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5.6 Andel rømt oppdrettslaks i fangster og gytebestand

5.6.3 Overvåkningsfisket om høsten

A música Na Pressão abriu os shows da turnê do CD homônimo e também do DVD e CD Acústico MTV (LENINE, 2006). Tensa do começo ao fim, esta canção mostra parte do contexto que Lenine e outros brasileiros viveram no final da década de 1990. O “na” de “na pressão” foi escolhido no lugar de “sob pressão”, pois ele não queria dar o sentido de estar “acuado”. A ideia do título está relacionada ao sentido de “estar a pleno vapor”, como o compositor disse em entrevista:

Não é “sobre pressão”; é “na pressão”. Não tem o sentido pejorativo de você estar acuado, de não ter pra onde ir. O “na pressão” não; é a pleno vapor. [...] É fazer na pressão ali, na hora [...] (LENINE, entrevista concedida a Sérgio Pereira em 10/02/2012).

3.4.1 Forma

A música foi composta na forma binária (A B). A divisão mais detalhada das partes é:

      

Introdução | A | B | A | B’ | A’ | Ponte | Final

3.4.2 Timbres

Na ficha técnica da música constam voz solo e viola de dez cordas (Lenine); as percussões talking drums, caxixi, macarrão, bombo turco e “miscelâneas sonoras” (Naná Vasconcelos); baixo elétrico (Tom Capone); coro (Lenine e a banda Os Raimundos).

A Introdução inicia com a viola de dez cordas (também chamada de viola caipira) com efeitos (provavelmente chorus, reverb e vibrato), percussões e vocalizes (com efeitos de reverb e delay). A viola trabalha um riff nos quatro primeiros compassos (em quartas) e depois do quinto compasso tem início um dedilhado.

A melodia tem início na parte A (que soa como o refrão da música ou parte B). As partes A e B contam com os mesmos instrumentos da Introdução. Ocorre um contracanto (2ª voz) nos compassos 19 e 20.

Na parte A, há o acréscimo de outros instrumentos de percussão que lembram o som de uma bateria. Na repetição dessa parte A, entra o baixo elétrico e o coro cantando a melodia junto com o solista.

Nos quatro primeiros compassos da parte B, a sonoridade da “bateria” sai. Nos quatro compassos seguintes ela volta. Nos dois últimos compassos ela pausa novamente. Na parte A´ (repetida mais duas vezes, totalizando quatro vezes no total), o baixo elétrico entra desde o início junto com as percussões (que simulam a bateria). Na terceira repetição do B´ sai a viola, continuando apenas com as percussões, o baixo e o vocal solo. Na quarta vez ficam só as percussões e o coro. A viola toca o riff da Introdução.

Na Ponte, todos os instrumentos estão presentes e o vocal trabalha vocalizes nos compassos 52 a 56. A viola volta ao dedilhado.

Na parte Final, a melodia e letra são a parte A, porém com mudanças significativas: um dueto vocal segue até o final e depois trabalha em “chamada e resposta” com o coro (que fica repetindo “tá fervendo”). Nos dois últimos compassos sai o coro e depois a viola, sobrando apenas percussões, baixo (com um efeito de

drive) e o dueto vocal. A viola mantém o dedilhado até o compasso 60. No

compasso 61 a viola retoma novamente o riff da Introdução até o compasso 68. Nos compassos finais (de pausa) efeitos sintetizados de teclados (ou pads) junto com um fade out do baixo (com drive) fazem a ligação com a música seguinte.

3.4.3 Andamento e rítmica

O andamento está em 78 bpm e a fórmula de compasso é quaternária (quatro por quatro). O estilo, sempre antropofágico em Lenine, tem uma sonoridade árabe/ espanhola (vinda da viola e de alguns instrumentos percussivos), acentuações de maracatu (entre os compassos 47 e 50), mas a base principal é o gênero rock. Quanto à rítmica, ela mantém quase um ostinato constante, baseado nesse fraseado da parte A:

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3.4.4 Letra

A letra está dividida em três estrofes (sem contar as repetições):

      

Olho na pressão, tá fervendo Olho na panela

Dinamite é o feijão cozinhando Dentro do molho dela

A bruxa acendeu o fogo Se cuida, rapaziada Tem mandinga de cabôco Mandando nessa parada Garrafada de serpente Despacho de cachoeira Quanto mais o fogo sobe Mais a panelada cheira Olho na pressão [...] A bruxa mexeu o caldo Se liga aí, ô galera Tá pingando na mistura Saliva da besta-fera Chacina no Centro-Oeste E guerrilha na fronteira Emboscada na avenida Tiro e queda na ladeira Mas feitiço é bumerangue Perseguindo a feiticeira

Em 1999, a figura da “bruxa” estava em alta no Brasil. Nesse ano o filme A

Bruxa de Blair (dirigido por Daniel Myrick e Eduardo Sánchez) teve grande bilheteria

nos cinemas brasileiros e a série Harry Potter (J. K. Rowling) já chegava ao quarto volume. Ambos podem ter influenciado, mesmo inconscientemente, a escolha da personagem principal da música Na Pressão.

