quatro cães foram introduzidas gradualmente para dentro do hospital. Os resultados indicaram que a presença de cães não aumentou incidência de infecções no hospital neste período. Todos os pais concordaram que os cães de terapia foram eficazes na criação de uma experiência positiva anti-stress para os seus filhos. Os autores concluiram que os cães foram eficazes no trabalho com pacientes em fase terminal e que as taxas de infecção podem ser mantidas sob controle com uma ameaça mínima.
Segundo Johnson, Meadows, Haubner, & Sevedge (2008) a vivência do câncer e seu tratamento, permeados pelo estresse associado à morte e o morrer, exigem dos profissionais da saúde o uso de terapias complementares.
Estudos indicam que tanto o indivíduo como animal experienciam um momento de relaxamento e calma durante o encontro entre os dois. Quando há troca de carícia entre homem e animal de estimação e este ultimo consegue deter atenção do outro, evindencia-se a diminuição da pressão arterial e aumento dos níveis de oxitocina no ser humano (MILLER, KENNEDY, DE VOE, HICKEY, NELSON & KOGAN, 2009; WALSH, 2009)
Engleman (2013) estudou os benefícios do uso de ATAA utilizando cães, em pacientes que faziam parte de um ambulatorio de cuidados paliativos. Dezenove pacientes participaram do estudo ao longo de um ano. Concluiu que todos os pacientes ficavam alegres na presença do cão, que também ficavam mais relaxados, sentiam menos desconforto fisico, e que ao terem contato com os cães memórias boas de casa vinham a mente. Dor e emoções negativas também foram reduzidas. Em pelo menos cinco situações, o cão utilizado na atividade, descansou sua cabeça
onde estava localizada a dor do paciente, sendo interpretado pelos mesmos como uma forma do cão confortá-los na dor. Estes resultados sugerem que a ATAA tem: um efeito na redução da dor tanto as físicas como as emocionais, influência na melhora da qualidade de vida do paciente principalmente em função da redução do estresse pessoal, baixo custo com maior eficiencia e diminuição do uso de medicação para a dor.
Turnbach (2014) realizou uma pesquisa com o objetivo de examinar os efeitos da terapia assistida por cães na qualidade de vida de pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Participaram do estudo aproximadamente 200 doentes de câncer em cuidados paliativos, sendo critério de inclusão estar psiquicamente e mentalmente capaz de responder as questões aplicadas. Nesta pesquisa foi utilizado instrumento QUAL-E 2004, com objetivo de medir a qualidade de vida dos pacientes antes e depois da participação na atividade assistida por cães. Após responder o instrumento composto de 18 questões entre 10 a 20 minutos, os sujeitos receberam a visita de um cão terapeuta durante duas horas todo domingo, 3ªf, 5ªf e sábado, durante 03 semanas seguidas. Essas visitas aconteceram em casa, no hospital e em centros de cuidados paliativos. Após a última visita, os participantes, responderam novamente o instrumento QUAL-E 2004, além de 06 questões relacionadas aos cães e o nível de satisfação com a presença dos mesmos. Os resultados mais significantes foram: a sociedade vai se beneficiar por saber que seus entes queridos, enfermos na terminalidade, terão o direito garantido, receberão autorização a ter um companheiro canino a seu lado. Os cães da terapia tem um impacto positivo sobre os pacientes e as pessoas ao redor. Esta última análise, irá aumentar a qualidade de vida de muitos pacientes, diminuindo o seu próprio estresse, o estresse da equipe e dos membros da família.
Nitkin (2014) realizou uma pesquisa com 13 mulheres portadoras de doença oncologicas, com objetivo de examinar o papel dos animais de companhia como potenciais fontes de apoio sócio-emocional na vida dos pacientes e sobreviventes de câncer. Como resultado da pesquisa o autor constatou que todos os participantes foram muito afetados positivamente por seus animais de estimação enquanto eles passaram por câncer. Em apoio das descobertas em oncologia psicossocial, animais
de estimação são considerados e apresentados em quatro de cinco das necessidades psicológicas como estabelecido em Helgeson e Cohen (1996) em uma meta-análise: 1) aumento da auto-estima; 2) restabelecimento do controlo percebido; 3) dar sentido a experiência; e 4) o processamento emocional. A pesquisa oferece novos insights para a teoria e prática clínica. Animais podem ser capazes de intuir e responder às necessidades do seu companheiro humano de formas que não foram exploradas. As pessoas se conectam com seus animais de estimação em níveis espirituais que são de benefício para eles quando estão doentes. Eles são fontes de intimidade, significado e tratamento da dor. Além disso, é evidente que muitas pessoas com câncer confiam em seus animais de estimação o apoio social e emocional necessário para lidar com a doença grave. É também significativo que pacientes com câncer podem necessitar de assistência financeira e /ou prática para as necessidades de cuidados com os animais, a fim de continuar a se beneficiar desse apoio.
Binoto (2014) em sua pesquisa com 272 pacientes portadoras de câncer de mama, atendidas no Hospital Pompéia de Caxias do Sul/RS, teve como objetivo avaliar se o convívio com animais de estimação traria resultados positivos no que se refere à qualidade de vida dos mesmos. Para tal foi aplicado o questionário de qualidade de vida WHOQOL-Bref e pode-se avaliar a qualidade de vida por meio da percepção individual da paciente de acordo com cinco domínios (global, físico, meio ambiente, psicológico e relações sociais). Observou-se que as pacientes que conviviam com animais de estimação (n=162), obtiveram uma melhora estatisticamente significativa (p≤0,05) quanto à avaliação da qualidade de vida nos domínios global (média 15,59; p=0,01), meio ambiente (14,55; p=0,03) e psicológico (15,25; p=0,03) quando comparadas com aquelas que não conviviam com animais de estimação (n=110), que obtiveram os seguintes resultados nos domínios globais (média 14,75; p=0,01), meio ambiente (14,00; p=0,03) e psicológico (14,63; p=0,03).
Os capítulos seguintes tratam do objetivo, método da pesquisa e seus resultados.