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Påstandene som undersøker «mindset»

No que se refere à estruturação dos dicionários, a equipe de lexicógrafos deve conceder especial atenção à organização da macroestrutura de sua obra. Para Haensch (op. cit.), o elemento de maior importância da macroestrutura de um dicionário é a ordem das formas lexicais que podem ser elencadas por ordem alfabética, por ordem alfabética inversa, por famílias de palavras ou conforme um sistema conceptual.

A ordem alfabética se configura nos dicionários gerais como o modo predominante de ordenação, sendo este princípio, na maioria das vezes, combinado com outros modos de agrupamento das palavras, como é o caso das famílias de palavras dispostas em ordem alfabética de modo que a disposição das palavras-chave obedece a uma sistematização alfabética. Esta forma de agrupamento é bastante útil e amplamente recomendada aos dicionários etimológicos, uma vez que aparecem em um só verbete todas as formas vocabulares que estejam relacionadas

com o mesmo étimo. Quanto aos demais tipos de dicionários, a preferência reside na ordem alfabética de palavras devido à necessidade diária de localizar uma palavra com maior rapidez.

Os dicionários organizados conforme a ordem alfabética inversa destinam-se aos estudos filológicos e lingüísticos, não sendo, portanto, obras para consultas práticas. Como sua elaboração requer trabalho mecânico, a maioria deles requer a intervenção do computador.

O dicionário se compõe de uma introdução que compreende uma nota introdutória em que sejam expostas as finalidades do dicionário, o grupo a que é destinado, as fontes utilizadas, etc. Segundo Haensch (op. cit.), a introdução tem que ser muito completa e clara para dar o máximo de informações, obrigando o consulente a ler atenciosamente a parte introdutória para obter o maior proveito durante sua consulta. As explicações e instruções sobre o uso da obra dicionarística são apresentadas na introdução propriamente dita que expõe a estrutura das entradas e todos os símbolos e abreviaturas utilizadas para a explicação e caracterização dos vocábulos registrados.

Outra parte constituinte é o corpo do dicionário em que constam as unidades léxicas registradas, sendo esta também chamada de inventário ou repertório. A esta parte, é possível acrescer um ou vários anexos, principalmente nos glossários bilíngües de nomes geográficos e em glossários de abreviaturas.

Cientes da necessidade da consonância da prática lexicográfica com os estudos lingüísticos, a primeira precisa estar constantemente se atualizando teoricamente com os resultados advindos das investigações da ciência lingüística. Sobre este estreito relacionamento, Biderman (2004, p. 185) argumenta que “um dicionário precisa ser fundamentado em uma teoria lexical levando em consideração as premissas básicas da Lexicologia”.

Esta colocação resulta da problemática quanto à definição do conceito de unidade léxica, uma vez que não constitui tarefa fácil estabelecer fronteiras nítidas entre estas unidades lexicais

no interior de um contexto discursivo. A esta questão, acrescenta-se a problemática de escolha da palavra que possa encabeçar a entrada do verbete. A importância concedida à conceituação do que vem a ser uma unidade léxica sugere, portanto, que a organização da macroestrutura do dicionário e o estabelecimento de critérios para a seleção das entradas estão totalmente vinculadas a este conceito.

A necessidade de uma boa formação teórica em Lingüística, por parte do lexicógrafo, é confirmada quando verificada que, nos contextos discursivos, as fronteiras entre uma unidade lexical complexa e um sintagma discursivo livre não são muito claras e que o conceito de unidade lexical pressupõe algumas lacunas teóricas que podem desencadear problemas de aplicação prática quanto ao seu reconhecimento e tratamento ortográfico e lexicográfico.

Embora a conceituação de uma forma lexical deva estar exigindo do pesquisador atenção e preocupação constantes, outro aspecto também merece ser destacado. Trata-se da nomenclatura do dicionário, pois, a priori, sua elaboração implica uma reflexão a respeito da extensão de sua nomenclatura e/ou macroestrutura, que é definida mediante o conhecimento do público a que o dicionário se destina. Retomando Biderman (op. cit.),

os lexicólogos e lexicógrafos sabem que uma macroestrutura de 50.000 verbetes é mais do que suficiente para o grande público, já que ela contém um número de palavras enormemente superior às reais necessidades vocabulares do homem médio, mesmo o culto. (BIDERMAN, op. cit., p. 134).

Estabelecido que o conhecimento do público a que é destinado o dicionário constitui uma das primeiras premissas para estabelecer a macroestrutura de um dicionário, a seleção das palavras pertencentes ao acervo lexical de uma língua requer uma seleção criteriosa e científica. A alternativa mais razoável para a seleção de palavras seria a recorrência a uma grande base

textual, um amplo corpus de dados lingüísticos coletados em discursos realizados tanto em sua modalidade escrita quanto oral. “Esse corpus deve conter, no mínimo, 10 milhões de ocorrências de todas as modalidades de discurso e/ou texto para garantir a representatividade do acervo lexical da língua, bem como de seu uso”. (BIDERMAN, op. cit., p. 135).

Convém selecionar somente as unidades lexicais consagradas como uso comum e vulgar na língua, unidades amplamente divulgadas pelos meios de comunicação mais populares. Essa ressalva deve-se ao montante de termos técnicos e científicos advindos dos domínios científicos e tecnológicos que, selecionados para serem incorporados à macroestrutura do dicionário, acarretam um excesso de carga de vocábulos de escasso uso na língua geral.

