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Para o triunfo da ideia republicana destaquemos José Joaquim da Costa Macedo268; António Bernardo Cruz269; Cândido Guerreiro270; Carlos Augusto Lyster

267 O Algarve, n.º 128, 04/09/1910, p. 1 e VIEGAS, Libertário, “Algarve 1908-1927”, Anais do Município

de Faro, n.º XVIII, Faro, 1988, p. 150.

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COSTA MACEDO, José Joaquim da (Faro, 1859 - 6/04/1910), militar, participou na revolução republicana falhada do Porto de 31 de Janeiro de 1891.

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CRUZ, António Bernardo (Faro, 1841 - 2/1913), jornalista e fundador do Districto de Faro. Amigo de João de Deus, tendo propugnado pelo seu método de ensino.

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GUERREIRO, Cândido (Alte, 3/12/1871 – Lisboa, 1953), poeta, político e jornalista. Licenciado em Direito. Ver MARTINS, Isilda Maria Renda, Loulé no Século XX, vol. II, A Primeira República – 1910 a 1926, Colecção Millennium, Câmara Municipal de Loulé, Lisboa, 2004, pp. 86-91.

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Franco271; João da Silva Nobre272; Joaquim Rita da Palma273, Maria Veleda, de seu verdadeiro nome Maria Carolina Frederico Crispim274, Paes Pinto, entre outros.

A base social do republicanismo nesta província, aferida, por exemplo, da leitura dos periódicos da região, não diferia da do resto do país. Era um apoio essencialmente

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LYSTER FRANCO, Carlos Augusto (Lisboa, 5/10/1880 - Faro, 26/03/1959), formado em pintura histórica na Escola de Belas Artes. Professor em diversas escolas de Faro, designadamente na Escola Pedro Nunes, onde exerceu o cargo de Director. Pintor, jornalista e político republicano. Fundou o jornal O Heraldo, o qual teve influência no movimento Orfeu, tendo Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros nele colaborado (O Heraldo, n.º 26, 30/07/1912).

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SILVA NOBRE, João da (S. Brás de Alportel, 20/01/1878 - Faro, 9/12/1968), médico, democrata e benemérito. Professou os ideais republicanos durante toda a sua vida. Presidente da Câmara Municipal de Olhão, Governador Civil, substituto, e Presidente da Junta Geral do Distrito. Durante o Estado Novo foi perseguido e preso (Jornal do Algarve, n.º 1059, 8/07/1977). Participou no MUD, apoiou, em 1949, a candidatura de Norton de Matos e, em 1958, a de Humberto Delgado à Presidência da República. Ambos foram recebidos em sua casa, em Faro (MARREIROS, Glória Maria, Quem Foi Quem? 200 Algarvios do Século XX, Edições Colibri, Lisboa, 2000, pp.365-366).

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PALMA, Joaquim Rita da (S. Bartolomeu de Messines, 22/10/1889 - 4/11/1955), jornalista, advogado e jurista. Fixou-se, em Faro em 1903, tendo lutado contra a Monarquia e, mais tarde, contra o Estado Novo (Teodomiro Neto, “Faro aclamou a República há 80 anos”, Anais do Município de Faro, n.º XX, Faro, 1990, p. 197).

