1 Introduction
1.2 Background and problem area
1.2.1 Overweight and obesity – its prevalence and health risks
Os newsgames infográficos (infographics) recombinam o material apresentado em forma de infográficos tradicionais, tornando-os mais interativos, ou seja, muda-se a visualização dos dados e os gráficos adquirem um formato de game. São importantes ferramentas para favorecer a compreensão de dados quantitativos e complexos. Essa prática não é novidade no jornalismo. Foi no início do século 20 que os jornais começaram a integrar representações visuais de dados com documentos para auxiliar o leitor a traçar conexões entre redes
complexas de informação e de eventos, sintetizando assim a informação e deixando-a menos complexa.
A adaptação de infografia em formas computacionais ampliou seu alcance além de alterar seus métodos de autoria. Como os infográficos digitais estão amadurecendo e tornando-se mais interativos, acabam ficando mais parecidos com os jogos. Os jogadores podem explorar as informações e encontrar surpreendentes novas revelações, se engajar nos processos que retratam, como a informação surge ou interage, reconfigurar informações para recriar possíveis cenários, ou experimentar as informações pelo simples prazer de jogar em si. Alguns infográficos podem tomar a forma de jogos propriamente ditos (proper games), enquanto outros são apenas parecidos com um jogo (gamelike), adotando algumas das convenções e sensações de jogos (BOGOST; FERRARI; SCHWEIZER, 2010, p. 32, tradução nossa).
Para esses autores, o designer de notícias em newsgame infográfico precisa abraçar o valor jornalístico de síntese para condensar as informações complicadas em um formato legível, relevante e interessante. Os jogos conseguem transformar informações em mecânicas, reiterando assim a grande diferença entre a produção jornalística tradicional e o jornalismo on-line, realizado a partir do uso de dispositivos computacionais e internet – que são caracterizados pela sua interatividade. Essa participação ativa dos leitores/jogadores no processo de informação jornalística é a principal diferenciação entre os infográficos tradicionais e os newsgames infográficos, ou seja, infográficos analógicos são lidos enquanto os interativos são operados (BOGOST; FERRARI; SCHWEIZER). Esse tipo de infográfico é sistematizado pelos autores em três categorias: explicativo (explica uma notícia em um discurso visual que faça sentido), exploratório (o usuário interage mais com o conteúdo; há diversos elementos para desvendar o conteúdo) e direcionado (menos imparcial, direcionando o jogador a uma determinada linha editorial). “Os melhores infográficos jogáveis oferecem direcionamento específico no contexto de exploração mais
ampla de informação” (BOGOST; FERRARI; SCHWEIZER, 2010, p. 47, tradução nossa).
Os autores indicam como infográfico jogável o Hurricane Maker89, publicado no jornal on-line Sun Sentinels, do sul da Flórida (EUA), que permitiu simular furacões em um mapa do Atlântico e em algumas regiões costeiras das Américas. O jogador forma uma tempestade no mapa, definindo a temperatura média para a água (que garanta a formação do furacão), o cisalhamento do vento em diferentes altitudes e os níveis de umidade em torno da tempestade. Depois de selecionar as configurações que fazem um furacão se formar, o jogador pressiona os conjuntos de botões no movimento do furacão. Caso todas as condições apropriadas estejam corretas, a pequena tempestade torna- se um furacão. Do contrário, aparece um infográfico informativo explicando as razões do fracasso e oferecendo uma nova chance. Os autores afirmam que esse newsgame possui qualidades lúdicas, por meio das quais os jogadores ajustam um sistema na tentativa de alcançar um objetivo; assim, ele ensina, de forma interativa, quais são as condições climáticas que favorecem a formação de um furacão. Mesmo que tenha características positivas, como satisfazer uma curiosidade intelectual, os autores acreditam que Hurricane Maker desilude como experiência global, pois o furacão não se move nem se torna arrasador, “abstraindo a preocupação do leitor mediano sobre a segurança. Também tem uma propriedade insatisfatória ao ser binário de sucesso ou fracasso” (BOGOST; FERRARI; SCHWEIZER, 2010, p. 53, tradução nossa).
Os newsgames infográficos têm um grande valor como solução jornalística, “pois podem ajudar na distinção entre dados e informação, oferecendo meios para que usuários percebam contextos e criem interpretações próprias de maneira mais intrínseca” (TOBIAS, 2014, p. 33). Dessa forma, “criar um infográfico não é mais uma questão de tornar os dados visuais. Em vez disso, envolve a criação de uma ferramenta para ajudar a entender esses dados, sintetizando-os jogando” (BOGOST; FERRARI; SCHWEIZER, 2010, p. 52, tradução nossa).
