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KVALITETSELEMENT FREKVENS I ELVER OG

6.4 Design av overvåkingsprogram i Vansjø-Hobøl vassdraget

6.4.6 Overvåking av belastninger

Novas ideias e concepções pedagógicas começam a circular na província paulista a partir de meados da década de 1870 trazidas sobretudo por intelectuais ligados ao liberalismo republicano, abolicionistas, positivistas, educadoras protestantes e adeptos da cultura norte-americana. Venâncio Filho (1982 p. 102) embasado no pensamento de Antônio Paim entende que a década de 1870 foi marcada pela entrada de novos postulados filosóficos que colocaram em evidência a instabilidade da monarquia escravocrata no Brasil. Já Martins e Barbuy (1999) apoiadas nos estudos de Sílvio Romero salientam que um bando de ideias novas invadiu o Brasil nos idos de 1868 e

196 colocaram em cheque os princípios da escolástica e questionando o atual poderio da Igreja Católica nos negócios do Estado (p.61). Na Faculdade de Direito de São Paulo a liberdade de pensamento nos pátios das Arcadas trazia um intenso debate entre posicionamentos liberais, conservadores, positivistas, ultramontanos, democratas, republicanos, monarquistas, abolicionistas e escravistas manifestado principalmente pela imprensa acadêmica que lançou uma enorme quantidade de periódicos defendendo diversos posicionamentos políticos.

Em 1870 foi inaugurada a primeira escola confessional protestante da província, a Escola Americana preconizando o ensino intuitivo na escola primária paulista (SCHELBAUER, 2005 p. 140). Além das escolas confessionais protestantes que aos poucos se estabeleciam nos campos de Piratininga a escola particular laica de cunho positivista também trazia o ensino das Lições de Coisas como novidade pedagógica, métodos oriundos de pedagogos estrangeiros como Froebel e Pestalozzi. Em 1874 é instalado na cidade de Campinas o colégio Culto à Ciência. O colégio era financiado por particulares, não tinha fins lucrativos e oferecia educação leiga, com ênfase nas ciências (SCHELBAUER, 2005 p. 141). Em 1873 também é fundada a Sociedade Propagadora de Instrução Popular na capital paulista, organizada por lideranças liberais da província.

Cabe lembrar que o grupo liberal liderado por Carlos Leôncio de Carvalho deu total apoio à instalação de instituições não oficiais, mantidas por particulares em São Paulo e posteriormente em todo Brasil com a promulgação do decreto 7.247 de 19 de abril de 1879, a denominada Lei do Ensino Livre. Leôncio de Carvalho assumiu a pasta do ministério do Estado e dos Negócios do Império em 1878. Desde 1871, ele já exercia atividades como professor na faculdade de Direito de São Paulo e como membro do Partido Liberal.

João Köpke faz parte de uma nova geração de professores que, embebidos das novas ideias, dinamizaram o ensino – notadamente o particular – da Província de São Paulo. Nascido em Petrópolis em 1852, ao contrário dos demais professores de História e Geografia que até então haviam lecionado essa disciplina no Curso Anexo – formados desde os preparatórios no Largo São Francisco – Kopke obteve sua educação primária na escola mantida pela sua família em Petrópolis, no Rio de Janeiro – Colégio de Petrópolis – até a idade de quatorze anos e concluiu seus estudos preparatórios em um

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estabelecimento particular de ensino, o Colégio S. Pedro de Alcântara. (PANIZZOLO, 2006, p.65).

Segundo Cláudia Panizzolo (2006 p.72) Köpke recebeu sólida formação no colégio mantido pelo seu pai, Henrique Köpke, que já em meados da década de 1850 introduzira em seu colégio estudos simultâneos e seriados, adotando divisão de classes em pequenos grupos de alunos correspondendo ao grau de inteligência e adiantamento nos estudos, além de procedimentos disciplinares brandos, novos processos para a aprendizagem da leitura, métodos renovados para o estudo das línguas e, sobretudo, a grande preocupação com o vernáculo (...).

Formado pela Faculdade de Direito de São Paulo, Köpke foi promotor público em São Paulo mas deixou a carreira jurídica para se dedicar ao magistério. Seu interesse pelo Curso Anexo data ano de 1879 quando obteve uma breve passagem por essa instituição como professor substituto de Filosofia, Retórica, História e Geografia. Retornou à Faculdade para assumir a titularidade da Cadeira de Geografia somente em 1883 e, mais uma vez, fez uma passagem curta pedindo exoneração em 1885.

