4 RESULTATER OG DISKUSJON
4.2 Overskridelser av grenseverdier 14
O estabelecimento das relações entre termos e sentidos é um processo relevante para se observar o comportamento de um determinado domínio de especialidade.
A utilização do marcador linguístico é uma forma de reconhecer e delimitar essas relações. Essa identificação permite auxiliar no reconhecimento dos sentidos que apresentam afinidades e semelhanças de que resultam as relações polissêmicas.
A identificação da polissemia nominal diacrônica do termo “drogas” caracteriza-se por ser um processo realizado, em parte, através dos marcadores linguísticos. Por essa razão, serão considerados somente os contextos que veiculam mais de um sentido relativamente ao termos “drogas”. É a partir da ocorrência de mais de um sentido, num mesmo contexto, que a utilização de um marcador se torna útil e essencial para a descrição da polissemia, segundo a metodologia utilizada nesse estudo.
Conforme as tabelas que se seguem para a variante brasileira e variante portuguesa, é possível verificar que nos contextos selecionados para o desenvolvimento desse estudo, os marcadores relacionam somente termos e sentidos.
Além dos marcadores, foram identificados outros dados linguísticos que, podem demonstrar a relação entre sentidos, ou ainda veicular semas referentes a um determinado sentido. Referimo-nos à ocorrência dos sinais tipográficos existentes nos próprios contextos.
Como meio de exemplificar esses sinais tipográficos, podemos referir que no contexto 2006RTv12n3t7ctx3_drogas referente à variante portuguesa, observa-se que a ligação entre o sentido « psicofármacos » e o sema //ansiolíticos//, não é estabelecida por um marcador linguístico, mas sim por um sinal tipográfico, no caso, os parêntesis.
Reconhecemos que os sinais tipográficos são essenciais no processo da comunicação.
Com base nos contextos apresentados anteriormente, podemos demonstrar a complexidade e as diferentes funções do sinal gráfico parêntesis, pelo fato de permitir estabelecer distintas ligações.
Os parêntesis foram identificados nos contextos
2002RSPagov36n4t4ctx6_drogas e 2007RSPdezv41s2t27ctx1_drogas, relativos à variante brasileira.
No contexto 2002RSPagov36n4t4ctx6_drogas, esses sinais tipográficos estabelecem conexões entre o sentido « cocaína » e o sema //aspirada//, como também, entre os sentidos « baque » e « cocaína endovenosa ».
A primeira ligação trata-se de um caso de extensão semântica, isto é, o sentido « cocaína » incorpora o sema //aspirada//, e dá origem a uma significação mais específica, « cocaína aspirada ».
Nesse mesmo contexto 2002RSPagov36n4t4ctx6_drogas, os sentidos « baque » e « cocaína endovenosa » apresentam uma relação de sinonímia.
No contexto 2007RSPdezv41s2t27ctx1_drogas essa ligação, a exemplo do que ocorre na primeira, tem em conta o sentido « cocaína » e as extensões //aspirada// e
//injetável//. A única diferença é que o sentido « cocaína » passa a apresentar duas delimitações, no caso, « cocaína aspirada » e « cocaína injetável ».
Tendo em conta estas ocorrências, verifica-se que os corpora nem sempre atualizam informações suficientemente objetivas e precisas no que se refere às relações entre termos e sentidos.
Essas ocorrências levam-nos a refletir acerca das relações termos/sentidos e sentido/sentido, e assim adotar um comportamento cauteloso.
Em virtude da opacidade caracterizada pelos parêntesis e ainda pelo fato desses sinais tipográficos não se enquadrarem no objetivo proposto para a identificação das relações polissêmicas, desprivilegiaremos esses mesmos sinais tipográficos.
Paralelamente à tarefa de reconhecimento dos marcadores a partir dos contextos, é preciso também identificar a ocorrência de outros dados linguísticos: as sequências linguísticas podem ser constituídas por uma só unidade ou ainda por um conjunto de unidades; essas sequências podem estar presentes em alguns dos contextos, onde se analisa a polissemia nominal diacrônica. Verifica-se que essas sequências podem ocorrer tanto entre o termo e o marcador, quanto entre o marcador e os sentidos. Porém, neste trabalho, limitaremo-nos apenas à tarefa de identificação das sequências linguísticas, ficando para um projeto futuro, a sua análise, descrição e tratamento mais aprofundados.
Sublinhamos que o marcador é formado por um ou mais elementos, e tem a finalidade de celebrar uma relação, conexão e/ou ligação entre o termo e os sentidos.
O marcador não qualifica e muito menos nomeia qualquer unidade terminológica; muito mais que do que conectar, ligar, unir, ele tem a função de restringir, delimitar e demarcar as várias e distintas relações entre termo e sentidos.
Um mesmo marcador linguístico estabelece várias relações que podem ser consideradas como únicas, se tivermos em consideração que a relação estabelecida entre determinados termos e sentidos situa-se num discurso que ocorre num período do tempo.
Essa característica dinâmica dos marcadores favorece o estabelecimento de variadas formas de polissemia, dentre elas, a polissemia nominal diacrônica.
Acrescentamos que, uma única ocorrência de um marcador deve ser considerada importante.
As relações estabelecidas pelos marcadores são ilustradas a partir dos contextos, onde é expresso o comportamento único de um dado marcador.
Todas as formas de conexão e ligação entre termos e sentidos são relevantes para identificar a polissemia nominal diacrônica. Mesmo apresentando uma única ocorrência, a estrutura ainda se mostra relevante, no tocante à veiculação desse fenômeno.