Outro exemplo que podemos citar é o brasileiro Como funciona a bateria da Grande Rio90, publicado pelo portal iG, o único veículo brasileiro indicado e premiado na 20ª Malofiej 2012, concurso internacional que premia os melhores trabalhos de jornalismo visual e
89Fazedor de Furacão, em tradução livre.
90 “O iG reuniu alguns dos melhores ritmistas da Grande Rio e, com mestre Ciça, criou infográfico que mostra como funciona a bateria da escola”. Disponível em: <http://carnaval.ig.com.br/rio/veja-como-funciona-a-bateria-da-grande-
visualização de dados do mundo91. No jogo, há cinco links: Comande a bateria (figura 21), Os instrumentos, Mestre de bateria, A bateria na avenida e Créditos. Para começar a jogar, é preciso clicar no apito. Em Comande a Bateria, o jogador pode explorar em modo on e off quais instrumentos quer trabalhar. A seção Os Instrumentos apresenta vídeos instrutivos mostrando pessoas tocando chocalho, cuíca, agogô, tamborim, surdos 1, 2 e 3, repique, caixa e atabaque. Em Mestre de bateria, o mestre Ciça faz uma palestra explicando como funciona a bateria de uma escola de samba. A Bateria na Avenida mostra os movimentos na avenida. A fusão do infográfico com a simulação de sons torna atraente a experiência do leitor, que manipula por meio de botões a entrada e a saída de cada bloco de instrumentistas (SILVA W.C, 2012).
Figura 21: Newsgame infográfico Como funciona a bateria da Grande Rio.
Fonte: Captura de tela – Como funciona a bateria da Grande Rio (2016). Mais um brasileiro integra nesse gênero, é O Jogo da Máfia92, da revista Superinteressante (figura 22), baseado na matéria que abordava a atuação da máfia no Brasil, com depoimentos e dados de investigação93.
91 Disponível em: <http://ultimosegundo.ig.com.br/ig-ganha-medalha-de-ouro-em-premio- internacional-de-infografia/n1597706142789.html>. Acesso em: 25 ago. 2014.
92 Disponível em: <http://super.abril.com.br/multimidia/info_420553.shtml>. Acesso em: 25 ago. 2014.
93 Disponível em: <http://super.abril.com.br/historia/corleones-do-brasil>. Acesso em: 25 ago. 2014.
Figura 22: Newsgame Jogo da Máfia.
Fonte: Captura de tela – Jogo da Máfia (2016).
O fio condutor do roteiro são as informações nele contidas, que requerem a atenção do jogador. No jogo, o leitor é um investigador que precisa prender os chefões da máfia, e para isso se infiltra no mundo dos mafiosos, escolhendo uma de três regiões: África, América do Sul e Itália. A trama envolve tráfico e negociações de cocaína, escravos, armas, remédios, cigarros etc. Um texto aparece a cada jogada para informar o usuário, que assim obtém dados sobre os países, com tipos de produtos comercializados, além de valor de compra e venda, dicas de negociações, pequena história sobre as máfias da região. Andrade, Bonini e Déda (2012, p. 322) fazem um alerta sobre esse newsgame:
Durante o jogo, o leitor é convidado a mergulhar em uma narrativa ativa, do qual o ambiente virtual exige uma postura participativa do jogador na tomada de decisões e na produção de estímulos sensoriais e mentais. Apesar de a proposta ser interessante, o objetivo dessa interação é matar o mafioso, o que ninguém consegue, já que cada tiro que é dado pelo usuário quando clica no mouse serve para gerar uma nova informação. O cuidado que se deve ter é não entender o jogo como uma apologia ao tráfico e à utilização de armas e da violência, mas como uma maneira de levar informação aos interessados das práticas utilizadas pelos mafiosos.
Os elementos presentes no jogo “estimulam a capacidade cognitiva, ler com atenção, formular hipóteses de atuação na negociação de conflitos enquanto detetive” (ANDRADE; BONINI; DÉDA, 2012, p. 324). O sucesso de O Jogo da Máfia estaria na capacidade de o leitor imersivo lidar com inovadoras interfaces gráficas, na percepção da comunicação aliada ao lúdico e na habilidade de memorização das informações disponibilizadas no decorrer da jogada para concluir positivamente as negociações e tornar a trama ainda mais dinâmica.