1 Background and goals
1.3 Overview of different measuring methods for wood stoves in Europe
Segundo Jing Yin, quando o Buda alcançou a Iluminação e seus discípulos estados avançados de evolução espiritual, ele decidiu enviá-los ao mundo para espalhar seus ensinamentos.171 Os sessenta discípulos foram orientados a seguir para sessenta lugares a fim de difundir as “boas novas”, determinando o caráter missionário da religião, o qual tem sido, de certa forma, seguido por Hsing Yün.
Ao estudar a história da educação budista, percebemos que esta cresceu de modo significativo em épocas de adesão de reis e imperadores à religião. Sendo assim, eles mesmos incentivam a educação budista durante seus governos, de forma que, por alguns períodos, a educação formal tomava um caráter budista; “os reis eram consagrados
169 Cf. BUDDHA DHARMA... op. cit. (tradução nossa) 170 YÜN, Humanistic Buddhism, op. cit., p. 86.
pelos monges, e estes agiam como seus conselheiros, interpretando os ensinamentos budistas.”172
Diz-se que após a morte do Buda (o chamado parinirvana ou parinibana)173 aconteceram dois concílios em que seus seguidores tentaram discutir seus ensinamentos;
“porém, toda questão acerca dos primeiros concílios permanece em grande parte obscura”174, de forma que o mais aceito é que os textos sejam referentes ao período do rei Asoka (ou Ashok, 264-227 a.C., da dinastia Maurya). O segundo concílio foi convocado por este rei em Pataliputra (Índia) e, lá, os discípulos organizaram um encontro em que os supostos 48 mil ensinamentos do Buda foram classificados sob três títulos ou "cestos" (Pitaka): Vinayapitaka, o cesto da disciplina, Suttantapitaka, o cesto dos discursos e Abhidhammapitaka, o cesto da metafísica. Os três, juntos, compõem o “Tripitaka” ("Três Cestos") e são os fundamentos dos textos budistas. Segundo Zimmer, o rei Asoka foi um dos maiores conquistadores e mestres religiosos existentes; conta-se que sustentou 64 mil monges budistas, ergueu colunas monumentais pelo império, enviou mestres budistas à Síria, Egito, Macedônia e, no Oriente, marcou “uma época de
mudança espiritual decisiva. A missão mais importante de Asoka foi a que levou o ensinamento budista à grande ilha do sul, o reino do Sri Lanka. A expedição com objetivos proselitistas estava liderada por Mahendra, irmão mais novo do rei”,175 e foi por volta desta época que se escreveu o chamado Tripitaka. O Tripitaka foi originalmente escrito em páli (língua canônica do Budismo), embora algumas regiões, como Tibete e China, preferissem traduzi-los para sua língua com o intuito de atrair mais pessoas para sua leitura. Visto que o entendimento da língua páli era crucial para o acesso aos ensinamentos do Buda, seu estudo fez parte do processo educacional budista em seus primórdios.176 “A história do Budismo na Ásia pode ser discutida em termos de
norte e sul. De um modo geral o Mahayana predomina no norte e a tradição dos Anciãos no sul”177 (ou Budismo Thereavada).
A história da educação budista no Sri Lanka constata que os monarcas da época perceberam a importância do estudo do páli para a completa compreensão das palavras de Buda. Uma vez que o Budismo Theravada encontrado na região enfatiza a idéia de seguir o caminho que o próprio Buda percorreu para se atingir a Iluminação, o processo
