Relativamente às questões de investigação, os resultados obtidos não permitiram responder na íntegra às duas primeiras questões, dado que só houve um respondente por inquérito, tendo-se considerado que a perceção desse respondente correspondia à da organização. Porém, está-se ciente que se trata de uma aproximação que pode não cor- responder à perceção da organização (constituída por um conjunto de pessoas). Empiri- camente, o que se estudou, de facto, foi a perceção do Diretor Clínico. Procurando res- ponder à terceira questão de investigação, a aplicabilidade deste modelo ao estudo da perceção das RC na IF e entre organizações apresenta várias limitações (como referido) e é necessário analisar com um maior detalhe os fatores que contribuem para a janela
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resultante de cada relação à posteriori. Um aspeto favorável é permitir, em termos visuais, conhecer qual a perceção da RC.
De seguida, compararam-se os resultados empíricos com a revisão de literatura e procurou-se explicar a ocorrência dos mesmos. De acordo com a revisão da literatura, quanto maior for o quadrante “Arena”, maior a probabilidade de aumentar a qualidade de uma relação e a confiança (é esperado que este quadrante seja menor em relações recém-formadas) (Fritzen, 2011; Moscovici, 1980), ver Figura 7, p. 30. Empiricamente, observou-se o inverso, i.e., a relação com um maior número de anos (par A) apresenta uma “Arena” menor que as restantes e a maior pertence à do par D, onde a relação ocor- re há três anos, ver Figura 6, p.27.
Fonte: a autora, baseada na literatura e resultados empíricos. Figura 7. Dimensão da arena, grau de confiança e duração da RC.
Estes resultados podem indicar que a RC do par A atingiu uma fase de declínio. Os aspetos considerados mais relevantes e onde as diferenças foram nulas foram em termos de força competitiva da parceria, complementaridade de competências de investigação, a construção de um relacionamento onde há confiança e sinergia entre ambas as organi- zações. Dos aspetos referidos, o que foi considerado de maior relevância foi a comple- mentaridade de competências de investigação (avaliado com “8” pontos). Estas obser- vações não contradizem o referido anteriormente dado que a janela foi construída com
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base em múltiplos fatores, como descrito. Os pares B e C apresentaram os resultados esperados, de acordo com a literatura consultada. No par D, constatou-se que foram muitos os aspetos com uma perceção igual ou próxima e é a RC com menor tempo. Este resultado, como explicado, não era esperado e é difícil de justificar com as informações disponíveis, podendo estar relacionado com as limitações referidas. Porém, outra infe- rência que se pode retirar, é que a importância de trabalhar a confiança com o parceiro é maior quando as RC são mais recentes.
De um modo geral, infere-se que as diferenças identificadas relacionam-se com os parceiros e com a partilha de informação, conhecimento e aprendizagem existente em cada RC. A relevância das partilhas referidas foi descrito por Doz (1996).
O inquérito foi construído com base no de Bonner et al. (2005) e na revisão de lite- ratura, como referido. Sumarizando os resultados das quatro RC retratadas, observa-se, pela Tabela D.IV, p. XV (Anexo D), que nas razões de escolha do parceiro foi enfatiza- da a eficiência de investigação (B,C,D), como na posição expressada por Gleadle et al. (2014) e Pisano (2006), e a complementaridade das competências de investigação (A,C,D) (Becker & Dietz, 2004; Tralau-Stewart et al., 2009). Na relação com o parceiro foi enfatizada a confiança e o compromisso mútuos (A,B,D) (Bartlett & Ghoshal, 1998; Doz, 1996) e a necessidade de estabelecer um acordo satisfatório mútuo (A,B,D) (Bon- ner et al., 2005). Por último, em termos de aprendizagem, a semelhança das perceções por mais pares foi ao nível da partilha sistemática de conhecimento (B,C,D) e da parti- lha ativa dos “do’s” e “don’ts” (A,B,C) (Doz, 1996). Outros aspetos considerados rele- vantes e onde os pares dois a dois apresentaram perceções semelhantes (diferenças de “0” e “1” pontos) foi relativamente à força competitiva da parceria (A,D) e (C,B), abor- dado por Hillebrand & Biemans (2004) como importante; multidisciplinaridade do pro-
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jeto (B,D), complementaridade de recursos (A,C) e de competências tecnológicas (B,D) (Tralau-Stewart et al., 2009); criação de sinergias (C,D) (McCutchen Jr. & Swamidass, 2004); revisão periódica do acordo (B,D) (Doz, 1996); e aumento da base de conheci- mento (B,D) (Roijakkers & Hagedoorn, 2006). Como se comprova, foram também fato- res considerados importantes na literatura consultada.
Porém, dentro da integração relacional, nas razões de escolha do parceiro, fatores que na revisão da literatura se identificaram como relevantes, tiveram diferenças de “2” ou mais pontos como, diminuição do risco e incerteza, diminuição de custos, especiali- zação numa dada área terapêutica e perspetivas de longo-prazo (Khanna, 2012). Infere- se que estas diferenças de perceção estão relacionadas com o tipo de RC – em EC – onde estes fatores têm uma relevância diferente para a EF e para o parceiro, como documentado por Khanna (2012) e Pisano (1997), havendo diferenças de perceção, mesmo sendo o foco a ‘RC’.
Diferenças de perceção observaram-se também na dimensão de coordenação com o parceiro, em particular, na coordenação das atividades com o parceiro, estratégias de ambas as organizações na parceria e na relação com o parceiro e a existência de flexibi- lidade quando surgem problemas (Khanna, 2012). Também na literatura consultada se identificou que estes aspetos eram relevantes, embora desafiantes, devido às caracterís- ticas de cada organização e às relações entre indivíduos que os tornam complexos. Infe- re-se que esta dispersão de diferença pode refletir estes desafios.
Nas razões de escolha do parceiro, a especialização do parceiro numa dada fase do processo de desenvolvimento do fármaco (Khanna, 2012; Pisano, 1997) teve perceções diferentes nos quatro pares. Infere-se que este resultado está relacionado com a fase de desenvolvimento do fármaco em que a RC ocorre – EC. Como referido, o desenvolvi-
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mento é detido pela EF e o parceiro disponibiliza os doentes. Esta complementaridade de recursos encontra-se documentada por Becker & Dietz (2004).
Para concluir, os aspetos considerados mais relevantes nestas quatro RC, que qua- dram com a literatura consultada e com os fatores identificados na Tabela II, p.26 (e onde as diferenças de perceção em cada par foram menores) foram em termos de força competitiva, complementaridade de recursos e de competências de investigação, esforço conjunto para construir um relacionamento baseado na confiança e compromisso mútuos, a procura de um acordo satisfatório mútuo quando há discordância, partilha ativa dos “do’s” e “don’ts” e revisões periódicas da parceria com o parceiro para detetar oportunidades de melhoria (ver Anexo D, Tabela D.I, p.IX). Assim, pode concluir-se que estes são os fatores mais relevantes para as RC estudadas nesta dissertação e refle- tem também a interdependência destes parceiros, como mencionado por Gleadle et al. (2014).