Lembramos, aqui, os critérios delimitados no ponto 2.4.2.1 para identificar a polissemia nominal diacrônica:
i) identificação de marcadores, tendo em conta a relação termo e sentidos, em situação de contexto;
ii) definição das estruturas que possam apresentar e agrupar as relações entre termo e sentidos;
iii) descrição do comportamento do termo “drogas” e de seus sentidos.
A fim de melhor visualizar estes critérios, utilizaremos tabelas com as estruturas que apresentam as relações entre o termo “drogas” e seus sentidos.
A estrutura representa a relação entre o termo e os sentidos através de um marcador linguístico.
Acrescentamos que a posição dos termos, sentidos, marcadores e sequências podem variar de estrutura para estrutura.
A tabela é constituída por duas colunas: a primeira coluna do lado esquerdo situada na vertical apresenta os códigos dos contextos referente ao termo em questão.
A segunda coluna localizada do lado esquerdo, na horizontal, refere-se aos sentidos que foram identificados a partir dos contextos.
Optou-se por agrupar sob uma mesma estrutura as sequências em comum que veiculam as relações entre o termo “drogas” e seus sentidos.
Através dessas estruturas, identifica-se a ocorrência de distintos marcadores. Essa tarefa não se limita à análise de cada um dos marcadores e muito menos ao estabelecimento de uma tipologia; queremos apenas sublinhar a sua importância na relação termo/sentidos.
Na estrutura termo_marcador_sentidos, os marcadores estabelecem apenas a relação entre um determinado termo e seus sentidos.
Conforme a tabela concebida para a variante brasileira, identificou-se que o marcador [como] pode assumir a função de um marcador quando ocorre isolado, ou seguindo por outra unidade linguística, por exemplo: [como o] e [como a].
Vejamos a tabela que se segue, a fim de se ter uma melhor apreciação das relações através dos marcadores referidos.
Para a variante portuguesa, o marcador [como] caracteriza-se por ser o elemento mais frequente da presente estrutura. Da combinação com outras unidades resultam os marcadores: [como o] e [como a].
Ainda podemos fazer referência à única ocorrência do marcador [nomeadamente o].
Considera-se que os marcadores referidos assumem a mesma função que consiste na delimitação da relação termo/sentido, num contexto discursivo, num determinado período de tempo, conforme verifica-se na tabela a seguir.
Uma outra estrutura identificada apresenta a seguinte sucessão: sentidos_marcador_termo.
Tal estrutura tem o mesmo modelo de formação que a anterior, exceto no que diz respeito à posição do termo e dos sentidos.
Não foi identificado nenhum exemplo referente a essa estrutura para a variante brasileira.
Para a variante portuguesa, constata-se uma única estrutura onde ocorre o marcador verbal [são], que tem por função apenas determinar a relação entre os sentidos « álcool » e « tabaco » e o termo “drogas”, como se verifica na seguinte tabela.
Num grupo de três contextos, as sequências sucedem ao termo: termo_expressão_marcador_sentidos.
Na variante brasileira, observa-se a existência somente de marcadores verbais no passado. O marcador verbal [foram] é comum a todos os contextos. Esse verbo caracteriza-se por ser tanto um marcador, quanto um constituinte de um marcador, conforme se pode observar em [foram o] e [foram respectivamente].
Através das sequências linguísticas (mencionadas pelas entrevistadas), (relatadas) e (com maior ocorrência) que ocorrem respectivamente nos contextos 2007RSPdezv41s2t27ctx1_drogas, 2009PPUFJFjanjunv3n1t6ctx1_drogas e 2009CSCnovdezv14n5t13ctx5_drogas, mencionamos apenas que essas mesmas sequências contribuem para a delimitação do termo “drogas”.
Acrescentamos ainda que a sequência (com maior ocorrência) caracteriza-se por intensificar o termo “drogas”.
Para a variante portuguesa, identificou-se apenas o marcador [incluem a], que estabelece uma relação de inclusão de sentidos.
No contexto 2002RSPagov36n4t4ctx6_drogas, observa-se a estrutura que ocorre para a variante brasileira: termo_expressão_marcador_sentidos.
Na presente relação, o marcador [constitui-se principalmente de] tem a função tanto de inclusão quanto de intensificação de sentidos relativamente ao termo
“drogas”. Apontamos também que a sequência (nesse grupo) tem a função de agrupar os tipos de drogas.
Na variante portuguesa não foram identificadas essas estruturas.
Assim, podemos afirmar que estes marcadores nos auxiliaram a identificar e sistematizar os sentidos relativos ao termos “drogas”.
Acrescentamos ainda que essa organização fundamenta o desenvolvimento de regras linguísticas mais pormenorizadas que possam viabilizar o reconhecimento da polissemia, tanto no eixo sincrônico quanto diacrônico. A elaboração dessas regras é parte integrante de um projeto futuro referente ao tratamento e reconhecimento automático desse fenômeno.
Dessa maneira, se considerarmos que num instante t1, o termo “drogas” apresenta determinados sentidos, num instante t2 esse mesmo termo passa a apresentar os mesmos ou ainda outros sentidos e assim sucessivamente.
Do mesmo modo que os marcadores, as sequências linguísticas podem auxiliar na identificação de aspectos ligados à diacronia, como tempo, espaço, ambiente, intervenientes, etc.
Dando continuidade ao presente estudo, passaremos à segunda parte do trabalho que tem em conta, a identificação, análise e descrição dos sentidos polissêmicos dos termos.
5.1.3 Critérios e metodologias de análise e descrição da polissemia nominal