Outro problema colocado por Biderman (op. cit.) refere-se à questão dos regionalismos, uma vez constatado que os dicionários não sustentam uma conceituação precisa e coerente sobre tais termos. Para tal conceituação, necessário se faz considerar que ponto de referência é tomado para definir algum termo como regional e se o vocábulo é de caráter regional em relação a um dialeto padrão, é preciso estabelecer que dialeto é este.

Além dos termos regionais, a questão dos arcaísmos constitui outra problemática quanto à sua definição. Apesar de considerados como termos em desuso ou em estado obsoleto, é possível que os arcaísmos possam ser retomados, principalmente, em duas situações específicas, como em textos históricos ou em produções literárias quando retomados para fins estilísticos. Acerca da recuperação de termos a deriva do desuso e da obsolência, Biderman (op. cit., p. 137) sustenta que “todas essas palavras testemunham realidades do passado, embora eventualmente algumas dentre elas possam continuar a ser usadas hoje, porém, com valor semântico diferente”.

Considerando a integração de um arcaísmo ao léxico de uma língua, a autora supracitada declara que:

esse tipo de vestígio verbal arcaico indica claramente como o léxico constitui o repositório dos conhecimentos humanos através das idades. E testemunha também como o acervo lexical de uma língua de civilização com antiga tradição escrita pode ser identificado como um tesouro abstrato e imaterial, lugar da memória das culturas humanas. (BIDERMAN, op. cit., p. 137).

Outra questão a ser verificada pelos lexicógrafos com muito rigor é a documentação dos significados e usos lingüísticos. O registro e descrição das entradas dos dicionários devem prezar as abonações coletadas em fontes lingüísticas cuja autenticidade confirme que a palavra-entrada foi produzida em discursos realmente produzidos.

Empenhado em compreender melhor a organização de um dicionário de língua, Borba (op. cit.) é outro autor em que nos basearemos para aprofundarmos nossas discussões acerca da organização da macroestrutura dicionarística.

Organizar um dicionário exige, em primeiro lugar, mostrar o funcionamento efetivo dos diversos níveis da língua delimitada num certo estágio histórico. A esta etapa, segue-se o selecionamento e a organização dos elementos que vão integrar seu verbete. Vale lembrar que esta seleção subordina-se aos fins específicos da obra lexicográfica. Um dicionário cuja tentativa seja registrar o uso de uma língua em sua totalidade, seria necessário fornecer informações sobre todos os setores da estrutura lingüística. No campo referente à fonética, seriam imprescindíveis as transcrições, informações minuciosas sobre prosódia e a ortografia. Nos domínios morfológicos, destacar-se-iam o sistema flexional com informações plurais e femininos irregulares, conjugação de verbos irregulares e defectivos etc. As informações sintáticas, semânticas e pragmáticas também ocupariam lugar de destaque na descrição a ser feita.

Uma vez definidos os níveis de informação a serem contemplados no dicionário, o próximo passo consiste em refletir a hierarquia desses níveis. A prática vigente é partir,

primeiramente, para uma definição taxionômica, que consiste em registrar a classe a que pertence a palavra-entrada, para posteriormente, verificar a informação sintática, a semântica e a pragmática. Quanto à informação semântica, esta se concentra na definição elaborada sob a forma de conceituação, explicação ou descrição, talvez seguida de equivalentes léxicos. Na definição, conceituação ou explicação, são usados termos que visam conservar os traços básicos da coisa a ser descrita.

No que concerne às definições, Borba (op. cit., p. 313) mostra que “as definições num dicionário de língua parecem mais enxutas porque ele se preocupa mais com a identificação das palavras, de sua significação, de seus traços semânticos constitutivos, e não das coisas que elas representam. Por isso, descartam-se as definições enciclopédicas, a menos que sejam necessárias para se apreender a significação”.

A estruturação de todos os verbetes é guiada por algumas particularidades, de tal forma que seu grau de complexidade depende de sua combinatória contextual. Borba (op. cit.) cita que o mais simples tipo de verbete consiste em três níveis de informação que postulam a classe a que a palavra pertence, a definição ou equivalência sinonímica e a abonação. Em nível de exemplificação, o autor cita a locução ama-de-leite: Nf mulher que amamenta criança alheia; babá: Caetana foi minha ama-de-leite (VES).

Considerando a proposta deste trabalho de dissertação, que visa um estudo descritivo dos neologismos empregados na poesia de Sousândrade em forma de um glossário, o tipo de estruturação do verbete acima exemplificado parece-nos o mais apropriado conforme o objetivo de nossa pesquisa.

A este tipo de estruturação, soma-se a possibilidade de mais dois níveis. Trata-se da adjunção de expressões ou frases feitas e observações sobre usos especiais. A variedade e complexidade dos verbetes vão se tornando cada vez mais ampla conforme a ampliação de cada

um desses níveis. Isto quer dizer que uma palavra pode ser usada em mais de uma classe, mais de uma subclasse ou mais de um registro.

Nesse caso, por mais que a estrutura do verbete caracteriza-se por um certo grau de complexidade, sua organização segue uma sistematização uniforme devido ao fato de sua descrição estar sempre embasada numa teoria gramatical. Expostas tais considerações em torno da organização macroestrutural do dicionário, esboçaremos adiante breves explanações do que vem a ser um glossário.