5.2 Solution
5.2.3 Overall Explanation of the Timing Attack
Os indicadores de saúde globais para efetivamente monitorizarem as alterações na saúde podem ser divididos em indicadores proximais e distais. Os primeiros avaliam diretamente o estado de saúde das populações, dos quais são exemplos as doenças, as mortes e a utilização dos serviços de saúde; os segundos avaliam os mesmos
indicadores, mas de uma forma indireta, podendo estes ser o desenvolvimento social e os indicadores de educação e pobreza.
Para que a saúde de uma população seja medida de forma útil, os indicadores escolhidos devem obedecer a certas características, sendo elas definição, validade, viabilidade e utilidade. Um ótimo indicador irá ter as quatro características. A primeira diz respeito à definição universal do indicador, para que este possa ser aplicado uniformemente; a segunda remete para a sua capacidade de replicação em diferentes cenários e espaços temporais; a terceira característica diz respeito à exequibilidade do indicador, não só a nível tecnológico como também económico; e a última característica refere-se à vantagem do indicador a longo-prazo, isto é, se irá ser proveitoso para futuras decisões e políticas públicas de saúde.62,63
Os indicadores do estado de saúde mais utlizados nos países em desenvolvimento são a morbilidade, mortalidade e percursores de ambos. Enquanto nos países desenvolvidos os indicadores já têm em consideração o estilo de vida e o comportamento dos seus indivíduos, como a prática de exercício físico, o tabagismo, a dieta ou o abuso de substâncias. No que diz respeito aos países em desenvolvimento, a validade dos indicadores pode ser significativamente afetada pelas diferenças relativamente à noção dos conceitos de saúde e doença. Pode também existir algumas reticências em relação à viabilidade dos seus indicadores de saúde e às suas publicações sobre o estado de saúde da sua população, uma vez que, apesar dos mesmos fornecerem uma aproximação do estado de saúde das suas populações, muitas vezes os seus serviços de saúde sofrem limitações económicas e logísticas, que influenciam negativamente a recolha de informação. Segundo Larson et al. 200462, os países que contam com restrições desta natureza podem considerar como opções, entre outras, as seguintes seleções de validade e utilidade dos seus indicadores:
- Utilizar um pequeno número de indicadores, com uma relevância importante e direta nas questões prioritárias de saúde;
- Utilizar definições internacionalmente aceites.
Em 1986 a Carta de Otawa64 para a Promoção da Saúde implementou um quadro conceptual para as vertentes da saúde como um todo, ou seja, dizia que “a saúde é um conceito positivo, que acentua os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. Em consequência, a Promoção da Saúde não é uma responsabilidade exclusiva do sector da saúde, pois exige estilos de vida saudáveis para atingir o bem-estar”. Assim, a saúde tem três dimensões: social (ambiente social e económico), psicológica (saúde mental) e física (doenças, mortes, incapacidades, etc.)64
É consensual na literatura e na comunidade científica a limitação de medidas únicas para avaliar o estado de saúde de uma população, no entanto, está longe um acordo sobre os melhores indicadores na avaliação da saúde pública. Como as medidas utilizadas podem avaliar várias coisas, a sua preferência pode refletir os valores que aquela sociedade determina como importantes. Assim, optando por indicadores de morbilidade mostra que a importância da dor e da qualidade de vida é a mesma que a da mortalidade. Escolher os anos de vida potencialmente perdidos refere uma preocupação com as mortes prematura. E se se selecionar medidas que não captam os aspetos indiretos do estado de saúde, como a deterioração da qualidade de vida, sugere que este tipo de indicadores não são tão importantes quanto os tracionais e mais objetivos. Ou seja, num determinado estudo pode ser mais importante escolher os que medem diretamente o estado de saúde e não os que se relacionam com os determinantes da saúde, que antecedem e/ou explicam o processo até chegar ao estado de saúde que se observa naquela população.
De uma forma geral, todos os indicadores são construídos no sentido de conseguirem apontar um caminho para a implementação de medias que visem a diminuição da carga de doença, das incapacidades e das taxas de mortalidade prematura. Ou seja, de uma forma geral, que melhorem a qualidade de vida da população em estudo.
De acordo com a literatura, o “healthy immigrant effect” existem diferenças significativas entre o sexo do indivíduo, a sua educação, a sua situação profissional e o seu nível económico. Neste estudo, serão utilizadas as variáveis sexo do respondente, nível de habilitações completado, condição perante a profissão, situação no trabalho e profissão principal e quintil de rendimento, respetivamente. As doenças crónicas, como a hipertensão e a diabetes, são geralmente os indicadores de um fenómeno que tem o nome de aculturação, no qual os imigrantes vão integrando os estilos de vida do país onde estão a residir (por exemplo, hábitos alimentares), perdendo o efeito protetor da sua cultura. Também os comportamentos de risco, como o tabagismo, refletem a perda deste efeito protetor, quer seja pela situação profissional precária (ou a falta dela), quer pelo sentimento de solidão (muitas vezes separados das famílias), quer pelo sentimento de ostracização relativamente à comunidade nativa. O acesso aos serviços de saúde, também um dos indicadores a ter em conta para a deterioração do estado de saúde ao longo do tempo, vai ter como variáveis a última consulta com o médico de medicina geral e familiar nos últimos 12 meses e o número de número de consultas com médico de medicina geral e familiar nas últimas quatro semanas.
agrupadas as categorias “Mau” e “Muito mau” e para um melhor estado de saúde foram agrupadas as categorias “Muito bom”, “Bom” e “Razoável”.
Posto isto, as variáveis foram escolhidas de forma a proporcionar a melhor resposta aos objetivos do estudo, como ilustrado em anexo.