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VELEDA, Maria (Faro, 26/11/1871 - Lisboa, 8/04/1955), escritora, periodista e professora primária, militante no movimento feminista e republicano. Com a morte de seu pai quando tinha 11 anos viu-se na contingência de começar a ganhar a visa, aos 15, ministrando aulas para auxiliar a família. Deu aulas em Faro, Serpa, Ferreira do Alentejo, Bucelas e Odivelas. Em 1905 fixou-se em Lisboa. Foi presidente do Grupo Português de Estudos Feministas (1907), que ministrava cursos nocturnos para mulheres analfabetas no Centro Afonso Costa (COSTA, Fernando Marques da, A Maçonaria Feminina, Editora Vega, Colecção Janus, n.º 16, Série História, Lisboa, s/d, p. 86). O contacto com os meios e os caudilhos republicanos em breve a lançam na luta pelos ideais republicanos, pela queda da monarquia e no combate pela emancipação feminina, pela alteração do estatuto da mulher na casa e no trabalho. Para modificar esta situação torna-se sócia fundadora, em 1908, da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (Os periódicos desta Liga eram A Mulher e a Criança Abril 1909 – Maio 1911), e A Madrugada (31/8/1911 - 1918). Em ambos foi, durante alguns números, uma das responsáveis (www. Aph. Pt/uf/uf_0304.html), cuja direcção foi entregue a Ana de Castro Osório. António José de Almeida impôs o seu afastamento da comissão organizadora por a considerar «demasiadamente vermelha» (ALMEIDA, Hortense, “Maria Veleda”, Anais do Município de Faro, vol. XXV, Faro, 1995, p. 154). Nesta época a Liga publicava A Mulher e a Criança, Abril de 1909-Maio de 1911 (http://www.aph.pt/uf/uf_0304.html). Pelos seus violentos artigos no A Vanguarda foi condenada, em 1909, por abuso de liberdade de imprensa. Quer neste jornal, quer em comício, quer em conferências desenvolveu imensa propaganda em defesa do novo ideário. Para o apoio à criança funda, ainda em 1909, a Obra Maternal. Em 1911 foi eleita para presidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e, surge a revista A Madrugada, 31/08/1911-1918, de que toma a direcção. De 1912 a 1914, esteve ao serviço da Tutória Central da Infância, de Lisboa. Com a proclamação da República aderiu ao Partido Democrático e foi defensora da intervenção de Portugal na Grande Guerra, afirmando, mais tarde que «Perderam-se vidas preciosas mas não se perdeu a honra e Portugal marcou o lugar a que tinha direito na Sociedade das Nações» (ALMEIDA, Hortense, “Maria Veleda”, Anais do Município de Faro, vol. XXV, Faro, 1995, p. 157). Continuará a professar as suas ideias até ao advento da ditadura militar em 1926. Foi companheira do poeta algarvio Cândido Guerreiro (Alte, 3/12/1871 - Lisboa, 11/04/1953 (Teodomiro Neto, “Quem tem medo de Maria Veleda?”, O Algarve, n.º 4086, 9/03/1989). Escreveu: Contos para crianças: Cor de Rosa; Novelas: Casa Assombrada; Teatro: Único Amor e Último Amor. Escreveu ainda A Conquista e Emancipação Feminina, no «Almanaque das Senhoras», Ave Azul («Districto de Faro»). A sua obra está ainda dispersa pelos jornais Tradição (Serpa), Repórter, O Século e em Pátria. Entre Fevereiro e Abril de 1950, publicou as suas memórias no jornal A República. Consultar ainda ESTEVES, João, “Maria Carolina Frederico Crispim”, CASTRO, Zília Osório e ESTEVES, João (Direcção), Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), Coordenação António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone, Livros Horizonte, Lisboa, 2005, pp. 605-514.

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recrutado nas profissões liberais (advogados, professores, médicos, jornalistas), entre os militares, no funcionalismo público, no clero e na pequena burguesia urbana. Também não faltaram comerciantes, proprietários, artesãos e operários275. Muitos elementos destacados das elites económicas e culturais contribuíram para a implantação da rede republica nesta província.

Espelho do republicanismo urbano é a consulta ao livro de inscrições de sócios do Centro Democrático de Tavira, entre 1911 e 1913. Nele podemos encontrar a seguinte estrutura socioprofissional: militares; industriais; comerciantes; proprietários; professores; doutores; procuradores; operários (cordoeiros, funileiros, sapateiros, ferreiros, pedreiros, tipógrafos, alfaiates, carpinteiros, calafates, colchoeiros) e serviços