172 Cf. KEOWN, op. cit., p. 87.
173 O primeiro termo deriva do sânscrito; o segundo, do páli. 174 ZIMMER, op. cit., p. 354-5.
175 Ibid, p. 356.
176 Cf. BUDDHA DHARMA... op. cit. 177 Cf. KEOWN, , op. cit., p. 86.
de aprendizagem desse caminho se deu, em primeira instância, através do estudo dos textos em páli, uma vez que os primeiros escritos foram produzidos originalmente nessa língua. Sendo assim, incentivaram o estudo por meio de apoio e nomeação de monges a altos cargos do governo, recebendo conselhos dos mesmos em suas decisões. Isso se dava porque também assumiam as crenças budistas como parte de suas próprias vidas. Porém, no início, o estudo da língua não era organizado sistematicamente, o que resultou em falta de padronização da educação budista. Por volta de 1153, com o apoio do rei Parakramabahu, deu-se início a uma reabilitação eclesiástica em seu país: organizou-se uma reunião de monges eruditos com o intuito de se revisar, classificar e padronizar os ensinamentos de Buda. Esta restauração monástica foi amplamente difundida no mundo budista e atraiu muitos monges de reinos orientais, como Tailândia, Birmânia, Camboja, os quais se aventuraram pelo Sri Lanka, na tentativa de, nessa região, estudar o Budismo a fundo. Ao retornar, tais monges impressionaram o povo com seus conhecimentos e, conseqüentemente, muitas pessoas enviavam seus filhos para serem ordenados com os mesmos. Dessa forma, a educação budista se desenvolveu muito na região, e assim percebe-se que nos países onde o Budismo Theravada mais se desenvolveu houve grande ajuda dos governantes, uma vez que os mesmos eram adeptos da religião. 178
Enquanto o Budismo Theravada procurava ler os textos budistas na língua original, o Mahayana utilizava textos em sânscrito. Esta última vertente budista pretende, como já mencionamos, difundir seus ensinamentos para toda a sociedade de forma a que todos alcancem a Iluminação por meio da compreensão da conexão entre os seres. A divulgação dos ensinamentos do Dharma parece determinar, entre outras coisas, um caráter educacional, visto que busca divulgar os ensinamentos do Buda a todos. Segundo Keown, quando o Budismo se expande, não erradica crenças existentes e sim as integra em sua própria cosmologia; este modelo de incorporação de crenças indígenas já presentes nos países do norte da Ásia é encontrado nas manifestações do Budismo naqueles locais, onde predomina o Budismo Mahayana. “O Budismo
Mahayana prosperou na Ásia central e no Tibete, China, Japão e Coréia.”179
Quando monges budistas foram da Índia para a China e começaram a discutir Budismo com os governantes, ficou claro que o Budismo guardava similaridades com a tradição confucionista e, como conseqüência disso, o governo pediu aos monges que
178 Cf. BUDDHA DHARMA... op. cit. 179 Cf. KEOWN, op. cit., p. 89.
ficassem na China permanentemente. Na época, o imperador convocou um novo ministro para cuidar da educação budista, o qual era chamado Bai-Ma-Si, sendo a palavra Si designada para apontar um ministro da corte imperial, não havendo relação alguma com templos. Com o grande apoio do governo ao Bai-Ma-Si, a educação budista cresceu rapidamente por toda a China. Embora a palavra Si não tivesse nenhuma conotação religiosa, a educação budista se dava em templos, que eram vistos somente como instituições educacionais e não realizavam cerimônias religiosas. Outra função para o Si foi a tradução de sutras. Na China antiga a maioria dos estudantes se dirigia ao
Si porque lá geralmente havia coleções completas de livros, não somente de sutras, mas de vários tipos. Os monges eram versados em diversos assuntos e sabiam responder a questões relacionadas ao Confucionismo, Taoísmo e a textos chineses antigos. Percebemos, dessa forma, que na China antiga o processo educacional estava diretamente ligado ao Budismo.180
Historicamente, o Budismo representou um meio pelo qual as pessoas tinham acesso à educação. A preocupação com educação dentro do Budismo é, pode-se dizer, muito antiga ou até mesmo intrínseca em seus princípios. Além de seu caráter educacional, os monastérios acabaram por proporcionar outros meios de reunir pessoas, como lugares onde se encontrava entretenimento, espaços onde podiam discutir seus problemas e trocar idéias, organizar festivais para idosos realizarem jogos e brincadeiras, concertos e cerimônias. Em lugares onde não havia escolas ou hospitais, os monastérios também assumiram as funções dessas instituições. Em alguns casos, ocupavam, mesmo, posição de destaque em termos de defesa contra invasores (caso, por exemplo, dos mosteiros de Shaolin e Funiu, na província chinesa de Henan).181 Como se percebe, os monastérios possuíam grande importância naquela época não somente no contexto educacional e religioso, mas também social. Entre os séculos XI e XII a educação budista tinha um papel destacado na sociedade, visto que as pessoas preferiam que seus filhos fossem educados nos monastérios, sabendo que lá seriam bem educados, moral e intelectualmente falando182.
Como exemplos contemporâneos de instituições educacionais budistas podemos citar o Naropa Institute, instituição fundada por Chögyam Trungpa Rinpoche e localizada nos Estados Unidos, cuja missão está baseada no desenvolvimento espiritual
180 Cf. BUDDHA DHARMA... op. cit. 181 Cf. APOLLONI, op. cit.
apresentado pelo Budismo tibetano. O Naropa Institute oferece cursos de graduação (Psicologia Contemplativa, Psicologia Somática, Arte-terapia, etc.), mestrado (Educação Contemplativa, Liderança ambiental, Estudos interdisciplinares, etc) e estudos religiosos (com linguagem, Budismo tibetano, etc.).183 Há também a World
Buddhist University, instituição estabelecida em 1998 na Tailândia, cujo objetivo é conduzir o estudo avançado sobre Budismo e coordenar, juntamente com outras instituições acadêmicas que ofereçam estudos sobre a religião, pesquisa, treinamento, prática espiritual, intercâmbio cultural e educação de base budista.184