A nível mundial, tendencialmente, tem havido um aumento das parcerias em I&D na IF para obter vantagens competitivas, através da partilha de informações, conheci- mento e aprendizagem, devido à incerteza, riscos e ao conhecimento limitado dos pro- cessos do corpo humano (Orsenigo et al., 2001; Pisano, 1997, 2006, 2010). Devido à complexidade destas parcerias e da importância da perceção em relações interpessoais, considerou-se relevante o desenvolvimento do tema estudado nesta dissertação, dado que as RC entre organizações ocorrem devido à existência de relações entre indivíduos. Para além disso, tratou-se de uma aplicação inovadora da JJ.
34
Com este estudo não se conseguiu responder na íntegra às duas primeiras questões de investigação, onde se pretendia conhecer a perceção da EF e do parceiro relativamen- te à RC. Esta não possibilidade ocorreu porque apenas houve um respondente por inqué- rito e, empiricamente, foi estudada a perceção do Diretor Clínico de cada RC em vez da perceção da organização. Respondendo à terceira questão, relacionada com a aplicabili- dade deste modelo, infere-se que é possível fazê-lo, aplicando a cada RC. Porém, apre- senta várias limitações descritas de seguida e é necessária uma análise detalhada dos fatores que contribuem para a janela, posteriormente à construção, i.e., o modelo por si só, neste contexto, não favorece uma análise em detalhe. Em termos visuais, permite conhecer se, no global dos fatores considerados, a perceção da RC é semelhante.
De seguida, discutem-se os contributos, limitações e sugestões para estudos futuros dentro deste tema. A aplicação da JJ no contexto das RC entre EF e, de um modo mais alargado, nas RC entre empresas, trata-se de uma aplicação pouco documentada na lite- ratura consultada. Neste sentido, este estudo tem um contributo inovador relativamente ao estudo das RC entre organizações, abrindo um horizonte de novas possibilidades de aplicação do mesmo.
Enumeram-se de seguida as principais limitações desta dissertação, algumas men- cionadas anteriormente. A primeira limitação está relacionada com o facto do contacto e apresentação do estudo e inquérito aos parceiros das EF ter sido estabelecido pelas EF, em vez da autora, por motivos de confidencialidade. Outra limitação foi o diminuto número de respondentes – um por cada organização. Assim, no tratamento de resulta- dos, considerou-se que a perceção desse respondente (Diretor Clínico) correspondia à da organização (constituída por um conjunto de pessoas). Porém, não foi possível um estu- do estatístico dos dados e não se conseguiu suprimir a subjetividade das respostas e de
35
análise da escala. Inicialmente, pretendia-se aplicar este inquérito a um número elevado de pessoas, das equipas de investigação em I&D. Empiricamente, só foi possível aplicar o inquérito no contexto dos EC, não sendo possível aplicá-lo a um maior número de pessoas devido às caraterísticas destas relações, como referido. Por outro lado, o inqué- rito aplicado e o modelo (JJ) não permitem distinguir aspetos onde a heterogeneidade é positiva ou a homogeneidade é negativa. Neste sentido, na análise de resultados, valores menores contribuíram negativamente para o cálculo da média e valores maiores contri- buíram positivamente, mesmo quando a perceção de ambos era igual/semelhante. Assim, considera-se que na análise dos resultados foi mais relevante o estudo das dife- renças entre a perceção das organizações dos pares do que a análise a partir da janela resultante.
Devido às limitações referidas, as questões de investigação não foram respondidas na íntegra. Tratou-se de um estudo condicionado pela confidencialidade e ao diminuto número de pessoas nestas RC. Neste sentido, há questões que poderão ser investigadas em estudos futuros como: 1) qual a perceção de cada organização relativamente à RC? 2) Os níveis de diferenças entre ambas as organizações que formam o par seriam seme- lhantes se fosse utilizada uma escala de Likert de sete pontos? 3) É possível definir uma janela que represente as RC em EC? 4) E para a IF em geral? Seria também relevante realizar um estudo que permitisse aprofundar as observações deste estudo, e.g., com- provar ou rejeitar as observações dos pares A e D. Por fim, seria também interessante a aplicação deste modelo à cooperação intraorganizacional e a um conjunto alargado de empresas, no mesmo ou em diferentes sectores, com o objetivo de definir e caraterizar um perfil de cooperação.
36
Para concluir, o desenvolvimento desta dissertação contribuiu positivamente para o desenvolvimento pessoal e profissional da autora, permitindo explorar um tema do seu interesse – as RC/ negociação entre organizações, através da aplicação da JJ, neste con- texto, que se encontra pouco documentado na literatura consultada. Permitiu também alargar a perceção da autora acerca da complexidade deste tipo de relações e da impor- tância da existência de confiança entre as organizações, porque hoje é necessário “coo- perar para competir” (Heenan & Perlmutter, 1986). Como referido, estas relações são possíveis devido à relação existente entre indivíduos e à perceção dos mesmos. Os seres humanos são seres sociáveis e a perceção corresponde à realidade para cada indivíduo. Porém, “o ‘Eu’ que eu sou não é o ‘Eu’ que eu conheço” (Thomas, 1992, p. 277).