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Para o triunfo do ideário republicano no Algarve podemos ainda adicionar os nomes de outros propagandistas: GOMES, Manuel Teixeira (Portimão); BASTOS, António José dos Santos (Portimão, 1841-Portimão, 30/7/1897), médico. Este foi preterido para o cargo de médico municipal pelo referido a seguir, que vinha «recomendado pela política dominante» (FRANCO, Mário Lyster, Algarviana. Subsídios ..., pp. 270-272); CABRITA e SILVA, Ernesto Augusto (Alvito, 1856-Portimão, 1928), médico; PINTO, Paes, formado em Teologia pela Universidade de Coimbra. Participou na revolução de 1891, tendo sido detido; VASCONCELOS, José Estêvão Pais de (Olhão, 13/11/1863 – Lisboa, 15/5/1917), médico e político. Presidente da Comissão Municipal Republicana de Lisboa, em 1900. Candidato a deputado por Lisboa nas eleições de 1900 e 1901. No Congresso de Coimbra de 1902 foi eleito membro do Directório Republicano. Deputado, em 1908, pela maioria republicana pelo círculo de Setúbal. Deputado às Constituintes e depois Senador. Ministro do Fomento no governo de João Chagas, a ele se devendo o projecto sobre acidentes de trabalho aprovado na Câmara dos Deputados. Na sessão realizada naquela Câmara, a 16 de Maio de 1917, em sua memória, e na qual tomaria da palavra encomiasticamente vários oradores, afirmaria o deputado Catanho de Meneses, referindo-se àquela lei: « E essa lei é um brado de clamor em favor das classes operárias, em favor do operariado, em favor, consequentemente, dos que sofrem, dos que e dos que constituem, pelo seu trabalho, a maior força da Nação». Foi um dos 20 senadores que se reuniram, com mais 68 deputados, do Partido Democrático, no Palácio da Mitra, em 4 de Maio de 1915, para protestarem contra o encerramento do Parlamento, por Pimenta de Castro. Administrador da Caixa Geral de Depósitos (MARTINS, Rocha, Pimenta de Castro, p. 72; MARQUES, O., Parlamentares e Ministros da 1.ª República (1910-1926), p. 433 e MARREIROS, Glória Maria, Quem Foi Quem? 200 Algarvios do Século XX, p. 483); BENEVIDES, José Caetano de

Amorim (Loulé, 18/11/1866-Lisboa, 1940), advogado, político e jornalista. Membro do Directório do

PRP. Director da Revista de Direito Comercial, de 1894 a 1901 e do jornal republicano A Pátria, em 1899. Autor de trabalhos de índole jurídica e social (FRANCO, Mário Lyster, Algarviana. Subsídios ..., pp. 298-300); BICKER, Joaquim Tomás Júdice ( ? - ? ), político. Implicado na revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891, filiou-se, em 1895, no Partido Socialista, tendo feito parte do respectivo Conselho Central e da Comissão de Propaganda da Federação das Associações de Classes Operárias. Com Ernesto da Silva participou na cisão do Partido Socialista e passou a desempenhar acção de propaganda revolucionária. Implantada a República foi um dos implicados no «Caso do Arsenal da Marinha», tendo sido obrigado a fugir para Espanha. Filiou-se, no regresso, na Federação Republicana Radical, de que foi director. Esteve novamente implicado no movimento revolucionário de 27 de Abril de 1913, tendo o seu nome aparecido indigitado para ministro do fomento. Seria preso quando pretendia fugir para Espanha e depois para o Brasil. Na prisão escreveu Ainda o 27 d‟Abril – Conspirador? Nunca. – Defensor da Republica? Sempre, Distribuição Gratuita, Centro de Publicidade, Editor, Rua Augusta, 240, 1.º, Lisboa, pp. 80 (FRANCO, Mário Lyster, Algarviana. Subsídios ..., p. 311); AZEVEDO, Gonçalo de, natural de Lagos. Comerciante (PROENÇA, Maria Cândida, “O Algarve e a implantação da República”, O Algarve da Antiguidade aos Nossos Dias, Coord. Marques, Maria da Graça, Edições Colibri, Lisboa, 1999, p. 478).

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(barbeiros, empregados de fábrica, empregado de comércio, mestre conserveiros, farmacêutico)276.

Muitos foram os algarvios que se assumiram como ferrenhos anticlericais como Coelho de Carvalho (Faro, 1852 - Arade, 1934); João Bonança (Lagos, 1838 - Lisboa, 1924); Bernardo de Passos277; Boaventura Rodrigues de Passos278; João Capuz; Dr. Francisco Fernandes Lopes; Dr. José António Dentinho e o presidente do Sindicato dos Soldadores de Olhão, António Gonçalves Dias279.

