regnskapsstandarder (International Financial Reporting Standards – IFRS)
3. OVERGANG tIL IFRS
Qualquer plano de investigação, seja de cariz quantitativo, qualitativo ou misto, pressupõe uma recolha de dados por parte do investigador.
A entrevista é um processo de recolha de informações que utiliza, preferencialmente a forma de comunicação verbal, num encontro entre duas ou mais pessoas, durante o qual o investigador interroga os entrevistados, com o objectivo de conhecer as suas opiniões sobre alguns factos que lhe interessam (Amorim, 1995).
O contacto entre entrevistador e entrevistado possibilita que o primeiro possa formular previamente algumas questões, bem como adaptá-las ao longo do processo bem como pedir informação adicional sempre que tal se revele importante para o estudo.
É neste sentido que De Ketelle & Roegiers (1999: 22), afirmam que o inquérito por entrevista consiste num acto de comunicação, “como método ao serviço de um processo de recolha de informações”.
CAPÍTULO V – Metodologia da Investigação
104 Trata-se de um processo de partilha que Quivy e Campenhoudt (1992: 193) descrevem da seguinte forma:
“Instaura-se assim, em princípio uma verdadeira troca, durante a qual o interlocutor do investigador exprime as sua percepções de um acontecimento ou de uma situação, as suas interpretações ou as suas experiências, ao passo que, através das perguntas abertas e das suas reacções, o investigador facilita essa expressão, evita que ela se afaste dos objectivos da investigação e permite que o seu interlocutor aceda a um grau máximo de autenticidade e de profundidade.”
Apesar de ser uma das técnicas mais utilizadas na metodologia qualitativa, a entrevista é uma técnica privilegiada quando se pretendem obter dados válidos sobre as crenças, as opiniões e as ideias dos sujeitos inquiridos. Sobretudo se tivermos em conta que o diálogo entrevistador-entrevistado pode permitir destacar alguns aspectos mais específicos, difíceis de conseguir através de outras técnicas de recolha de dados.
Todavia, tal como outras técnicas utilizadas para este efeito, as entrevistas apresentam vantagens e desvantagens. Segundo Bell (1997: 118) a adaptabilidade é uma das principais vantagens das entrevistas, na medida em que permitem que um “entrevistador habilidoso” consiga “explorar determinadas ideias, testar respostas, investigar motivos e sentimentos”. Situação que o questionário poderá não permitir, ou seja, a forma como determinadas respostas são dadas podem fornecer informações que uma resposta escrita não revelaria.
Autores como Quivy e Campenhoudt (1992: 195) apresentam outras vantagens do recurso a esta técnica, tais como “o grau de profundidade dos elementos de análise recolhidos, a flexibilidade e a fraca directividade do dispositivo que permite recolher os testemunhos e as interpretações dos interlocutores, respeitando os seus próprios quadros de referência”.
No entanto, a entrevista apresenta também algumas desvantagens. O tempo e a disponibilidade que consome aos que nela intervêm são, talvez, dois dos aspectos mais constrangedores. Além disso, é uma técnica bastante subjectiva, correndo-se o risco de poder ser parcial, muitas vezes de forma inconsciente. A análise das respostas pode levantar alguns problemas, pelo que a formulação das questões deve ser feita de forma tão clara, concisa e exigente como nos inquéritos por questionário.
A propósito de algumas desvantagens da utilização desta técnica, Quivy e Campenhoudt (1992: 195) acrescentam ainda que “a própria flexibilidade do método pode intimidar aqueles que não consigam trabalhar com serenidade sem directivas
CAPÍTULO V – Metodologia da Investigação técnicas precisas”, um aspecto que pode ser seriamente constrangedor para o investigador conduzir a realização de uma entrevista. Por outro lado, os mesmos investigadores alertam para o perigo de se poder incorrer numa situação oposta, isto é, pensarem que a “relativa flexibilidade os autoriza a conversar de qualquer maneira com os seus interlocutores” (idem, ibidem).
Em suma, a flexibilidade que caracteriza o inquérito por entrevista pode levar- nos a acreditar tanto na existência de uma total espontaneidade do entrevistado, como na completa neutralidade por parte do investigador, o que pode contribuir para desvirtuar todo o processo de recolha de dados. Por isso, a análise das entrevistas deverá considerar o contexto de onde dependem os seus intervenientes, aliás, um dos pressupostos mais importantes do paradigma qualitativo.