No imaginário popular, a bruxa utiliza um caldeirão para misturar poções mágicas e com isso, criar feitiços para servir aos seus propósitos diabólicos. Na letra de Na Pressão, o resultado do caldo preparado pela bruxa é a violência. No entanto, como um bumerangue, essa violência se volta contra ela mesma (“Mas feitiço é bumerangue/ Perseguindo a feiticeira”).

O feijão, típico na alimentação do cotidiano brasileiro é mais uma mostra da brasilidade que Lenine quer deixar à mostra em suas canções. Outra referência ao Brasil encontra-se no verso “tiro e queda na ladeira”, onde “ladeira” pode remeter à música anterior, Jack Soul Brasileiro (“Dessa alma brasileira/ Despencando da ladeira/ Na zoeira da banguela”).

No entanto, a letra mostra também seu lado antropofágico, pois, além do Brasil, a canção alude a povos africanos, indígenas e europeus: “Tem mandinga” está relacionado ao povo de religião predominantemente maometana, que vive no Norte da África ocidental; “cabôco” vem de “caboclo”, mistura de branco com índio; “Garrafada de serpente” se refere à beberagem de curandeiro (geralmente pajés) aplicada como remédio; “Despacho de cachoeira” remete às religiões afro- brasileiras, em especial à umbanda. Na terceira estrofe, no verso “Saliva da besta- fera”, a citação é de um ser mítico do folclore português.

Na última estrofe, os autores provavelmente estavam relatando alguns dos acontecimentos envoltos em violência que marcaram 1999: a frase “Chacina no Centro-Oeste” pode se referir a diversas rebeliões e chacinas nas prisões no Mato Grosso (MT)56; na frase seguinte, “E guerrilha na fronteira”, os autores provavelmente se referiam à guerrilha colombiana (FARC), que ameaçava invadir as fronteiras brasileiras pela Amazônia (FERRAZ, 1999); “Emboscada na avenida” pode remeter ao episódio sofrido pelo policial civil Osvaldim Suhet Reis, que foi surpreendido por uma emboscada de criminosos na Avenida Brasil, no Rio de Janeiro, ou à emboscada e assassinato dos enfermeiros Marcos e Edma, que denunciavam irregularidades financeiras da direção do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Para Lenine, em suma, a “bruxa” está sempre solta:

[...] Os prédios caindo, a polícia parando tudo... O fato é que toda essa coisa digital e essa aproximação que hoje a gente vive todo mundo sabe de tudo ao mesmo tempo [...] A bruxa sempre está solta [...]; a música é sempre, nesse sentido, muito atual (Lenine, entrevista concedida a Sérgio Pereira em 10/02/2012).

3.4.5 Melodia

Na Pressão está em sol menor dórico. O modo dórico, bastante utilizado em

improvisações do blues e do jazz, possui como nota característica o intervalo de 6ª maior. No caso da tonalidade de sol menor, portanto, a nota característica para esse       

56 “No ano de 1999, ocorreram três rebeliões sérias, motivadas pela superlotação, e dois detentos

foram mortos a golpes de chuço no Presídio de Mata Grande [maior presídio do Mato Grosso]” (DHNET, 2001, p. 15).

modo é mi natural, encontrada nos compassos 17, 18, 30, 33 e 34. Não há mi bemol na melodia.

Todavia, o sotaque pernambucano de Lenine, independente das notas que venham a ocorrer na melodia, já traz a lembrança da música nordestina brasileira, contrastando com outros timbres e escalas escolhidos.

Na Introdução, a viola caipira executa um riff (pequeno tema) em quartas, no mesmo modo (dórico).

3.4.6 Harmonia

A harmonia é trabalhada em dois blocos de acordes que se repetem durante a música. O primeiro está na Introdução e parte B, do compasso 5 ao compasso 12, com a sucessão de acordes57 Gm e G°. O segundo bloco se encontra na parte A primeiramente entre os compassos 13 e 16 e compreende a progressão Gm7/ Gm6 / G+(add9)58/ Gm6, bastante comum em músicas tonais menores.

Essas montagens de acordes na viola não são tradicionais no instrumento, aproximando-se mais de formações de acordes da guitarra, como é o caso dos compassos 13 e 14 no exemplo abaixo:

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Não há movimentação em relação às funções harmônicas (tônica – dominante – subdominante). Quem se movimenta são as notas dentro de cada um

      

57 Segundo Arnold Schoenberg, “uma progressão tem a função de estabelecer ou contradizer uma

tonalidade. [...] Uma sucessão de acordes pode ser sem função, sem expressar uma tonalidade de forma inequívoca nem requerer uma continuação definida” (SCHOENBERG, 1969, p. 01).

58 A cifra G+(add9) define um acorde aumentado (“+” = #5), sem a sétima (“add9” = tríade com nona

adicionada).

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dos acordes em um ciclo (intervalos b7 - 6 - #5 – 6 – b7), mas com a mesma fundamental, constante em todos eles.