A Maçonaria no Algarve estava relativamente bem implantada. Após o triunfo da revolução republicana as adesões à maçonaria, quer no país, quer no Algarve cresceram. Esta organização tinha agremiações (Lojas e Triângulos), em Monchique, Messines, Paderne, Portimão, Lagos, Lagoa, Silves, Albufeira, Loulé280, Tavira e Vila

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AHMT. Centro Democrático Tavirense. Livro de Inscrição de Sócios (1911-1913).

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PASSOS, Bernardo Rodrigues de (S. Brás de Alportel, 10/10/1876 - 2/06/1930), poeta e jornalista. Secretário da Junta de Paróquia de S. Brás de Alportel. Em Dezembro de 1906, quando Afonso Costa e Alexandre Braga foram expulsos do Parlamento, em um comício realizado no armazém da Patriarcal de Faro afirmou resolutamente que, «se os reis são pastores, os povos é que, attentos aos progressos da evolução social, já não podem considerar-se ovelhas. A monarchia, … ,é um verdadeiro foco de infecção. E os focos de infecção, para bem da saude publica, extinguem-se. Extinga-se tambem esse, pois a ameaça a saude da pátria» (Districto de Faro, n.º 1600, 20/12/1906). Foi empossado administrador do concelho de Faro e, por inerência do cargo, Comissário da Polícia, em 6 de Outubro de 1910 (A Obra Poética de Bernardo de Passos, p. 150). Desempenhou o cargo de chefe da secretaria da Câmara Municipal de Faro. A sua poesia está imbuída de um lirismo de fundo cristão, diríamos mesmo de um cristianismo primitivo («Em lugar de Loyola, adoremos Jesus!» (A Obra Poética de Bernardo de Passos, p. 7), e, onde aqui e ali ressoa uma filosofia de cunho panteísta:

«O homem só será perfeito, quando For do Universo a sint‟se verdadeira: Quando, Absorvido em Deus, com Deus amando,

Amar com ele a natureza inteira!» (A Obra Poética de Bernardo de Passos, p. 114) ou

«(E o Universo é Deus…)

( A Obra Poética de Bernardo de Passos, p. 125).

Também ecoam pelos seus escritos, por vezes violentos a revolta contra a opressão, a miséria, as diferenças sociais, as injustiças, a pobreza e o analfabetismo, mas também a solidariedade social. Insurgiu-se em muitas páginas contra a monarquia e o clericalismo (Ver o seu panfleto “A Reacção no Algarve”, Typographia Democrática, Tavira, 1909 in A Obra Poética de Bernardo de Passos, pp. 319- 327). Como em muitos próceres republicanos a sua poesia evidencia um carácter pedagógico, designadamente quando se dirige às crianças. Foi perseguido pelos seus inimigos políticos.

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PASSOS, Boaventura Rodrigues de (S. Brás de Alportel, 8/1/1885 – S. B. de Alportel, 2/6/19135), escritor, desenhador e caricaturista. Republicano, anticlerical e maçónico (MARREIROS, Glória Maria, Quem Foi Quem? 200 Algarvios do Século XX, Edições Colibri, Lisboa, 2000, pp. 383-384).

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VILLARES, João, Olhão e Abílio Gouveia. O Homem, O Historiador, O Olhanense, Edição Câmara Municipal de Olhão, 1994, pp. 67 e 88.

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Para Loulé ver MARTINS, Isilda Maria Renda, Loulé no Século XX, vol. II, A Primeira República – 1910 a 1926, Colecção Millennium, Câmara Municipal de Loulé, Lisboa, 2004, p. 27.

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Real de Santo António281. Sublinhe-se a expansão desta organização a locais bem enraizados no espaço rural, como eram os casos de Monchique, Messines e Paderne.

Um dos mais destacados maçons algarvios foi Tomás Cabreira (Tavira, 23/01/1865 - Tavira, 04/12/1918). Com o abraçar das suas convicções republicanas iniciar-se-ia na Maçonaria – nome simbólico de Sólon -, em 1893, na «Loja Portugal», em Lisboa.