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I Anexos Anexo A – Representações da janela de Johari (JJ)
Fonte: Fritzen (2011), pp. 12-15. Figura A.1. – Estilos interpessoais. Legenda: A – Arena; F – Fachada; MC – Mancha Cega; D – Desco-
nhecido. 1) Janela ideal; 2) O “entrevistador”; 3) O “matraca”; 4) O “tartaruga”.
Fonte: Fritzen (2011), p. 33. Figura A.2 – JJ de Fritzen (2011).
Fonte: Leidner (1998), p. 31. Figura A.3. JJ de Newman (1998).
II
Fonte: Pallot et al. (2005), p. 3. Fonte: Pallot et al. (2008), p.2.
Figura A.4. JJ alargada.
Fonte: Jianrui (2013), p. 58. Figura A.5. JJ aplicada por Miguel Aguado para ilustrar a
colaboração organizacional ideal (interna).
Fonte: Weiss & Wright (2006), pp. 16 e 17. Figura A.6. JJ aplicada às organizações. a) Conhecimento do mercado. b) Conhecimento
III
Fonte: Knoke et al. (2013).
Figura A.7. JJ que ilustra a gestão do conhecimento interorganizacional.
Anexo B – Conhecimento e Complementaridade
Fonte: Davenport & Peitsch (2005), p. 692. Figura B.1 – Pirâmide do conhecimento.
Fonte: PhRMA (2013), p. 33. Figura B.2. Complementaridade entre EF e outras organizações.
IV Anexo C - Inquéritos
Inquérito a preencher pela empresa em estudo
Mestrado em Gestão e Estratégia Industrial
TFM – Trabalho Final de Mestrado
Docente Orientador: Professor Doutor Vítor Corado Simões Discente: Ana Teresa Gonçalves Lamy (43139)
23 de Maio de 2015
INQUÉRITO A PREENCHER PELA EMPRESA EM ESTUDO
Inquérito realizado no âmbito do Trabalho Final de Mestrado do curso de Mestrado em Gestão e Estratégia Industrial da Lisboa School of Economics and Management (ISEG) cujo tema é: “Perceção das relações de cooperação em ensaios clínicos entre organizações farmacêuticas em Portugal – aplicação da janela de Johari”.
Este questionário é um inquérito de resposta fechada e anónimo.
Todas as respostas serão tratadas com total confidencialidade e terá toda a legitimidade para recusar responder a qualquer questão sempre que considerar conveniente.
Agradeço a sua disponibilidade para o preenchimento do mesmo.
Por favor, classifique de 1 a 9 as afirmações em baixo de acordo com a perceção que tem acerca da relação de coope- ração/ parceria no projeto que a empresa tem com o parceiro. Este mesmo inquérito é também aplicado ao parceiro. Deverá assinalar a opção que mais se adequa à sua perceção com uma cruz (X).
I – Desempenho da empresa
Por favor, classifique as suas expetativas relativamente à relação de cooperação que tem com o parceiro, nos seguintes pontos (1 – Não havia expetativas; 5 – Neutro, expetativas nem altas nem baixas; 9 – Elevadas expetativas):
1 – Expetativas do impacto do investimento financeiro esperado nesta relação de cooperação para a sua empresa.
1 2 3 4 5 6 7 8 9
2 – Expetativas do impacto do investimento financeiro esperado nesta relação de cooperação para o parceiro.
1 2 3 4 5 6 7 8 9
II – Identidade estratégica
Por favor, classifique a sua perceção da reputação e força competitiva e do parceiro nos seguintes pontos (1 – Nenhuma reputa- ção/força; 5 – Reputação/força nem baixa nem alta; 9 – Reputação/força elevada):
3 - A sua reputação no mercado como um “parceiro de eleição” para uma parceria.
1 2 3 4 5 6 7 8 9
4 - A reputação do seu parceiro no mercado como um “parceiro de eleição” para uma parceria.
1 2 3 4 5 6 7 8 9
5 - A força competitiva desta parceria comparando com os concorrentes.
1 2 3 4 5 6 7 8 9
III – Razões de escolha do parceiro
Em que medida concorda ou discorda com os seguintes itens relacionados com a relação de cooperação? (1 – Discordo totalmente; 5 – Não concordo nem discordo; 9 – Concordo totalmente).
6 – A nossa parceria ocorreu para haver uma diminuição do risco e da incerteza no desenvolvimento de um novo fármaco.
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7 – A nossa parceira ocorreu para haver uma diminuição dos custos de desenvolvimento de um novo fármaco.
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8 – A nossa parceria ocorreu para haver um aumento da eficiência da investigação em curso.
V
9 – A nossa parceria ocorreu porque o parceiro é especializado numa determinada fase do processo de desenvolvimento do fármaco.