Não nos bastava compreender os pontos de vista da gestão da escola e de suas coordenadoras, precisávamos também compreender como estudantes e professores/as compreendem as avaliações externas dentro da escola e como esta influencia em seu trabalho, tanto de ensino quanto de aprendizagem. Para atendermos a este objetivo optamos por realizar dois grupos focais, sendo um com dez professores/as e o outro com oito estudantes. Separamos em grupos diferentes para possibilitar as discussões sem que a censura de falas pudessem prevalecer, pois entendemos que grupos com perfis parecidos podem discutir os temas com melhor propriedade e seus relatos podem ser melhor interpretadas.
Por isso, apresentamos o perfil dos/as participantes dos dois grupos focais realizados, estudantes e professores/as, cada um com os dados referentes às suas particularidades.
No primeiro grupo focal o público alvo foram os/as estudantes da terceira série do Ensino Médio e, assim, convidamos todos/as das duas turmas da escola, porém, apenas representantes de uma única turma se disponibilizaram a participar da pesquisa. O grupo aconteceu com oito estudantes, sendo três do sexo masculino e cinco do sexo feminino, com faixa etária entre 16 e 18 anos de idade. Os/as estudantes no final do ano letivo de 2016 foram todos aprovados com médias acima de seis pontos, e durante este mesmo ano nenhum/a deles/as apresentaram médias inferiores a seis. O quadro 1, a seguir, nos informa o quantitativo de estudante de acordo com as características apresentadas por eles durante o grupo focal:
Quadro 1 - Características dos/as estudantes
Etnia Tempo na
escola Faixa etária
Localidade de moradia Brancos/as Negros/as 2 anos 3 anos 16- 17 anos 18 anos ou mais Zona rural Zona Urbana Quantidade de estudantes 5 3 1 7 7 1 1 7
Fonte: Grupo focal realizado com os/as estudantes da E.E. Aurora Maria Nascimento.
O primeiro estudante a se apresentar foi Augusto, 17 anos, natural do Estado de Alagoas e há seis anos mora em Itumbiara. Estudou sempre em escolas públicas e recebeu
indicação de uma vizinha que informou que a E. E. Aurora Maria Nascimento era uma escola muito boa. Porém, o estudante nos informa que quando soube que a escola era de tempo integral acabou sendo um ponto negativo para sua escolha, porém, de acordo com ele, com o tempo se acostumou e passou a gostar da escola.
Laura, estudante de 17 anos, se apresentou em seguida e nos explicou que estuda nesta escola faz três anos, sendo que fez o ensino fundamental em escola estadual da cidade de Itumbiara, em tempo integral. Informou-nos que iniciou na escola pois tinha uma amiga na instituição e também porque sua mãe optou pelo ensino em tempo integral. Para a estudante, o ensino em tempo integral atrapalha os/as estudantes que querem trabalhar, como percebemos em sua fala:
Eu tinha uma amiga que estudava aqui e que gostava muito da escola, acabei vindo por causa dela. Minha mãe prefere que eu fique o dia todo aqui do que ficar o dia todo em casa. Eu também estudei em tempo integral antes e só voltava se quisesse na parte da tarde. Isso me incomoda pois quero trabalhar e não posso (LAURA, estudante, GF, 27 de out. 2016).
Luana, 17 anos, estudou anteriormente em escola estadual de Itumbiara, é aluna da zona rural e este foi o motivo do início de seus estudos na E. E. Aurora Maria Nascimento. Ela é a única estudante que estuda há apenas dois anos nesta instituição.
Pedro fez o ensino fundamental em escola particular da cidade, e explicou que começou na escola por opção da família. Informou também que a vontade da mãe prevaleceu à sua, pois a família entendeu que há semelhança entre esta escola e as particulares da cidade, como confirmamos em sua fala:
Eu comecei aqui por falta de opção e porque minha mãe falou que a preferência era que eu estudasse o dia todo. Minha mãe não queria que eu ficasse o dia todo em casa, e não tinha mais o ensino médio na escola que eu estudava, e ela não gosta de uma outra escola aqui que é conveniada e ir para uma totalmente particular também não era opção dela, por questões financeiras. No fim ela preferiu aqui por causa do ensino ser parecido com essas escolas (PEDRO, estudante, GF, 27 de out. 2016).