Entre os vários tipos de entrevista, recorremos à entrevista semi-estruturada, semidirectiva ou semidirigida, pois permite que o entrevistador tenha previstas algumas questões que servem de referência ao tema da conversa, procurando que as respostas se orientem em função das questões que considera essenciais, mas sem que os entrevistados se sintam limitados para emitirem suas opiniões. Não sendo um tipo de entrevista totalmente aberta, não é, também, dirigida por grande número de perguntas directas, o que facilita a adaptabilidade e a flexibilidade que referimos atrás, propiciando assim a abertura por parte dos entrevistados.
Em qualquer dos casos, o papel do investigador é fundamental, uma vez que deve esforçar-se por “reencaminhar a entrevista para os objectivos” que definiu à priori sempre que a pessoa entrevistada se afastar deles, colocando questões a que o entrevistado não chega por si próprio, na altura mais apropriada e de forma tão desejável quanto possível (Quivy e Campenhoudt, 1992: 194).
A preparação das entrevistas segue procedimentos idênticos aos da preparação dos questionários, isto é, “os tópicos têm que ser seleccionados, as questões elaboradas, os métodos de análise considerados e preparado e testado um plano” (Bell, 1997: 119). Já na condução das entrevistas há aspecto distintos, o que nos obriga a considerar alguns procedimentos e algumas regras, nomeadamente no que respeita à preparação do investigador, à linguagem utilizada e ao registo das respostas obtidas.
CAPÍTULO V – Metodologia da Investigação
106 2.2.1. Estrutura da entrevista
A utilização deste tipo de entrevista requer que se estabeleça previamente um guião (Anexo 3). Um facto prático que permite ao entrevistado uma margem de movimentos dentro desta estrutura e simplifica a análise subsequente, um aspecto interessante, especialmente para estudos condicionados por um prazo de tempo, o que acontecia com a realização deste trabalho.
A construção do guião da entrevista, à semelhança do guião questionário, baseou-se nos objectivos do estudo, para a definição de objectivos gerais e específicos, que foram traduzidos em questões e que serviram de suporte para a definição de dimensões para a análise do conteúdo das mesmas.
Assim, a entrevista foi estruturada em duas partes: uma primeira relativa às características pessoais e profissionais dos respondentes; a segunda, referente às suas perspectivas sobre o projecto curricular de turma.
Relativamente à segunda parte e de forma idêntica o que tínhamos feito para o questionário, foram definidas três dimensões, a partir das quais se identificaram as categorias para a análise do conteúdo das respostas.
No quadro 6 apresentamos as categorias que identificamos em cada dimensão, bem como os itens correspondentes a cada categoria.
CAPÍTULO V – Metodologia da Investigação
Dimensões Categorias Questões
Conceito Gostaria que me indicasse o que representa para si um projecto curricular
1. Projecto
Curricular Papel do
entrevistado
Considera que o cargo que ocupa lhe permite uma intervenção substantiva na concepção, implementação e avaliação do(s) projecto(s) curricular(es) de turma? De que forma?
Procedimentos
A que procedimentos recorre para orientar a elaboração do(s) projecto(s) curricular(es) de turma pelos docentes?
Definição de Estratégias
Define estratégias de trabalho específicas, ao nível do agrupamento, para a elaboração do(s) projecto(s) curricular(es) de turma? Quais?
Instrumentos Que instrumentos/documentos utiliza para apoiar os docentesna elaboração do(s) projecto(s) curricular(es) de turma?
Trabalho colaborativo
Na concepção, implementação e avaliação do(s) projecto(s) curricular(es) de turma, ao nível do agrupamento, procura estimular o trabalho colaborativo dos professores? A que procedimentos recorre para esse efeito?
Organização das aulas
Considera que os professores alteraram a forma como leccionam as aulas devido à existência do(s) projecto(s) curricular(es) de turma?
Implementação
Tem recebido algum feedback sobre a forma como os professores desenvolvem o(s) projecto(s) curricular(es) de turma? Esse feedback é conseguido mais a nível formal ou informal?
Avaliação dos alunos
Acha que os professores, como resultado da concepção, implementação e avaliação do(s) projecto(s) curricular(es) de turma, recorrem a procedimentos de avaliação distintos dos que utilizavam? Consegue identificar alguns?
2. Desenvolvimento do projecto
curricular de turma
Avaliação do projecto
Costumam avaliar o(s) projecto(s) curricular(es) de turma? Quando? De que formas?
Constrangimen- tos
Quais as principais dificuldades que tem detectado na concretização do(s) projecto(s) curricular(es) de turma pelos professores? 3. Constrangimentos da utilização do projecto curricular de turma Sugestões de melhoria
Pode apresentar algumas sugestões que contribuam para facilitar e/ou melhorar a concepção, implementação e avaliação do(s) projecto(s) curricular(es) de turma?
Quadro 6 – Matriz da Análise de conteúdo das Entrevistas