Também existiam alguns núcleos carbonários. Um dos nomes mais sonantes seria o de António Caetano Celorico Gil282.

Estamos, assim, confrontados com um partido interclassista, recrutando a esmagadora maioria dos seus membros no mundo urbano. Os próprios republicanos reconheciam, porém, que as cidades tinham já sido conquistadas para o novo ideário, mas «outro tanto não sucedeu à maioria das ... terras de província ...»283.

Para além da repercussão de eventos que ocorriam além fronteiras, foram os de âmbito caseiro que favoreceram a ascensão do P. R. P.. O país sofreu o tremendo abalo da crise económica e financeira de 1890/1891 e, na mesma conjuntura, o já referido

Ultimatum. O governo e depois a ditadura de João Franco (10 Maio de 1907 - 1 de

Fevereiro de 1908)284, e as suas arbitrariedades285 - evidenciando a crise do estado liberal monárquico - assim como outros acontecimentos que agitaram a sociedade de então (os adiantamentos à casa real [Novembro de 1906], a questão académica [Fevereiro de 1907], os escândalos financeiros, o regicídio [1 de Fevereiro de 1908], a instabilidade governativa, a pulverização partidária monárquica), contribuíram para a

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MENDONÇA, Artur Ângelo Barracosa, A Organização do Partido Republicano no Algarve: o Caso de Loulé (1881-1910), p. 28; CUNHA, Afonso, “Outubro de 1910. Os são-brasenses descem à cidade”, Anais do Município de Faro, vol. XXVI, p. 15; DIAS, João José Alves, “A República e a Maçonaria (O Recrutamento Maçónico na Eclosão da República Portuguesa”, Nova História. 1.ª República Portuguesa, n.º 2, Dezembro de 1984, pp. 35-37 e VILLARES, João, Olhão e Abílio Gouveia. O Homem, O Historiador, O Olhanense, p. 75.

282

MENDONÇA, Artur Ângelo Barracosa, A Organização do Partido Republicano no Algarve: o Caso de Loulé (1881-1910), Documento Dactilografado, Conferências de Arquivo Municipal de Loulé, Loulé, 2003, p. 26.

283ARRIAGA, M. de, “Mensagem do ex-presidente do actual directório ao oitavo congresso do Partido

Republicano Português”, Lisboa, 15 de Novembro de 1899 in ARRIAGA, Manuel de: Documentos Políticos, Livros Horizonte, Lisboa, 2007, p. 254.

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Conotados com a política de João Franco estiveram um amplo leque de intelectuais portugueses. Entre eles o algarvio João Lúcio (SARDICA, J. M., A Dupla Face do Franquismo na Crise da Monarquia Constitucional, p. 53). Com prosseguimento da sua política, João Franco encontrou-se paulatinamente mais isolado. Restavam-lhe entre outros, o monarca e o clero. No patriarcado de Lisboa colocaria um dos seus apoiantes incondicionais, o bispo do Algarve, D. António Mendes Bello (SARDICA, J. M., A Dupla Face do Franquismo na Crise da Monarquia Constitucional, p. 63).

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HOMEM, Amadeu Carvalho, Da Monarquia à República, pp. 125 a 134 e REIS, António, Raúl Proença. Biografia de um Intelectual Político Republicano, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, «Temas Portugueses», vol. 1, Lisboa, 2003, pp. 73-82.

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consolidação e crescimento relativo do Partido Republicano Português, mais notória entre 1908 e 1909, plasmado no seu número de parlamentares (14 alcançado nas eleições de 28 de Agosto de 1910).

A República não foi apenas «proclamada por telégrafo», ou pela via burocrática, traduzida na nomeação do primeiro governador civil286 da nova era, em 6 de Outubro de 1910287. A força e a dinâmica do moimento republicano no Algarve não estava no seu número, mas na teia de relações que foi tecendo, assente na personalidade dos seus vultos locais, dos seus centros e comissões paroquiais e concelhias, tendo como cúpula - no caso do Algarve - a Comissão Distrital de Faro.