Os interesses de João Köpke pelo magistério vinham desde o ano de 1874 quando ele, ainda no quarto ano do curso de Direito, já lecionava aulas preparatórias em colégio particulares (PANIZZOLO, 2006 p. 107). Köpke lecionou aulas de inglês no Colégio Mamede, antigo Culto à Sciencia, e de várias matérias no Colégio Pestana. Em 1878 lecionava aulas particulares de Geografia na sua própria residência cobrando uma mensalidade de 10$000 (PANIZZOLO, 2006. p. 106)

Panizzolo (2006) cita que em dezembro de 1879 o jornal A Província de S. Paulo anuncia um novo colégio para o sexo feminino fundado por João Köpke – o Colégio Köpke, no entanto, que não passou do ano de 1880. Em 1881 João Köpke mudou-se para Campinas e começou a trabalhar como professor em colégios particulares naquela região, no colégio Culto a Sciencia e no Colégio Florence. Em Campinas João Köpke dedicou-se profundamente ao estudo das novas tendências pedagógicas oriundas dos Estados Unidos e Europa. Comprou seu próprio material didático importando aparelhos, mapas, quadro e coleções de objetos específicos para o ensino intuitivo¸ fazendo seu próprio museu pedagógico que era utilizado em suas aulas. (p. 133)

Köpke foi aprovado unanimemente e em dezembro de 1883 foi nomeado professor da cadeira de História e Geografia.

198 Realizou-se na capital o concurso para provimento da cadeira de história e geografia do curso à academia. O candidato João Köpke foi plenamente aprovado, sendo examinadores os doutores Justino de Andrade e Américo Brasiliense (A Gazeta de Campinas, 03/10/1883 apud Ribeiro, 1996 p. 101)

Em 1883, Köpke deixa a cidade de Campinas rumo a São Paulo, onde acabava de se tornar vaga a cadeira de História e Geografia do Curso Anexo. Panizzolo (2006), não explica a razão de o professor ter deixado o seu trabalho em dois colégios em Campinas para voltar à Capital paulista para trabalhar no Curso Anexo. A autora levanta a hipótese apoiada no trabalho de Arida Inês Miranda Ribeiro que isso pode ter ocorrido por desgosto que o professor passara pela morte de um filho. De qualquer maneira, o Curso Anexo lhe exerceu alguma atração, talvez por questões de estabilidade profissional, haja vista que, ingressando por meio de concurso público, Köpke seria o titular da cadeira de História e Geografia o que lhe garantiria um emprego fixo e estável até a sua aposentadoria. Köpke lecionou na cadeira de História e Geografia do Curso Anexo por mais dois anos, de 1883 a 1885. Interessante notar que neste momento Köpke já era um profissional renomado no ensino. Como teriam sido as aulas no Curso Anexo? Teria trazido novos métodos de ensino da Geografia para os alunos do Curso Anexo?

Assim o fez Köpke quando montou um laboratório de física no Colégio Culto à Sciência, quando preferiu conferencias sobre Ciências Naturais, tratando de assuntos como anatomia humana, ou em suas aulas particulares de Geografia, Geometria, Botânica, Anatomia, Fisiologia, Física e Química.

Em todas estas circunstâncias, utilizou-se dos objetos para o ensino prático que, de tão diversificado, transformaram sua sala de aula em um museu pedagógico.

Esses objetos e aparelhos foram trazidos para São Paulo e, provavelmente, outros ainda foram adquiridos, passando a compor o verdadeiro arsenal intuitivo da Escola Primária Neutralidade, constituído por materiais voltados ao ensino de Física: barologia, termologia, acústica, óptica, magnetismo, eletricidade, além de alguns classificados como aparelhos avulsos; Matemática, Astronomia, Geografia, Geologia e Meteorologia, Anatomia, Zoologia, Botânica e Mineralogia, Mecânica, Estratégia Militar e Marinha, Escultura, Pintura e Arquitetura, História, Etnografia, Línguas e Noções Gerais (PANIZZOLO, 2006 p. 171 grifos nossos)

O professor pediu demissão em 1885. A autora diz que segundo o jornal A Província de S. Paulo isso ocorreu devido ao seu envolvimento na instalação do Colégio Neutralidade na capital, mas a autora também considera a hipótese de Köpke

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ter saído do colégio por questões éticas, por não suportar os escândalos que ocorriam no momento do exame daquela instituição em que pais de alunos compravam aprovação no exame (p. 134):

Duas vezes fui professor oficial investido do cargo de examinador, em São Paulo, onde a tolerância ilegal, desde o Chefe do Estado até a última das autoridades propostas ao ensino, permite o monopólio do magistério àqueles que, para a aquisição de clientela, tem o engodo do voto de juízes, e de duas vezes, da borda do chaco, sobre o qual era bastante curvar-me e meter dinheiro da algibeira, afastei-me nauseoso, tolhido de pobreza, mas rico de consciência, sacudindo para longe de mim essa túnica de juiz mercador, que me queimava os ombros só pela suspeita de que me julgariam pela bitola dos que à sombra desfaçada (sic) postergação da lei, prostituem um sacerdócio de por engrossar proventos (KÖPKE em discurso de abertura dos exames gerais na Escola Primária Neutralidade – Instituto Henrique Köpke (1988)

p. 17 apud PANIZZOLO 2006 p. 134).

Ficando vaga a cadeira de História e Geografia, a direção da faculdade abriu concurso para provimento de professor dessa matéria em 1886. No ano anterior, após a saída de Köpke foi dada autorização para Manuel José da Lapa Trancoso para assumir por um mês, ou seja, até o término do ano letivo, para reger as aulas dessa disciplina. O novo professor efetivo só viria em 02 de julho de 1886 com a nomeação, por concurso do Professor Cônego José Valois de Castro (MAFD Livro 26).