Lucas, estudante negro de 17 anos, fez o ensino fundamental em escola municipal da cidade e informou que iniciou na escola pois seus conhecidos indicavam que a E. E. Aurora Maria Nascimento era uma boa opção.
Jéssica, 18 anos, anteriormente estudante da rede estadual da cidade de Itumbiara, pensava em estudar em escola particular, porém, seu primo informou que a E. E. Aurora Maria Nascimento era uma boa escola e isso a fez mudar de ideia.
Sara, estudante de 17 anos, antes de estudar na E. E. Aurora Maria Nascimento era estudante da rede federal de ensino. De acordo com a estudante, a opção de mudar de escola foi de sua mãe, e ela faz algumas comparações sobre as escolas, assim como ela explica em sua fala:
Eu comecei nesta escola porque minha mãe achou uma boa opção e como é tempo integral eu teria um tempo a mais de estudo. Mas quando entrei eu achei diferente. Eu estudei em uma escola de tempo integral, que tinha o ensino técnico junto, e lá eu entrava às 7h da manhã e saía às 8h da noite, pois tinha coisa demais pra fazer. Mas é diferente daqui, lá eu ficava para recuperar matéria que não tinha aprendido, que não tinha prestado atenção. Eu saí daquela escola por causa de uma greve e minha mãe achou que aqui, por ser tempo integral, era parecido. Mas não é, a metodologia é diferente, lá eles aprofundam mais alguns conteúdos por causa do técnico e aqui acaba equiparando porque é bem puxado o ensino (SARA, estudante, GF, 27 de out. 2016).
Janaína, estudante de 16 anos de idade, explicou que desde os 9 anos estuda em escolas de tempo integral. Porém, de acordo com ela, sua ideia inicial era de fazer o ensino médio de forma integrada ao técnico na rede particular de ensino. Porém, como não teve a pontuação necessária, acabou optando pela E. E. Aurora Maria Nascimento pois tratava-se de uma escola com boas indicações.
Quanto ao grupo de professores/as, participaram do grupo focal doze profissionais, sendo apenas um do sexo masculino, e todos/as possuem formação inicial em Licenciatura. Gabriela, com 32 anos de idade, licenciada em Química e pós-graduada em ensino nessa mesma área, atua na E. E. Aurora Maria Nascimento há 9 anos. Karen, também licenciada em Química, está na escola fazem três anos. Com licenciatura em Letras, temos as professoras Solange, com 51 anos de idade, que atua nesta escola fazem 18 anos e com 3 anos trabalhando apenas com redação; a professora Ana, com 54 anos de idade e há nove anos atua nesta unidade escolar; e Vanessa, com 53 anos de idade, que além de licenciada em Letras ainda possui habilitação em Línguas, assumindo, portanto, a disciplina de Espanhol fazem 3 anos. Na área de Licenciatura em Pedagogia, temos Valéria, de 32 anos, atua com a inclusão escolar faz um ano e possui Pós-Graduação nesta área também e Karina, que atua nesta escola fazem 6 anos na área de Pedagogia. Marília, com 42 anos de idade, licenciada em Matemática e Pós- Graduada em ensino de Matemática, atua há 20 anos nesta escola e iniciou sua carreira como contratada, porém se efetivou e permaneceu. Lúcia, de 50 anos, licenciada em Geografia e Ciências Sociais, atua nesta escola fazem 9 anos e ministra aulas em ambas as áreas. Amanda, de 29 anos, é licenciada em Biologia, possui Mestrado em área igual a que atua desde o início
de 2016 nesta escola. Por último, Eduardo, Licenciado em Educação Física, está nesta escola há quatro anos.
Os dados relativos aos/às professores/as estão retratados no quadro a seguir.
Quadro 2 - Características dos/as professores/as
Etnia Tempo de serviço
na escola (anos) Faixa etária (anos) Formação B ranc o s/ as N egr os /as 1- 5 5- 10 A ci m a de 10 20 - 30 30- 40 A ci m a de 40 Pós - G radua çã o lat u se n su Pós - G radua çã o st ri ct o se nsu Quantidade de professores 10 2 5 4 3 2 4 6 3 1
Fonte: Organização da pesquisadora a partir da realização do grupo focal com os/as professores/as. Os dados apresentados e construídos a partir da realização dos grupos focais com estudantes e professores/as, assim como as entrevistas com a gestora e coordenadoras serão exibidos no próximo tópico.